quarta-feira, abril 05, 2006
Os dias da Criação - Convite do Blog "Incomunidade"
segunda-feira, abril 03, 2006
Grito (Partilha Literária)

“Estou num tempo impensável, cheguei a casa e a casa estava vazia, isto é, os sinais de quem a habitara, permaneciam — os óculos na mesa-de-cabeceira, o livro com a marca de leitura, a mala feita para as férias, o estojo com o pó-de-arroz e o baton — mas estava morta a pessoa desses sinais, ando por esta paragem súbita como um estranho, abro a porta do quarto e chamo: mãe: o som do nome come os resíduos da tua presença, a sombra pesa sobre a palavra, mas não a interrompe, prolonga-a até a tornar insuportável.
Choro a voz desmesurada.
Pela janela, o jardim espreita-me.”
in “Grito” de Rui Nunes [Relógio D’Água Editores]
Não sei dizer se comprei este livro, ou se me foi oferecido, apenas sei que “redescobri-o” à uns meses atrás, durante umas arrumações, sem que soubesse dizer se já o tinha lido... A verdade é que não o tinha lido mesmo...Já vós conto o porquê...
Rui Nunes parece ser um escritor desconhecido, apesar de este romance ter ganho o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores, em 1997, para a maioria dos leitores comuns, como eu. Uma possível explicação para que a obra literária de Rui Nunes permaneça no anonimato prende-se com o estilo da sua escrita... Foi este o motivo, pelo qual eu não li este romance na primeira vez que me veio parar às mãos. Por muito que me custe admiti-lo, tenho de reconhecer que não tinha a maturidade necessária para ler um livro como este: o livro tem uma leitura difícil e complexa, que exige a atenção do leitor. Mesmo assim, creio que alguns de vós que não conhecem o autor, ficarão curiosos o suficiente para lerem o livro...
Esta seria a altura que eu contaria um pouco da história do livro... Não o farei porque este livro é romance de sensações, dolorosas e desagradáveis; psicológicas e físicas, dos seus personagens, e em que a ideia da morte paira do princípio ao fim, algo demasiado complexo para resumir sucintamente. Além disso, correria o risco de deturpar a ideia principal do romance. Espero que compreendam...
segunda-feira, março 27, 2006
Cabeça a prémio


Charlie Finch eating Mary Boone, Elliot Arkin

Talvez Charlie Finch seja actualmente um dos criticos de arte mais conhecidos e polémicos da blogosfera, sobretudo pelo teor dos seus artigos na artnet Magazine e por ser co-autor do livro "Most Art Sucks: Five Years of Coagula".
Homem de Palavra[s] (Partilha Literária)

“A minha unha tem crescido tanto
e entretanto vim morrendo pouco a pouco
temi amei preocupei-me com problemas
fui feliz vivia vida emocionei-me
Venceram-se diversas prestações
A minha poesia é por vezes mínima e mesquinha
Aqui estou eu perdido na contemplação da unha
a unha pequenina a que regresso sempre
Não canto aras nem barões nem mesmo este mar
que desdobradamente aqui vem rebentar
em ondas de água azul em algas e pedrinhas
Afinal tão instrutivo é
perder-me em contemplação do pé
descalço aqui à doce beira-mar
como aprofundar os mistérios deste dia
em que cristo instituiu a eucaristia [...]”
Corpo De Deus in “Homem de Palavra[s]” de Ruy Belo [Editorial Presença]
Escrever sobre um livro de poesia não me é fácil... E torna-se ainda mais complicado quando resolvo escrever sobre um dos meus poetas preferidos: Ruy Belo.
O que posso eu escrever sobre a poesia de Ruy Belo?
O que devo eu escrever sobre a poesia de Ruy Belo?
Bem, posso, devo, aliás, prestar homenagem ao homem (de palavra[s]), ao poeta (esquecido [entristece-me saber que há quem nunca tenha ouvido falar da poesia de Ruy Belo]), por cuja poesia me apaixonei. Gosto da maneira como Ruy Belo pega dos elementos do (seu) quotidiano e consegue criar poesia: a criança, a árvore, o homem, a mulher, o amor, e a morte. Gosto ainda da maneira, corajosa, como escreve sobre Portugal, numa época em a ditadura oprimia tudo e todos.
Bem, acho que me fico por aqui...Porque se escrever mais sobre a poesia de Ruy Belo, poderá soar a exagero, mas perdoem-me, escrever menos seria, para mim, uma leviandade e um desrespeito à sua poesia.
sexta-feira, março 24, 2006
27 Março- Dia Mundial do Teatro
contacto: 266 703 137
terça-feira, março 21, 2006
Dia Mundial da Poesia
O que a mão escreve flui
como se viesse de uma nascente submersa
sem passar pela cabeça intermediária
Não sabemos ao certo qual é essa fonte de transparência apaixonada
como se as palavras pudessem desanuviar o mundo
e revelar os seus contornos ardentes
como se tivesse acabado de surgir dos flancos de um fogo criador
Por isso o poema é sempre mais do que a exacta fotografia
do que na mente já está ordenado ou é um caos vertiginoso
O poema é simétrico porque obedece a uma ordem interna
inscrita no espírito do universo interior
e é essa a liberdade de ser em plenitude aberta.
António Ramos Rosa
27 de Agosto de 1993
segunda-feira, março 20, 2006
Timbuktu (Partilha Literária)

“Até a esse momento, o sonho não diferia minimamente da realidade. Palavra por palavra, gesto por gesto, todos os acontecimentos tinham sido uma exacta e fiel tradução dos eventos, tal e qual acontecem no mundo real. Agora, porém, enquanto a ambulância arrancava e as pessoas regressavam lentamente às suas casas, Mr. Bones sentiu-se dividido em dois. Metade permaneceu na esquina, um cão contemplando o seu triste e incerto futuro, e a outra metade transformou-se numa mosca. Dada a natureza dos sonhos, talvez isso não tivesse nada de invulgar. Todos nós nos transformamos noutras coisas enquanto dormimos, e Mr. Bones não era excepção.”
in “Timbuktu” de Paul Auster [Edições Asa]
Este foi o primeiro livro que li do escritor norte-americano Paul Auster, pelo simples facto de a personagem principal ser um cão...
O livro “Timbuktu” conta a história de um cão, Mr. Bones, que vive desde cachorro com William Gurevitch, um poeta “apaixonado pelo som da sua própria voz, um genuíno e ferrenho legomaniaco que não conseguia parar de falar desde o instante em que abria os olhos de manha até que caía de bêbado à noite”, que ostenta no braço direito uma tatuagem do Pai Natal. E o acompanha no último capricho de William, antes de morrer: encontrar a sua antiga professora de Inglês e confiar-lhe os seus manuscritos. Mas, Mr. Bones tem um sonho, quase real, que acaba por se concretizar
e mudar o rumo dos acontecimentos...
quinta-feira, março 16, 2006
Oficina da Terra, em Évora - a visitar
Conheci a Oficina da Terra (de Tiago e Magda Ventura) há cerca de 3 anos e foi uma grande descoberta. Hoje e porque é época de celebração para eles (os artistas) aqui fica a lembrança de que este sítio mágico existe... visitem a oficina e deliciem-se com a criatividade...
Tiago Ventura
Frequentou o curso de Artes Plásticas, na Universidade de Évora. Aprendeu em 1999 os segredos da arte do barro com os mestres Orlando Guimarães e António Velho, da Olaria Guimarães/Velho em S. Pedro do Corval - Reguengos de Monsaraz. Esculpe e molda todas as peças da, por si criada com Magda Ventura em 1998, oficina da terra.
Magda Ventura
Nasceu em Reguengos de Monsaraz a 16 de Novembro de 1976. Participou em Workshops de pintura sobre olaria tradicional em S. Pedro do Corval - Reguengos de Monsaraz. Frequentou o Curso de Física e Química da Universidade de Évora. Pinta e finaliza todas as peças da, por si também criada, oficina da terra.
segunda-feira, março 13, 2006
Africa Minha (Partilha Literária)

“Quando se sobrevoam os planaltos africanos, desfruta-se de um panorama deslumbrante: extraordinárias combinações e cambiantes de luz e de cor, o arco-íris sobre a terra muito verde banhada de sol, nuvens gigantescas acasteladas e grandes tempestades selvagens e negras giram em nosso redor numa dança ou numa louca corrida. Aguaceiros violentos cortam obliquamente o ar. Não existem palavras para descrever esta experiência e, com o tempo, ter-se-ão de inventar novos vocábulos para a descrever.”
in “Africa Minha” de Karen Blixen [Relógio D’Água]
Quem me conhece, sabe que tenho, já algum tempo, um fascínio especial pelo continente africano, ainda que não saiba explicar bem o porquê... O livro “Africa Minha”, de Karen Blixen, é uma das várias obras que me aguçaram a curiosidade por Africa e os seus povos.
“Africa Minha” é mais que um livro de memórias de Karen Blixen, durante a sua estadia no continente africano, é a homenagem que uma mulher presta ao seu amor: Africa. O livro está organizado em pequenas histórias, que se lêem como contos, pela forma melancólica e apaixonante como a autora as narra. Cada história tem o mérito de revelar uma perspectiva de Africa, desconhecida à maioria dos “não-africanos”, o que faz do livro uma referência literária mundial. Este livro obtém um enorme sucesso, que seria adaptado ao cinema, com o mesmo nome, onde alcançaria também o êxito: o filme “Out of Africa” (“África Minha” na versão portuguesa) receberá 8 Óscares. Pelo que, o visionamento deste filme, deve acompanhar a leitura do livro, ou vice-versa...
domingo, março 12, 2006
Thomas Cole (Lancashire, 1801 - NY, 1848)

sábado, março 11, 2006
A fantasia da invenção no Centro Cultural de Belém
Co-realização: CCB / Fundação Pt. / Fundação BNP-Paris Bas/CIRQUE – ICI/Sem Rede - Rede Nacional de Programação do Novo Circo
Tenda de Circo - situada atrás da Tenda branca
Duração:1h45
Johann Le Guillerm é um verdadeiro feiticeiro da matéria e do tempo, um feiticeiro da alma tranquila que transforma a matéria na forma dos sonhos. No seu espectáculo, estamos perante um encontro entre a ciência e a poesia, dentro de um segredo que só partilha quem a ele assiste.Com o seu olhar profundo, Johann Le Guillerm encontra o coração dos objectos para compreender a mecânica íntima das coisas e torná-la sua. Ele confronta-se com a matéria inanimada, com o seu próprio equilíbrio, pondo em cena a sua vontade e os seus limites. Tudo parece possível e o mundo reinventa-se.“Secret” é um espectáculo que busca uma nova fenomenologia para o circo, partindo de formas geométricas e leis da Física para
desenvolver o próprio processo artístico. No palco, objectos criados com base na ciência inovam o território das artes. O resultado é uma alquimia de uma fulgurante beleza que interroga a nossa relação com o equilíbrio e a beleza. Johann Le Guillerm: um artista de circo inclassificável entre os mais inovadores de hoje. Em “Secret”, o público inexperiente, seja qual for a sua idade, abandona-se nas mãos deste “grande feiticeiro” e começa a sonhar.A Fundação Portugal Telecom apoia o Projecto Attraction pela sua convergência com a nossa política de intervenção cultural, científica e pedagógica.Dias 7, 10,11, 14, 15, 17, 18, 24 a 25 de Março, às 21h; 12, 19 e 26 de Março, às 19h
segunda-feira, março 06, 2006
Suicide Commando
Suicide Commando apareceu por volta de 1986 quando Johan Van Roy começou a experimentar com musica eletronica usando este nome e em 1989 lançou a primeira de muitas tapes sendo que em 1994 lançou o seu primeiro CD Critical Stage pela editora Off Beat.
Johan usa, ao contrario do EBM inicial(que usava guitarras), apenas instrumentos eletronicos para criar a sua musica que é uma mistura de uma batida distorcida e energética com varias linhas de sintetizadores o que com a voz também um pouco distorcida cria um ambiente que é por vezes um pouco melancolico(ex. musica Love Breeds Suicide) e outras mais agressivo(ex. Cause of Death: Suicide).
Uma das minhas bandas favoritas dentro do genero, um bom começo para quem nunca tenha tido qualquer contacto com EBM/Industrial e uma banda de paragem quase obrigatoria para quem já conhece o genero.
Musicas que recomendo para quem quiser ouvir:
Acid Bath, Better off Dead e Ignorance do album Construct Deconstruct
Love Breeds Suicide, Body Cout Proceed e Raise Your God do album Mindstrip
Cause of Death: Suicide do album Axis of Evil
http://www.suicidecommando.be/
http://en.wikipedia.org/wiki/Suicide_Commando
http://en.wikipedia.org/wiki/Electronic_body_music
domingo, março 05, 2006
A Grande Noite de Hollywood

É já hoje à noite a noite da entrega dos prémios mais importantes da industria cinematográfica e queria deixar aqui uma pequena reflexão acerca dos principais filmes candidatos a vencerem nas categorias mais importantes. Não deixa de ser estranho verificar que na América de Bush, hoje muito conservadora, os filmes abordem directa ou indirectamente assuntos polémicos. Desde a homossexualidade de Brokeback Mountain e de Truman Capote em Capote, temos também Munich o filme mais polémico de Spielberg que chocou o poderoso lobby judeu dos EUA, temos o Good Night and Good Luck que fala de um período negro da história do Sec. XX Americano que infelizmente permanece actual. Há mais, o racismo em Crash, a sexualidade no mínimo complexa de Transamerica, etc. Não me interpretem mal, para mim o tema de um filme não influi em nada no valor artístico do mesmo, mas era um facto que não podia deixar de constatar.
Espera-se que Jon Steward consiga proporcionar o comic relief necessário. Eu só vi Capote mas ainda assim aqui vai o meu palpite num desafio que estendo a todos os leitores e membros do blog:
Melhor Filme: Munich de Spielberg
Melhor Actor: Philip Seymour Hoffman (Capote) mas gostava que fosse Joaquin Phoenix (Walk the Line)
Melhor Actriz: Felicity Huffman (Transamerica)
Melhor Actor Secundário: William Hurt (A History of Violence)
Melhor Actriz Secundária: Catherine Keener (Capote)
Melhor Realizador: Ang Lee (Brokeback Mountain)
sexta-feira, março 03, 2006
Charlie e a Fábrica de Chocolate
De Tim Burton, com Johnny Deep, Freddie Highmore, Helena Bonham Carter e David Kelly.Aventura
Duração: 115
Data: 2005
Charlie, um menino bom e de origens humildes, conquista o coração do excêntrico chocolatier Wonka, que procura um herdeiro para o seu império de chocolate.
Mr. Bucket: Your mum and I thought, maybe you'd like to open your birthday present tonight. Charlie Bucket: Maybe we should wait until morning.
Grandpa George: Like hell.
Grandpa Joe: All together we're 381 years old. We don't wait.
quarta-feira, março 01, 2006
Uma Casa na Escuridão
Para a nossa administradora que anda tão silenciosa... O teu livro doloroso... ;-)Uma Casa na Escuridão é um romance com grande momentos de verdadeira poesia, um romance que prescruta a alma desesperada de um narrador, que encontra o verdadeiro amor na imagem de uma mulher reflectida dentro do seu próprio interior, mulher que não existe no seu tempo real, amor esse que é descrito e passado a papel noite após noite, centro único da sua vida que já se manifestava completamente despegada da vida real, na sua casa, vivendo com a sua mãe e a sua escrava, a casa na escuridão. A verdadeira poesia em prosa é a grande marca deste romance, encontra-se poesia em prosa a cada página, revelando em grande profundidade toda a introspecção do narrador, e tudo quanto ele sente, quanto ao amor e ao mundo que o rodeia. O romance tem momentos de espectáculo, momentos de tragédia, momentos de crueldade, momentos de humanidade também, grandes momentos fazendo lembrar actos teatrais, que não se esperam e que nos surpreendem quando o romance parece começar a entrar em monotonia poética. Resumindo, uma casa na escuridão com um ambiente de rotina mas com um grande e extenso passado, de tragédias e de tristeza, brutalmente sacudida por uma invasão, bárbara, que decepa com requintes de maldade todos os membros daquela casa; que, após isso, sobrevivem e continuam a viver sob o jugo dos seus invasores, encontrando ainda assim momentos de fraternidade salpicados por instantes de crueldade. Muita ficção, muita irrealidade num cenário de sentimentos absolutamente reais, onde toda a réstia de esperança se esvai, mostrando a nu toda a crueldade da humanidade mas em simultâneo toda a sua fraternidade, lado a lado e sem intervalos, a angústia de cada um como suporte de comunicação entre todos, a comunicação do silêncio sem necessidade de palavras, traduzidas pelas descrições e narrativas poéticas. Personagens identificados com os seus destinos, personagens que se cumprem, também personagens sem vislumbre do seu destino após julgarem se terem cumprido, é um romance extremamente rico que nos faz pensar nas suas várias dimensões após a leitura da última página.
Por tudo isto, Peixoto não fica a dever nada a outros grandes romancistas portugueses (e estrangeiros), notando-se uma enorme maturidade na complexa construção do seu poético romance de tragédia - talvez a utilização de demasiados vulgares lugares-comuns na sua construção poética, mas, se este ainda é o inicio da construção da obra de um romancista (2º romance) posso dizer que o Peixoto, ainda com muitos anos pela frente, parte com uma grande vantagem relativamente a muitos dos seus antecessores.
Link: http://www.nescritas.nletras.com/poemasjoseluispeixoto/
terça-feira, fevereiro 28, 2006
Países - EUA e Reino Unido
Género - Romance e Comédia
Realização - John Madden
Intérpretes
Joseph Fiennes
Gwyneth Paltrow
Geoffrey Rush
Judi Dench
Colin Firth
Ben Affleck
trailer - visionar
imdb - http://www.imdb.com/find?q=Shakespeare
segunda-feira, fevereiro 27, 2006
Crónica dos Bons Malandros (Partilha Literária)

“- E armas? Vamos para uma coisa dessas de mãos a abanar?
- Vamos. Armas, não.
Estava decidido. Assaltariam a Gulbenkian à mão desarmada, golpe de audácia como nunca se vira, nem aqui nem em parte nenhuma. E os audaciosos de que falariam os telejornais seriam eles, Renato e Flávio, Marlene e Adelaide, Pedro, Silvino e Arnaldo, quadrilha seleccionada, encontro de sete vidas depois de muito tombo e aventura.”
in “Crónica dos Bons Malandros” de Mário Zambujal [Quetzal Editores]
Confesso que tinha pensado noutro livro para hoje, mas lembrei-me deste livro a caminho do Museu Gulbenkian...
No livro “Crónica dos Bons Malandros”, Mário Zambujal conta a história de uma quadrilha liderada por Renato, “o Pacífico”, que se dedica a pequenos assaltos, até ao dia que um misterioso italiano os desafia a roubar umas jóias do Museu Gulbenkian. Mas as coisas, entre divertidas peripécias, acabam por não correr como estavam planeadas...
O jornalista português Mário Zambujal serve-se de uma escrita simples, diria mesmo cómica, para apresentar cada um dos membros do grupo e os caminhos que os levaram à marginalidade, até ao dia do tão esperado assalto. “Crónica dos Bons Malandros” é um livro alegre e divertido para estes dias frios de Inverno.
domingo, fevereiro 26, 2006
Desafio
Sei que são seis e não cinco mas... valores mais altos se levantam!
Regulamento:Cada bloguista participante tem de enunciar cinco manias suas, hábitos muito pessoais que os diferenciem do comum dos mortais. E além de dar ao público conhecimento dessas particularidades, tem de escolher cinco outros bloguistas para entrarem, igualmente, no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos blogues aviso do "recrutamento". Ademais, cada participante deve reproduzir este "regulamento" no seu blogue.
terça-feira, fevereiro 21, 2006
o efeito placebo

Efeito placebo é o efeito mensurável ou observável sobre uma pessoa ou grupo, ao qual tenha sido dado um tratamento placebo.
Um placebo é uma substância inerte, ou cirurgia ou terapia "de mentira", usada como controle em uma experiência, ou dada a um paciente pelo seu possível ou provável efeito benéfico.
Não penso que os Placebo produzam música “de mentira”. Reflectem sim a poesia mortiça de quem desde cedo percebeu que o mundo não é bonito e brilhante para todos.
Since I was born I started to decayNow nothing ever ever goes my way
Quem de nós nunca sentiu decadência e frustração? Daí a necessidade do placebo. A cura milagrosa que se vende no Chinês. A necessidade do arco-íris a cavalgar a nuvem mais medonha. O sorrir fugidio da mulher de burka. A efemeridade está em todo o lado. Até, e principalmente, na tv. Aí sim, começamos a morrer. Penso que para quem se considere feliz e o seja realmente, os Placebo nunca fariam sentido. Mas para todos os outros são uma inspiração. De Vida. De Morte. De Evasão.
Devido à sua propensão para uma maquilhagem hermafrodita e riffs crus, os Placebo foram descritos por alguns como uma versão glam de Nirvana. A banda multinacional foi formada através do cantor/guitarrista Brian Molko (parte escocês e americano, mas crescido em Inglaterra) e o baixista Stefan Olsdal (originalmente da Suécia). O lugar de baterista dos Placebo estava alternadamente ocupado por Robert Schultzberg e Steve Hewitt. Embora Molko e Olsdal preferirem Hewitt como o homem principal (era este lineup que registrou várias demonstrações), Hewitt optou voltar à outra banda dele. Com Schultzberg a bordo, os Placebo assinaram um contrato com a Caroline Records que emitiu o album debutante do trio em 1996. E partiram para a conquista do mundo, um som, uma nota de cada vez.
Évora e História: que tipo de relação?
A relação entre a História, a sua conservação e a cidade de Évora nem sempre foi a mais pacífica. Eu não sou um eborense de nascimento. Cheguei a esta cidade por necessidades de formação adicional e por estas ruas deambulei durante cinco anos. Não tenho a ilusão de a conhecer como um nativo, mas sinto-a como umas das minhas cidades.
Desde cedo percebi a relação difícil que Évora tem com a sua História. Trata-se da identidade local e do modo como a cidade cresceu e interagiu com o seu meio circundante. E mais do que isso, é actualmente uma das suas maiores fontes de rendimento que tem a sua expressão mais visível no Turismo. Mas esta interacção entre a cidade e o seu património cultural também já foi, e ainda é, o principal entrave a um progresso económico e social rápido, sustentado pela construção de novas infra-estruturas.
Quantas vezes já ouvimos rumores de projectos que ficam inacabados pela descoberta de esta ou aquela relíquia ou edificação antiga? Será este o melhor caminho para a capital de distrito? Parar todos os projectos de futuro por causa de um achado qualquer?
Não sou, nem nunca fui um apologista do Progresso a qualquer custo! Mas não penso que a predilecção excessiva pela História em vez do Desenvolvimento seja a solução.
Temos um caso interessantíssimo, que até está bem perto, de uma cidade espanhola que tendo o mesmo problema de falta de espaço que Évora tem, cresceu e desenvolveu um segundo espaço adjacente à parte histórica onde não tem problemas de falta de área. Badajoz possui assim uma parte histórica salvaguardada e em constante restauro e uma área nova mais desenvolvida onde pode explanar todos aqueles projectos modernos de maior complexidade. Esta será, a meu ver, a melhor solução para muitos dos problemas da cidade de Évora.
As constantes obras de restauro em conjunto com as obras de desenvolvimento tornam, muitas vezes, o prazer que é morar em Évora num verdadeiro pesadelo. E por isso, peço aos dirigentes locais para decidirem que tipo de cidade querem ter e proporcionar aos seus cidadãos. E quando o fizerem que sejam coerentes e mantenham essas normas por algum tempo. Só assim os investidores sabem o que esperar e poderão dar largas ao seu investimento.




