segunda-feira, março 20, 2006

Timbuktu (Partilha Literária)



“Até a esse momento, o sonho não diferia minimamente da realidade. Palavra por palavra, gesto por gesto, todos os acontecimentos tinham sido uma exacta e fiel tradução dos eventos, tal e qual acontecem no mundo real. Agora, porém, enquanto a ambulância arrancava e as pessoas regressavam lentamente às suas casas, Mr. Bones sentiu-se dividido em dois. Metade permaneceu na esquina, um cão contemplando o seu triste e incerto futuro, e a outra metade transformou-se numa mosca. Dada a natureza dos sonhos, talvez isso não tivesse nada de invulgar. Todos nós nos transformamos noutras coisas enquanto dormimos, e Mr. Bones não era excepção.”

in “Timbuktu” de Paul Auster [Edições Asa]


Este foi o primeiro livro que li do escritor norte-americano Paul Auster, pelo simples facto de a personagem principal ser um cão...
O livro “Timbuktu” conta a história de um cão, Mr. Bones, que vive desde cachorro com William Gurevitch, um poeta “apaixonado pelo som da sua própria voz, um genuíno e ferrenho legomaniaco que não conseguia parar de falar desde o instante em que abria os olhos de manha até que caía de bêbado à noite”, que ostenta no braço direito uma tatuagem do Pai Natal. E o acompanha no último capricho de William, antes de morrer: encontrar a sua antiga professora de Inglês e confiar-lhe os seus manuscritos. Mas, Mr. Bones tem um sonho, quase real, que acaba por se concretizar
e mudar o rumo dos acontecimentos...

quinta-feira, março 16, 2006

Oficina da Terra, em Évora - a visitar

Relevos 5 - Terracota 48x28cm
"Cada peça tem a sua alma própria e nós não fazemos mais que materializá-la. Com a ideia vaga o Tiago inicia a modelagem e as coisas vão andando ao sabor do momento e da paixão."

Conheci a Oficina da Terra (de Tiago e Magda Ventura) há cerca de 3 anos e foi uma grande descoberta. Hoje e porque é época de celebração para eles (os artistas) aqui fica a lembrança de que este sítio mágico existe... visitem a oficina e deliciem-se com a criatividade...

Tiago Ventura
Frequentou o curso de Artes Plásticas, na Universidade de Évora. Aprendeu em 1999 os segredos da arte do barro com os mestres Orlando Guimarães e António Velho, da Olaria Guimarães/Velho em S. Pedro do Corval - Reguengos de Monsaraz. Esculpe e molda todas as peças da, por si criada com Magda Ventura em 1998, oficina da terra.

Magda Ventura
Nasceu em Reguengos de Monsaraz a 16 de Novembro de 1976. Participou em Workshops de pintura sobre olaria tradicional em S. Pedro do Corval - Reguengos de Monsaraz. Frequentou o Curso de Física e Química da Universidade de Évora. Pinta e finaliza todas as peças da, por si também criada, oficina da terra.

segunda-feira, março 13, 2006

Africa Minha (Partilha Literária)



“Quando se sobrevoam os planaltos africanos, desfruta-se de um panorama deslumbrante: extraordinárias combinações e cambiantes de luz e de cor, o arco-íris sobre a terra muito verde banhada de sol, nuvens gigantescas acasteladas e grandes tempestades selvagens e negras giram em nosso redor numa dança ou numa louca corrida. Aguaceiros violentos cortam obliquamente o ar. Não existem palavras para descrever esta experiência e, com o tempo, ter-se-ão de inventar novos vocábulos para a descrever.”

in “Africa Minha” de Karen Blixen [Relógio D’Água]


Quem me conhece, sabe que tenho, já algum tempo, um fascínio especial pelo continente africano, ainda que não saiba explicar bem o porquê... O livro “Africa Minha”, de Karen Blixen, é uma das várias obras que me aguçaram a curiosidade por Africa e os seus povos.
“Africa Minha” é mais que um livro de memórias de Karen Blixen, durante a sua estadia no continente africano, é a homenagem que uma mulher presta ao seu amor: Africa. O livro está organizado em pequenas histórias, que se lêem como contos, pela forma melancólica e apaixonante como a autora as narra. Cada história tem o mérito de revelar uma perspectiva de Africa, desconhecida à maioria dos “não-africanos”, o que faz do livro uma referência literária mundial. Este livro obtém um enorme sucesso, que seria adaptado ao cinema, com o mesmo nome, onde alcançaria também o êxito: o filme “Out of Africa” (“África Minha” na versão portuguesa) receberá 8 Óscares. Pelo que, o visionamento deste filme, deve acompanhar a leitura do livro, ou vice-versa...

domingo, março 12, 2006

Thomas Cole (Lancashire, 1801 - NY, 1848)

Gosto especialmente desta pintura e quis partilhá-la convosco.
Expulsion, Moon and Firelight (1828)
A geração de Cole iniciou um movimento de pintura verdadeiramente americano que se desenvolveu no século XIX e que se "alimentava" de paisagens. Se estiverem interessados em descobrir mais sobre este artista podem visitar os links.
+++
"Sit thou enthroned where the Poet's mountain
Above the thunder lifts its silent peak,
And roll thy songs down like a gathering fountain,
That all may drink and find the rest they seek.
Sing! there shall silence grow in earth and lower heaven,
A silence of deep awe and wondering;
For listening gladly,
bend the angels even,
To hear a mortal like an angel Sing."
Links:

sábado, março 11, 2006

A fantasia da invenção no Centro Cultural de Belém

SECRET Cirque Ici – Johann le Guillerm
Co-realização: CCB / Fundação Pt. / Fundação BNP-Paris Bas/CIRQUE – ICI/Sem Rede - Rede Nacional de Programação do Novo Circo

Tenda de Circo - situada atrás da Tenda branca
Duração:1h45

Johann Le Guillerm é um verdadeiro feiticeiro da matéria e do tempo, um feiticeiro da alma tranquila que transforma a matéria na forma dos sonhos. No seu espectáculo, estamos perante um encontro entre a ciência e a poesia, dentro de um segredo que só partilha quem a ele assiste.Com o seu olhar profundo, Johann Le Guillerm encontra o coração dos objectos para compreender a mecânica íntima das coisas e torná-la sua. Ele confronta-se com a matéria inanimada, com o seu próprio equilíbrio, pondo em cena a sua vontade e os seus limites. Tudo parece possível e o mundo reinventa-se.“Secret” é um espectáculo que busca uma nova fenomenologia para o circo, partindo de formas geométricas e leis da Física para
desenvolver o próprio processo artístico. No palco, objectos criados com base na ciência inovam o território das artes. O resultado é uma alquimia de uma fulgurante beleza que interroga a nossa relação com o equilíbrio e a beleza. Johann Le Guillerm: um artista de circo inclassificável entre os mais inovadores de hoje. Em “Secret”, o público inexperiente, seja qual for a sua idade, abandona-se nas mãos deste “grande feiticeiro” e começa a sonhar.A Fundação Portugal Telecom apoia o Projecto Attraction pela sua convergência com a nossa política de intervenção cultural, científica e pedagógica.Dias 7, 10,11, 14, 15, 17, 18, 24 a 25 de Março, às 21h; 12, 19 e 26 de Março, às 19h

segunda-feira, março 06, 2006

Suicide Commando

Este projecto da EBM mais nova(Eletronic Body Music - estilo musical derivado da musica industrial que apareceu em inicio da decada de 1980) vem da Belgica sendo um dos mais conhecidos dentro do genero actualmente.

Suicide Commando apareceu por volta de 1986 quando Johan Van Roy começou a experimentar com musica eletronica usando este nome e em 1989 lançou a primeira de muitas tapes sendo que em 1994 lançou o seu primeiro CD Critical Stage pela editora Off Beat.

Johan usa, ao contrario do EBM inicial(que usava guitarras), apenas instrumentos eletronicos para criar a sua musica que é uma mistura de uma batida distorcida e energética com varias linhas de sintetizadores o que com a voz também um pouco distorcida cria um ambiente que é por vezes um pouco melancolico(ex. musica Love Breeds Suicide) e outras mais agressivo(ex. Cause of Death: Suicide).

Uma das minhas bandas favoritas dentro do genero, um bom começo para quem nunca tenha tido qualquer contacto com EBM/Industrial e uma banda de paragem quase obrigatoria para quem já conhece o genero.

Musicas que recomendo para quem quiser ouvir:
Acid Bath, Better off Dead e Ignorance do album Construct Deconstruct
Love Breeds Suicide, Body Cout Proceed e Raise Your God do album Mindstrip
Cause of Death: Suicide do album Axis of Evil

http://www.suicidecommando.be/

http://en.wikipedia.org/wiki/Suicide_Commando

http://en.wikipedia.org/wiki/Electronic_body_music

domingo, março 05, 2006

A Grande Noite de Hollywood



É já hoje à noite a noite da entrega dos prémios mais importantes da industria cinematográfica e queria deixar aqui uma pequena reflexão acerca dos principais filmes candidatos a vencerem nas categorias mais importantes. Não deixa de ser estranho verificar que na América de Bush, hoje muito conservadora, os filmes abordem directa ou indirectamente assuntos polémicos. Desde a homossexualidade de Brokeback Mountain e de Truman Capote em Capote, temos também Munich o filme mais polémico de Spielberg que chocou o poderoso lobby judeu dos EUA, temos o Good Night and Good Luck que fala de um período negro da história do Sec. XX Americano que infelizmente permanece actual. Há mais, o racismo em Crash, a sexualidade no mínimo complexa de Transamerica, etc. Não me interpretem mal, para mim o tema de um filme não influi em nada no valor artístico do mesmo, mas era um facto que não podia deixar de constatar.

Espera-se que Jon Steward consiga proporcionar o comic relief necessário. Eu só vi Capote mas ainda assim aqui vai o meu palpite num desafio que estendo a todos os leitores e membros do blog:

Melhor Filme: Munich de Spielberg

Melhor Actor: Philip Seymour Hoffman (Capote) mas gostava que fosse Joaquin Phoenix (Walk the Line)

Melhor Actriz: Felicity Huffman (Transamerica)

Melhor Actor Secundário: William Hurt (A History of Violence)

Melhor Actriz Secundária: Catherine Keener (Capote)

Melhor Realizador: Ang Lee (Brokeback Mountain)

sexta-feira, março 03, 2006

Charlie e a Fábrica de Chocolate

De Tim Burton, com Johnny Deep, Freddie Highmore, Helena Bonham Carter e David Kelly.
Aventura
Duração: 115
Data: 2005
Charlie, um menino bom e de origens humildes, conquista o coração do excêntrico chocolatier Wonka, que procura um herdeiro para o seu império de chocolate.

Mr. Bucket: Your mum and I thought, maybe you'd like to open your birthday present tonight. Charlie Bucket: Maybe we should wait until morning.
Grandpa George: Like hell.
Grandpa Joe: All together we're 381 years old. We don't wait.

quarta-feira, março 01, 2006

Uma Casa na Escuridão

Para a nossa administradora que anda tão silenciosa... O teu livro doloroso... ;-)

Uma Casa na Escuridão é um romance com grande momentos de verdadeira poesia, um romance que prescruta a alma desesperada de um narrador, que encontra o verdadeiro amor na imagem de uma mulher reflectida dentro do seu próprio interior, mulher que não existe no seu tempo real, amor esse que é descrito e passado a papel noite após noite, centro único da sua vida que já se manifestava completamente despegada da vida real, na sua casa, vivendo com a sua mãe e a sua escrava, a casa na escuridão. A verdadeira poesia em prosa é a grande marca deste romance, encontra-se poesia em prosa a cada página, revelando em grande profundidade toda a introspecção do narrador, e tudo quanto ele sente, quanto ao amor e ao mundo que o rodeia. O romance tem momentos de espectáculo, momentos de tragédia, momentos de crueldade, momentos de humanidade também, grandes momentos fazendo lembrar actos teatrais, que não se esperam e que nos surpreendem quando o romance parece começar a entrar em monotonia poética. Resumindo, uma casa na escuridão com um ambiente de rotina mas com um grande e extenso passado, de tragédias e de tristeza, brutalmente sacudida por uma invasão, bárbara, que decepa com requintes de maldade todos os membros daquela casa; que, após isso, sobrevivem e continuam a viver sob o jugo dos seus invasores, encontrando ainda assim momentos de fraternidade salpicados por instantes de crueldade. Muita ficção, muita irrealidade num cenário de sentimentos absolutamente reais, onde toda a réstia de esperança se esvai, mostrando a nu toda a crueldade da humanidade mas em simultâneo toda a sua fraternidade, lado a lado e sem intervalos, a angústia de cada um como suporte de comunicação entre todos, a comunicação do silêncio sem necessidade de palavras, traduzidas pelas descrições e narrativas poéticas. Personagens identificados com os seus destinos, personagens que se cumprem, também personagens sem vislumbre do seu destino após julgarem se terem cumprido, é um romance extremamente rico que nos faz pensar nas suas várias dimensões após a leitura da última página.
Por tudo isto, Peixoto não fica a dever nada a outros grandes romancistas portugueses (e estrangeiros), notando-se uma enorme maturidade na complexa construção do seu poético romance de tragédia - talvez a utilização de demasiados vulgares lugares-comuns na sua construção poética, mas, se este ainda é o inicio da construção da obra de um romancista (2º romance) posso dizer que o Peixoto, ainda com muitos anos pela frente, parte com uma grande vantagem relativamente a muitos dos seus antecessores.

Link: http://www.nescritas.nletras.com/poemasjoseluispeixoto/

terça-feira, fevereiro 28, 2006




Shakespeare in Love - A Paixão de Shakespeare
1998
Países - EUA e Reino Unido

Género - Romance e Comédia
Realização - John Madden

Intérpretes
Joseph Fiennes
Gwyneth Paltrow
Geoffrey Rush
Judi Dench
Colin Firth
Ben Affleck

trailer - visionar

imdb - http://www.imdb.com/find?q=Shakespeare

segunda-feira, fevereiro 27, 2006

Crónica dos Bons Malandros (Partilha Literária)



“- E armas? Vamos para uma coisa dessas de mãos a abanar?
- Vamos. Armas, não.
Estava decidido. Assaltariam a Gulbenkian à mão desarmada, golpe de audácia como nunca se vira, nem aqui nem em parte nenhuma. E os audaciosos de que falariam os telejornais seriam eles, Renato e Flávio, Marlene e Adelaide, Pedro, Silvino e Arnaldo, quadrilha seleccionada, encontro de sete vidas depois de muito tombo e aventura.”


in “Crónica dos Bons Malandros” de Mário Zambujal [Quetzal Editores]


Confesso que tinha pensado noutro livro para hoje, mas lembrei-me deste livro a caminho do Museu Gulbenkian...
No livro “Crónica dos Bons Malandros”, Mário Zambujal conta a história de uma quadrilha liderada por Renato, “o Pacífico”, que se dedica a pequenos assaltos, até ao dia que um misterioso italiano os desafia a roubar umas jóias do Museu Gulbenkian. Mas as coisas, entre divertidas peripécias, acabam por não correr como estavam planeadas...
O jornalista português Mário Zambujal serve-se de uma escrita simples, diria mesmo cómica, para apresentar cada um dos membros do grupo e os caminhos que os levaram à marginalidade, até ao dia do tão esperado assalto. “Crónica dos Bons Malandros” é um livro alegre e divertido para estes dias frios de Inverno.

domingo, fevereiro 26, 2006

Desafio

Desafio para: Selene, Tina, Peter Cain, Moonshiner, Eduardo Wilduck e José Carlos Adão.
Sei que são seis e não cinco mas... valores mais altos se levantam!

Regulamento:Cada bloguista participante tem de enunciar cinco manias suas, hábitos muito pessoais que os diferenciem do comum dos mortais. E além de dar ao público conhecimento dessas particularidades, tem de escolher cinco outros bloguistas para entrarem, igualmente, no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos blogues aviso do "recrutamento". Ademais, cada participante deve reproduzir este "regulamento" no seu blogue.

terça-feira, fevereiro 21, 2006

o efeito placebo


Efeito placebo é o efeito mensurável ou observável sobre uma pessoa ou grupo, ao qual tenha sido dado um tratamento placebo.
Um placebo é uma substância inerte, ou cirurgia ou terapia "de mentira", usada como controle em uma experiência, ou dada a um paciente pelo seu possível ou provável efeito benéfico.
Não penso que os Placebo produzam música “de mentira”. Reflectem sim a poesia mortiça de quem desde cedo percebeu que o mundo não é bonito e brilhante para todos.
Since I was born I started to decayNow nothing ever ever goes my way
Quem de nós nunca sentiu decadência e frustração? Daí a necessidade do placebo. A cura milagrosa que se vende no Chinês. A necessidade do arco-íris a cavalgar a nuvem mais medonha. O sorrir fugidio da mulher de burka. A efemeridade está em todo o lado. Até, e principalmente, na tv. Aí sim, começamos a morrer. Penso que para quem se considere feliz e o seja realmente, os Placebo nunca fariam sentido. Mas para todos os outros são uma inspiração. De Vida. De Morte. De Evasão.
Devido à sua propensão para uma maquilhagem hermafrodita e riffs crus, os Placebo foram descritos por alguns como uma versão glam de Nirvana. A banda multinacional foi formada através do cantor/guitarrista Brian Molko (parte escocês e americano, mas crescido em Inglaterra) e o baixista Stefan Olsdal (originalmente da Suécia). O lugar de baterista dos Placebo estava alternadamente ocupado por Robert Schultzberg e Steve Hewitt. Embora Molko e Olsdal preferirem Hewitt como o homem principal (era este lineup que registrou várias demonstrações), Hewitt optou voltar à outra banda dele. Com Schultzberg a bordo, os Placebo assinaram um contrato com a Caroline Records que emitiu o album debutante do trio em 1996. E partiram para a conquista do mundo, um som, uma nota de cada vez.

Évora e História: que tipo de relação?



A relação entre a História, a sua conservação e a cidade de Évora nem sempre foi a mais pacífica. Eu não sou um eborense de nascimento. Cheguei a esta cidade por necessidades de formação adicional e por estas ruas deambulei durante cinco anos. Não tenho a ilusão de a conhecer como um nativo, mas sinto-a como umas das minhas cidades.
Desde cedo percebi a relação difícil que Évora tem com a sua História. Trata-se da identidade local e do modo como a cidade cresceu e interagiu com o seu meio circundante. E mais do que isso, é actualmente uma das suas maiores fontes de rendimento que tem a sua expressão mais visível no Turismo. Mas esta interacção entre a cidade e o seu património cultural também já foi, e ainda é, o principal entrave a um progresso económico e social rápido, sustentado pela construção de novas infra-estruturas.
Quantas vezes já ouvimos rumores de projectos que ficam inacabados pela descoberta de esta ou aquela relíquia ou edificação antiga? Será este o melhor caminho para a capital de distrito? Parar todos os projectos de futuro por causa de um achado qualquer?
Não sou, nem nunca fui um apologista do Progresso a qualquer custo! Mas não penso que a predilecção excessiva pela História em vez do Desenvolvimento seja a solução.
Temos um caso interessantíssimo, que até está bem perto, de uma cidade espanhola que tendo o mesmo problema de falta de espaço que Évora tem, cresceu e desenvolveu um segundo espaço adjacente à parte histórica onde não tem problemas de falta de área. Badajoz possui assim uma parte histórica salvaguardada e em constante restauro e uma área nova mais desenvolvida onde pode explanar todos aqueles projectos modernos de maior complexidade. Esta será, a meu ver, a melhor solução para muitos dos problemas da cidade de Évora.
As constantes obras de restauro em conjunto com as obras de desenvolvimento tornam, muitas vezes, o prazer que é morar em Évora num verdadeiro pesadelo. E por isso, peço aos dirigentes locais para decidirem que tipo de cidade querem ter e proporcionar aos seus cidadãos. E quando o fizerem que sejam coerentes e mantenham essas normas por algum tempo. Só assim os investidores sabem o que esperar e poderão dar largas ao seu investimento.

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

A Montanha de Água Lilás (Partilha Literária)



"- Lupi-poeta, tens que contar tudo isso que se passou. Para que os lupis não se esqueçam dos seus erros.
O lupi-poeta fez então muitos poemas. Contavam a estória dos lupis e da água lilás. Também da desgraça que se abateu sobre eles e o seu destino.
Foram talvez esses poemas que chegaram ao conhecimento dos avós dos nossos avós, quando eles compreendiam a linguagem dos lupis. E nos contaram à noite, na fogueira, para transmitirmos às gerações vindouras. Aprenderão elas com esta estória?"


in "A Montanha de Água Lilás – Fábula para todas as Idades" de Pepetela [Publicações Dom Quixote]


Li este livro de Pepetela, numa noite de insónia, depois de ter assistido, dias antes, a uma peça de teatro, com o mesmo nome e adaptada fielmente do texto original, no Teatro Meridional, em Lisboa.
Em “A Montanha de Água Lilás – Fábula para todas as Idades”, o escritor angolano Pepetela conta a estória de uns seres cor laranja, os Lupis, que pensavam, falavam e trabalhavam como os homens. Mas “não são homens, porque se chamavam Lupis” . Certo dia, os lupis descobrem uma fonte de um misterioso líquido, cujo perfume é inebriante - a água lilás. E deixaram de viver em perfeita harmonia...
Este livro, não é apenas uma fábula para todas as idades, tal como o subtítulo parece indicar, é um retrato (in)temporal da sociedade humana, e da crescente desigualdade social.
E para terminar este post, repito a pergunta que Pepetela usa para acabar a sua narrativa:

"Aprenderão elas com esta estória?"

domingo, fevereiro 19, 2006

Amores Perros

Género: Drama / Thriller

Amor. Traição. Morte.

A ligação de três histórias por um espalhafatoso acidente de carro. As personagens lidam com a perda, o remorso e todas as grandes dificuldades da vida em nome do amor.
Adoro este filme. Tal como um livro em particular, este filme é um dos poucos que me faz literalmente sofrer fisicamente ao vê-lo (e não me refiro a chorar... porque é muito difícil fazer-me chorar).
Vale a pena ver, garanto-vos.

Link: http://www.imdb.com/title/tt0245712/

sexta-feira, fevereiro 17, 2006

Escrita Criativa - Workshops


O EscritaCriativa.com, em colaboração com a Sociedade de Instrução Guilherme Cossoul, lança um novo ciclo de workshops de escrita, a iniciar já em Março de 2006.
Escrita de ficção para televisão, por Filipe Homem Fonseca, em Março
(A publicar brevemente)
Escrita de jornalismo, por Rui Araújo, em Março
(A publicar brevemente)
Em breve, serão publicados os programas e datas dos próximos workshops: escrita criativa, escrita de humor, escrita literária, escrita de cinema, escrita para publicidade, stand-up comedy, etc. Todos os workshops têm a duração de um mês, havendo duas sessões de duas horas e meia por semana, em regime pós-laboral. O curso terá um total de oito sessões, ou seja, vinte horas. O custo de cada workshop é de 250€, havendo lugar a um desconto de 10% no caso do aluno ser sócio da Sociedade de Instrução Guilherme Cossoul. O aluno terá de efectuar o pagamento de 50% do valor total do curso no acto da inscrição, e os restantes 50% até à véspera do dia de início do curso. O NIB da conta para onde o aluno efectuará a transferência do valor do curso será enviado para o seu e-mail, no momento em que for enviada a ficha de inscrição. As aulas serão dadas na Sociedade de Instrução Guilherme Cossoul, sita na Av. D. Carlos I - N.º 61 1º Andar - 1200 Lisboa. A selecção dos alunos será feita pelos formadores, mediante a apreciação da ficha de inscrição que o aluno preencherá. Essa ficha é enviada para o e-mail do aluno, assim que o pedido seja feito para o e-mail: workshops@iol.pt
Poderá pedir também que lhe seja enviado por e-mail o(s) currículo(s) do(s) professor(es). As fichas de inscrição serão diferentes de curso para curso, pois ao criar campos de preenchimento específicos para cada temática, permite-se aos professores fazer uma melhor, e mais justa, selecção. No caso de existir um número de inscrições superior ao número de vagas do curso (15 vagas por turma), serão factores preferenciais, por ordem de importância: o currículo e a ficha de inscrição, a data de inscrição (onde privilegiaremos aqueles que se inscreveram primeiro) e ser ou não associado da Sociedade de Instrução Guilherme Cossoul (onde privilegiaremos aqueles que forem). Aos alunos que, eventualmente, possam não ser seleccionados para frequentar o workshop, é devolvido o dinheiro e terão prioridade sobre todos os outros nos próximos workshops. No final de cada workshop, o aluno terá direito a um diploma, assinado pelo(s) formador(es) e pelo presidente da Sociedade de Instrução Guilherme Cossoul.
Para mais informações, envie um e-mail para workshops@iol.pt ou ligue para 96 268 22 26.
É bastante interessante... depois de fazer "Escrita Criativa" no Mestrado que frequento talvez faça este workshop, também ;)

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

ECPHRASIS




Olhas-me de frente nos olhos com coragem mas sem agressão como quem convida a entrar em ti a passar a porta abrir a capa e conhecer-te
Como quem vê fundo em mim, como se eu que aqui estou este corpo esta carne esta rede de memórias e ideias fosse vento, cortina ao vento e não porta fechada para o nada para coisa pouca e tu fosses entrando e me lendo

O cabelo adivinha-se comprido pela mecha que se vê. nesses anos deviam olhar para ti na rua e saber, se calhar diziam-te alto como quem insulta com mesquinhez de quem pega numa coisa tão simples e a faz suja fabricando as palavras que ferem, que rasgam, mas que mostram como o seu mundo é pequeno e sujo. Mas o cabelo está comprido Al Berto está comprido e ele demora a crescer, pelos dias, e todos os dias decidiste não o cortar, não sei se por coragem por grandeza sei lá porquê mas não o cortaste como se fosse mais forte do que tudo o que te pudessem dizer
Tens o queixo angular, corajoso se há psicologia na fisionomia de um rosto se se pode ler uma cara

E nota-se a fita-cola da fotografia como se saísse de um passaporte lembrando-me de viagens e das que li tuas em que só o movimento faz sentido e nenhuma cidade te fosse aprisionar. não era isso que dizias? não era isso que escreveste neste mesmo livro? não falaste de desertos e de atravessá-los tantas vezes e de cidades? não era assim que começava “ sempre levei pouca coisa na bagagem” bagagem e viagem. e quem cá ficou? O sépia da foto é a cor dos mortos.
A noite que imagino nos teus livros, noite de cidade labirinto, noite de corpos que se encontram, como se só no escuro e às cegas nos pudéssemos tocar de verdade, matar essa sede de toque que a luz do dia queima.
Falam ainda de ti

Alberto Raposo Pidwell Tavares, o Al Berto foi (Al Berto) nació en Coimbra el 11 de enero de 1948. El año su familia se instala en Sines (Alentejo), donde pasa parte de la infancia y adolescencia.
Al Berto, um dos autores mais influentes da
Foi a partir desta viragem da sua vida que Al Berto decidiu abandonar
poesia de Al Berto é um grito da fragilidade extrema e irredutível do ser humano


em várias línguas em vários tons lêem-te na rua e n´O Medo, logo no início, fizeste um poema chamado atrium como quem convida a entrar e a seguir-te pela Casa. Pela Cidade. Pelo Corpo. Como Virgílio nos guiando pelo fio de ariadne das palavras. como um anjo mudo que nos sussurra em silêncio, como nos filmes de wim wenders. como um incêndio que ateias com o lume das palavras.
E vamos, vamos sempre. Como não te seguir se não mediste a vida por horários mas pelas fases da Lua. pela poesia, pelo sabor dos outros que parecia quereres sentir, devorar.
Como não te seguir?

Pop Dell'ArteTeatro Garcia de Resende

Évora 1 de Março 22h

bilhetes à venda a partir de segunda-feira, dia 13, no TGR
desconto para sócios SHE

Informações e reservas no TGR ou através do 266.703112
mais info em http://soc-harmonia.blogspot.com/

"POPologias Do início da década de 80 tinha chegado a estes portos boa nova da definitiva afirmação de uma vida possível para as manifestações pop/rock em solo português. Com o avançar do tempo, entre palcos como o do Rock Rendez Vous, casas atentas na noite de Lisboa, pontuais emissões de rádio e emergentes publicações e, last but not least, as demandas de novidade e velharia in na Feira da Ladra, uma nova cultura, alternativa, começava a ganhar corpo e forma. E nos Pop Dell’ Arte encontrou não só determinantes protagonistas, mas também uma das mais marcantes bandas sonoras de afirmação de inquietude artística, visão pop e invulgar capacidade em cruzar meios, linguagens e universos.Não era invulgar, no Portugal pop de meados de 80, uma banda nascer para concorrer ao concurso de música moderna que todos os anos o Rock Rendez Vous organizava naquele espaço que fez história na Rua da Beneficência ao Rego. E os Pop Dell’ Arte foram uma entre muitas histórias de natalidade com olhos postos no concurso. Nasceram em Campo de Ourique em 1985, e nesse mesmo ano assinaram a sua cédula com a inscrição no concurso que, apesar de vencido pelos THC, lhes deu o prémio mais falado nos meses que se seguiram: o de originalidade, sinal de autenticação de consequentes ousadias formais na música e primeiro reconhecimento do talento performativo de João Peste.A Dança do Som, pequena independente que então assinalava cada triunfo no concurso com a edição de um disco, mostrou-se interessada, mas de um desentendimento artístico nasceu uma necessidade em vingar por meios próprios. Sem intermediários. O incidente conduziu à formação da Ama Romanta, a primeira independente portuguesa gerida exclusivamente por músicos, e com mote ideológico encontrado numa esclarecedora entrevista de João Peste ao sociólogo Paquete de Oliveira (mais tarde incluída como faixa spoken word na compilação Divergências, o manifesto da editora). A Ama Romanta foi casa de nomes como os Croix Sainte ou Anamar e, claro, os Pop Dell’Arte que se estrearam em disco em 1986 com o máxi-single Querelle, peça fulcral na construção das fundações de uma identidade artística feita de uma colecção de referências muito próprias, e que acabou por ser de importância maior na inscrição inevitável de um espaço musical alternativo no Portugal de então.O grupo vincou as promessas de Querelle e registou a sua patente estética ao editar, em 1987, o single Sonhos Pop e o soberbo álbum Free Pop. Este último não só é tido como um dos mais importantes discos do Portugal musical de 80, como é palco de evidências de uma atitude artística de abertura e assimilação de correntes captadas nas letras, nas artes visuais, da colagem à citação, e representou uma das primeiras experiências de construção de loops na música feita em Portugal. Pensado com mentalidade livre, daí o seu nome, construído com aquele sentido de urgência que abraça os que não temem as ideias, é ainda hoje um registo de puro assombro pop.Os Pop Dell’Arte interromperam a sua actividade por algum tempo depois da edição do máxi Illogik Plastik, em 1989, assumindo João Peste a aventura Axidoxi Bordel por algum tempo (gravando um EP). O regresso à actividade faz-se entre 1992 e 93 com uma etapa de nova curiosidade sobre os modelos da canção e sob evidente curiosidade em aplicar à pop o conceito de ready made (aí de resto nascendo o título para o álbum editado em 93). Para surpresa de muitos, assinam pouco depois por uma multinacional, a então PolyGram, para quem gravam Sex Symbol, o mais versátil e completo dos seus álbuns, antecedido pelo single My Funny Ana Lana e do qual saiu uma das maiores pérolas da obra do grupo: Poppa Mundi.Um vazio de silêncio instalou-se pouco depois. De formação frequentemente mutante (e pela qual passaram diversos músicos), os Pop Dell’Arte conheceram em finais de 90 a sua etapa mais difícil, ocasional boato aqui, projecto ou notícia ali. Até que em 2002 o EP So Goodnight (a que João Peste chamou, em entrevista ao DN, um EPÁ) mostrou evidentes sinais de vitalidade criativa num colectivo forçado a viver num panorama editorial pouco dado a ousadias. Canções como Mrs Tyler, So Goodnight ou a desmontagem de Little Drama Boy davam continuidade a um caminho já veterano, nunca repetido, longe de exausto. Depois de um elogiadíssimo concerto make it or break it em Lisboa em Julho de 2005, no qual emergiram pontuais sons novos, os Pop Dell’Arte regressaram a estúdio, e apresentam nesta antologia três inéditos, uma vez mais com sabor a novo, a olhar lançado para lá do momento. Sonhando pop. Sempre pop. Nuno Galopim, Dezembro 2005(booklet POPlastik 1985-2005)"

in: http://www.differencemusic.com/

http://www.popdellarte.net/

co-produção SHE/CME
apoio: CENDREV
(Enviado por Selene... porque é que não o colocaste tu?)

terça-feira, fevereiro 14, 2006

Amar é fogo que arde sem se ver...

Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Luís Vaz de Camões


Para todos os apaixonados :-)