segunda-feira, maio 22, 2006

Como um romance (Partilha Literária)



“Em matéria de leitura, nós, os leitores, temos todos os direitos [...].

1) O direito de não ler.
2) O direito de saltar páginas.
3) O direito de não acabar um livro.
4) O direito de reler.
5) O direito de ler não importa o quê.
6) O direito de amar os «heróis» dos romances.
7) O direito de ler não importa onde.
8) O direito de saltar de livro em livro.
9) O direito de ler em voz alta.
10) O direito de não falar do que se leu.”


in “Como um romance” de Daniel Pennac [Edições Asa]


Este livro, comprei-o depois de ter lido estes direitos na contracapa... E sendo eu um “viciado” em livros foi a razão, mais que suficiente, para o adquirir.
O livro “Como um romance” não é uma obra para todos...É um ensaio, com algum humor, dirigido a todos os pais e professores, que aborda a inapetência e a aversão dos jovens para a leitura, numa sociedade cada vez dominada pelos meios audiovisuais. O autor, Daniel Pennac, não dá nenhuma solução “milagrosa” para que os jovens se tornem leitores assíduos, apenas aponta algumas pistas para que se possa “seduzir” os jovens à leitura, porque no fim de contas, a leitura é um PRAZER... E enquanto os jovens não descobrirem esse prazer, jamais serão leitores, tal como nós...

quarta-feira, maio 17, 2006

Gravuras e Pinturas Japonesas Modernas da Colecção Robert O. Muller no Museu Calouste Gulbenkian


Hashiguchi Goyo (1880-1921)
Mulher a pentear o cabelo Japão, 1920


Exposição Mundos de Sonho

De 26 de Outubro de 2006 a 7 de Janeiro de 2007

Sala de Exposições Temporárias do Museu

A exposição Mundos de Sonho apresenta uma selecção de quase cem gravuras japonesas, obras-primas da célebre colecção Robert O. Muller da Arthur M. Sackler Gallery, de Washington. Doada à Sackler Gallery, após a morte do coleccionador, em 2003, possui mais de quatro mil gravuras, documentando os modos como as qualidades expressivas e funções da gravura tradicional japonesa em madeira, se adaptaram aos desafios da modernidade em finais do século XIX e início do século XX. A exposição contém alguns do mais notáveis exemplos de trabalhos dos artistas do shin hanga ou movimento “nova gravura” e será apresentada na Sala de Exposições Temporárias do Museu, a partir de 26 Outubro.

Link: http://www.museu.gulbenkian.pt/

terça-feira, maio 16, 2006

Dicionário do Cinema Português 1989-2003



Jorge Leitão Ramos, crítico de cinema do Expresso, publicou em 1989 o Dicionário do Cinema Português 1962-1988 (Caminho), ainda hoje um instrumento de consulta indispensável. Quando concluiu esse trabalho, o autor não tencionava continuar o dicionário nem recuar aos anos anteriores a 1962, data que marca o advento do Cinema Novo.

No entanto, o seu editor, Zeferino Coelho, percebeu a novidade e utilidade do Dicionário e desafiou o crítico a prosseguir a empreitada. Leitão Ramos aceitou, e dedicou mais de uma década a reunir materiais diversos . Dessa investigação nasceu o Dicionário do Cinema Português 1989-2003, estando anunciado para daqui a dois ou três anos o Dicionário do Cinema Português 1896-1961. Tudo indica que os três tomos ficarão como a mais importante obra de conjunto sobre a nossa cinematografia.

Embora este dicionário tenha imensos nomes e factos, é também assumidamente uma obra de opinião, visto que Jorge Leitão Ramos inclui os textos que foi escrevendo no Expresso (desde 1976). Este dicionário é um livro de referência e uma antologia crítica, na linha de um polémico dicionário subjectivo do crítico inglês David Thompson. O autor explica "Não me interessava fazer uma mera recolha de dados biográficos e de fichas técnicas. Eu sou um critico de cinema e não fazia sentido não juntar um comentário. Mas os factos estão lá, e perfeitamente separados da opinião".

(excerto de um texto de Pedro Mexia e Nuno Fox)

Link: http://dn.sapo.pt/2006/02/02/artes

sábado, maio 13, 2006

Todos os dias da escrita - Registo de Nascimento


No novo portal Edit on Web, André Domingues faz a recensão de Registo de Nascimento.

Es tarde.Uno escribe su vida en un poema,
analiza el amor.

Luis Garcia Montero


É importante perguntar: onde começa uma biografia? Na nudez microscópica dos signos, numa breve advertência a quem lê (e, sob esse exercício, se ilumina e vampiriza) um tratado sobre as pequenas coisas imprescindíveis, ou no Prefácio que remetemos incondicionalmente à nossa vida?
Luís Filipe Cristóvão (Torres Vedras, 1979) parece querer dizer-nos que, para quem não lê, para o "não-leitor", a leitura é uma proposta passiva e o poema uma proposição impossível e, todavia, tudo é legível ou susceptível de leitura, de contacto, de poesia, de relação.
"Registo de Nascimento" é uma certidão de óbito para quem pensa que as coisas são o que são, valem o que valem, dizem o que dizem, ou seja, é um livro perigoso para quem não procura mais numa biografia que um par de datas inequívocas, colocadas algures naquele intervalo vazio, que Pessoa personalizava: "todos os dias são meus".
A posse dos nossos dias pressupõe uma alteração constante no modo como concebemos a nossa existência e a dos outros. Por isso, o poeta afirma: "preciso de ver outras pessoas/para finalmente me sentir ausente em plenitude". É na experimentação do contraste que se revela a perfeição. E é na ressuscitação conceptual dos brinquedos (uma menina é uma imitação de uma boneca e não o contrário) e na sua segunda morte de verdade, que o autor consegue, por fim, ouvir o silêncio e a paz: "as bonecas agora são só bonecas, do lado de lá da parede/nada resta para que se possa imaginar"
Os dias de Luís Filipe Cristóvão estão patentes no seu livro de estreia, marcado pelo uso da linguagem coloquial e pela reflexão quotidiana, "os homens conversam na soleira da porta/ lá fora os cães, as crianças correm/ É sábado de tarde, sopra uma brisa", mas também por um constante exercício de encantamento/desencantamento, muitas vezes mediado pela expectativa "desarrumada" de receber uma visita repentina ou a confirmação do caos: "patrocino um pequeno caos nas minhas coisas para poder dizer, sempre que alguém sugere vir a minha casa, não pode ser, ainda tenho de arrumar as coisas."
E "as coisas mais simples são como as pessoas que amamos" e são estas coisas simples, aforísticas e decifráveis, que melhor definem as palavras: "as palavras nunca feriram ninguém de morte. Teme antes os lábios que ficaram por beijar e a pele que não cheiraste". O "não-leitor", segundo a concepção do poeta, não tem acesso à experiência mais válida, à vida, mas à contingência e à frustração, algo ausente entre a dor incógnita e o analfabetismo emocional, "e depois tudo tudo/sempre a andar para trás". Recorrendo a sucessivas e por vezes involuntárias analepses, Luís Filipe Cristóvão porque leu, lembra-se de tudo, e torna-se a lembrar: "lembrar, lembrar/noites em frente da televisão/alguém que bate à porta/o avô morreu/lembrar lembrar".
(Veja o link em cima.)

quinta-feira, maio 11, 2006

World Press Cartoon em Sintra



464 trabalhos de 213 cartoonistas de 48 países vão estar em exposição até 20 de Maio no Centro Cultural Olga Cadaval em Sintra, lugar de encontro das melhores obras de humor gráfico que se publicam nos principais jornais internacionais.
Tal como em 2005, a exposição é acompanhada pela edição de um catálogo bilingue (português e inglês), apoiado pela Fundação Calouste Gulbenkian, onde constam os 464 trabalhos que concorreram ao World Press Cartoon. Novidade este ano é o facto de a exposição assumir um carácter itinerante a partir de Dezembro de 2006, levando os 464 trabalhos aos quatro cantos do mundo.
A primeira exposição internacional será em Macau (Dezembro de 2006), seguindo depois para a Índia, onde vai estar patente em Goa, Nova Deli e Bombaim (início de 2007). Outra ainda reside no facto de o World Press Cartoon ter como Presidente de Honra um dos cartoonistas mais prestigiados do mundo, o norte-americano David Levine.

Exposição em Évora - Medo

Exposição de Escultura de Margarida Ribeiro
de 20 a 30 de Maio
Galeria do Inatel
Rua de Serpa Pinto nº4
Évora

A Feira do Livro vai estar aberta ao público, de 2.ª a 6.ª das 10 h às 12.30 h e das 14 h às 20 h, aos Sábados e Domingos das 15 h às 20 h e nos dias 5, 13 e 14 de Maio a feira encerra às 23 h.

Ver mais em: http://www.evoradistritodigital.pt

Dalí - o excêntrico "anarco-monárquico"

Salvador Domenec Felip Jacint Dalí Domenech faria hoje 102 anos. Nasceu em 1904, vila de Figueres, Catalunha, Espanha.
Frequentou a Escola de Desenho Municipal, onde iniciou a sua educação artística formal e em 1922, foi viver para Madrid, onde estudou na academia de artes Academia de San Fernando. Já então chamava a atenção como um excêntrico, usando cabelo comprido e suíças, casacos, meias e calças de montar, num estilo que estava na moda um século antes. O que lhe granjeou maior atenção por parte dos colegas foram os quadros onde fez experiências com o cubismo.

Fez também experiências com o Dadaísmo, que provavelmente influenciou todo o seu trabalho. Nesta altura, tornou-se amigo íntimo do poeta Federico García Lorca e de Luis Buñuel.

Foi expulso da Academia em 1926, pouco tempo depois dos exames finais, em que declarou que ninguém na Academia era suficientemente competente para o avaliar.



Nesse mesmo ano fez a sua primeira viagem a Paris, onde se encontrou com Pablo Picasso. O artista mais velho já tinha ouvido falar bem de Dalí, através de Juan Miró. Nos anos seguintes, Dalí realizou uma série de trabalhos fortemente influenciados por Picasso e Miró, enquanto ia desenvolvendo o seu estilo próprio.


Em 1939 os membros do grupo surrealista expulsaram oficialmente Dalí do grupo por motivos políticos. O marxismo era a doutrina preferida no movimento, ao passo que Dalí se declarava "anarco-monárquico". Dalí respondeu à sua expulsão declarando "O surrealismo sou eu". Os outros surrealistas passaram então a referir-se a Dalí no passado, como se o pintor estivesse morto.

Salvador Dalí morreu de falha cardíaca a 23 de Janeiro de 1989 em Figueres, Catalunha, Espanha. Foi sepultado na cripta do seu Teatro-Museo, em Figueres.

(adpatado Wikipédia)


Das suas obras esta, é esta a que mais gosto:


A Persistência da Memória de 1031

Para ver as obras de Dalí clique aqui.

Em Évora... teatro



A SEGUNDA SURPRESA DO AMOR de Marivaux
Local: Teatro Garcia de Resende (TGR)

Horário: Terça-feira a Sábado às 21h30 (de 4 a 27 de Maio)
Org: Cendrev
Apoios: Câmara Municipal de Évora M/C IA

Informações: TGR
Contacto: 266 703 112
Web: www.evora.net/cendrev

e / ou


PALAVRAS SUBMERSAS de Jorge Diaz
Local: Ex-Celeiros da Epac
Rua do Eborim
Sala: A Bruxa Teatro
Horário: 21h30 (de 11 de Maio a 3 de Junho)

Org: A Bruxa Teatro
Apoios:
Patrocínios: Câmara Municipal de Évora e Fundação Eugénio de Almeida

Informações: A Bruxa Teatro
Contacto: Telem. 96 60 44 311
blog: http://abruxateatro.blogspot.com/
Web: www.evora.net/abruxateatro

quarta-feira, maio 10, 2006

Cinema - Coisa Ruim




De Tiago Guedes, Frederico Serra, com Adriano Luz, Manuela Couto, Sara Carinhas, Afonso Pimentel, João Santos, Miguel Borges.
Drama / M16
Duração: 97m
Data: PORT, 2006


A casa recebida como herança por uma família lisboeta, numa pequena aldeia do interior, transporta-a para um universo inquietante onde vivências baseados no temor de pecados a pagar se confrontam....

Internet: www.coisaruim.pt


Informações Úteis:
O primeiro filme português com honras de abertura da competição internacional do Festival de Cinema Fantástico - Fantasporto 2006, é também a primeira longa-metragem de Tiago Serra e Frederico Serra, premiados por diversas curtas-metragens e consagrados pelos filmes realizados para televisão, como Alta Fidelidade.
Coisa Ruim tem o argumento do jornalista Rodrigo Guedes de Carvalho.

Uma criança

São quatro e meia da manhã, e já devia estar deitado há muitas horas atrás.
Mas não consigo dormir, não consigo mesmo, nem vale a pena tentar, as lágrimas escorrem-me pela cara, o lábio de baixo quase sangra de tanto o morder, o meu coração morreu há uns momentos atrás.
Acabei de ver um filme, aliás, uma cena de um filme, que sorte a minha, apanho sempre a mesma cena do filme, começo a achar que é uma mensagem para mim, atirada ao mar por outra parte de mim que me quer bem ferido e cru por dentro. O filme é "A Lista de Schindler", e a cena é a do massacre dos judeus no gueto de Varsóvia, aquela cena em que no meio das imensidões cruelmente cinzentas do filme se vê uma pequena menina perdida, com um casaco vermelho, um capuchinho perdido no meio dos lobos, uma pincelada de cor, de vida, no meio da morte que a rodeia.
Lembro-me de quando vi o filme no cinema, a revolta volta, é revolta pura o que sinto, não por motivos religiosos, não acredito nem no Bem nem em nenhuma religião em especial, há muito que perdi a pouca fé que ainda se me agarrava aos ossos. Nem se quer é a morte, essa não me afecta nem um pouco, conheço-a bem, chamo-a por vários nomes, nomes de amigos, nomes de família, nomes que não os meus sonhos não me deixam esquecer.
Para dizer a verdade, é a criança, a menina de vermelho.
Algo em mim se parte quando vejo aquela criança ali, aquela criança que sei que morrerá, morrerá como tantas, mas é aquela que dá corpo aos meus medos, que dá nome aos meus desgostos.
Todos os músculos do meu corpo querem agarrá-la, levá-la dali, protegê-la desta morte que a rodeia, a esta menina que não existiu nunca realmente, mas que existe para mim, que existe para os meus olhos. E as lágrimas caem dos meus olhos porque estou sentado, num confortável sofá, mais de cinquenta anos depois, a ver uma menina que nunca existiu caminhar inocentemente para a morte.
E, apesar disso, quero salvá-la. Quero mesmo. E o meu desgosto é não conseguir, não conseguir que aquela criança se salve, que nenhuma delas se salve, simplesmente porque ela é, como tantas outras, uma pincelada de cor de sangue vivo no nosso mundo de purgatórios cinzentos e mortos.
E nunca os conseguimos salvar.
Que vontade de matar quem a mata, de esmagar quem vai esbater o seu sorriso, por motivos que nem eu nem ela percebemos bem.
E mesmo assim não a consigo salvar.
Nem mesmo dentro de mim.

terça-feira, maio 09, 2006

Pré-lançamento do novo livro de Mia Couto


O escritor moçambicano Mia Couto estará presente na Livraria Livrododia em Torres Vedras no dia 10 de Maio de 2006, pelas 18 horas, para uma sessão de autógrafos, aproveitando a sua presença em Portugal para apresentar o seu novo livro, O Outro Pé da Sereia.

Trata-se do pré-lançamento deste livro que poderá ser adquirido até ao próprio dia beneficiando de 10% de desconto sobre o preço de capa. Esta sessão terá o apoio da Editorial Caminho.

Mais informações em: http://diariodeumlivreiro.blogspot.com

Exposição Litografias de Picasso em Évora

Exposição Litografias de Picasso, em Évora, na Fundação Eugénio de Almeida no âmbito das comemorações do 125º aniversário do nascimento de Picasso: desde 5 de Maio até 11 de Setembro, diariamente, entre as 9:30 e as 18:30 horas.

Picasso foi um dos maiores artistas do mundo. Explorou todo o tipo de materiais em trabalhos criativos na pintura, litografia, escultura e cerâmica.

"Não há, na arte, nem passado nem futuro. A arte que não estiver no presente jamais será arte."
"Não se pode fazer nada sem a solidão."

domingo, maio 07, 2006

Cat Piano


Kircher, 1650

quarta-feira, maio 03, 2006

Renascer

Três horas de dor pura, não adulterada, tinham já passado. Não que fosse uma dor especialmente forte, tinha já passado por dores bem piores, daquelas dores que nos fazem querer enrolar no chão e chorar, que nos fazem querer arrancar a pele dos braços com os dentes.
Até esta dor não era desconhecida, já tinha passado por mim antes, as sucessivas picadas do tinteiro na pele nua, rasgando e criando ao mesmo tudo, deve ser esta a dor da criação, a pele abandona o seu estado natural e funde-se com a tinta, cria um conceito, cria um novo ser através da dor.
Mas nunca durante três longas horas. Tento nem pensar nisso, tento que a minha mente voe daqui e me faça esquecer que estou imóvel há três longas eternidades.
Falho redondamente, cada risco do tinteiro puxa-me violentamente de volta para a realidade, cada músculo das minhas pernas clama vingança, a pele massacrada do meu braço vai cair a qualquer momento.
Torna-se uma luta contra o meu corpo, fico reduzido ao mínimo que sou, é só a minha vontade que me impede de cair na súbita escuridão, só ela me impede de desistir. Quando aqui entrei ela, a minha vontade, já estava no seu limite, gasta por cinco anos de purgatório, batida e de lágrimas nos olhos por um ano de inferno. Não sei sequer como ela me aguenta de pé quando finalmente acaba.
Quando saio é já noite, um vento frio faz-me tremer tudo menos o braço, esse está dormente, a Fénix renascida dorme já encostada a mim, sou já outro e ninguém vê, ninguém se apercebe da mudança.
Caminho devagar pelas ruas mal iluminadas, passam por várias sombras que evitam ser vistas, mas não me importo nada, estou finalmente vazio, finalmente limpo, três horas de dor limparam todas as outras dores, apagaram todo o mundo passado para sempre, estou limpo e leve e livre, sou eu a negra Fénix que voa anichada no meu braço.
E atrás de mim, só as cinzas restam.
Só as cinzas.

segunda-feira, maio 01, 2006

A Morte de um Apicultor (Partilha Literária)



“Ultimamente tenho tido muitas vezes um estranho sonho. Uma colmeia. Levanto a tampa e começo a limpar os quadros para retirar o mel. Quando vou a sacudir uma abelha do quadro, reparo que ela tem um aspecto estranho, com uns reflexos azulados. [...]. Trata-se de uma espécie totalmente diferente, uns seres muito inteligentes, incrivelmente avançados do ponto de vista técnico, vindos do espaço, de uma galáxia muito distante. [...]. Falam comigo com a maior das facilidades, embora eu não perceba bem como. [...]. O seu planeta foi totalmente destruído pela explosão de uma supernova. Não têm naves espaciais – voam com o seu próprio corpo, à velocidade da luz, quando querem. Mas não podem faze-lo na atmosfera terrestre, porque isso provocaria um aquecimento excessivo.
As suas couraças reluzentes brilham como armaduras de cavaleiros.
Que dizem eles?
RECOMEÇAMOS. NÃO NOS RENDEMOS.”


in “A Morte de um Apicultor” de Lars Gustafsson [Edições Asa]

Este livro foi-me oferecido numa altura “particular” da minha vida, para não dizer mais complicada... Confesso que comecei a lê-lo pela simples razão de não ter mais nada para ler... Confesso, ainda, que fui surpreendido não só por ser um excelente livro, mas porque, de uma maneira ou doutra, ajudou-me a (re)pensar a vida...
O livro “A Morte de um Apicultor” está construído à volta das notas e apontamentos pessoais de um antigo professor primário reformado e divorciado, que se sustenta, principalmente, vendendo o mel das suas colmeias.
Essas notas e apontamentos organizados em cadernos (um amarelo, um azul e um rasgado) narram, não só o dia-a-dia da personagem, mas as dúvidas, as certezas, e as reflexões daquele antigo professor primário.
Depois de se ler este livro, a mensagem que parece assaltar a nossa consciência de leitor é nem mais, nem menos, a da esperança: “RECOMEÇAMOS. NÃO NOS RENDEMOS.”

sexta-feira, abril 28, 2006

Dia Mundial da Dança - 29 de Abril (Évora)


e...





FADOMORSE + DJ JACOB

Local: Sociedade Harmonia Eborense

Horário: 23h

Org: She-Lab

Apoios: Câmara Municipal de Évora

Ass. PédeXumbo

Informações: Sociedade Harmonia Eborense

Contacto: 266 746 874

Web: soc-harmonia.blogspot.com

terça-feira, abril 25, 2006

Eu Assisti a Uma Festa Linda, Pá!

Évora, terça-feira, 25 de abril de 2006
Ontem, quando Sérgio Godinho encerrava sua apresentação na Praça do Giraldo, em Évora, meio que numa subtil pressa, os fogos coloriram a noite e as caixas de som executaram uma gravação antiga de Grândola, Vila Morena, à capela. Olhei os relógios e percebi que marcavam zero horas. De súbito, consegui captar o sentido daquele ritual cronometrado. Compreendi o sentimento e minha reação foi remeter-me às minhas origens.
Chico Buarque de Holanda daqui e de alhures, como diria o cineasta moçambicano Ruy Guerra, daria o rubro dos cravos a uma de suas canções, ou seria uma prenda sonora dedicada aos irmãos lusitanos, como quem leva um buquê de flores a um amigo querido?
Inicialmente compôs uma letra que foi vetada pela censura brasileira e cuja gravação viria ser editada apenas em Portugal, em 1975. A original desta primeira versão era:
Sei que estás em festa, pá
Fico contente
E enquanto estou ausente
Guarda um cravo para mim
Eu queria estar na festa, pá
Com a tua gente
E colher pessoalmente
Uma flor do teu jardim
Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei também quanto é preciso, pá
Navegar, navegar
Lá faz primavera, pá
Cá estou doente
Manda urgentemente
Algum cheirinho de alecrim
Em 1978 Chico reformularia a sua letra cuja versão definitiva ficou:
Foi bonita a festa, pá
Fiquei contente
E inda guardo, renitente
Um velho cravo para mim
Já murcharam tua festa, pá
Mas certamente
Esqueceram uma semente
Nalgum canto do jardim
Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei também quanto é preciso, pá
Navegar, navegar
Canta a primavera, pá
Cá estou carente
Manda novamente
Algum cheirinho de alecrim

Liberdade


Viemos com o peso do passado e da semente
esperar tantos anos torna tudo mais urgente
e a sede de uma espera só se ataca na torrente
e a sede de uma espera só se ataca na torrente

Vivemos tantos anos a falar pela calada
só se pode querer tudo quanto não se teve nada
só se quer a vida cheia quem teve vida parada
só se quer a vida cheia quem teve vida parada

Só há liberdade a sério quando houvera
paz o pão
habitação
saúde educação
só há liberdade a sério quando houver
liberdade de mudar e decidir
quando pertencer ao povo o que o povo produzir.

Sérgio Godinho
Canções de Sérgio Godinho
Assírio e Alvim

Em 25 de Abril de 1974 o Movimento das Forças Armadas (MFA) derrubou o regime de ditadura que durante 48 anos oprimiu o Povo Português. Nessa madrugada do dia inicial, inteiro e limpo (como poetizou Sophia de Mello Breyner) os militares de Abril foram claros nas suas promessas: terminara a repressão, regressara a Liberdade, vinha aí o fim da guerra e do colonialismo, vinha aí a democracia...

Liberdade... sempre.

domingo, abril 23, 2006

Livro & Filme


Romance alegórico de George Orwell. É, acima de tudo, uma sátira ferozmente crítica da Rússia Soviética e do autoritarismo, tanto sob a figura do capitalismo, como do socialismo, mas é também uma alegoria sobre todas as revoluções. Foi publicado pela primeira vez em 1945 e como, nessa altura, a URSS era aliada da Inglatera, o autor teve alguma dificuldade em publicar o livro.
O Triunfo dos Porcos ou Animal Farm conta também com uma adaptação para o cinema, produzida em 1999 e dirigida por John Stephenson.
A história:
Tudo começa quando um velho porco, o velho major convoca os animais de Manor Farm para uma reunião na qual expõe o sonho que teve: os animais sempre viveram subjugados pelo homem, embora este tenha capacidades inferiores às de qualquer deles. O homem é a única criatura que consome sem produzir - diz ele. O [Velho Major] sonha com a revolução que libertará os animais deste jugo e comunica aos outros o seu sonho, numa canção chamada [Animais de Inglaterra], que expõe a sua filosofia, o [Animalismo]. Três dias depois, o Velho Major morre.
Mas os animais começam a pensar nas suas vidas de outra forma, e organizam-se para preparar a revolução. Nesta altura começam a distinguir-se dois porcos- Napoleão e Bola de Neve. Eles começam a dar forma ao Animalismo quando, alguns meses depois, o Sr. Jones, o dono da quinta, que em tempos fora um bom agricultor e tratava bem os seus animais começa a beber e a maltratá-los e quando um dia regressa a casa embriagado esquecendo-se de alimentar os animais, a rebelião estala. O Sr. Jones ainda tenta reagir, mas é expulso pelos animais, que destroem os chicotes e outros símbolos das sua servidão e festejam a sua vitória comendo uma ração extra.
A quinta é rebaptizada com o nome de Animal Farm - A Quinta dos Animais - e os porcos, considerados os mais inteligentes entre os animais, redigem sete mandamentos que são escritos na porta do celeiro e que passarão a reger a vida da nova quinta:

1º - Tudo o que tem duas pernas é inimigo.
2º - Tudo o que tem quatro pernas ou asas é amigo.
3º - Nenhum animal usará roupas.
4º - Nenhum animal dormirá numa cama.
5º - Nenhum animal beberá álcool.
6º - Nenhum animal matará outro animal.
7º - Todos os animais são iguais.
Mas nada é eterno... o paraíso transforma-se e todos os mandamentos depressa se tornam um só:
Todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais do que outros.
Convido-vos a ler o livro ou a ver o filme. :) Vale a pena!