quinta-feira, maio 11, 2006

Exposição em Évora - Medo

Exposição de Escultura de Margarida Ribeiro
de 20 a 30 de Maio
Galeria do Inatel
Rua de Serpa Pinto nº4
Évora

A Feira do Livro vai estar aberta ao público, de 2.ª a 6.ª das 10 h às 12.30 h e das 14 h às 20 h, aos Sábados e Domingos das 15 h às 20 h e nos dias 5, 13 e 14 de Maio a feira encerra às 23 h.

Ver mais em: http://www.evoradistritodigital.pt

Dalí - o excêntrico "anarco-monárquico"

Salvador Domenec Felip Jacint Dalí Domenech faria hoje 102 anos. Nasceu em 1904, vila de Figueres, Catalunha, Espanha.
Frequentou a Escola de Desenho Municipal, onde iniciou a sua educação artística formal e em 1922, foi viver para Madrid, onde estudou na academia de artes Academia de San Fernando. Já então chamava a atenção como um excêntrico, usando cabelo comprido e suíças, casacos, meias e calças de montar, num estilo que estava na moda um século antes. O que lhe granjeou maior atenção por parte dos colegas foram os quadros onde fez experiências com o cubismo.

Fez também experiências com o Dadaísmo, que provavelmente influenciou todo o seu trabalho. Nesta altura, tornou-se amigo íntimo do poeta Federico García Lorca e de Luis Buñuel.

Foi expulso da Academia em 1926, pouco tempo depois dos exames finais, em que declarou que ninguém na Academia era suficientemente competente para o avaliar.



Nesse mesmo ano fez a sua primeira viagem a Paris, onde se encontrou com Pablo Picasso. O artista mais velho já tinha ouvido falar bem de Dalí, através de Juan Miró. Nos anos seguintes, Dalí realizou uma série de trabalhos fortemente influenciados por Picasso e Miró, enquanto ia desenvolvendo o seu estilo próprio.


Em 1939 os membros do grupo surrealista expulsaram oficialmente Dalí do grupo por motivos políticos. O marxismo era a doutrina preferida no movimento, ao passo que Dalí se declarava "anarco-monárquico". Dalí respondeu à sua expulsão declarando "O surrealismo sou eu". Os outros surrealistas passaram então a referir-se a Dalí no passado, como se o pintor estivesse morto.

Salvador Dalí morreu de falha cardíaca a 23 de Janeiro de 1989 em Figueres, Catalunha, Espanha. Foi sepultado na cripta do seu Teatro-Museo, em Figueres.

(adpatado Wikipédia)


Das suas obras esta, é esta a que mais gosto:


A Persistência da Memória de 1031

Para ver as obras de Dalí clique aqui.

Em Évora... teatro



A SEGUNDA SURPRESA DO AMOR de Marivaux
Local: Teatro Garcia de Resende (TGR)

Horário: Terça-feira a Sábado às 21h30 (de 4 a 27 de Maio)
Org: Cendrev
Apoios: Câmara Municipal de Évora M/C IA

Informações: TGR
Contacto: 266 703 112
Web: www.evora.net/cendrev

e / ou


PALAVRAS SUBMERSAS de Jorge Diaz
Local: Ex-Celeiros da Epac
Rua do Eborim
Sala: A Bruxa Teatro
Horário: 21h30 (de 11 de Maio a 3 de Junho)

Org: A Bruxa Teatro
Apoios:
Patrocínios: Câmara Municipal de Évora e Fundação Eugénio de Almeida

Informações: A Bruxa Teatro
Contacto: Telem. 96 60 44 311
blog: http://abruxateatro.blogspot.com/
Web: www.evora.net/abruxateatro

quarta-feira, maio 10, 2006

Cinema - Coisa Ruim




De Tiago Guedes, Frederico Serra, com Adriano Luz, Manuela Couto, Sara Carinhas, Afonso Pimentel, João Santos, Miguel Borges.
Drama / M16
Duração: 97m
Data: PORT, 2006


A casa recebida como herança por uma família lisboeta, numa pequena aldeia do interior, transporta-a para um universo inquietante onde vivências baseados no temor de pecados a pagar se confrontam....

Internet: www.coisaruim.pt


Informações Úteis:
O primeiro filme português com honras de abertura da competição internacional do Festival de Cinema Fantástico - Fantasporto 2006, é também a primeira longa-metragem de Tiago Serra e Frederico Serra, premiados por diversas curtas-metragens e consagrados pelos filmes realizados para televisão, como Alta Fidelidade.
Coisa Ruim tem o argumento do jornalista Rodrigo Guedes de Carvalho.

Uma criança

São quatro e meia da manhã, e já devia estar deitado há muitas horas atrás.
Mas não consigo dormir, não consigo mesmo, nem vale a pena tentar, as lágrimas escorrem-me pela cara, o lábio de baixo quase sangra de tanto o morder, o meu coração morreu há uns momentos atrás.
Acabei de ver um filme, aliás, uma cena de um filme, que sorte a minha, apanho sempre a mesma cena do filme, começo a achar que é uma mensagem para mim, atirada ao mar por outra parte de mim que me quer bem ferido e cru por dentro. O filme é "A Lista de Schindler", e a cena é a do massacre dos judeus no gueto de Varsóvia, aquela cena em que no meio das imensidões cruelmente cinzentas do filme se vê uma pequena menina perdida, com um casaco vermelho, um capuchinho perdido no meio dos lobos, uma pincelada de cor, de vida, no meio da morte que a rodeia.
Lembro-me de quando vi o filme no cinema, a revolta volta, é revolta pura o que sinto, não por motivos religiosos, não acredito nem no Bem nem em nenhuma religião em especial, há muito que perdi a pouca fé que ainda se me agarrava aos ossos. Nem se quer é a morte, essa não me afecta nem um pouco, conheço-a bem, chamo-a por vários nomes, nomes de amigos, nomes de família, nomes que não os meus sonhos não me deixam esquecer.
Para dizer a verdade, é a criança, a menina de vermelho.
Algo em mim se parte quando vejo aquela criança ali, aquela criança que sei que morrerá, morrerá como tantas, mas é aquela que dá corpo aos meus medos, que dá nome aos meus desgostos.
Todos os músculos do meu corpo querem agarrá-la, levá-la dali, protegê-la desta morte que a rodeia, a esta menina que não existiu nunca realmente, mas que existe para mim, que existe para os meus olhos. E as lágrimas caem dos meus olhos porque estou sentado, num confortável sofá, mais de cinquenta anos depois, a ver uma menina que nunca existiu caminhar inocentemente para a morte.
E, apesar disso, quero salvá-la. Quero mesmo. E o meu desgosto é não conseguir, não conseguir que aquela criança se salve, que nenhuma delas se salve, simplesmente porque ela é, como tantas outras, uma pincelada de cor de sangue vivo no nosso mundo de purgatórios cinzentos e mortos.
E nunca os conseguimos salvar.
Que vontade de matar quem a mata, de esmagar quem vai esbater o seu sorriso, por motivos que nem eu nem ela percebemos bem.
E mesmo assim não a consigo salvar.
Nem mesmo dentro de mim.

terça-feira, maio 09, 2006

Pré-lançamento do novo livro de Mia Couto


O escritor moçambicano Mia Couto estará presente na Livraria Livrododia em Torres Vedras no dia 10 de Maio de 2006, pelas 18 horas, para uma sessão de autógrafos, aproveitando a sua presença em Portugal para apresentar o seu novo livro, O Outro Pé da Sereia.

Trata-se do pré-lançamento deste livro que poderá ser adquirido até ao próprio dia beneficiando de 10% de desconto sobre o preço de capa. Esta sessão terá o apoio da Editorial Caminho.

Mais informações em: http://diariodeumlivreiro.blogspot.com

Exposição Litografias de Picasso em Évora

Exposição Litografias de Picasso, em Évora, na Fundação Eugénio de Almeida no âmbito das comemorações do 125º aniversário do nascimento de Picasso: desde 5 de Maio até 11 de Setembro, diariamente, entre as 9:30 e as 18:30 horas.

Picasso foi um dos maiores artistas do mundo. Explorou todo o tipo de materiais em trabalhos criativos na pintura, litografia, escultura e cerâmica.

"Não há, na arte, nem passado nem futuro. A arte que não estiver no presente jamais será arte."
"Não se pode fazer nada sem a solidão."

domingo, maio 07, 2006

Cat Piano


Kircher, 1650

quarta-feira, maio 03, 2006

Renascer

Três horas de dor pura, não adulterada, tinham já passado. Não que fosse uma dor especialmente forte, tinha já passado por dores bem piores, daquelas dores que nos fazem querer enrolar no chão e chorar, que nos fazem querer arrancar a pele dos braços com os dentes.
Até esta dor não era desconhecida, já tinha passado por mim antes, as sucessivas picadas do tinteiro na pele nua, rasgando e criando ao mesmo tudo, deve ser esta a dor da criação, a pele abandona o seu estado natural e funde-se com a tinta, cria um conceito, cria um novo ser através da dor.
Mas nunca durante três longas horas. Tento nem pensar nisso, tento que a minha mente voe daqui e me faça esquecer que estou imóvel há três longas eternidades.
Falho redondamente, cada risco do tinteiro puxa-me violentamente de volta para a realidade, cada músculo das minhas pernas clama vingança, a pele massacrada do meu braço vai cair a qualquer momento.
Torna-se uma luta contra o meu corpo, fico reduzido ao mínimo que sou, é só a minha vontade que me impede de cair na súbita escuridão, só ela me impede de desistir. Quando aqui entrei ela, a minha vontade, já estava no seu limite, gasta por cinco anos de purgatório, batida e de lágrimas nos olhos por um ano de inferno. Não sei sequer como ela me aguenta de pé quando finalmente acaba.
Quando saio é já noite, um vento frio faz-me tremer tudo menos o braço, esse está dormente, a Fénix renascida dorme já encostada a mim, sou já outro e ninguém vê, ninguém se apercebe da mudança.
Caminho devagar pelas ruas mal iluminadas, passam por várias sombras que evitam ser vistas, mas não me importo nada, estou finalmente vazio, finalmente limpo, três horas de dor limparam todas as outras dores, apagaram todo o mundo passado para sempre, estou limpo e leve e livre, sou eu a negra Fénix que voa anichada no meu braço.
E atrás de mim, só as cinzas restam.
Só as cinzas.

segunda-feira, maio 01, 2006

A Morte de um Apicultor (Partilha Literária)



“Ultimamente tenho tido muitas vezes um estranho sonho. Uma colmeia. Levanto a tampa e começo a limpar os quadros para retirar o mel. Quando vou a sacudir uma abelha do quadro, reparo que ela tem um aspecto estranho, com uns reflexos azulados. [...]. Trata-se de uma espécie totalmente diferente, uns seres muito inteligentes, incrivelmente avançados do ponto de vista técnico, vindos do espaço, de uma galáxia muito distante. [...]. Falam comigo com a maior das facilidades, embora eu não perceba bem como. [...]. O seu planeta foi totalmente destruído pela explosão de uma supernova. Não têm naves espaciais – voam com o seu próprio corpo, à velocidade da luz, quando querem. Mas não podem faze-lo na atmosfera terrestre, porque isso provocaria um aquecimento excessivo.
As suas couraças reluzentes brilham como armaduras de cavaleiros.
Que dizem eles?
RECOMEÇAMOS. NÃO NOS RENDEMOS.”


in “A Morte de um Apicultor” de Lars Gustafsson [Edições Asa]

Este livro foi-me oferecido numa altura “particular” da minha vida, para não dizer mais complicada... Confesso que comecei a lê-lo pela simples razão de não ter mais nada para ler... Confesso, ainda, que fui surpreendido não só por ser um excelente livro, mas porque, de uma maneira ou doutra, ajudou-me a (re)pensar a vida...
O livro “A Morte de um Apicultor” está construído à volta das notas e apontamentos pessoais de um antigo professor primário reformado e divorciado, que se sustenta, principalmente, vendendo o mel das suas colmeias.
Essas notas e apontamentos organizados em cadernos (um amarelo, um azul e um rasgado) narram, não só o dia-a-dia da personagem, mas as dúvidas, as certezas, e as reflexões daquele antigo professor primário.
Depois de se ler este livro, a mensagem que parece assaltar a nossa consciência de leitor é nem mais, nem menos, a da esperança: “RECOMEÇAMOS. NÃO NOS RENDEMOS.”

sexta-feira, abril 28, 2006

Dia Mundial da Dança - 29 de Abril (Évora)


e...





FADOMORSE + DJ JACOB

Local: Sociedade Harmonia Eborense

Horário: 23h

Org: She-Lab

Apoios: Câmara Municipal de Évora

Ass. PédeXumbo

Informações: Sociedade Harmonia Eborense

Contacto: 266 746 874

Web: soc-harmonia.blogspot.com

terça-feira, abril 25, 2006

Eu Assisti a Uma Festa Linda, Pá!

Évora, terça-feira, 25 de abril de 2006
Ontem, quando Sérgio Godinho encerrava sua apresentação na Praça do Giraldo, em Évora, meio que numa subtil pressa, os fogos coloriram a noite e as caixas de som executaram uma gravação antiga de Grândola, Vila Morena, à capela. Olhei os relógios e percebi que marcavam zero horas. De súbito, consegui captar o sentido daquele ritual cronometrado. Compreendi o sentimento e minha reação foi remeter-me às minhas origens.
Chico Buarque de Holanda daqui e de alhures, como diria o cineasta moçambicano Ruy Guerra, daria o rubro dos cravos a uma de suas canções, ou seria uma prenda sonora dedicada aos irmãos lusitanos, como quem leva um buquê de flores a um amigo querido?
Inicialmente compôs uma letra que foi vetada pela censura brasileira e cuja gravação viria ser editada apenas em Portugal, em 1975. A original desta primeira versão era:
Sei que estás em festa, pá
Fico contente
E enquanto estou ausente
Guarda um cravo para mim
Eu queria estar na festa, pá
Com a tua gente
E colher pessoalmente
Uma flor do teu jardim
Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei também quanto é preciso, pá
Navegar, navegar
Lá faz primavera, pá
Cá estou doente
Manda urgentemente
Algum cheirinho de alecrim
Em 1978 Chico reformularia a sua letra cuja versão definitiva ficou:
Foi bonita a festa, pá
Fiquei contente
E inda guardo, renitente
Um velho cravo para mim
Já murcharam tua festa, pá
Mas certamente
Esqueceram uma semente
Nalgum canto do jardim
Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei também quanto é preciso, pá
Navegar, navegar
Canta a primavera, pá
Cá estou carente
Manda novamente
Algum cheirinho de alecrim

Liberdade


Viemos com o peso do passado e da semente
esperar tantos anos torna tudo mais urgente
e a sede de uma espera só se ataca na torrente
e a sede de uma espera só se ataca na torrente

Vivemos tantos anos a falar pela calada
só se pode querer tudo quanto não se teve nada
só se quer a vida cheia quem teve vida parada
só se quer a vida cheia quem teve vida parada

Só há liberdade a sério quando houvera
paz o pão
habitação
saúde educação
só há liberdade a sério quando houver
liberdade de mudar e decidir
quando pertencer ao povo o que o povo produzir.

Sérgio Godinho
Canções de Sérgio Godinho
Assírio e Alvim

Em 25 de Abril de 1974 o Movimento das Forças Armadas (MFA) derrubou o regime de ditadura que durante 48 anos oprimiu o Povo Português. Nessa madrugada do dia inicial, inteiro e limpo (como poetizou Sophia de Mello Breyner) os militares de Abril foram claros nas suas promessas: terminara a repressão, regressara a Liberdade, vinha aí o fim da guerra e do colonialismo, vinha aí a democracia...

Liberdade... sempre.

domingo, abril 23, 2006

Livro & Filme


Romance alegórico de George Orwell. É, acima de tudo, uma sátira ferozmente crítica da Rússia Soviética e do autoritarismo, tanto sob a figura do capitalismo, como do socialismo, mas é também uma alegoria sobre todas as revoluções. Foi publicado pela primeira vez em 1945 e como, nessa altura, a URSS era aliada da Inglatera, o autor teve alguma dificuldade em publicar o livro.
O Triunfo dos Porcos ou Animal Farm conta também com uma adaptação para o cinema, produzida em 1999 e dirigida por John Stephenson.
A história:
Tudo começa quando um velho porco, o velho major convoca os animais de Manor Farm para uma reunião na qual expõe o sonho que teve: os animais sempre viveram subjugados pelo homem, embora este tenha capacidades inferiores às de qualquer deles. O homem é a única criatura que consome sem produzir - diz ele. O [Velho Major] sonha com a revolução que libertará os animais deste jugo e comunica aos outros o seu sonho, numa canção chamada [Animais de Inglaterra], que expõe a sua filosofia, o [Animalismo]. Três dias depois, o Velho Major morre.
Mas os animais começam a pensar nas suas vidas de outra forma, e organizam-se para preparar a revolução. Nesta altura começam a distinguir-se dois porcos- Napoleão e Bola de Neve. Eles começam a dar forma ao Animalismo quando, alguns meses depois, o Sr. Jones, o dono da quinta, que em tempos fora um bom agricultor e tratava bem os seus animais começa a beber e a maltratá-los e quando um dia regressa a casa embriagado esquecendo-se de alimentar os animais, a rebelião estala. O Sr. Jones ainda tenta reagir, mas é expulso pelos animais, que destroem os chicotes e outros símbolos das sua servidão e festejam a sua vitória comendo uma ração extra.
A quinta é rebaptizada com o nome de Animal Farm - A Quinta dos Animais - e os porcos, considerados os mais inteligentes entre os animais, redigem sete mandamentos que são escritos na porta do celeiro e que passarão a reger a vida da nova quinta:

1º - Tudo o que tem duas pernas é inimigo.
2º - Tudo o que tem quatro pernas ou asas é amigo.
3º - Nenhum animal usará roupas.
4º - Nenhum animal dormirá numa cama.
5º - Nenhum animal beberá álcool.
6º - Nenhum animal matará outro animal.
7º - Todos os animais são iguais.
Mas nada é eterno... o paraíso transforma-se e todos os mandamentos depressa se tornam um só:
Todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais do que outros.
Convido-vos a ler o livro ou a ver o filme. :) Vale a pena!

sexta-feira, abril 21, 2006

ALGUMAS FACES DO CARNAVAL AO LONGO DOS TEMPOS

Os sussurros dos primeiros gritos de carnaval despontaram da mais remota antiguidade. O eco daqueles burburinhos foi capaz de se propagar pelo espaço e pelo tempo, modificando-se através dos séculos de acordo com as tradições de vários povos, seus costumes, suas crenças e seus sotaques. Os motivos greco-romanos para a realização dos gritos de carnaval, eram as celebrações em honra aos seus deuses, cujas festas chamavam-se: saturnais (deus Saturno), lupercais (deus Pã), bacanais (deus Baco), cultos à deusa Isis e ao deus Dionísio. Esses cultos eram caracterizados pela alegria desabrida, pela supressão da repressão e da censura, pela liberdade das atitudes críticas e eróticas como bem nos descreveu o pesquisador e escritor brasileiro Leonardo Dantas Silva no livro Carnaval do Recife.
Já na Idade Média, o carnaval era a festa profana cristã realizada no período compreendido entre a Epifania e o início da Quaresma, este último pontuado pela famosa quarta-feira-de-cinzas. Carnavais eram comemorados através da cavalarias e carros alegóricos, batalhas de confetes, reuniões de mascarados e outras tantas maneiras que se difundiram pela comunidade européia como um todo. Em algumas dessas comunidades, especificamente as portuguesas e espanholas, os carnavais tomaram proporções agressivas, principalmente a partir do século XVIII.
Porém, hoje a alegria e a descontração dominam no festejo carnavalesco. Como bem disse o empresário e carnavalesco Pedro Dueire a respeito do carnaval brasileiro: no carnaval a multidão se incorpora num só pensamento e num só desejo e a alegria do povo é tamanha que não se consegue ver igual em nenhuma das outras confraternizações, por maiores que elas sejam. Daí o carnaval ser tão esperado, porque nele não se consegue individualizar as pessoas ou as coisas, a homogeneidade faz de cada parte um todo e, pelo menos naqueles instantes, o reinado da alegria impera com toda majestade.

quinta-feira, abril 20, 2006

Joan Miró




Este é um dos meus pintores preferidos, Joan Miró, nascido a 20 de abril de 1893. Faria hoje 106 anos.

Para ver mais obras clique
aqui.

segunda-feira, abril 17, 2006

A Ignorância (Partilha Literária)



“A vida do homem dura em média oitenta anos. É contando com esta duração que cada um imagina e organiza a sua vida. O que acabo de dizer é uma coisa que toda a gente sabe, mas raramente nos damos conta de que o número de anos que nos é atribuído não é um simples dado quantitativo, [...], mas faz parte da própria definição do homem. Alguém que pudesse viver, com toda a sua força, duas vezes mais, portanto, digamos, cento e sessenta anos, não pertenceria à mesma espécie que nós. Já nada seria semelhante na sua vida, nem o amor, nem as ambições, nem os sentimentos, nem a nostalgia, nada. Se um emigrado, depois de vinte anos vividos no estrangeiro, regressasse ao seu país natal com cem anos de vida ainda à sua frente, pouco experimentaria da emoção de um Grande Regresso, provavelmente para ele isso nada teria de regresso, não passando de mais de uma das voltas do longo percurso da sua existência.
Porque a própria noção de pátria, no sentido nobre e sentimental da palavra, liga-se à relativa brevidade da nossa vida, que nos proporciona muito pouco tempo para que nos apeguemos a outro país, a outros países, a outras línguas.”


in “A Ignorância” de Milan Kundera [Edições Asa]

Sempre que se fala do escritor Milan Kundera, é inevitável não se falar no livro “A Insustentável Leveza do Ser”, a sua obra mais popular. Talvez o faça num próximo post, não hoje. Hoje quero falar-vos do livro “A Ignorância”, em que Kundera volta usar o mesmo estilo de “A Insustentável Leveza do Ser”: um retrato histórico-social, quase autobiográfico, recheado de uma reflexão filosófica.
No livro “A Ignorância” Milan Kundera conta a história de Irena e Josef, dois emigrantes checos, que se encontram por acaso durante a viagem de regresso ao país natal, e tentam (re)viver uma estranha história de amor, iniciada anos antes de emigração. Mas distância e o tempo distorceram e apagaram as lembranças que cada um tem do passado, o que vai tornar aquele amor mais difícil...

quarta-feira, abril 12, 2006

Festival Internacional de Cinema do Porto de 21 a 29 de Abril em Lisboa - Cinema Quarteto

Programação:

Sexta 21 - Frostbitten - Grande Prémio Fantasporto 2006
Sábado 22 - Offscreen - Melhor Realizador 2006
Domingo 23 - Sword in the Moon - Selecção Oficial 2006
Segunda 24 - Fausto 5.0 - Grande Prémio 2002
Terça 25 - Hair High - Selecção Oficial 2006
Quarta 26 - FAQ - Selecção Oficial 2006 antecedido de "Cicatriz"
Quinta 27 - Johanna - Prémio Especial do Júri antecedido de "Com uma sombra na alma"
Sexta 28 - O Bordel do Lago - Prémio Especial do Júri 2001
Sábado 29 - A Quiet Love - Prémio da Crítica 2006

Todas as sessões têm início às 21h30.
Bilhetes à venda no Cinema Quarteto a partir de 6 de Abril - Rua Flores de Lima, 16
Telf - 217 971 378
Preços - 3€ , Associados - 2,5€, Passe 9 bilhetes - 15€
Informações - Telf - 210 027 150
E-mail - inatel@inatel.pt


Mais informações em: www.inatel.pt/cultura/fantas.html

segunda-feira, abril 10, 2006

Dia Mundial do Livro em Évora


Actividades de 21 a 23 de Abril de 2006

Universidade de Évora
1ªs Conferências no Alentejo sobre Literatura Infantil e Juvenil (CAL)
Dias 21 e 22
Ver programa pormenorizado em:
www.cidehus.uevora.pt


Praça do Giraldo
Praça dos Livros
Dia 22
11h00 -19h00

Biblioteca Pública
Dia 22
17h30
Maratona de Leitura (1ª etapa)
22hoo
Roda de Leitura - Série de "O Bairro" de Gonçalo M. Tavares
24hoo
Sessão de Meia-Noite - Uma tertúlia com poesia, teatro, marionetas, música e contos populares

Dia 23
11hoo - 18h00
Maratona de Leitura (2ª etapa)
18h30
Estreia de "O Auto da Barca do Inferno" de Gil Vicente, pelo Grupo ERA UMA VEZ - Teatro de Marionetas.
Ver programa pormenorizado em:
www.evora.net/bpe