quarta-feira, janeiro 04, 2006

Algumas das coisas que me fazem bem... Cultura?!

Aqui estão algumas das coisas que me fazem sorrir. E a vocês?

Música:
"You Are the Quarry", Morrissey
"Franz Ferdinand", Franz Ferdinand
"Medulla", Björk
"Talkie Walkie", Air
"Mind, Body & Soul", Joss Stone

Letras:
"Take me Out", Franz Ferdinand
"Come back to Camden", Morrissey
"Yeah!", Usher
"Left Outside Alone", Anastacia
"Leaving New York", REM

Cinema:
1. Antes do Anoitecer, Richard Linklater
2. O Amor é um Local Estranho, Sofia Coppola
3. O Despertar da Mente, Michel Gondry
4. Diarios de Che Guevara, Walter Salles
5. A Má Educação, Pedro Almodóvar
6. . A Vila, M. Night Shyamalan
7. A Melhor Juventude, Marco Tulio Giordana
8. A Vida é um Milagre, Emir Kusturika
9. Colateral, Michael Mann
10. Rapariga com Brinco de Pérola, Peter Webber

Espero receber os vossos comentários a estes meus sorrisos e que me aconselhem a ver e ouvir algo mais ;))

domingo, janeiro 01, 2006

FRIDA KAHLO

Comissária: Josefina Garcá Hernadez, Museu Dolores Olmedo, México
17 de Fevereiro a 14 de Maio 2006
de Terça-feira a Domingo, das 10h às 19h
A Coluna Partida, 1944; Óleo sobre masonite, Col. Museu Dolores Olmedo, C. México

Depois da Tate Modern de Londres e da Fundación Caixa Galicia, em Santiago de Compostela, é a vez de Lisboa receber a maior e mais completa exposição sobre Frida Kahlo realizada nas últimas décadas, com obras, muitas delas nunca antes apresentadas na Europa, provenientes do Museu Dolores Olmedo, no México a colecção mais importante que existe no mundo sobre a genial artista mexicana. 51 anos após a sua morte Frida Kahlo (1907-1954) continua a exercer um enorme fascínio pela sua arte controversa, os seus amores difíceis e o seu sofrimento físico. Entre 1926, quando pintou o seu primeiro auto-retrato, e a sua morte em 1954, Kahlo produziu cerca de 200 imagens. A sua relação com o muralista Diego Rivera, com quem casou, constituiu o lançamento inicial da sua carreira, que no entanto se consolida pela sua força e qualidade. Numa época de grande ebulição, em todos os sentidos, as importantes mudanças sociais e culturais não deixam de influir na vida e obra de Kahlo, que fez da sua vivência pessoal o tema principal dos seus quadros.Amante da cultura mexicana, em especial do mundo Azteca, esta artista autodidacta, descreveu o seu drama pessoal de forma muito crítica, através da figuração e da côr que utilizou de forma vibrante. Os seus quadros reflectiam o momento pelo qual passava e, apesar de muito "intensos", não eram Surrealistas como frequentemente foram designados - "Pensaram que eu era Surrealista, mas nunca fui. Nunca pintei sonhos, só pintei a minha própria realidade."

Concertos Antena 2 - «OS POETAS DA PRESENÇA»

Ciclo Lopes-Graça e a Poesia Portuguesa
Co-Produção: Antena 2 / CCB
25 de Janeiro 2006
às 21h
Pequeno Auditório
Duração:75 minutos aprox.

«Esses cancioneiros – o da nossa poesia culta e o da nossa poesia popular – monumentos erguidos com mãos firmes e rigorosas, por Fernando Lopes-Graça ao povo português». Assim falou Eugénio de Andrade a propósito da obra para canto e piano deixada por Lopes-Graça. No ano em que se comemora o centenário do nascimento de um dos maiores – senão o maior – compositor português, o palco do Pequeno Auditório do CCB recebe um ciclo de seis recitais para canto e piano. João Paulo Santos e seis nomes do canto lírico nacional, nomeadamente Dora Rodrigues, Ana Ester Neves, Ana Ferraz, Ana Paula Russo, Luís Rodrigues e Mário João Alves oferecem uma viagem musical pela literatura portuguesa, dos trovadores a José Saramago.
Comentados por João Paulo Santos, os seis programas – a realizar entre Janeiro e Novembro de 2006 – incluem obras de compositores estreadas em Portugal graças a Fernando Lopes-Graça no período em que esteve ligado a duas associações de concertos de grande relevância na divulgação da música do século XX – «Sonata» e «Divulgação Musical». No âmbito deste ciclo também será abordado o trabalho de Fernando Lopes-Graça sobre canções populares portuguesas.

segunda-feira, dezembro 26, 2005

PASSAGEM DE ANO, em Évora

Um amigo de Évora mandou-me um email com a seguinte informação... pode interessar... :)
OUTRO ANO DE PASSAGEM
29 Dez 2005 a 1 de Jan 2006
ÉVORA
A PédeXumbo e a Sociedade Harmonia Eborense, em conjunto com outras associações eborenses e em parceria com a Câmara Municipal de Évora organizam uma passagem de ano com Concertos, Dj's, Curtas de Cinema e Teatro, Oficinas de Dança e muita música.
Um novo programa a descobrir, em Évora.
A programação vai decorrer por vários espaços em Évora:
nos Celeiros (antigos Celeiros da EPAC),
SOIR -Joaquim António d'Aguiar, Praça do Giraldo ,
Oficinas da Comunicação (LargoDr. Mário Chicó)
e duas tendas no Largo 1º de Maio, junto à Capela dos Ossos.

sexta-feira, dezembro 23, 2005

Estreia da Semana


A Estreia da Semana, Tim Burton regressa à animação depois de em 1993 ter escrito e produzido The Nightmare Before Christmas, com o já aclamado pela crítica Corpse Bride. Um ano em grande para Tim Burton e para os fãs do cineasta que viram estrear em 2005 nada mais nada menos do que dois filmes, este que estreia esta semana e Charlie and the Chocolate Factory. A Noiva Cadáver (título português) conta a história de Victor, um rapaz tímido (Johnny Depp) que se vê obrigado pela família a casar com a jovem Victoria (Helena Bonham Carter), no entanto contra todas as expectativas o casal acaba por se apaixonar. Nervoso, na véspera do casamento, embrenha-se então na floresta enquanto vai ensaiando os votos e, quando já sabe tudo de cor, enfia a aliança numa raiz de árvore. É então que uma bela noiva cadáver surge da terra e arrasta Victor para a Terra dos Mortos. Uma história que parece ter todos os ingredientes para permitir a Tim Burton dar largas à sua imaginação e criar um filme que se espera memorável (é o mínimo que podemos esperar sempre de Tim Burton). Realce também para a técnica de animação utilizada em Corpse Bride numa altura em que se assiste ao reinado da animação digital iniciado pelo estúdios Pixar, Tim Burton opta por uma técnica bem mais tradicional (bem como moroso e dispendioso), a stop-motion ou animação de volumes. Aliás não deixa de ser curioso que este ano os filmes de animação que maiores elogios da crítica receberam tenham sido Wallace and Gromit in the Curse of the Were-Rabbit e Corpse Bride. A não perder!

A Caixa de Música de Pandora

Encontrei um pouco por acaso este site na internet e tem-se revelado bastante útil. Este site, criado pelo auto-intitulado Music Genome Project, pretende que o utilizador introduza o nome de uma banda ou música de que goste para que nos possa ser apresentada uma lista de bandas com uma sonoridade semelhante e que podem também agradar. Ainda se torna mais interessante porque oferece-nos a possibilidade de ouvirmos uma amostra (ainda que limitada) online. Experimentei e descobri bandas como The Thrills, Flaming Lips, Death Cab For Cutie e Belle and Sebastian através dos Arcade Fire e do Badly Drawn Boy. Outro dos aspectos positivos é que este site é inteiramente gratuíto (o objectivo é ser financiado pela publicidade).
Por outro lado, não conhece músicos portugueses, nem mesmo os mais internacionalizados como os Madredeus ou a Mariza e por vezes faz associações um pouco estranhas (como Sigur Ros com Roxy Music...).
Estejam descansados que podem abrir esta caixa à vontade!

quinta-feira, dezembro 22, 2005

FELIZ NATAL E UM ANO NOVO MARAVILHOSO!

Ok, ok... é Natal e por mais incrédula e "sanguinária" que eu pareça :) tenho o dever, enquanto administradora do Blog de deixar, pelo menos, umas palavras sobre a época. Sendo assim, agradeço a todos os colaboradores que aceitaram participar, a todos os que ainda estão para vir ;) e a todos os ARTISTAS (sim... vocês!) que nos visitam e aproveito para desejar a TODOS um Feliz Natal com MUITA PAZ, SERENIDADE, SAÚDE e TUDO DE BOM na companhia de quem amam e de quem vos ama. Que o novo ano seja sempre melhor que aquele que acaba!
Beijinhos E ATÉ 2006! ;)
S.M.

terça-feira, dezembro 20, 2005


Link: http://www.mafaldarnauth.com/

MAFALDA ARNAUTH nasceu a 4 de Outubro de 1974, em Lisboa. Surge como um meteoro no circuito do Fado após ter participado, em 1995 num espectáculo no Teatro S. Luís, ao lado de alguns dos grandes nomes do Fado. A partir dessa altura Mafalda Arnauth nunca mais parou, passando por alguns programas de Televisão e Rádio, por vários palcos no estrangeiro (Luxemburgo, Alemanha, França, Inglaterra) e um pouco por todo o país. Em 1996 entra como artista privativa da Taverna do Embuçado (uma das principais Casas de Fado de Lisboa) e, participa na Cimeira dos Países de Língua Portuguesa que tem lugar em Moçambique.
Em 1997, em Paris, está presente num Encontro Internacional de Poesia onde interpreta vários temas de Camões, Fernando Pessoa e Pedro Homem de Mello. No mesmo ano desloca-se a Londres actuando ao lado de Argentina Santos e Carlos Zel. Ainda em 1997 está presente em Frankfurt, juntamente com Helder Moutinho, numa Semana dedicada a Portugal e organizada pela Associação Cultural Portugal-Frankfurt . Em 1998 desloca-se a Paris para um concerto em directo para a Rádio Alfa. Destaque para a presença na Expo-98 em diversas actuações - no Palco do Fado durante a primeira Semana de Fado, no Palco do Jazz em dois espectáculos integrados no projecto "Novas Vozes de Um Fado Antigo" e no mesmo palco mais duas actuações no projecto "De San Telmo à Mouraria - Fado e Tango". Ainda em 1998 participa no Tanz & FolkFest Rudolstadt, o maior Festival que se realiza na Alemanha dedicado às Músicas do Mundo, representando o fado juntamente com Helder Moutinho. Participa ainda neste ano de 98, em Innsbruck (Áustria), no Festival "Voices" integrando o projecto da Ocarina "Duas gerações a cantar o Fado" ao lado de Maria Amélia Proença. 1999 - Com aquele projecto da Ocarina esteve presente em 5 concertos, de par com Maria Amélia Proença, em Bremen (Alemanha) no passado mês de Março, no Festival Women in (E)motion. Mafalda está hoje a afirmar-se como uma das mais sólidas e promissoras vozes do fado recebendo muitos convites para espectáculos no país e no estrangeiro. Para este ano que decorre, tem já agendados concertos para a Alemanha, Espanha e Holanda.

Prémio Pessoa para Luís Miguel Cintra

O galardão, no valor de 44 mil euros, foi atribuído ao actor e encenador Luís Miguel Cintra. É a primeira vez que é distinguida uma personalidade ligada às artes do espectáculo.

Luís Miguel Cintra, 56 anos, «tem construído ao longo de mais de três décadas um percurso exemplar tanto como actor, como nos planos da dramaturgia e da encenação», considerou o júri, justificando assim a entrega do Prémio Pessoa, esta sexta-feira, ao actor e encenador.O galardão, instituído em 1987 pelo semanário Expresso e a empresa Unysis, já distinguiu até hoje 21 personalidades portuguesas com «intervenção relevante» na vida cientifica, artística e literária do país, entre as quais o historiador José Mattoso, o neurocirurgião João Lobo Antunes, o escritor José Cardoso Pires, a pianista Maria João Pires e a pintora Menez.Luís Miguel Cintra, Prémio Pessoa 2005, considerou o galardão «lisonjeiro para o Teatro», mas também «incómodo» por considerar o seu trabalho «uma arte colectiva». «O que eu faço é fruto do trabalho de muitas pessoas», comentou.O presidente da Republica, Jorge Sampaio, considerou o prémio «justo», afirmando que Luís Miguel Cintra «muito tem prestigiado o teatro e a cultura» portugueses. Manoel de Oliveira, o realizador que mais vezes dirigiu Luís Miguel Cintra no cinema, considerou Luís Miguel Cintra «um actor de excepção», enquanto o encenador João Mota também considerou a distinção «merecida» e o dramaturgo Luís Francisco Rebello qualificou Luís Miguel Cintra como «o maior actor português vivo».O realizador Paulo Rocha disse que o galardoado «é um monumento» que e «é difícil alguma vez voltar a haver alguém como ele».

domingo, dezembro 18, 2005

Lançamento do Livro POEMA SEIS

A sessão de lançamento do livro Poema Seis terá lugar no dia 19 de Dezembro de 2005, pelas 22h, na Sociedade de Instrução Guilherme Cossoul, Avenida D. Carlos I, 61 - 1º Andar, em Lisboa.
A apresentação da obra será feita pela mestre arquitecta Ana Elisa Vilares e pelo professor António Oliveira.
Podem visitar o Blog do autor em: http://lup51.blog.simplesnet.pt/
(Ele disse-me que todos os textos da sua autoria com valor literário foram retirados do blog por fazerem parte deste livro e de próximos... o que se entende perfeitamente.
Muito sucesso, Luís.

quarta-feira, dezembro 14, 2005

Quiz

Como se chama e de quem é este poema popularizado na voz de Manuela Moura Guedes?

Há luz sem lume aceso
Mas sem amar o calor
À flor de um fogo preso
À luz do meu claro amor
Há madressilvas aos pés

E águas lavam o rosto
A morte é uma maré
Olho o teu amado corpo
Será sempre a subir

Ao cimo de ti
Só para te sentir
Será no alto de mim
Que um corpo só
Exalta o seu fim
Não foram poemas nem rosas

Que colheste no meu colo
Foram cardos foram prosas
Arrancados ao meu solo
Oi que ainda me queres

No amor que ainda fazemos
Dá-me um sinal se puderes
Sejamos amantes supremos
Será sempre a subir

Ao cimo de ti
Só para te sentir
Será no alto de mim
Que um corpo só
Exalta o seu fim. . .

(adoro esta música, até há pessoas que insistem em afirmar que já a cantei numa dessas noites de karaoké, mas creio que são só rumores!)

Dúvidas literárias

Depois de terminar a leitura de "O Processo" de Kafka estou na dúvida sobre a leitura que se segue: "Inventem-se novos pais" de Daniel Sampaio, a "Odisseia" de Homero, a releitura de "D. Quixote e Sancho Pança" (na versão original) de Cervantes ou a "Introdução à Filosofia Política" de J. Wollf. Aceitam-se sugestões bem como novas hipóteses de leitura.
Certezas de momento só a leitura em avulso e salteada das Crónicas de Lobo Antunes. O homem é genial!

Recital de Natal | Canções de Natal e Espirituais Negros - CCB













Para quem gosta do Natal mas gosta, sobretudo, de ouvir a Beleza.

Soprano Ana Paula Russo
Guitarra Carlos Gutkin

Iniciativa:Antena 2 / RDP

16 Dezembro 2005 às 19h
Pequeno Auditório
Duração:75 minutos c/intervalo



'Um recital de Natal baseado em composições conhecidas e de grande beleza: "Silent Night", "Adeste Fidelis", etc. O menu musical inclui Espirituais Negros, bem swingados, sempre para voz e guitarra, com harmonizações concebidas de modo a criar um ambiente agradável e atraente, sem prescindir dum toque erudito. O programa foi apresentado num dos recitais inaugurais do Festival de Música do Algarve, obtendo grande sucesso junto do público. Ana Paula Russo é uma das mais conceituadas sopranos portuguesas. Actuando regularmente no Teatro São Carlos, foi designada, nomeadamente, para estrear o papel principal da ópera “O Corvo Branco”, de Philip Glass. Actualmente é uma das co-apresentadoras do programa matinal "Amanhecer" na Antena 2.
O guitarrista espanhol de origem argentina, Carlos Gutkin, estudou em Cuba e no Real Conservatório de Madrid, sendo anualmente convidado para inúmeros festivais incluindo a “Cimeira Mundial do Tango”. Um recital transmitido pela Antena 2 com o apoio do Centro Colombo.'
Aproveito para cair no comum e desejar um Bom Natal a todos aqueles que ainda acreditam que um dia o mundo vai mudar, a todos aqueles que crêem que deixaremos de ter consumismo exacerbado, a todos aqueles que defendem que as pessoas irão realmente preocupar-se com o 'outro'...
Para aqueles que, como eu, não acreditam... desejo apenas uma época de paz e serenidade interior... pode ser que começando no interior de cada um algum dia alguma coisa mude.

segunda-feira, dezembro 12, 2005

Corpse Bride

"Can a heart still break after it stopped beating?"
Corpse Bride, Tim Burton
(Como gostaste muito deve ser admitido este post... ;0)))

sábado, dezembro 10, 2005

Biografia sem Dentes

Por José Luís Peixoto
Este é o texto em que descrevo alguns momentos importantes da minha vida tal como teriam sido se me tivessem caído todos os dentes.
1. Primeira palavra
A minha mãe andava já há muito tempo a repetir-me sílabas. Na maior parte das vezes, eu continuava indiferente, a gatinhar pelo chão da cozinha, mas, em certos momentos, parava-me a olhá-la. Dizem-me que os meus olhos eram grandes. Eu acredito, porque os olhos das crianças são sempre grandes e porque existem algumas fotografias – tiradas com a velha kodak, comprada em segunda mão num mercado de Paris. A minha mãe sentava-me na cadeira alta – eu ficava preso por correias e pela mesa de plástico à minha frente –, acertava-me o babete no pescoço, começava a dar-me colheres de papa e repetia-me sílabas. Pa-pa, ma-mã. Eu interessava-me mais pela comida do que pela conversa e continuava a abrir a boca sem um único som. A papa, claro, escorria-me pelo queixo. Já a minha mãe quase se tinha cansado e esquecido quando, num sábado – toda a gente sabe que foi num sábado, as minhas irmãs lembram-se que tinham passado parte da manhã a depenar uma galinha, a minha mãe lembra-se do tempero que utilizou antes de ter posto a galinha no forno –, agarrei-me aos pés de uma cadeira, levantei-me, fiquei muito sério a olhar para a minha mãe e, num momento de silêncio, disse: ma-mã. A minha mãe e as minhas irmãs confundiram-se numa agitação: ai, o menino; o menino falou – nessa altura, só me tratavam por «o menino». Então, quando voltassem a olhar para mim, eu abriria levemente os meus lábios pequenos e, sem mudar de expressão, deixaria cair os meus quatro dentes, um por um, no chão da cozinha. Ao acertarem nos mosaicos, fariam um som de berlindes. Ao longo de todas as suas vidas, as minhas irmãs e a minha mãe contariam essa história muitas vezes, quase sempre na minha presença. Hoje, eu lembrar-me-ia desse momento exactamente como se me conseguisse lembrar dele. A memória que não teria do momento em que disse a minha primeira palavra ter-se-ia somado à quantidade de vezes que teria ouvido essa história. Zero mais um é igual a um.
2. Primeiro beijo
São Pedro do Estoril. Catorze anos é idade mais do que suficiente para ter vontade de segurar uma rapariga nos braços e encontrar o instante certo para beijá-la. Nunca voltei a encontrar outra pessoa que se chamasse Stela. Aquela Stela deve continuar aí pelo mundo. Se hoje me cruzasse com ela na rua, obviamente que não a reconheceria. Talvez hoje me tenha cruzado com ela na rua. Ela também não me reconheceria e se alguém lhe dissesse: lembras-te?; o mais normal é que não se lembrasse. Eu lembro-me do essencial. Ela tinha a pele lisa. Era bom passar-lhe os dedos devagar pelo rosto. Era bonita ou, na altura, eu achava que era bonita. Aqueles que vinham ao Estádio Nacional participar nas finais de atletismo – na categoria de iniciados – ficavam na Colónia Balnear «O Século». A minha mãe despedia-se de mim com todas as recomendações. Eram as primeiras vezes que eu saía sozinho para dormir fora de casa. Levava uma mala com tudo: pijamas, fatos de treino, toalhas, sabonetes novos. Foi na véspera da minha prova. Sábado à noite. Foi no fim de um dos túneis que passam por baixo da marginal e que chegam à praia. Antes, tínhamos conversado, tínhamo-nos rido e, já há algum tempo que andávamos de mãos dadas. Depois, estava lá tudo: o mar, as luzes da noite a agitarem-se sobre a distância do mar. Foi de repente. Eu agarrei-a quando ela me agarrou e beijámo-nos. Tudo aquilo que apenas imaginava, aconteceu num momento. Esse momento a ser, eléctrica e mundialmente, agora. Agora nesse momento. Os carros desapareceram todos na marginal. Então, no fim desse milagre, separávamos os rostos. Por trás dos meus lábios revolvidos, a minha boca cheia de dentes soltos, dispostos sobre a língua, húmidos e mornos de saliva. Não nos olhávamos porque somos todos tímidos depois de um beijo assim. Sem que ela visse, eu cuspia os meus dentes sobre a areia. Despedia-me com poucas palavras, com a voz irregular, tapando a boca com as mãos e voltava para as camaratas onde, em beliches, dormíamos mais de vinte. Vestia o pijama que a minha mãe tinha dobrado na mala e ficava deitado sem conseguir dormir.
3 . Primeiro poema
Estava no meu quarto. Pelas escadas, chegava o som da minha mãe a fazer o jantar. A tarde tinha terminado, mas eram ainda as horas em que a noite era muito nova. O meu quarto era iluminado por uma luz amarela e cómoda. Quando eu me deitava na cama a pensar, pousava as mãos por trás da cabeça, os braços abertos, e as figuras dos posters – imóveis, colados com fita-cola à parede – pensavam comigo. Nesse dia, no quarto, estava a máquina de escrever que não sei de onde veio, mas que foi sempre um objecto importante, que se devia tratar com cuidado. As minhas irmãs tiravam-lhe a tampa grossa de plástico castanho para passarem trabalhos da escola. O meu pai, com uma técnica que todos admirávamos, trocava-lhe a fita de tinta. Nesse dia, era Outubro ou Novembro e a máquina estava no meu quarto. Nos meus pensamentos, havia palavras que se misturavam. Palavras que não tinham sentido, mas onde eu encontrava um sentido. Levantei-me e olhei para a máquina de escrever. Nesse tempo, eu escrevia com os dois indicadores apontados sobre o teclado. Procurei um papel, uma caneta e, como se existisse um deus, comecei a escrever palavras que se sucediam num sentido único, que nascia naquele momento e que brilhava diante dos meus olhos. Tenho a certeza que o meu rosto – se existisse alguém para vê-lo – estava iluminado como se estivesse diante de um lume. O ponto final chegou da maneira imprevisível como chegou cada palavra. Segurei a folha à frente dos olhos e custou-me a acreditar. Talvez chovesse na rua. Li devagar cada uma daquelas frases em voz alta. Calei-me e continuei a olhar para o papel. Então, sem dor, os dentes começavam a soltar-se lentamente das gengivas, como frutos maduros que se desprendem naturais dos ramos, como larvas que escorregam para fora dos casulos. Seria nesse momento que a voz da minha mãe, ecoando pelas escadas, me chamaria para jantar.
4. Primeiro filho
Eu estava a dar aulas. Era a última aula do dia – das dezassete e trinta às dezoito e trinta. Começava a anoitecer. Eram talvez quase dezoito horas quando uma funcionária bateu à porta e disse que me chamavam ao telefone. Eu não costumava receber telefonemas na escola. Quando atravessava o pátio, acreditava que já sabia o que ia ouvir, mas não queria ter a certeza porque, nesse tempo, sentia que havia muitas coisas acerca das quais não podia guardar nenhuma certeza. No telefone – na pequena divisão, separada do corredor por um vidro, onde guardavam o telefone –, ouvi aquilo que esperava ouvir. Voltei à sala para, antes de dizer o que quer que fosse, começar a guardar os meus cadernos e os meus livros na pasta. Já a caminho da porta, disse aos alunos que podiam sair mais cedo. Foi numa quinta-feira. Podia agora tentar reconstruir aquilo em que pensei enquanto conduzi durante trinta quilómetros. Prefiro não o fazer. Cheguei à maternidade. Foi fácil e rápido o caminho até à bata que me ajudaram a vestir porque se atava nas costas. Havia muitas pessoas – médicos e enfermeiras – na sala onde nasceu o nosso filho. Esquecemos todos os gestos e todos os conselhos das aulas de preparação para o parto e eu, inútil, fiquei junto do rosto dela apenas para nunca mais esquecer a sua expressão enquanto fazia força. Os médicos a dizerem: força. E o nosso filho. Quando lho pousaram nos braços – riscos de sangue na pele –, quando olhámos para ele, houve uma força irresistível que subiu dentro de nós, montanhas a explodirem dentro de nós, o céu inteiro de repente dentro de nós, e as lágrimas de felicidade foram também uma explosão. Levaram o nosso filho para lavá-lo com um pano húmido. Ficámos a vê-lo afastar-se na distância de alguns passos. Então, por estarem todos a olhar para ele, ninguém poderia ter visto a forma como me cairiam todos os dentes dentro da boca.
5. Primeiro romance
A minha editora a sorrir. Pessoas a darem-me os parabéns sem que fosse o meu aniversário. Várias pessoas a notarem a minha presença e a cumprimentarem-me: muito prazer. A roupa nova. Os sapatos novos. O meu nome impresso na capa de um livro. O peso desse livro na palma das minhas mãos. Eu a lembrar-me do meu pai e a procurar uma janela, a procurar mesmo uma janela, para olhar para o céu. E chegou a hora de nos sentarmos. Uma mesa e microfones. Uma voz a falar daquele mundo que era só meu, que era só meu. Uma voz a falar como nunca ninguém tinha falado. E a minha editora a sorrir. Eu talvez feliz, mas sem saber sorrir. E a minha editora a dizer palavras breves. Eu a ouvir tudo, perdido em tudo. Tão de repente, a minha vez. A minha editora a olhar para mim, as pessoas todas a olharem para mim. Então, os meus lábios comprimidos. E os meus cabelos a caírem em madeixas inteiras sobre a mesa. Tufos de cabelos a caírem ao lado e sobre as minhas mãos pousadas sobre a mesa. O som da multidão de pessoas admiradas. Vozes misturadas. E, por trás dos meus lábios contraídos, como cubos de gelo num copo, a minha boca cheia de dentes soltos.

Prémio Nobel da Literatura - Harold Pinter


Harold Pinter distinguido com o Prémio Nobel da Literatura 2005
O Prémio Nobel da Literatura 2005 foi hoje entregue ao dramaturgo britânico Harold Pinter (que, infelizmente, não pôde estar presente em Estocolmo, por razões de saúde). A Academia sueca de Literatura distinguiu Pinter por "nas suas peças revelar o abismo existente nas conversas banais e forçar a sua entrada nos espaços fechados da opressão". O prémio de 1,300 milhões de euros foi entregue hoje, no aniversário da morte do seu fundador, Alfred Nobel.
Dados Biográficos
Pinter nasceu a 10 de Outubro de 1930 em Hackney, Londres. Durante a II Guerra Mundial saiu de Londres, com nove anos, regressando três anos depois. Em 1948, Pinter, filho de pai com descendência luso-judaica, ingressou na Real Academia de Arte Dramática. Dois anos depois, publicou os primeiros poemas.Iniciou-se na escrita de peças de teatro em 1957 com "The Room", seguindo-se, no mesmo ano, "The Birthday Party", considerada no início um fiasco, mas tornando-se depois duma das peças mais representadas.Entre as suas peças mais conhecidas estão "The Caretaker" (1959), "The Homecoming" (1964), "No Man's Land" (1974) e "Ashes to Ashes" (1996).Nas obras de Pinter podemos encontrar pessoas que se defendem a si próprias contra a intrusão ou contra os seus próprios impulsos, mergulhando numa existência reduzida e controlada. Outro tema predominante é a volatilidade e o carácter esquivo do passado. De um período inicial de realismo psicológico, Pinter passa depois para uma fase mais lírica com peças como "Landscape" (1967) e "Silence" (1968), e depois para outra ainda, mais política, com "One of the Road" (1984), "Mountain Language" (1988) ou "The New World Order" (1991). A partir de 1973, Pinter ficou também conhecido como defensor dos direitos humanos. O dramaturgo escreveu ainda peças para rádio, cinema e televisão.
Fonte: Lusa

Os....... Gato Fedorento!!!!!

Não sei se me é permitido fazer um post sobre estes tipos marados que o universo inteiro conhece mas aqui vai... para rir, sempre para rir... e para reflexões sérias sobre a filosofia de vida e o seu sentido... claro ;)
E visitem:

http://xl.sapo.pt/radical.html


Pois então...
Gato Fedorento é o título de um programa humorístico português emitido pela estação de televisão Sic Radical que atingiu em pouco tempo uma grande popularidade. Este programa é composto por sketches criados e interpretados pelos quatro autores do programa: Tiago Dores, Miguel Góis, Ricardo de Araújo Pereira e Zé Diogo Quintela.
O sucesso do humor do Gato Fedorento reside no facto de ser um humor inteligente, sem medo de remeter para referências eruditas, que recusa o uso de vulgaridades, e que não menciona directamente acontecimentos ou personagens reais. As suas principais influências são Monty Python, Woody Allen, Herman José, Jerry Seinfeld, Larry David, etc.
O Gato Fedorento teve já duas séries: a Série Fonseca e a Série Meireles. O nome deriva do facto de todas as personagens se chamarem Fonseca (Tiago Fonseca, Ermelinda Fonseca, Aurélio Fonseca, etc.) ou Meireles (Raúl Meireles, Nicolai Meireles, Adolfo Meireles, etc.). A exibição da terceira série (Série Barbosa) foi cancelada no final do Verão de 2005 devido a divergências com a direcção da SIC. Recentemente, foi tornado público o acordo do grupo com a RTP, válido para os próximos dois anos.


História
A história do Gato Fedorento começou em Abril de 2003, quando os quatro autores, todos argumentistas nas Produções Fictícias, se juntaram para criar um blog da Internet (ainda activo, se bem que com actualização muito esporádica). Na hora de escolher o nome para o blog, decidiram dar o nome de uma música da série americana Friends, intitulada "Smelly Cat", gato fedorento em português.
Após algum tempo, Ricardo de Araújo Pereira e Zé Diogo Quintela foram convidados para fazerem sketches humorísticos no programa da SIC Radical "O Perfeito Anormal". Sketches como "Filme Indiano" e "Chupistas" ficaram rapidamente conhecidos.
Isto levou Francisco Penim, director da SIC Radical, a propor-lhes um programa independente. A estes dois juntaram-se Tiago Dores e Miguel Góis, que já participavam no blog, tendo começado assim o programa.
Por altura do Natal de 2004 foi lançado um DVD com todos os sketches da Série Fonseca, que se tornou o nº1 no top nacional de DVD's.
Actualmente os quatro autores fazem espectáculos ao vivo nos quais representam alguns dos sketches mais famosos da série; foram realizados espectáculos no Teatro Tivoli (Lisboa), no Coliseu do Porto, e um pouco por todo o país, todos com casa cheia.
No dia 2 de Maio de 2005, teve início a nova série do gato fedorento, denominada Série Barbosa.
Também em Maio, saiu pela editora Cotovia o livro "Gato Fedorento: o blog", onde se recolhe grande parte dos 'posts' do blog original.
No final do verão de 2005 o quarteto fedorento abandona a SIC por desavenças com a direcção da SIC generalista, após a exibição de alguns programas da serie Meireles sem a sua autorização.
Em Novembro de 2005 foi lançado um segundo DVD, contendo todos os sketches da série Meireles.
Em Dezembro de 2005 a equipa do Gato Fedorento assinou um contrato de dois anos com a RTP.

Sketches famosos
"O homem a quem parece que aconteceu não sei o quê"
"O papel. Qual papel?"
"Filme Indiano"
"Chupistas"
"Claque de seminaristas"
"General, comentador político e gajo de Alfama"
"Um quilinho de kunami"
"Senhor Tobias"
"Lusco-fusco"
"O que tu queres sei eu"
"O homem que não consegue manter uma distância socialmente aceitável"

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quinta-feira, dezembro 08, 2005

TAKASHI MURAKAMI






" O problema da minha geração é criar produtos originais, sem dependência conceptual, por conhecermos as diferenças entre a dinâmica da arte conteporânea no Ocidente e a forma como as coisas funcionam no Japão."

Takashi Murakami, nasceu em Tokyo, em 1962, e reparte a sua vida e trabalho entre Tokyo e New York
T.Murakami expressa-se numa fusão entre a Pop Art americana, com referências a Andy Warhol e Jeff Koons e a pintura japonesa, da expressão clássica até ao universo Manga, usando uma expressão contemporânea.
Manifestando sempre a intenção de realçar a originalidade da arte japonesa, Murakami, usa a aparente superficialidade Pop, de produtos e símbolos da sociedade de consumo, com um conceito Avant Garde, revelando deliberadamente os fantasmas e expectativas, por vezes, visionárias, da cultura japonesa ocidentalizada. Entre um universo aparentemente infantil e um pós-modernismo, americano, adulto e agressivo, uma certa loucura apresenta-se com uma plasticidade única.

Link
http://www.takashimurakami.com/


Silêncio a Solo

David Fonseca começou uma carreira a solo, depois do êxito retumbante com os Silence 4. Nesta nova incursão musical, tem a seu lado o génio e o talento de Mário Barreiros. O disco “Sing Me Something New” marca o início de um caminho que promete novos êxitos para o cantor e compositor de Leiria.
Nesta sua aventura musical a solo, David Fonseca assumiu a solidão e fez tudo sozinho, músicas, arranjos e as letras: "Fiz mesmo tudo, só tive a meu lado Mário Barreiros (baixo e bateria), ele tem uma enorme abertura, muitas opções, um ouvido excepcional e imenso talento." O disco saiu em 2003, teve um bom nível de vendas e o êxito alcançado deu força a David Fonseca para prosseguir a carreira a solo.
Desde o final de 2004 que trabalha no seu novo disco. Como gosta de fazer tudo perfeito, suspendeu a presença em concertos: "Dedico-me em exclusivo à composição, caso contrário nada sai perfeito". David Fonseca já tem saudades dos Silence 4 mas não está arrependido do silêncio que o grupo impôs a si próprio: "O fim da banda tinha que acontecer, em 2001 parámos para respirar, já ninguém tinha vontade de fazer o que andávamos a fazer. E depois da paragem, não houve vontade de continuar, os membros do grupo deixaram de se contactar e cada qual seguiu o seu caminho".
O grande êxito da sua carreira musical é e vai continuar a ser o disco "Silence Becomes It", que vendeu 240 000 cópias e revelou David Fonseca ao grande público como compositor e escritor de canções. Em inglês, como manda o estilo das bandas do género. Quando começou, a sua formação musical limitava-se a dois anos de aulas de piano, órgão e solfejo, com um professor particular, entre os 8 e os 10 anos. Depois desistiu e esqueceu tudo o que aprendeu. Só regressou ao mundo da música quando fez 18 anos: "Comprei um livro e aprendi por ele a tocar guitarra. Desde então, tornei-me um auto-didacta. Toco todos os instrumentos mas não toco bem nenhum". David Fonseca tem uma preferência especial pela bateria, mas nem esse instrumento domina na perfeição. Mas tem um sentido musical muito apurado: "Quando gosto de um som, vou tocá-lo, custe o que custar, apurando sempre o que vai saindo. Eu era complexado por não ter formação musical, mas Mário Barreiros tirou-me esse complexo. Ele ensinou-me que o importante na música é sabermos o que queremos fazer. E isso, eu sei."
Caminhos. David Fonseca não tem a certeza que o novo disco saia ainda este ano. Apesar dessa incerteza, recusa fazer concertos. Mário Barreiros trabalha na produção da nova obra, mas ainda nada se sabe sobre o caminho a seguir: "Isto ainda está muito abstracto, ainda não sabemos que caminhos vamos seguir. Para já, estamos a trabalhar muito, esgotamos as ideias para ver se vale a pena prossegui-las".
A música, para David Fonseca, é mais prazer que profissão: "Vim para a música por vontade própria e não como profissional, por isso, não faz sentido fazer discos iguais. Exijo de mim próprio transformar a minha interpretação e a minha composição, eu quero evoluir sempre. Por isso ainda estamos à procura de novos caminhos".
David Fonseca já tem uma nova banda para os concertos e apta a trilhar os novos caminhos que tenta desbravar com Mário Barreiros. Fez audições, ouviu muitos candidatos e escolheu quem lhe pareceu melhor. Mas alguns, foram convidados: "Com as audições, conheci muitos e bons músicos, metade da banda foi formada nestas audições, a outra metade veio por convite, O Paulo Pereira, a Rita Pereira e o Peixe. Como estamos muito no início, está tudo em aberto. Os ensaios começaram agora e há uma novidade, alguns temas são em Língua Portuguesa. Só posso dar uma garantia, vamos produzir um som de qualidade".
A banda é constituída por Sérgio Nascimento (bateria), que já tocou com Sérgio Godinho e os Despe & Siga, Peixe (guitarra eléctrica) que esteve nos Ornatos de Violeta, Rita Pereira (piano), Paulo Pereira (teclados), Nuno Simões (baixo) e Ricardo Fiel (guitarra).
Imagem. A fotografia e o cinema entraram na vida de David Fonseca há muitos anos. Depois de uma passagem de dois anos pela Escola de Belas Artes de Lisboa, matriculou-se na Escola Superior de Cinema e concluiu o bacharelato, especializando-se na área de direcção de imagem. A fotografia é uma das suas paixões e enquanto estudante fotografou para catálogos de moda. "No ano em que acabei o curso, assinei contrato com a Universal e nem o estágio fiz, nunca mais tive tempo para outras coisas, a música ocupava-me a cem por cento. Tenho pena de não fazer cinema, mas um dia volto, mas então vou ter de parar com a música", disse David Fonseca. No cinema prefere a "direcção ou assistência de imagem". Foi nesta área que se especializou.
A sua experiência na área da fotografia e cinema tem-lhe sido útil: "Sou eu que faço sempre as fotos e a promoção dos meus discos. É bom, porque poupo muito dinheiro e faço o gosto ao dedo". David Fonseca, apesar da sua especialização na área do cinema, nunca fez os videoclips dos Silence 4, porque quando chega a altura de fazer esse trabalho faltam poucas semanas para entrar em estúdio: "Quando vamos para a gravação, temos de dar tudo e fazer vídeo exige uma boa preparação e sobretudo exige tempo. Assim, tenho-me limitado a discutir as ideias com Pedro Cláudio, que tem sido sempre o realizador dos nossos vídeos".
Depois dos êxitos com a banda Silence 4, David Fonseca está a tentar repetir esse êxito a solo. A preparação do segundo disco está a ser cuidada ao pormenor e o resultado final vai ter a marca de Mário Barreiros. Tudo aponta para que o público se renda à nova fase do cantautor de Leiria.
Entre a Imagem e a Música
David Fonseca nasceu em Leiria, em 1973. Frequentou a Escola Superior de Belas Artes de Lisboa de 1992 a 1994. Entre 1994 e 1997 frequentou a Escola Superior de Teatro e Cinema, onde conclui um bacharelato em cinema, na área de direcção de imagem. Durante este período, foi fotógrafo, uma das suas paixões. Fotografou para diversos catálogos de moda, participou em várias exposições colectivas e realizou exposições individuais.
O mundo da música abriu-se para David Fonseca, em 1995, quando criou o grupo Silence 4, onde se revelou como compositor e cantor, dividindo o seu tempo entre os estudos e a banda. Em 1998 os Silence 4 editaram o seu primeiro disco, "Silence Becomes It", que vendeu 240.000 cópias, conquistando seis discos de platina.
Entre 1998 e 2000, percorreu o país e o estrangeiro em digressão com a banda, voltando às edições discográficas com "Only Pain Is Real. Depois de um breve hiato, David Fonseca volta aos discos em 2003, com o seu primeiro disco a solo "Sing Me Something New" e a uma nova digressão.
A sua participação em discos de outros artistas é também frequente. Trabalhou com Sérgio Godinho, Trovante e Phase. Em finais de 2004 os Silence 4 lançaram o seu último disco "Ao Vivo No Coliseu" e David Fonseca integrou a banda Humanos, ao lado de Camané e Manuela Azevedo (Clã), onde cantou novos temas de António Variações. A sua vertente de fotógrafo está patente em todos os discos onde esteve envolvido, com destaque para o seu disco a solo, onde o booklet, de 100 páginas, é ilustrativo de algum do seu trabalho fotográfico.

Exposição de Pintura - Orlando Pompeu


Exposição de pintura de Orlando Pompeu na D´Arte 46 - Galeria de Arte - Porto
“Essências de uma causa”
10 DEZEMBRO 2005 A 31 DE JANEIRO 2006
Na inauguração da exposição terá lugar um recital de piano com Raul Pinto às 18h
"As telas de Orlando Pompeu fazem-nos submergir nos azuis dominantes, nos rosas claros e nos tons areia, lugar onde o tempo, a luz do sol, o horizonte do mar e a Mulher habitam. Lugar de gaivotas esvoaçantes, pequenos barcos, rochedos surrealistas e balões coloridos. O mar que banha o litoral Norte expande-se nos seus quadros e sente-se uma água que não tem fim... prenúncio de trabalhos futuros? Mas Orlando Pompeu é, sobretudo, pintor de gente. Nas suas obras encontram-se sempre homens e mulheres reais, retratos das suas múltiplas vivências, embora a maior parte das vezes eles nos aparecem num plano transfigurado. (...) Mais uma vez Orlando Pompeu surpreende com esta nova Exposição. Surpreende pela qualidade artística que revela nas suas obras. Na sequência do núcleo temático “pompeuano”, estas apresentam o objecto, o corpo, como referências evidentes. Pompeu não renuncia ao objecto que é sempre o pretexto na sua pintura, e, sobretudo dimensionado no âmbito de uma organização formal deliberada e extremamente rigorosa. A relação cor-forma é outra evidência preponderante. Representar constitui um sentido unívoco no seu trabalho. Quando utiliza a expressão do gesto na representação, Pompeu percorre um caminho, desenvolve todo um processo que conflui para a abstracção. (...)Com esta nova série nitidamente procura testar e demonstrar as infindáveis potencialidades da representação pictórica do objecto. Mas fá-lo de modo que cada obra seja um trabalho raro. Cada uma destas novas obras conceptuais quer as que prolongam toda uma linguagem figurativa própria, inaugurada pelo artista no final dos anos 80, quer as que parecem evidenciar neste presente momento novas preocupações ao nível da concepção e representação do objecto traduzem a evolução do caminho artístico e a solidez da obra de Orlando Pompeu. (...)Pompeu é também um artista preocupado com o entendimento da sua obra. Pintor reconhecido internacionalmente prossegue na sua carreira de quase trinta anos uma ideia de trabalho e pormenor, de atenção e de aprendizagem do olhar. "
Liliana Figueiredo Pereira
Porto, Novembro de 2005
Galeria D´Arte 46 - Av. da Boavista Ed. Bristol, 1681, Lj 46 4100-132 Porto, Tel: 226 095 543