segunda-feira, junho 12, 2006

Gonçalo M. Tavares

A convite da Comissão de Curso do Mestrado em Criações Literárias Contemporâneas, o escritor Gonçalo M. Tavares deslocar-se-á à Universidade de Évora, no dia 16 de Junho, para proferir uma conferência a ter lugar no Anfiteatro I do Colégio Luís António Verney, pelas 17h. Será decerto um privilégio para toda a comunidade académica poder dialogar com o autor de um livro tão premiado como Jerusalém, onde um certo estudioso procura "entender o horror da História, e com isso os homens." Este será um pensamento que decerto deverá interessar a quem investiga numa Universidade, não se devendo, por isso, ignorar o alcance da escrita deste jovem autor, que partilhará connosco algumas reflexões ligadas à sua experiência criativa.
(Texto da Directora do Mestrado, Professora Doutora Maria Antónia Lima)
Breve Biografia:
Gonçalo M. Tavares nasceu em 1970. Foi Bolseiro do Ministério da Cultura, IPLB com uma bolsa de Criação Literária para o ano 2000, na área de poesia.
Em Dezembro de 2001 publicou a sua primeira obra: Livro da Dança, na Assírio e Alvim.
Recebeu o Prémio Branquinho da Fonseca da Fundação Calouste Gulbenkian e do jornal Expresso com a obra O Senhor Valéry (publicado na Editorial Caminho
em 2002) e o Prémio Revelação de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores, com Investigações. Novalis (Difel).
Publicou O homem ou é tonto ou é mulher e A colher de Samuel Beckett e outros textos, ambos na Campo das Letras e adaptados para teatro.
Está representado em antologias de poesia publicadas na Holanda («Hotel Parnassus, Poetry International 2002») e na Bélgica («Het laatste anker», «O último
refúgio, 300 poemas de todo o mundo sobre a morte», Lannoo/Atlas), e editado em revistas inglesas e americanas.
Traduzido para italiano com um conto inserido na antologia «Racconti senza dogana», «Jovens escritores para a nova Europa» (Gremese Editore).
No grupo OuLIPO (França) foi realizada, em 2003, uma leitura de algumas histórias de O Senhor Valéry (com tradução e leitura de Jacques Roubaud).
Ainda em 2003 publicou O Senhor Henri (Caminho).
O Senhor Valéry foi traduzido para francês, com um prefácio de Jacques Roubaud, e editado em Setembro de 2003 na «Joie de Lire».
O ano de 2004 assistiu ao crescimento do «Bairro» com o lançamento de O Senhor Brecht e O Senhor Juarroz.
Publicou os romances: Um homem: Klaus Klump, em 2003 e A máquina de Joseph Walser (2004) na Caminho.

Em 2005 publica, também na Editorial Caminho, a obra vencedora de dois prémios, Jerusalém.

Vencedor, em 2004, do Prémio LER/Millenium BCP.
Vencedor, em 2005, do Prémio Literário José Saramago.


«Com a nova literatura estamos por assim dizer num mundo da morte entre parênteses. Talvez nenhum autor comunique melhor esse sentimento que o autor de Jerusalém, Gonçalo M. Tavares. Chegou para ficar, num espaço só seu.» (Eduardo Lourenço)

segunda-feira, junho 05, 2006

Ashram

Hoje, após uma longa ausencia, venho aqui falar-vos de Ashram uma banda italiana que tocou presentemente em Portugal, pela terceira vez, desta vez acompanhados pela banda espanhola Trobar de Morte, sendo que tive o prazer de assistir ao concerto realizado na Casa das Artes de Famalicão, encerrando o Ciclo Medusa que nos trouxe alguns actos de bandas de musica Darkwave, Ethereal e Neoclassica.

Vinda de Napoles é composta por Luigi Rubino no piano, Alfredo Notarloberti tocando o violino e Sergio Panarella na voz e por vezes na guitarra.Em conjunto estes três talentosos e inovadores musicos envolvem-nos na suas melodias e letras emotivas e por vezes mesmo melancolicas, criando belas musicas do estilo Neoclassico com ocasionais incursões pelo Folk.

Esta banda com aproximadamente nove anos de existencia, desde do seu inicio com Luigi e Sergio, tem dois albuns sendo que o ultimo entitulado "Shining Silver Skies" foi lançado pela editora portuguesa Equilibrium Music.

Uma excelente banda para os adeptos do neoclassicismo e sonoridades melancolicas :)

Sites:
http://www.ashramusic.com
http://www.equilibriummusic.com/
http://www.casadasartes.blogspot.com/

O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá (Partilha Literária)



“Desejo dizer que há gente que não acredita em amor à primeira vista. Outros ao contrário, além de acreditar afirmam que este é o único amor verdadeiro. Uns e outros têm razão. É que o amor está no coração das criaturas, adormecido, e um dia qualquer ele desperta, com a chegada da Primavera ou mesmo no rigor do Inverno. [...].
De repente, o amor desperta de seu sono à inesperada visão de um outro ser. Mesmo se já o conhecemos, é como se o víssemos pela primeira vez e por isso se diz que foi amor à primeira vista. Assim o amor do Gato Malhado pela Andorinha Sinhá.”


in “O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá – uma história de amor” de Jorge Amado [Publicações Dom Quixote]


Este é mais um dos livros que li durante a minha adolescência e tive o prazer de o reler há pouco tempo... É um dos livros que me despertou o gosto pela escrita de Jorge Amado.
O livro “O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá – uma história de amor” conta a história de um gato malhado solitário, muito mau e egoísta, que passava os dias a fazer maldades aos outros animais da floresta. Até que um dia conhece uma andorinha que, ao contrário dos restantes animais, não tem medo dele. O tempo foi passando, e o gato malhado descobre que está apaixonado pela andorinha e é correspondido.
Será que o amor entre um gato e uma andorinha, apesar de todas as diferenças entre eles, consegue sobreviver? ... Agora vais ter que ler esta história para o saberes...

sexta-feira, junho 02, 2006

Fórum sobre Tradução e Língua Portuguesa

Olá a todos.
Venho convidar-vos a participar num fórum sobre tradução e língua portuguesa, onde se pretende discutir temas relacionados com os mesmos, bem como partilhar conhecimentos e esclarecer dúvidas.
Visitem e registem-se. Quantos mais, melhor! :-)

A INCONGRUÊNCIA DOS HUMANOS

O exercício da política em cargo público traz o dirigente ao encontro de uma frustração pessoal. Com muita competência, vigilância, humildade e transpiração este fato é minimizado, mas não eliminado. Pode-se até alcançar bons resultados, mas sempre serão muito aquém do que se desejava inicialmente. Tenho, disto, a vivência pessoal e o acompanhamento de muitos casos. O que pensa o estreante idealista na prática administrativa governamental é muito diferente do que ele realiza ao assumir o poder. As decepções dos que acreditaram naqueles novos líderes, se repetem a cada mandato. Sempre há a esperança que um dia aprenderemos a votar. Não é o caso. Não é que as intenções não sejam as dos programas de governo. O motivo é outro. Claro que existem os políticos com “p” minúsculo que querem se aproveitar do cargo. Não estou falando destes, não merecem o trabalho de escrever sobre eles. Estou enfocando os bem intencionados, os que queriam e acreditavam que realizariam grandes feitos. O desapontamento do dirigente vem da incapacidade de transformar seus desejos em realidade. A dificuldade maior não é o peso da responsabilidade, a visão do todo, a burocracia administrativa, a falta de recursos em todos os setores, financeiros, humanos, materiais, temporais, é principalmente a incapacidade de vencer a si mesmo, de manter a coerência entre os desejos e as ações, de estreitar a distancia entre as mãos e o coração. Este pensamento fui buscar em Chico Buarque , filósofo do cotidiano, quando diz : “Sabe, no fundo eu sou um sentimental. Todos nós herdamos no sangue lusitano uma boa dose de lirismo...(além da sífilis, é claro). Mesmo quando as minhas mãos estão ocupadas em torturar, esganar, trucidar, meu coração fecha os olhos e sinceramente chora. Meu coração tem um sereno jeito e as minhas mãos o golpe duro e presto, de tal maneira que, depois de feito, desencontrado, eu mesmo me contesto. Se trago as mãos distante do meu peito, é que há distância entre intenção e gesto e se meu coração nas mãos estreito, me assombra a súbita impressão de incesto. Quando me encontro no calor da luta, ostento a aguada empunhadora proa, mas o meu peito se desabotoa e se a sentença se anuncia bruta, mais que depressa a mão cega executa, pois que senão o coração perdoa.”
A frase angular: há distância entre a intenção e o gesto. É inerente ao ser humano esta distância. Para comprovar que esta incongruência não é coisa de hoje, nem só dos fracos, nem só dos impróprios, nem só dos políticos, cito São Paulo na sua carta aos Romanos: “...estou ciente que o bem não habita em mim, isto é na minha carne. Pois eu tenho capacidade de querer o bem , mas não de realizá-lo. Com efeito, não faço o bem que quero, mas faço o mal que não quero. Ora, se faço aquilo que não quero, então já não sou eu que estou agindo, mas o pecado que habita em mim. Portanto, descubro em mim esta lei: quando quero fazer o bem , é o mal que se me apresenta. Como homem interior, ponho toda a minha satisfação na lei de Deus, mas sinto em meus membros outra lei, que luta contra a lei da minha razão e me aprisiona na lei do pecado, essa lei que está em meus membros. Infeliz que eu sou. Quem me libertará deste corpo de morte?” A frase síntese: Pois eu tenho a capacidade de querer o bem , mas não de realizá-lo. Até São Paulo, homem santo e obstinado, sentiu esta dificuldade. Como vemos, não é fácil transformar desejos em resultados. Não é o administrador público que pela exceção confirma a regra. Reafirmo que a maior batalha do ser humano é com ele mesmo, o grande erro é o homem querer ganhar do mundo quando ainda está perdendo para si mesmo.
Pedro Dueire
Engenheiro e empresário.

terça-feira, maio 30, 2006

Centro Cultural de Belém


ORQUESTRA SINFÓNICA PORTUGUESA
Orquestra Sinfónica Portuguesa / Coro do Teatro Nacional de São Carlos
Co-apresentação TNSC / CCB
8 de Junho 2006 às 21h Grande Auditório

Josep Pons, que já dirigiu por várias vezes a Orquestra Sinfónica Portuguesa quer no palco do Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, quer no fosso do Teatro Nacional de São Carlos conclui, agora, a Temporada Sinfónica de 2005-2006, do São Carlos, com um programa em que se destaca a presença das sopranos portuguesas Elisabete Matos, Dora Rodrigues e do tenor norte-americano Charles Workman. Richard Strauss compôs a sua última ópera Capriccio – da qual ouviremos a Cena Final – durante a sua estada em Viena, onde viveu durante a Segunda Guerra Mundial.
Elisabete Matos, Dora Rodrigues e Charles Workman interpretam a Sinfonia n.º 2, Lobgesang Hino de Louvor, de Felix Mendelssohn cuja estreia ocorreu em Leipzig em 1840. Este programa conta ainda com a participação do Coro do Teatro Nacional de São Carlos.
Mecenas exclusivo: Millennium bcp
Apoios: Rádio Renascença e Antena 2

segunda-feira, maio 29, 2006

Semana da Energia e Ambiente

Debate na Feira do Livro para assinalar Dia Nacional da Energia

“Energia - Que Futuro” é o tema do grande debate que vai decorrer segunda-feira, dia 29 de Maio, para assinalar o Dia Nacional de Energia, no âmbito do programa das actividades do Pelouro do Ambiente da Câmara Municipal de Lisboa para a edição da 76ª da Feira do Livro.

O debate, promovido pela autarquia em colaboração com a E-Nova - Agência de Energia e Ambiente de Lisboa, terá lugar entre as 18:00 e as 20:00, no Auditório da Feira do Livro e será moderado pelo Prof. Dr. João Caraça.

A iniciativa conta, ainda, com a presença do Prof. António Sá da Costa, da Associação Portuguesa das Energias Renováveis, Prof. Francisco Ferreira, da Quercus, Prof. Joanaz de Melo, ex-presidente do GEOTA, e o Eng. º Nuno Ribeiro da Silva, da Sodesa - Comercialização de Energia SA.

Conseguem ir? É importante pensarmos no futuro de Portugal em termos de energia.

Para mais informações e iniciativas acerca da Semana da Energia e do Ambiente:

http://purl.pt/4307
http://www.rostos.pt/paginas/inicio2.asp?cronica=140488&mostra=2
http://www.abcdaenergia.com/
http://www.m-almada.pt/website/main.php?id=4148
http://news.google.pt/news?q=dia+nacional+da+energia&hl=pt-BR&lr=&sa=X&oi=news_pt-BR&ct=title

«A convite da Comissão de Curso do Mestrado em Criações Literárias Contemporâneas, o escritor Jacinto Lucas Pires deslocar-se-á à Universidade de Évora no dia 2 de Junho para proferir uma conferência no âmbito da disciplina de Escrita Criativa, a ter lugar no Anfiteatro III do Colégio Luís António Verney, pelas 17h.»

Ler mais sobre este evento em:
http://ueline.uevora.pt/

sexta-feira, maio 26, 2006

Geometria Variável - Nuno Júdice



O Amor é

Ferida que não dói,
a palavra que não precisa de ser dita,
um olhar suspenso dos teus olhos,
respirar o ar em que respiras,
dizer o teu nome
e ouvir nele a tua voz,
esperar-te em cada instante
em que sei que me esperas,
dar-te a alegria que me dás,
ver-te chegar num eco de ave,
e deixar que me prendas
com o teu gesto mais suave,
sentir-te, só, ao pé de mim,
e sentir-me tão só longe de ti,
saber que existes em mim
como sei que existo em ti,
a flor de fogo do teu corpo,
e beijar essa flor.

(pág. 94 - Edição Dom Quixote)

quinta-feira, maio 25, 2006

A Sul de Ti - Jorge Serafim


acreditar que as horas têm nome
têm rosto, um espelho que é rosto do rosto
tamanho só o desgosto
nada em vão, nada só por nada
é bom lembrar que o meu espelho é triste
não que não arrisque, que arrisco
nem medo nem sossego
apenas o desassossego do medo

(pág. 105)
(veja link em cima)

Quando dormes nunca te Odeio - Hugo Santinhos Pereira


Pai Ausente
Pensar em ti. Fodendo contigo.
O teu dogma abandonou-te.
Deixou livre a cama para uma nova religião.
Dúvidas. Tu duvidaste de mim.
A tua Fé denunciou-te. Apontou o dedo. Acusou-te.
Ausentou-se permanentemente.
Doce triste revelação, bem escrita nas marcas do corpo.
Duas moedas de cinquenta cêntimos deixadas nos teus
olhos. Pensa nisso.
Pensa no barqueiro que já não vai estar lá para ti.
Dentes afiados e sonhos invertidos.
Marcas de um arco-íris azul-preto-roxo.
Deus branco pálido a sair do quarto.
Lutando para se desconectar de ti,
pingando para fora da tua cona.
Desligando de ti.
Sou melhor que o teu pai.
Sou melhor que nada.
(pág. 92)
(veja link em cima)

Abertura ao público: 26 de Maio, às 18h00 com espectáculo de rua Gigabombos do Imaginário
De 26 Maio a 4 de Junho, Évora e a sua Feira do Livro, na Praça do Giraldo, oferece aos seus visitantes propostas de leitura e ainda um vasto programa de animação, concertos variados, ateliers de trabalhos plásticos e teatro de marionetas. Associa-se a este evento o projecto de dinamização cultural «3 Culturas», desenvolvido pelas autarquias de Évora, Idanha-a-Nova e Mértola, através da organização de dois espectáculos, que terão lugar já no próximo fim-de-semana.
Organizada pela Câmara Municipal de Évora, o certame conta com a presença de sete livrarias e um alfarrabista, que representam mais de 80 editoras, para além da participação de várias instituições, nomeadamente o Atelier Barahona, a Universidade de Évora, a Biblioteca Pública, o Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR) e a Associação para o Planeamento da Família.

9ª Feira do Tapete em Arraiolos


http://www.cm-arraiolos.pt/

quarta-feira, maio 24, 2006

Feira do Livro em Lisboa

terça-feira, maio 23, 2006

viagem

O meu pensamento perde-se enquanto olho através do reflexo irreal da janela do autocarro.
Na noite que cai quase que me vejo a mim, num quase espelho do qual é tal fácil escapar como ao cair da noite, tão fácil quanto fugir da lua que nasce certamente detrás destas nuvens.
Não penso realmente, não existo realmente, o meu ser dilui-se pelas bermas da estrada, pelo contorno a carvão gelado que se começa a desenhar na planície, já se escapam pormenores desta fotografia viva, mas que importa, se não estou realmente aqui, apenas estou distraído olhando as margens.
Estou tão transparente quanto o vento, neste momento perdido, nada ressoa no interior do meu ser senão o eco tremido do motor, e o vago sabor da música que escorre pelo ar como alcatrão viscoso e se entranha pelos poros da pele.
Mexes-te levemente no meu ombro, tens a minha mão escondida nas tuas desde que nos sentámos, quando adormeceste no meu ombro a paisagem pintava de luz os teus olhos, essa luz escorria como água fresca pela tua cara, pelo teu sorriso vago, pelo teu peito encostado a mim.
O teu peito respira ainda calmamente, suspira vagamente sobressaltado apenas no momento em que acordas, e olhas o mundo que escurece, devolves a luz que guardaste nos teus olhos, que fechaste em ti no momento em que adormeceste, voltas a aparecer no reflexo do vidro, voltas a mexer-te.
Sorrio-te apesar do meu ombro dormente, da dor no meu braço, das horas que permaneci imóvel.
Sorrio-te porque é a única coisa que sei fazer, quando amanheces assim, mesmo num começo de noite, abraçaste-me e apertas-me a alma, já se vêm as luzes da chegada, a viagem canta já o seu fim.
Mas só a luz que escorre de ti, lentamente, gota a preciosa gota, permanece no ar abafado. E, de repente, eu já sou eu outra vez, já existo, aqui, nos teus braços.

segunda-feira, maio 22, 2006

Como um romance (Partilha Literária)



“Em matéria de leitura, nós, os leitores, temos todos os direitos [...].

1) O direito de não ler.
2) O direito de saltar páginas.
3) O direito de não acabar um livro.
4) O direito de reler.
5) O direito de ler não importa o quê.
6) O direito de amar os «heróis» dos romances.
7) O direito de ler não importa onde.
8) O direito de saltar de livro em livro.
9) O direito de ler em voz alta.
10) O direito de não falar do que se leu.”


in “Como um romance” de Daniel Pennac [Edições Asa]


Este livro, comprei-o depois de ter lido estes direitos na contracapa... E sendo eu um “viciado” em livros foi a razão, mais que suficiente, para o adquirir.
O livro “Como um romance” não é uma obra para todos...É um ensaio, com algum humor, dirigido a todos os pais e professores, que aborda a inapetência e a aversão dos jovens para a leitura, numa sociedade cada vez dominada pelos meios audiovisuais. O autor, Daniel Pennac, não dá nenhuma solução “milagrosa” para que os jovens se tornem leitores assíduos, apenas aponta algumas pistas para que se possa “seduzir” os jovens à leitura, porque no fim de contas, a leitura é um PRAZER... E enquanto os jovens não descobrirem esse prazer, jamais serão leitores, tal como nós...

quarta-feira, maio 17, 2006

Gravuras e Pinturas Japonesas Modernas da Colecção Robert O. Muller no Museu Calouste Gulbenkian


Hashiguchi Goyo (1880-1921)
Mulher a pentear o cabelo Japão, 1920


Exposição Mundos de Sonho

De 26 de Outubro de 2006 a 7 de Janeiro de 2007

Sala de Exposições Temporárias do Museu

A exposição Mundos de Sonho apresenta uma selecção de quase cem gravuras japonesas, obras-primas da célebre colecção Robert O. Muller da Arthur M. Sackler Gallery, de Washington. Doada à Sackler Gallery, após a morte do coleccionador, em 2003, possui mais de quatro mil gravuras, documentando os modos como as qualidades expressivas e funções da gravura tradicional japonesa em madeira, se adaptaram aos desafios da modernidade em finais do século XIX e início do século XX. A exposição contém alguns do mais notáveis exemplos de trabalhos dos artistas do shin hanga ou movimento “nova gravura” e será apresentada na Sala de Exposições Temporárias do Museu, a partir de 26 Outubro.

Link: http://www.museu.gulbenkian.pt/

terça-feira, maio 16, 2006

Dicionário do Cinema Português 1989-2003



Jorge Leitão Ramos, crítico de cinema do Expresso, publicou em 1989 o Dicionário do Cinema Português 1962-1988 (Caminho), ainda hoje um instrumento de consulta indispensável. Quando concluiu esse trabalho, o autor não tencionava continuar o dicionário nem recuar aos anos anteriores a 1962, data que marca o advento do Cinema Novo.

No entanto, o seu editor, Zeferino Coelho, percebeu a novidade e utilidade do Dicionário e desafiou o crítico a prosseguir a empreitada. Leitão Ramos aceitou, e dedicou mais de uma década a reunir materiais diversos . Dessa investigação nasceu o Dicionário do Cinema Português 1989-2003, estando anunciado para daqui a dois ou três anos o Dicionário do Cinema Português 1896-1961. Tudo indica que os três tomos ficarão como a mais importante obra de conjunto sobre a nossa cinematografia.

Embora este dicionário tenha imensos nomes e factos, é também assumidamente uma obra de opinião, visto que Jorge Leitão Ramos inclui os textos que foi escrevendo no Expresso (desde 1976). Este dicionário é um livro de referência e uma antologia crítica, na linha de um polémico dicionário subjectivo do crítico inglês David Thompson. O autor explica "Não me interessava fazer uma mera recolha de dados biográficos e de fichas técnicas. Eu sou um critico de cinema e não fazia sentido não juntar um comentário. Mas os factos estão lá, e perfeitamente separados da opinião".

(excerto de um texto de Pedro Mexia e Nuno Fox)

Link: http://dn.sapo.pt/2006/02/02/artes

sábado, maio 13, 2006

Todos os dias da escrita - Registo de Nascimento


No novo portal Edit on Web, André Domingues faz a recensão de Registo de Nascimento.

Es tarde.Uno escribe su vida en un poema,
analiza el amor.

Luis Garcia Montero


É importante perguntar: onde começa uma biografia? Na nudez microscópica dos signos, numa breve advertência a quem lê (e, sob esse exercício, se ilumina e vampiriza) um tratado sobre as pequenas coisas imprescindíveis, ou no Prefácio que remetemos incondicionalmente à nossa vida?
Luís Filipe Cristóvão (Torres Vedras, 1979) parece querer dizer-nos que, para quem não lê, para o "não-leitor", a leitura é uma proposta passiva e o poema uma proposição impossível e, todavia, tudo é legível ou susceptível de leitura, de contacto, de poesia, de relação.
"Registo de Nascimento" é uma certidão de óbito para quem pensa que as coisas são o que são, valem o que valem, dizem o que dizem, ou seja, é um livro perigoso para quem não procura mais numa biografia que um par de datas inequívocas, colocadas algures naquele intervalo vazio, que Pessoa personalizava: "todos os dias são meus".
A posse dos nossos dias pressupõe uma alteração constante no modo como concebemos a nossa existência e a dos outros. Por isso, o poeta afirma: "preciso de ver outras pessoas/para finalmente me sentir ausente em plenitude". É na experimentação do contraste que se revela a perfeição. E é na ressuscitação conceptual dos brinquedos (uma menina é uma imitação de uma boneca e não o contrário) e na sua segunda morte de verdade, que o autor consegue, por fim, ouvir o silêncio e a paz: "as bonecas agora são só bonecas, do lado de lá da parede/nada resta para que se possa imaginar"
Os dias de Luís Filipe Cristóvão estão patentes no seu livro de estreia, marcado pelo uso da linguagem coloquial e pela reflexão quotidiana, "os homens conversam na soleira da porta/ lá fora os cães, as crianças correm/ É sábado de tarde, sopra uma brisa", mas também por um constante exercício de encantamento/desencantamento, muitas vezes mediado pela expectativa "desarrumada" de receber uma visita repentina ou a confirmação do caos: "patrocino um pequeno caos nas minhas coisas para poder dizer, sempre que alguém sugere vir a minha casa, não pode ser, ainda tenho de arrumar as coisas."
E "as coisas mais simples são como as pessoas que amamos" e são estas coisas simples, aforísticas e decifráveis, que melhor definem as palavras: "as palavras nunca feriram ninguém de morte. Teme antes os lábios que ficaram por beijar e a pele que não cheiraste". O "não-leitor", segundo a concepção do poeta, não tem acesso à experiência mais válida, à vida, mas à contingência e à frustração, algo ausente entre a dor incógnita e o analfabetismo emocional, "e depois tudo tudo/sempre a andar para trás". Recorrendo a sucessivas e por vezes involuntárias analepses, Luís Filipe Cristóvão porque leu, lembra-se de tudo, e torna-se a lembrar: "lembrar, lembrar/noites em frente da televisão/alguém que bate à porta/o avô morreu/lembrar lembrar".
(Veja o link em cima.)

quinta-feira, maio 11, 2006

World Press Cartoon em Sintra



464 trabalhos de 213 cartoonistas de 48 países vão estar em exposição até 20 de Maio no Centro Cultural Olga Cadaval em Sintra, lugar de encontro das melhores obras de humor gráfico que se publicam nos principais jornais internacionais.
Tal como em 2005, a exposição é acompanhada pela edição de um catálogo bilingue (português e inglês), apoiado pela Fundação Calouste Gulbenkian, onde constam os 464 trabalhos que concorreram ao World Press Cartoon. Novidade este ano é o facto de a exposição assumir um carácter itinerante a partir de Dezembro de 2006, levando os 464 trabalhos aos quatro cantos do mundo.
A primeira exposição internacional será em Macau (Dezembro de 2006), seguindo depois para a Índia, onde vai estar patente em Goa, Nova Deli e Bombaim (início de 2007). Outra ainda reside no facto de o World Press Cartoon ter como Presidente de Honra um dos cartoonistas mais prestigiados do mundo, o norte-americano David Levine.