quinta-feira, janeiro 12, 2006

Gino Severini, n. 1883 em Cortona, m. 1966 em Paris

A Dançarina Azul (Danseuse Bleue) é a obra mais importante deste artista que dedicou imensas pinturas ao teatro, dança e vida nocturna da cidade. Neste quadro, Severini, concentra-se numa única figura principal. Debruçou-se no azul e branco-acinzentado e dotou o quadro de uma composição dominante triangular que culmina na cabeça da dançarina e que balança até à zona do vestido. No quarto inferior do quadro, a figura está dividida em incontáveis pequenos segmentos de forma, parcelas geométricas (arcos, ângulos, parábolas) que geram micro-estados dinâmicos. São usadas passagens de cor de forma a misturar a figura feminina no plano de fundo. Partes da figura, como os braços e a cabeça, aparecem multiplicados e em várias perspectivas. Apenas uns pequenos adereços e outras pequenas figuras sugerem a localização da cena.
Severini, idealmente, utiliza os meios da estética futurista para criar correspondências plásticas para o movimento e a energia da dança.

Severini permaneceu sempre um Futurista. No seu manifesto de 1913, "As Analogias Plásticas do Dinamismo", Severini reitera os pontos do programa futurista. Via o princípio da simultaneidade de várias impressões sensoriais, tais como sons, odores, tons, calor e velocidade, como meios adequados para a representação artística das mudanças trazidas pelo progresso tecnológico.

Para partir à descoberta de um grande nome do Futurismo...

Links:

http://www.racine.ra.it/isaseverini/severini.htm

http://www.scuolaromana.it/artisti/severini.htm

http://www.guggenheim-venice.it/english/06_artists/severini.htm

http://www.theo-zimmerman.freeserve.co.uk/severini.htm

segunda-feira, janeiro 09, 2006

Walter de Maria - n. 1935, Albany (NI)


Já conheciam Walter de Maria? Em cima podem ver um dos seus trabalhos. Pessoalmente acho-os todos muito interessantes.
O trabalho de Walter Maria não pode ser identificado como pertencente a uma única tendência ou grupo artístico. Na década de 60 a sua obra cruzou caminhos com a Land Art, a Conceptual Art e a Minimal Art, tendo trabalhado ao longo da sua carreira simultaneamente em direcções muito diferentes.
Muitos dos seus primeiros trabalhos revelam um sentido irónico dadaísta que é bem exemplificado através das suas Boxes of Meaningless Work (1961).
Os trabalhos mais recentes de De Maria apresentam muitas vezes uma premonição dos acontecimentos dramáticos da Natureza que não podem ser explicados pela razão, mas que podem ser vividos pelo observador. Conseguia alcançar este resultado tanto em espaços abertos como em espaços fechados em instalações delimitadas. Exemplos: Lightning Field (1971-1977), no Novo México, ou em Earth Room (1977), em Nova Iorque.
«olho + mente ÷ mente - olho»

Link:
http://www.collection.daimlerchrysler.com/sammlung/werke_demaria_e.htm

domingo, janeiro 08, 2006

Teatro em Évora - Maria de Magdala


Teatro
10 a 14 de Janeiro

Maria de Magdala

Local: Teatro Garcia de Resende (TGR)

Horário: de Terça a Sábado, às 21h30
Org.: Cendrev
Apoio: Câmara Municipal de Évora M/C IA
Informações: TGR
Contacto: Tel. 266 703 112
Web: www.evora.net/cendrev

Sinopse:
E se Jesus tivesse desejado que a sua Igreja fosse dirigida por Maria Madalena? Uma hipótese fascinante para reflectirmos em teatro sobre o lugar rasurado da mulher e do feminino na hierarquia católica. Peça inspirada numa lenda cristã provençal, Maria de Magdala dramatiza o exílio da viúva do Messias na cidade romana de Marselha, numa noite de Dezembro em 54 da nossa era.
Versão Cénica e Encenação: João Mota Cenografia: João Mota e Joana Simões Figurinos: Carlos Paulo Música: António de Sousa Iluminação: João Carlos Marques e João Mota Elenco: Rosário Gonzaga, Maria Marrafa, Álvaro Corte Real, Jorge Baião e Nuno Góis.
Informação concedida, por email, por uma bloguista que não quer o seu link aqui...

quinta-feira, janeiro 05, 2006

Campeonato Nacional de Língua Portuguesa

O que é?
O Campeonato Nacional da Língua Portuguesa é um concurso pensado para todos aqueles que queiram usar melhor o Português e aprofundar o seu conhecimento e o gosto da Língua. Nesta iniciativa conjunta do Expresso, do Jornal de Letras e da SIC Notícias, com o patrocínio exclusivo do BPI, os concorrentes partem à descoberta dos segredos da Língua Portuguesa, aprendendo enquanto se divertem, divertindo-se enquanto aprendem.

Quem pode participar?
Os concorrentes serão organizados em três categorias etárias: a dos menores de 15 anos; a dos 15 aos 18 anos; e a dos maiores de 18 anos.

Como participar?
A participação no Campeonato começa com a resposta a um teste de qualificação inicial, sob a forma de questionário de escolha múltipla, com graus de dificuldade variáveis em função das categorias etárias. As respostas correctas às perguntas do teste habilitam o concorrente para as fases de apuramento seguintes.

Obras de referência para as provas e respectiva correcção :

Grande Dicionário da Língua Portuguesa, editado em Maio de 2004 pela Porto Editora –no que respeita à grafia e ao significado das palavras.
Nova Gramática do Português Contemporâneo, de Celso Cunha e Lindley Cintra, editada pelas Edições João Sá da Costa – no que respeita à fonética, morfologia e sintaxe.

Brevemente...

Mais informações em: http://194.65.57.196/misc/index.php?article=15&visual=2

Um Livro interessante para os amantes de literatura

Manuel Frias Martins, vice-presidente da Associação Portuguesa de Críticos Literários e professor na Faculdade de Letras de Lisboa, apesar de ter vários livros e ensaios escritos assume-se como não poeta e não escritor.
Para ele a Literatura é a Arte da Linguagem e da Comunicação... a melhor maneira do Homem se conhecer a si próprio. Aborda a Crítica como a possibilidade de casar Razão e a Sensibilidade num só ensaio.
Hoje aconselho o interessantíssimo livro aos amantes da literatura:
Em Teoria (A Literatura), Ed. Âmbar, 2003

quarta-feira, janeiro 04, 2006

Algumas das coisas que me fazem bem... Cultura?!

Aqui estão algumas das coisas que me fazem sorrir. E a vocês?

Música:
"You Are the Quarry", Morrissey
"Franz Ferdinand", Franz Ferdinand
"Medulla", Björk
"Talkie Walkie", Air
"Mind, Body & Soul", Joss Stone

Letras:
"Take me Out", Franz Ferdinand
"Come back to Camden", Morrissey
"Yeah!", Usher
"Left Outside Alone", Anastacia
"Leaving New York", REM

Cinema:
1. Antes do Anoitecer, Richard Linklater
2. O Amor é um Local Estranho, Sofia Coppola
3. O Despertar da Mente, Michel Gondry
4. Diarios de Che Guevara, Walter Salles
5. A Má Educação, Pedro Almodóvar
6. . A Vila, M. Night Shyamalan
7. A Melhor Juventude, Marco Tulio Giordana
8. A Vida é um Milagre, Emir Kusturika
9. Colateral, Michael Mann
10. Rapariga com Brinco de Pérola, Peter Webber

Espero receber os vossos comentários a estes meus sorrisos e que me aconselhem a ver e ouvir algo mais ;))

domingo, janeiro 01, 2006

FRIDA KAHLO

Comissária: Josefina Garcá Hernadez, Museu Dolores Olmedo, México
17 de Fevereiro a 14 de Maio 2006
de Terça-feira a Domingo, das 10h às 19h
A Coluna Partida, 1944; Óleo sobre masonite, Col. Museu Dolores Olmedo, C. México

Depois da Tate Modern de Londres e da Fundación Caixa Galicia, em Santiago de Compostela, é a vez de Lisboa receber a maior e mais completa exposição sobre Frida Kahlo realizada nas últimas décadas, com obras, muitas delas nunca antes apresentadas na Europa, provenientes do Museu Dolores Olmedo, no México a colecção mais importante que existe no mundo sobre a genial artista mexicana. 51 anos após a sua morte Frida Kahlo (1907-1954) continua a exercer um enorme fascínio pela sua arte controversa, os seus amores difíceis e o seu sofrimento físico. Entre 1926, quando pintou o seu primeiro auto-retrato, e a sua morte em 1954, Kahlo produziu cerca de 200 imagens. A sua relação com o muralista Diego Rivera, com quem casou, constituiu o lançamento inicial da sua carreira, que no entanto se consolida pela sua força e qualidade. Numa época de grande ebulição, em todos os sentidos, as importantes mudanças sociais e culturais não deixam de influir na vida e obra de Kahlo, que fez da sua vivência pessoal o tema principal dos seus quadros.Amante da cultura mexicana, em especial do mundo Azteca, esta artista autodidacta, descreveu o seu drama pessoal de forma muito crítica, através da figuração e da côr que utilizou de forma vibrante. Os seus quadros reflectiam o momento pelo qual passava e, apesar de muito "intensos", não eram Surrealistas como frequentemente foram designados - "Pensaram que eu era Surrealista, mas nunca fui. Nunca pintei sonhos, só pintei a minha própria realidade."

Concertos Antena 2 - «OS POETAS DA PRESENÇA»

Ciclo Lopes-Graça e a Poesia Portuguesa
Co-Produção: Antena 2 / CCB
25 de Janeiro 2006
às 21h
Pequeno Auditório
Duração:75 minutos aprox.

«Esses cancioneiros – o da nossa poesia culta e o da nossa poesia popular – monumentos erguidos com mãos firmes e rigorosas, por Fernando Lopes-Graça ao povo português». Assim falou Eugénio de Andrade a propósito da obra para canto e piano deixada por Lopes-Graça. No ano em que se comemora o centenário do nascimento de um dos maiores – senão o maior – compositor português, o palco do Pequeno Auditório do CCB recebe um ciclo de seis recitais para canto e piano. João Paulo Santos e seis nomes do canto lírico nacional, nomeadamente Dora Rodrigues, Ana Ester Neves, Ana Ferraz, Ana Paula Russo, Luís Rodrigues e Mário João Alves oferecem uma viagem musical pela literatura portuguesa, dos trovadores a José Saramago.
Comentados por João Paulo Santos, os seis programas – a realizar entre Janeiro e Novembro de 2006 – incluem obras de compositores estreadas em Portugal graças a Fernando Lopes-Graça no período em que esteve ligado a duas associações de concertos de grande relevância na divulgação da música do século XX – «Sonata» e «Divulgação Musical». No âmbito deste ciclo também será abordado o trabalho de Fernando Lopes-Graça sobre canções populares portuguesas.

segunda-feira, dezembro 26, 2005

PASSAGEM DE ANO, em Évora

Um amigo de Évora mandou-me um email com a seguinte informação... pode interessar... :)
OUTRO ANO DE PASSAGEM
29 Dez 2005 a 1 de Jan 2006
ÉVORA
A PédeXumbo e a Sociedade Harmonia Eborense, em conjunto com outras associações eborenses e em parceria com a Câmara Municipal de Évora organizam uma passagem de ano com Concertos, Dj's, Curtas de Cinema e Teatro, Oficinas de Dança e muita música.
Um novo programa a descobrir, em Évora.
A programação vai decorrer por vários espaços em Évora:
nos Celeiros (antigos Celeiros da EPAC),
SOIR -Joaquim António d'Aguiar, Praça do Giraldo ,
Oficinas da Comunicação (LargoDr. Mário Chicó)
e duas tendas no Largo 1º de Maio, junto à Capela dos Ossos.

sexta-feira, dezembro 23, 2005

Estreia da Semana


A Estreia da Semana, Tim Burton regressa à animação depois de em 1993 ter escrito e produzido The Nightmare Before Christmas, com o já aclamado pela crítica Corpse Bride. Um ano em grande para Tim Burton e para os fãs do cineasta que viram estrear em 2005 nada mais nada menos do que dois filmes, este que estreia esta semana e Charlie and the Chocolate Factory. A Noiva Cadáver (título português) conta a história de Victor, um rapaz tímido (Johnny Depp) que se vê obrigado pela família a casar com a jovem Victoria (Helena Bonham Carter), no entanto contra todas as expectativas o casal acaba por se apaixonar. Nervoso, na véspera do casamento, embrenha-se então na floresta enquanto vai ensaiando os votos e, quando já sabe tudo de cor, enfia a aliança numa raiz de árvore. É então que uma bela noiva cadáver surge da terra e arrasta Victor para a Terra dos Mortos. Uma história que parece ter todos os ingredientes para permitir a Tim Burton dar largas à sua imaginação e criar um filme que se espera memorável (é o mínimo que podemos esperar sempre de Tim Burton). Realce também para a técnica de animação utilizada em Corpse Bride numa altura em que se assiste ao reinado da animação digital iniciado pelo estúdios Pixar, Tim Burton opta por uma técnica bem mais tradicional (bem como moroso e dispendioso), a stop-motion ou animação de volumes. Aliás não deixa de ser curioso que este ano os filmes de animação que maiores elogios da crítica receberam tenham sido Wallace and Gromit in the Curse of the Were-Rabbit e Corpse Bride. A não perder!

A Caixa de Música de Pandora

Encontrei um pouco por acaso este site na internet e tem-se revelado bastante útil. Este site, criado pelo auto-intitulado Music Genome Project, pretende que o utilizador introduza o nome de uma banda ou música de que goste para que nos possa ser apresentada uma lista de bandas com uma sonoridade semelhante e que podem também agradar. Ainda se torna mais interessante porque oferece-nos a possibilidade de ouvirmos uma amostra (ainda que limitada) online. Experimentei e descobri bandas como The Thrills, Flaming Lips, Death Cab For Cutie e Belle and Sebastian através dos Arcade Fire e do Badly Drawn Boy. Outro dos aspectos positivos é que este site é inteiramente gratuíto (o objectivo é ser financiado pela publicidade).
Por outro lado, não conhece músicos portugueses, nem mesmo os mais internacionalizados como os Madredeus ou a Mariza e por vezes faz associações um pouco estranhas (como Sigur Ros com Roxy Music...).
Estejam descansados que podem abrir esta caixa à vontade!

quinta-feira, dezembro 22, 2005

FELIZ NATAL E UM ANO NOVO MARAVILHOSO!

Ok, ok... é Natal e por mais incrédula e "sanguinária" que eu pareça :) tenho o dever, enquanto administradora do Blog de deixar, pelo menos, umas palavras sobre a época. Sendo assim, agradeço a todos os colaboradores que aceitaram participar, a todos os que ainda estão para vir ;) e a todos os ARTISTAS (sim... vocês!) que nos visitam e aproveito para desejar a TODOS um Feliz Natal com MUITA PAZ, SERENIDADE, SAÚDE e TUDO DE BOM na companhia de quem amam e de quem vos ama. Que o novo ano seja sempre melhor que aquele que acaba!
Beijinhos E ATÉ 2006! ;)
S.M.

terça-feira, dezembro 20, 2005


Link: http://www.mafaldarnauth.com/

MAFALDA ARNAUTH nasceu a 4 de Outubro de 1974, em Lisboa. Surge como um meteoro no circuito do Fado após ter participado, em 1995 num espectáculo no Teatro S. Luís, ao lado de alguns dos grandes nomes do Fado. A partir dessa altura Mafalda Arnauth nunca mais parou, passando por alguns programas de Televisão e Rádio, por vários palcos no estrangeiro (Luxemburgo, Alemanha, França, Inglaterra) e um pouco por todo o país. Em 1996 entra como artista privativa da Taverna do Embuçado (uma das principais Casas de Fado de Lisboa) e, participa na Cimeira dos Países de Língua Portuguesa que tem lugar em Moçambique.
Em 1997, em Paris, está presente num Encontro Internacional de Poesia onde interpreta vários temas de Camões, Fernando Pessoa e Pedro Homem de Mello. No mesmo ano desloca-se a Londres actuando ao lado de Argentina Santos e Carlos Zel. Ainda em 1997 está presente em Frankfurt, juntamente com Helder Moutinho, numa Semana dedicada a Portugal e organizada pela Associação Cultural Portugal-Frankfurt . Em 1998 desloca-se a Paris para um concerto em directo para a Rádio Alfa. Destaque para a presença na Expo-98 em diversas actuações - no Palco do Fado durante a primeira Semana de Fado, no Palco do Jazz em dois espectáculos integrados no projecto "Novas Vozes de Um Fado Antigo" e no mesmo palco mais duas actuações no projecto "De San Telmo à Mouraria - Fado e Tango". Ainda em 1998 participa no Tanz & FolkFest Rudolstadt, o maior Festival que se realiza na Alemanha dedicado às Músicas do Mundo, representando o fado juntamente com Helder Moutinho. Participa ainda neste ano de 98, em Innsbruck (Áustria), no Festival "Voices" integrando o projecto da Ocarina "Duas gerações a cantar o Fado" ao lado de Maria Amélia Proença. 1999 - Com aquele projecto da Ocarina esteve presente em 5 concertos, de par com Maria Amélia Proença, em Bremen (Alemanha) no passado mês de Março, no Festival Women in (E)motion. Mafalda está hoje a afirmar-se como uma das mais sólidas e promissoras vozes do fado recebendo muitos convites para espectáculos no país e no estrangeiro. Para este ano que decorre, tem já agendados concertos para a Alemanha, Espanha e Holanda.

Prémio Pessoa para Luís Miguel Cintra

O galardão, no valor de 44 mil euros, foi atribuído ao actor e encenador Luís Miguel Cintra. É a primeira vez que é distinguida uma personalidade ligada às artes do espectáculo.

Luís Miguel Cintra, 56 anos, «tem construído ao longo de mais de três décadas um percurso exemplar tanto como actor, como nos planos da dramaturgia e da encenação», considerou o júri, justificando assim a entrega do Prémio Pessoa, esta sexta-feira, ao actor e encenador.O galardão, instituído em 1987 pelo semanário Expresso e a empresa Unysis, já distinguiu até hoje 21 personalidades portuguesas com «intervenção relevante» na vida cientifica, artística e literária do país, entre as quais o historiador José Mattoso, o neurocirurgião João Lobo Antunes, o escritor José Cardoso Pires, a pianista Maria João Pires e a pintora Menez.Luís Miguel Cintra, Prémio Pessoa 2005, considerou o galardão «lisonjeiro para o Teatro», mas também «incómodo» por considerar o seu trabalho «uma arte colectiva». «O que eu faço é fruto do trabalho de muitas pessoas», comentou.O presidente da Republica, Jorge Sampaio, considerou o prémio «justo», afirmando que Luís Miguel Cintra «muito tem prestigiado o teatro e a cultura» portugueses. Manoel de Oliveira, o realizador que mais vezes dirigiu Luís Miguel Cintra no cinema, considerou Luís Miguel Cintra «um actor de excepção», enquanto o encenador João Mota também considerou a distinção «merecida» e o dramaturgo Luís Francisco Rebello qualificou Luís Miguel Cintra como «o maior actor português vivo».O realizador Paulo Rocha disse que o galardoado «é um monumento» que e «é difícil alguma vez voltar a haver alguém como ele».

domingo, dezembro 18, 2005

Lançamento do Livro POEMA SEIS

A sessão de lançamento do livro Poema Seis terá lugar no dia 19 de Dezembro de 2005, pelas 22h, na Sociedade de Instrução Guilherme Cossoul, Avenida D. Carlos I, 61 - 1º Andar, em Lisboa.
A apresentação da obra será feita pela mestre arquitecta Ana Elisa Vilares e pelo professor António Oliveira.
Podem visitar o Blog do autor em: http://lup51.blog.simplesnet.pt/
(Ele disse-me que todos os textos da sua autoria com valor literário foram retirados do blog por fazerem parte deste livro e de próximos... o que se entende perfeitamente.
Muito sucesso, Luís.

quarta-feira, dezembro 14, 2005

Quiz

Como se chama e de quem é este poema popularizado na voz de Manuela Moura Guedes?

Há luz sem lume aceso
Mas sem amar o calor
À flor de um fogo preso
À luz do meu claro amor
Há madressilvas aos pés

E águas lavam o rosto
A morte é uma maré
Olho o teu amado corpo
Será sempre a subir

Ao cimo de ti
Só para te sentir
Será no alto de mim
Que um corpo só
Exalta o seu fim
Não foram poemas nem rosas

Que colheste no meu colo
Foram cardos foram prosas
Arrancados ao meu solo
Oi que ainda me queres

No amor que ainda fazemos
Dá-me um sinal se puderes
Sejamos amantes supremos
Será sempre a subir

Ao cimo de ti
Só para te sentir
Será no alto de mim
Que um corpo só
Exalta o seu fim. . .

(adoro esta música, até há pessoas que insistem em afirmar que já a cantei numa dessas noites de karaoké, mas creio que são só rumores!)

Dúvidas literárias

Depois de terminar a leitura de "O Processo" de Kafka estou na dúvida sobre a leitura que se segue: "Inventem-se novos pais" de Daniel Sampaio, a "Odisseia" de Homero, a releitura de "D. Quixote e Sancho Pança" (na versão original) de Cervantes ou a "Introdução à Filosofia Política" de J. Wollf. Aceitam-se sugestões bem como novas hipóteses de leitura.
Certezas de momento só a leitura em avulso e salteada das Crónicas de Lobo Antunes. O homem é genial!

Recital de Natal | Canções de Natal e Espirituais Negros - CCB













Para quem gosta do Natal mas gosta, sobretudo, de ouvir a Beleza.

Soprano Ana Paula Russo
Guitarra Carlos Gutkin

Iniciativa:Antena 2 / RDP

16 Dezembro 2005 às 19h
Pequeno Auditório
Duração:75 minutos c/intervalo



'Um recital de Natal baseado em composições conhecidas e de grande beleza: "Silent Night", "Adeste Fidelis", etc. O menu musical inclui Espirituais Negros, bem swingados, sempre para voz e guitarra, com harmonizações concebidas de modo a criar um ambiente agradável e atraente, sem prescindir dum toque erudito. O programa foi apresentado num dos recitais inaugurais do Festival de Música do Algarve, obtendo grande sucesso junto do público. Ana Paula Russo é uma das mais conceituadas sopranos portuguesas. Actuando regularmente no Teatro São Carlos, foi designada, nomeadamente, para estrear o papel principal da ópera “O Corvo Branco”, de Philip Glass. Actualmente é uma das co-apresentadoras do programa matinal "Amanhecer" na Antena 2.
O guitarrista espanhol de origem argentina, Carlos Gutkin, estudou em Cuba e no Real Conservatório de Madrid, sendo anualmente convidado para inúmeros festivais incluindo a “Cimeira Mundial do Tango”. Um recital transmitido pela Antena 2 com o apoio do Centro Colombo.'
Aproveito para cair no comum e desejar um Bom Natal a todos aqueles que ainda acreditam que um dia o mundo vai mudar, a todos aqueles que crêem que deixaremos de ter consumismo exacerbado, a todos aqueles que defendem que as pessoas irão realmente preocupar-se com o 'outro'...
Para aqueles que, como eu, não acreditam... desejo apenas uma época de paz e serenidade interior... pode ser que começando no interior de cada um algum dia alguma coisa mude.

segunda-feira, dezembro 12, 2005

Corpse Bride

"Can a heart still break after it stopped beating?"
Corpse Bride, Tim Burton
(Como gostaste muito deve ser admitido este post... ;0)))

sábado, dezembro 10, 2005

Biografia sem Dentes

Por José Luís Peixoto
Este é o texto em que descrevo alguns momentos importantes da minha vida tal como teriam sido se me tivessem caído todos os dentes.
1. Primeira palavra
A minha mãe andava já há muito tempo a repetir-me sílabas. Na maior parte das vezes, eu continuava indiferente, a gatinhar pelo chão da cozinha, mas, em certos momentos, parava-me a olhá-la. Dizem-me que os meus olhos eram grandes. Eu acredito, porque os olhos das crianças são sempre grandes e porque existem algumas fotografias – tiradas com a velha kodak, comprada em segunda mão num mercado de Paris. A minha mãe sentava-me na cadeira alta – eu ficava preso por correias e pela mesa de plástico à minha frente –, acertava-me o babete no pescoço, começava a dar-me colheres de papa e repetia-me sílabas. Pa-pa, ma-mã. Eu interessava-me mais pela comida do que pela conversa e continuava a abrir a boca sem um único som. A papa, claro, escorria-me pelo queixo. Já a minha mãe quase se tinha cansado e esquecido quando, num sábado – toda a gente sabe que foi num sábado, as minhas irmãs lembram-se que tinham passado parte da manhã a depenar uma galinha, a minha mãe lembra-se do tempero que utilizou antes de ter posto a galinha no forno –, agarrei-me aos pés de uma cadeira, levantei-me, fiquei muito sério a olhar para a minha mãe e, num momento de silêncio, disse: ma-mã. A minha mãe e as minhas irmãs confundiram-se numa agitação: ai, o menino; o menino falou – nessa altura, só me tratavam por «o menino». Então, quando voltassem a olhar para mim, eu abriria levemente os meus lábios pequenos e, sem mudar de expressão, deixaria cair os meus quatro dentes, um por um, no chão da cozinha. Ao acertarem nos mosaicos, fariam um som de berlindes. Ao longo de todas as suas vidas, as minhas irmãs e a minha mãe contariam essa história muitas vezes, quase sempre na minha presença. Hoje, eu lembrar-me-ia desse momento exactamente como se me conseguisse lembrar dele. A memória que não teria do momento em que disse a minha primeira palavra ter-se-ia somado à quantidade de vezes que teria ouvido essa história. Zero mais um é igual a um.
2. Primeiro beijo
São Pedro do Estoril. Catorze anos é idade mais do que suficiente para ter vontade de segurar uma rapariga nos braços e encontrar o instante certo para beijá-la. Nunca voltei a encontrar outra pessoa que se chamasse Stela. Aquela Stela deve continuar aí pelo mundo. Se hoje me cruzasse com ela na rua, obviamente que não a reconheceria. Talvez hoje me tenha cruzado com ela na rua. Ela também não me reconheceria e se alguém lhe dissesse: lembras-te?; o mais normal é que não se lembrasse. Eu lembro-me do essencial. Ela tinha a pele lisa. Era bom passar-lhe os dedos devagar pelo rosto. Era bonita ou, na altura, eu achava que era bonita. Aqueles que vinham ao Estádio Nacional participar nas finais de atletismo – na categoria de iniciados – ficavam na Colónia Balnear «O Século». A minha mãe despedia-se de mim com todas as recomendações. Eram as primeiras vezes que eu saía sozinho para dormir fora de casa. Levava uma mala com tudo: pijamas, fatos de treino, toalhas, sabonetes novos. Foi na véspera da minha prova. Sábado à noite. Foi no fim de um dos túneis que passam por baixo da marginal e que chegam à praia. Antes, tínhamos conversado, tínhamo-nos rido e, já há algum tempo que andávamos de mãos dadas. Depois, estava lá tudo: o mar, as luzes da noite a agitarem-se sobre a distância do mar. Foi de repente. Eu agarrei-a quando ela me agarrou e beijámo-nos. Tudo aquilo que apenas imaginava, aconteceu num momento. Esse momento a ser, eléctrica e mundialmente, agora. Agora nesse momento. Os carros desapareceram todos na marginal. Então, no fim desse milagre, separávamos os rostos. Por trás dos meus lábios revolvidos, a minha boca cheia de dentes soltos, dispostos sobre a língua, húmidos e mornos de saliva. Não nos olhávamos porque somos todos tímidos depois de um beijo assim. Sem que ela visse, eu cuspia os meus dentes sobre a areia. Despedia-me com poucas palavras, com a voz irregular, tapando a boca com as mãos e voltava para as camaratas onde, em beliches, dormíamos mais de vinte. Vestia o pijama que a minha mãe tinha dobrado na mala e ficava deitado sem conseguir dormir.
3 . Primeiro poema
Estava no meu quarto. Pelas escadas, chegava o som da minha mãe a fazer o jantar. A tarde tinha terminado, mas eram ainda as horas em que a noite era muito nova. O meu quarto era iluminado por uma luz amarela e cómoda. Quando eu me deitava na cama a pensar, pousava as mãos por trás da cabeça, os braços abertos, e as figuras dos posters – imóveis, colados com fita-cola à parede – pensavam comigo. Nesse dia, no quarto, estava a máquina de escrever que não sei de onde veio, mas que foi sempre um objecto importante, que se devia tratar com cuidado. As minhas irmãs tiravam-lhe a tampa grossa de plástico castanho para passarem trabalhos da escola. O meu pai, com uma técnica que todos admirávamos, trocava-lhe a fita de tinta. Nesse dia, era Outubro ou Novembro e a máquina estava no meu quarto. Nos meus pensamentos, havia palavras que se misturavam. Palavras que não tinham sentido, mas onde eu encontrava um sentido. Levantei-me e olhei para a máquina de escrever. Nesse tempo, eu escrevia com os dois indicadores apontados sobre o teclado. Procurei um papel, uma caneta e, como se existisse um deus, comecei a escrever palavras que se sucediam num sentido único, que nascia naquele momento e que brilhava diante dos meus olhos. Tenho a certeza que o meu rosto – se existisse alguém para vê-lo – estava iluminado como se estivesse diante de um lume. O ponto final chegou da maneira imprevisível como chegou cada palavra. Segurei a folha à frente dos olhos e custou-me a acreditar. Talvez chovesse na rua. Li devagar cada uma daquelas frases em voz alta. Calei-me e continuei a olhar para o papel. Então, sem dor, os dentes começavam a soltar-se lentamente das gengivas, como frutos maduros que se desprendem naturais dos ramos, como larvas que escorregam para fora dos casulos. Seria nesse momento que a voz da minha mãe, ecoando pelas escadas, me chamaria para jantar.
4. Primeiro filho
Eu estava a dar aulas. Era a última aula do dia – das dezassete e trinta às dezoito e trinta. Começava a anoitecer. Eram talvez quase dezoito horas quando uma funcionária bateu à porta e disse que me chamavam ao telefone. Eu não costumava receber telefonemas na escola. Quando atravessava o pátio, acreditava que já sabia o que ia ouvir, mas não queria ter a certeza porque, nesse tempo, sentia que havia muitas coisas acerca das quais não podia guardar nenhuma certeza. No telefone – na pequena divisão, separada do corredor por um vidro, onde guardavam o telefone –, ouvi aquilo que esperava ouvir. Voltei à sala para, antes de dizer o que quer que fosse, começar a guardar os meus cadernos e os meus livros na pasta. Já a caminho da porta, disse aos alunos que podiam sair mais cedo. Foi numa quinta-feira. Podia agora tentar reconstruir aquilo em que pensei enquanto conduzi durante trinta quilómetros. Prefiro não o fazer. Cheguei à maternidade. Foi fácil e rápido o caminho até à bata que me ajudaram a vestir porque se atava nas costas. Havia muitas pessoas – médicos e enfermeiras – na sala onde nasceu o nosso filho. Esquecemos todos os gestos e todos os conselhos das aulas de preparação para o parto e eu, inútil, fiquei junto do rosto dela apenas para nunca mais esquecer a sua expressão enquanto fazia força. Os médicos a dizerem: força. E o nosso filho. Quando lho pousaram nos braços – riscos de sangue na pele –, quando olhámos para ele, houve uma força irresistível que subiu dentro de nós, montanhas a explodirem dentro de nós, o céu inteiro de repente dentro de nós, e as lágrimas de felicidade foram também uma explosão. Levaram o nosso filho para lavá-lo com um pano húmido. Ficámos a vê-lo afastar-se na distância de alguns passos. Então, por estarem todos a olhar para ele, ninguém poderia ter visto a forma como me cairiam todos os dentes dentro da boca.
5. Primeiro romance
A minha editora a sorrir. Pessoas a darem-me os parabéns sem que fosse o meu aniversário. Várias pessoas a notarem a minha presença e a cumprimentarem-me: muito prazer. A roupa nova. Os sapatos novos. O meu nome impresso na capa de um livro. O peso desse livro na palma das minhas mãos. Eu a lembrar-me do meu pai e a procurar uma janela, a procurar mesmo uma janela, para olhar para o céu. E chegou a hora de nos sentarmos. Uma mesa e microfones. Uma voz a falar daquele mundo que era só meu, que era só meu. Uma voz a falar como nunca ninguém tinha falado. E a minha editora a sorrir. Eu talvez feliz, mas sem saber sorrir. E a minha editora a dizer palavras breves. Eu a ouvir tudo, perdido em tudo. Tão de repente, a minha vez. A minha editora a olhar para mim, as pessoas todas a olharem para mim. Então, os meus lábios comprimidos. E os meus cabelos a caírem em madeixas inteiras sobre a mesa. Tufos de cabelos a caírem ao lado e sobre as minhas mãos pousadas sobre a mesa. O som da multidão de pessoas admiradas. Vozes misturadas. E, por trás dos meus lábios contraídos, como cubos de gelo num copo, a minha boca cheia de dentes soltos.