quinta-feira, maio 25, 2006
quarta-feira, maio 24, 2006
terça-feira, maio 23, 2006
viagem
Na noite que cai quase que me vejo a mim, num quase espelho do qual é tal fácil escapar como ao cair da noite, tão fácil quanto fugir da lua que nasce certamente detrás destas nuvens.
Não penso realmente, não existo realmente, o meu ser dilui-se pelas bermas da estrada, pelo contorno a carvão gelado que se começa a desenhar na planície, já se escapam pormenores desta fotografia viva, mas que importa, se não estou realmente aqui, apenas estou distraído olhando as margens.
Estou tão transparente quanto o vento, neste momento perdido, nada ressoa no interior do meu ser senão o eco tremido do motor, e o vago sabor da música que escorre pelo ar como alcatrão viscoso e se entranha pelos poros da pele.
Mexes-te levemente no meu ombro, tens a minha mão escondida nas tuas desde que nos sentámos, quando adormeceste no meu ombro a paisagem pintava de luz os teus olhos, essa luz escorria como água fresca pela tua cara, pelo teu sorriso vago, pelo teu peito encostado a mim.
O teu peito respira ainda calmamente, suspira vagamente sobressaltado apenas no momento em que acordas, e olhas o mundo que escurece, devolves a luz que guardaste nos teus olhos, que fechaste em ti no momento em que adormeceste, voltas a aparecer no reflexo do vidro, voltas a mexer-te.
Sorrio-te apesar do meu ombro dormente, da dor no meu braço, das horas que permaneci imóvel.
Sorrio-te porque é a única coisa que sei fazer, quando amanheces assim, mesmo num começo de noite, abraçaste-me e apertas-me a alma, já se vêm as luzes da chegada, a viagem canta já o seu fim.
Mas só a luz que escorre de ti, lentamente, gota a preciosa gota, permanece no ar abafado. E, de repente, eu já sou eu outra vez, já existo, aqui, nos teus braços.
segunda-feira, maio 22, 2006
Como um romance (Partilha Literária)

“Em matéria de leitura, nós, os leitores, temos todos os direitos [...].
1) O direito de não ler.
2) O direito de saltar páginas.
3) O direito de não acabar um livro.
4) O direito de reler.
5) O direito de ler não importa o quê.
6) O direito de amar os «heróis» dos romances.
7) O direito de ler não importa onde.
8) O direito de saltar de livro em livro.
9) O direito de ler em voz alta.
10) O direito de não falar do que se leu.”
in “Como um romance” de Daniel Pennac [Edições Asa]
Este livro, comprei-o depois de ter lido estes direitos na contracapa... E sendo eu um “viciado” em livros foi a razão, mais que suficiente, para o adquirir.
O livro “Como um romance” não é uma obra para todos...É um ensaio, com algum humor, dirigido a todos os pais e professores, que aborda a inapetência e a aversão dos jovens para a leitura, numa sociedade cada vez dominada pelos meios audiovisuais. O autor, Daniel Pennac, não dá nenhuma solução “milagrosa” para que os jovens se tornem leitores assíduos, apenas aponta algumas pistas para que se possa “seduzir” os jovens à leitura, porque no fim de contas, a leitura é um PRAZER... E enquanto os jovens não descobrirem esse prazer, jamais serão leitores, tal como nós...
quarta-feira, maio 17, 2006
Gravuras e Pinturas Japonesas Modernas da Colecção Robert O. Muller no Museu Calouste Gulbenkian

Hashiguchi Goyo (1880-1921)
Mulher a pentear o cabelo Japão, 1920
Exposição Mundos de Sonho
De 26 de Outubro de 2006 a 7 de Janeiro de 2007
Sala de Exposições Temporárias do Museu
A exposição Mundos de Sonho apresenta uma selecção de quase cem gravuras japonesas, obras-primas da célebre colecção Robert O. Muller da Arthur M. Sackler Gallery, de Washington. Doada à Sackler Gallery, após a morte do coleccionador, em 2003, possui mais de quatro mil gravuras, documentando os modos como as qualidades expressivas e funções da gravura tradicional japonesa em madeira, se adaptaram aos desafios da modernidade em finais do século XIX e início do século XX. A exposição contém alguns do mais notáveis exemplos de trabalhos dos artistas do shin hanga ou movimento “nova gravura” e será apresentada na Sala de Exposições Temporárias do Museu, a partir de 26 Outubro.
Link: http://www.museu.gulbenkian.pt/
terça-feira, maio 16, 2006
Dicionário do Cinema Português 1989-2003

Jorge Leitão Ramos, crítico de cinema do Expresso, publicou em 1989 o Dicionário do Cinema Português 1962-1988 (Caminho), ainda hoje um instrumento de consulta indispensável. Quando concluiu esse trabalho, o autor não tencionava continuar o dicionário nem recuar aos anos anteriores a 1962, data que marca o advento do Cinema Novo.
No entanto, o seu editor, Zeferino Coelho, percebeu a novidade e utilidade do Dicionário e desafiou o crítico a prosseguir a empreitada. Leitão Ramos aceitou, e dedicou mais de uma década a reunir materiais diversos . Dessa investigação nasceu o Dicionário do Cinema Português 1989-2003, estando anunciado para daqui a dois ou três anos o Dicionário do Cinema Português 1896-1961. Tudo indica que os três tomos ficarão como a mais importante obra de conjunto sobre a nossa cinematografia.
Embora este dicionário tenha imensos nomes e factos, é também assumidamente uma obra de opinião, visto que Jorge Leitão Ramos inclui os textos que foi escrevendo no Expresso (desde 1976). Este dicionário é um livro de referência e uma antologia crítica, na linha de um polémico dicionário subjectivo do crítico inglês David Thompson. O autor explica "Não me interessava fazer uma mera recolha de dados biográficos e de fichas técnicas. Eu sou um critico de cinema e não fazia sentido não juntar um comentário. Mas os factos estão lá, e perfeitamente separados da opinião".
(excerto de um texto de Pedro Mexia e Nuno Fox)
Link: http://dn.sapo.pt/2006/02/02/artes
sábado, maio 13, 2006
Todos os dias da escrita - Registo de Nascimento

Es tarde.Uno escribe su vida en un poema,
Luis Garcia Montero
Luís Filipe Cristóvão (Torres Vedras, 1979) parece querer dizer-nos que, para quem não lê, para o "não-leitor", a leitura é uma proposta passiva e o poema uma proposição impossível e, todavia, tudo é legível ou susceptível de leitura, de contacto, de poesia, de relação.
"Registo de Nascimento" é uma certidão de óbito para quem pensa que as coisas são o que são, valem o que valem, dizem o que dizem, ou seja, é um livro perigoso para quem não procura mais numa biografia que um par de datas inequívocas, colocadas algures naquele intervalo vazio, que Pessoa personalizava: "todos os dias são meus".
A posse dos nossos dias pressupõe uma alteração constante no modo como concebemos a nossa existência e a dos outros. Por isso, o poeta afirma: "preciso de ver outras pessoas/para finalmente me sentir ausente em plenitude". É na experimentação do contraste que se revela a perfeição. E é na ressuscitação conceptual dos brinquedos (uma menina é uma imitação de uma boneca e não o contrário) e na sua segunda morte de verdade, que o autor consegue, por fim, ouvir o silêncio e a paz: "as bonecas agora são só bonecas, do lado de lá da parede/nada resta para que se possa imaginar"
Os dias de Luís Filipe Cristóvão estão patentes no seu livro de estreia, marcado pelo uso da linguagem coloquial e pela reflexão quotidiana, "os homens conversam na soleira da porta/ lá fora os cães, as crianças correm/ É sábado de tarde, sopra uma brisa", mas também por um constante exercício de encantamento/desencantamento, muitas vezes mediado pela expectativa "desarrumada" de receber uma visita repentina ou a confirmação do caos: "patrocino um pequeno caos nas minhas coisas para poder dizer, sempre que alguém sugere vir a minha casa, não pode ser, ainda tenho de arrumar as coisas."
E "as coisas mais simples são como as pessoas que amamos" e são estas coisas simples, aforísticas e decifráveis, que melhor definem as palavras: "as palavras nunca feriram ninguém de morte. Teme antes os lábios que ficaram por beijar e a pele que não cheiraste". O "não-leitor", segundo a concepção do poeta, não tem acesso à experiência mais válida, à vida, mas à contingência e à frustração, algo ausente entre a dor incógnita e o analfabetismo emocional, "e depois tudo tudo/sempre a andar para trás". Recorrendo a sucessivas e por vezes involuntárias analepses, Luís Filipe Cristóvão porque leu, lembra-se de tudo, e torna-se a lembrar: "lembrar, lembrar/noites em frente da televisão/alguém que bate à porta/o avô morreu/lembrar lembrar".
quinta-feira, maio 11, 2006
World Press Cartoon em Sintra

464 trabalhos de 213 cartoonistas de 48 países vão estar em exposição até 20 de Maio no Centro Cultural Olga Cadaval em Sintra, lugar de encontro das melhores obras de humor gráfico que se publicam nos principais jornais internacionais.
A Feira do Livro vai estar aberta ao público, de 2.ª a 6.ª das 10 h às 12.30 h e das 14 h às 20 h, aos Sábados e Domingos das 15 h às 20 h e nos dias 5, 13 e 14 de Maio a feira encerra às 23 h.
Ver mais em: http://www.evoradistritodigital.pt
Dalí - o excêntrico "anarco-monárquico"
Salvador Domenec Felip Jacint Dalí Domenech faria hoje 102 anos. Nasceu em 1904, vila de Figueres, Catalunha, Espanha.
Frequentou a Escola de Desenho Municipal, onde iniciou a sua educação artística formal e em 1922, foi viver para Madrid, onde estudou na academia de artes Academia de San Fernando. Já então chamava a atenção como um excêntrico, usando cabelo comprido e suíças, casacos, meias e calças de montar, num estilo que estava na moda um século antes. O que lhe granjeou maior atenção por parte dos colegas foram os quadros onde fez experiências com o cubismo.
Fez também experiências com o Dadaísmo, que provavelmente influenciou todo o seu trabalho. Nesta altura, tornou-se amigo íntimo do poeta Federico García Lorca e de Luis Buñuel.
Foi expulso da Academia em 1926, pouco tempo depois dos exames finais, em que declarou que ninguém na Academia era suficientemente competente para o avaliar.

Nesse mesmo ano fez a sua primeira viagem a Paris, onde se encontrou com Pablo Picasso. O artista mais velho já tinha ouvido falar bem de Dalí, através de Juan Miró. Nos anos seguintes, Dalí realizou uma série de trabalhos fortemente influenciados por Picasso e Miró, enquanto ia desenvolvendo o seu estilo próprio.
Em 1939 os membros do grupo surrealista expulsaram oficialmente Dalí do grupo por motivos políticos. O marxismo era a doutrina preferida no movimento, ao passo que Dalí se declarava "anarco-monárquico". Dalí respondeu à sua expulsão declarando "O surrealismo sou eu". Os outros surrealistas passaram então a referir-se a Dalí no passado, como se o pintor estivesse morto.
Salvador Dalí morreu de falha cardíaca a 23 de Janeiro de 1989 em Figueres, Catalunha, Espanha. Foi sepultado na cripta do seu Teatro-Museo, em Figueres.
(adpatado Wikipédia)
Das suas obras esta, é esta a que mais gosto:

A Persistência da Memória de 1031
Para ver as obras de Dalí clique aqui.
Em Évora... teatro

A SEGUNDA SURPRESA DO AMOR de Marivaux
Local: Teatro Garcia de Resende (TGR)
Horário: Terça-feira a Sábado às 21h30 (de 4 a 27 de Maio)
Org: Cendrev
Apoios: Câmara Municipal de Évora M/C IA
Informações: TGR
Contacto: 266 703 112
Web: www.evora.net/cendrev
e / ou
PALAVRAS SUBMERSAS de Jorge Diaz
Local: Ex-Celeiros da Epac
Rua do Eborim
Sala: A Bruxa Teatro
Horário: 21h30 (de 11 de Maio a 3 de Junho)
Org: A Bruxa Teatro
Apoios:
Patrocínios: Câmara Municipal de Évora e Fundação Eugénio de Almeida
Informações: A Bruxa Teatro
Contacto: Telem. 96 60 44 311
blog: http://abruxateatro.blogspot.com/
Web: www.evora.net/abruxateatro
quarta-feira, maio 10, 2006
Cinema - Coisa Ruim

De Tiago Guedes, Frederico Serra, com Adriano Luz, Manuela Couto, Sara Carinhas, Afonso Pimentel, João Santos, Miguel Borges.
Drama / M16
Duração: 97m
Data: PORT, 2006
A casa recebida como herança por uma família lisboeta, numa pequena aldeia do interior, transporta-a para um universo inquietante onde vivências baseados no temor de pecados a pagar se confrontam....
Internet: www.coisaruim.pt
Informações Úteis:
O primeiro filme português com honras de abertura da competição internacional do Festival de Cinema Fantástico - Fantasporto 2006, é também a primeira longa-metragem de Tiago Serra e Frederico Serra, premiados por diversas curtas-metragens e consagrados pelos filmes realizados para televisão, como Alta Fidelidade.
Coisa Ruim tem o argumento do jornalista Rodrigo Guedes de Carvalho.
Uma criança
Mas não consigo dormir, não consigo mesmo, nem vale a pena tentar, as lágrimas escorrem-me pela cara, o lábio de baixo quase sangra de tanto o morder, o meu coração morreu há uns momentos atrás.
Acabei de ver um filme, aliás, uma cena de um filme, que sorte a minha, apanho sempre a mesma cena do filme, começo a achar que é uma mensagem para mim, atirada ao mar por outra parte de mim que me quer bem ferido e cru por dentro. O filme é "A Lista de Schindler", e a cena é a do massacre dos judeus no gueto de Varsóvia, aquela cena em que no meio das imensidões cruelmente cinzentas do filme se vê uma pequena menina perdida, com um casaco vermelho, um capuchinho perdido no meio dos lobos, uma pincelada de cor, de vida, no meio da morte que a rodeia.
Lembro-me de quando vi o filme no cinema, a revolta volta, é revolta pura o que sinto, não por motivos religiosos, não acredito nem no Bem nem em nenhuma religião em especial, há muito que perdi a pouca fé que ainda se me agarrava aos ossos. Nem se quer é a morte, essa não me afecta nem um pouco, conheço-a bem, chamo-a por vários nomes, nomes de amigos, nomes de família, nomes que não os meus sonhos não me deixam esquecer.
Para dizer a verdade, é a criança, a menina de vermelho.
Algo em mim se parte quando vejo aquela criança ali, aquela criança que sei que morrerá, morrerá como tantas, mas é aquela que dá corpo aos meus medos, que dá nome aos meus desgostos.
Todos os músculos do meu corpo querem agarrá-la, levá-la dali, protegê-la desta morte que a rodeia, a esta menina que não existiu nunca realmente, mas que existe para mim, que existe para os meus olhos. E as lágrimas caem dos meus olhos porque estou sentado, num confortável sofá, mais de cinquenta anos depois, a ver uma menina que nunca existiu caminhar inocentemente para a morte.
E, apesar disso, quero salvá-la. Quero mesmo. E o meu desgosto é não conseguir, não conseguir que aquela criança se salve, que nenhuma delas se salve, simplesmente porque ela é, como tantas outras, uma pincelada de cor de sangue vivo no nosso mundo de purgatórios cinzentos e mortos.
E nunca os conseguimos salvar.
Que vontade de matar quem a mata, de esmagar quem vai esbater o seu sorriso, por motivos que nem eu nem ela percebemos bem.
E mesmo assim não a consigo salvar.
Nem mesmo dentro de mim.
terça-feira, maio 09, 2006
Pré-lançamento do novo livro de Mia Couto

O escritor moçambicano Mia Couto estará presente na Livraria Livrododia em Torres Vedras no dia 10 de Maio de 2006, pelas 18 horas, para uma sessão de autógrafos, aproveitando a sua presença em Portugal para apresentar o seu novo livro, O Outro Pé da Sereia.
Trata-se do pré-lançamento deste livro que poderá ser adquirido até ao próprio dia beneficiando de 10% de desconto sobre o preço de capa. Esta sessão terá o apoio da Editorial Caminho.
Mais informações em: http://diariodeumlivreiro.blogspot.com
Exposição Litografias de Picasso em Évora
Exposição Litografias de Picasso, em Évora, na Fundação Eugénio de Almeida no âmbito das comemorações do 125º aniversário do nascimento de Picasso: desde 5 de Maio até 11 de Setembro, diariamente, entre as 9:30 e as 18:30 horas.Picasso foi um dos maiores artistas do mundo. Explorou todo o tipo de materiais em trabalhos criativos na pintura, litografia, escultura e cerâmica.
"Não há, na arte, nem passado nem futuro. A arte que não estiver no presente jamais será arte."
domingo, maio 07, 2006
quarta-feira, maio 03, 2006
Renascer
Até esta dor não era desconhecida, já tinha passado por mim antes, as sucessivas picadas do tinteiro na pele nua, rasgando e criando ao mesmo tudo, deve ser esta a dor da criação, a pele abandona o seu estado natural e funde-se com a tinta, cria um conceito, cria um novo ser através da dor.
Falho redondamente, cada risco do tinteiro puxa-me violentamente de volta para a realidade, cada músculo das minhas pernas clama vingança, a pele massacrada do meu braço vai cair a qualquer momento.
Torna-se uma luta contra o meu corpo, fico reduzido ao mínimo que sou, é só a minha vontade que me impede de cair na súbita escuridão, só ela me impede de desistir. Quando aqui entrei ela, a minha vontade, já estava no seu limite, gasta por cinco anos de purgatório, batida e de lágrimas nos olhos por um ano de inferno. Não sei sequer como ela me aguenta de pé quando finalmente acaba.
Quando saio é já noite, um vento frio faz-me tremer tudo menos o braço, esse está dormente, a Fénix renascida dorme já encostada a mim, sou já outro e ninguém vê, ninguém se apercebe da mudança.
Caminho devagar pelas ruas mal iluminadas, passam por várias sombras que evitam ser vistas, mas não me importo nada, estou finalmente vazio, finalmente limpo, três horas de dor limparam todas as outras dores, apagaram todo o mundo passado para sempre, estou limpo e leve e livre, sou eu a negra Fénix que voa anichada no meu braço.
E atrás de mim, só as cinzas restam.
Só as cinzas.
segunda-feira, maio 01, 2006
A Morte de um Apicultor (Partilha Literária)

“Ultimamente tenho tido muitas vezes um estranho sonho. Uma colmeia. Levanto a tampa e começo a limpar os quadros para retirar o mel. Quando vou a sacudir uma abelha do quadro, reparo que ela tem um aspecto estranho, com uns reflexos azulados. [...]. Trata-se de uma espécie totalmente diferente, uns seres muito inteligentes, incrivelmente avançados do ponto de vista técnico, vindos do espaço, de uma galáxia muito distante. [...]. Falam comigo com a maior das facilidades, embora eu não perceba bem como. [...]. O seu planeta foi totalmente destruído pela explosão de uma supernova. Não têm naves espaciais – voam com o seu próprio corpo, à velocidade da luz, quando querem. Mas não podem faze-lo na atmosfera terrestre, porque isso provocaria um aquecimento excessivo.
As suas couraças reluzentes brilham como armaduras de cavaleiros.
Que dizem eles?
RECOMEÇAMOS. NÃO NOS RENDEMOS.”
in “A Morte de um Apicultor” de Lars Gustafsson [Edições Asa]
Este livro foi-me oferecido numa altura “particular” da minha vida, para não dizer mais complicada... Confesso que comecei a lê-lo pela simples razão de não ter mais nada para ler... Confesso, ainda, que fui surpreendido não só por ser um excelente livro, mas porque, de uma maneira ou doutra, ajudou-me a (re)pensar a vida...
O livro “A Morte de um Apicultor” está construído à volta das notas e apontamentos pessoais de um antigo professor primário reformado e divorciado, que se sustenta, principalmente, vendendo o mel das suas colmeias.
Essas notas e apontamentos organizados em cadernos (um amarelo, um azul e um rasgado) narram, não só o dia-a-dia da personagem, mas as dúvidas, as certezas, e as reflexões daquele antigo professor primário.
Depois de se ler este livro, a mensagem que parece assaltar a nossa consciência de leitor é nem mais, nem menos, a da esperança: “RECOMEÇAMOS. NÃO NOS RENDEMOS.”



