sexta-feira, agosto 18, 2006

Apresentação: Magna Editora


'Reconhecendo claramente a importância dos blogues enquanto meio de comunicação global, a Magna Editora vem, numa atitude pioneira, apresentar-se à blogosfera. A apresentação pública de uma editora recém-criada, parece pedir um motivo que justifique essa criação. Existe apenas um forte motivo para a criação da Magna Editora: o gosto pela literatura. A aposta em novos autores ocupa um espaço privilegiado na nossa actividade. No entanto, concentramo-nos também na edição de obras ímpares da literatura universal, assim como na edição de autores estrangeiros não traduzidos para a língua portuguesa. Assim, queremos destacar-nos no panorama literário nacional pela irreverência, ousadia e qualidade das nossas edições.

Convidamo-lo a descobrir-nos no nosso
site ou numa qualquer livraria. Queremos que cada um dos nossos livros seja um desafio para si. O nosso desafio, é merecer que os nossos livros façam parte da sua vida.'

Emanuel Vitorino
(Editor da Magna Editora)

quinta-feira, agosto 17, 2006

Sugestão - Livros Usados


Convido-vos a visitar o cantinho especial de Carlos Tão onde podem adquirir livros usados a bons preços.

quarta-feira, agosto 16, 2006

Sugestão - "Stellar images bring out the best from a mixed decade" (Variety, USA)


Edição especial da Taschen (claro!)... O editor, Jürgen Müller, estudou arte em Bochum, Paris, Pisa e Amesterdão. Trabalhou como crítico de arte e publicou vários livros e artigos sobre cinema e história da arte.

Este livro apresenta uma selecção dos melhores filmes desde 1990 até 1999. Vários géneros e detalhes deliciosos sobre os filmes. Para todos os amantes de cinema... ;)


Este foi um presente :)

Existem outros volumes, outras surpresas... folheei alguns. Pelo menos este aconselho! ;)

Link: www.taschen.com

Karl Hubbuch (Karlsruhe, 1891 - 1979)


Há muito que não fazia um post deste tipo... pouco tempo ou talvez tempo mal gerido ;)
Hoje falarei um pouquinho de Karl Hubbuch. Pouco conhecido [creio] a sua obra foi tomada como indesejável pelo Regime Nazi. Foi proibido de expor os seus trabalhos e de ensinar (era professor na Escola de Belas Artes em Karlsruhe). No entanto ele e outros pintores da sua época, activistas insurgiram-se sempre contra o regime dominante. Espalharam uma visão negativista/ verdadeira da nação germânica durante a guerra focando-se nos problemas sociais, inflação, declínio da moralidade, etc., que está presente em muitas das suas criações.

Hubbuch foi um dos pintores mais incisivos da sua época e cultivou um género de pintura muito usado pelos artistas da chamada New Objectivity (Neue Sachlichkeit) nomeadamente o retrato. [A Colecção Thyssen-Bornemisza tem vários exemplos. Aqui podemos ver alguns dos seus trabalhos.]

Olhemos ao de leve o seguinte quadro - para mim sobejamente interessante ;) - (Double Portrait of Hilde II, c.1923). Podemos ver um duplo retrato incompleto [pista - falta metade do painel com mais duas representações de Hilde - em que o artista mostra a mulher em mais duas posições].

Será que podemos "ver/sentir" na primeira um desejo de 'fechamento' sobre si mesma, a necessidade de isolamento [pelo estado 'silencioso' e pensativo, pela posição, claro, mas mais...] repara como a pele é branca [faz lembrar um cadáver] repara nos olhos fechados ou "colados" num qualquer ponto do chão... que sentimento [te] transmite esta mulher que vive, respira dentro deste quadro?

Encontramos, depois, a mesma mulher. Posição vertical, diferente apresentação, curiosa colocação de mãos... altiva e, talvez, surpresa por ver algo/alguém. Nota a cor triste da parede, a luz artificial... o sentimento...

Convido-te a encontrar a outra parte do painel. Talvez origine curiosas leituras... sobre quatro leituras de uma mesma mulher, sobre quatro estações, sobre quatro humores... sobre quatro espelhos de uma mesma realidade... tu me dirás ;)

Link: http://www.karl--hubbuch.de/


[Neste dia (triste) em que mais três pessoas foram "retiradas" do Cultura... pediam-no há muito e eu tardava em aceitar mas respeito, claro]. Marta, Gonçalo e Filipe agradeço-vos o tempo, a dedicação, a partilha, a amizade e espero que continuem a visitar-nos... sempre!)

terça-feira, agosto 15, 2006

Literatura - Sugestão

"Hoje fiz o caminho como uma bela palmeira. Fomos a rir e a conversar sem pressas, não quis pensar que teria que vir para aqui, para o meio dos loucos, cair sem amparo entre a corja amorfa e cinzenta. Também isto me soube bem, e olha, a raiva e a náusea e a peste e os vaipes de revolta já são folhas da mesma árvore, já são cores no meu tapete e não tomam conta dos momentos, é que mesmo assim não tiveste razão. Corta-se uma vida ao longo dos anos, sobretudo à sexta-feira, com as facas do desespero. Aqui não se respira o mesmo ar que tu e eu partilhámos. As pessoas são curtas, finas, rasas, e o pavor leva-as a apedrejar os cães que ladram em tons diferentes. É uma casa difícil, esta que me guarda as costelas enquanto ando por aí. Vais gastar um pouco mais do teu sangue, outras quantas certezas, e acabas por acordar numa manhã como esta. As nuvens continuam a ser nuvens, e dos dias confusos só tenho as tuas feridas. Preciso de pouco mais para voltar a pintar esta praia com as cores da paixão."
Blog do Autor: A Caverna Obscura

Informações em: http://www.lulu.com/content/343832

Escrita na Paisagem 2006


Teatro em Évora




ESCOLA DE MARIDOS
de Molière
Representações JULHO E AGOSTO 2006
Terças, Quintas e Sábados às 21.30
no Páteo de S. Miguel, em Évora

Espectáculo para M/12 Anos

Nesta comédia em três actos, Molière, pela palavra de Ariste, insurge-se contra a ausência de liberdade das jovens (tudo leva a crer que ela se destina à sua própria protegida, Armande Béjart, vinte anos mais nova, com quem virá a casar-se) e a uma severa crítica aos costumes da época.
Será curioso reflectir – daí o carácter humanista das peças de Molière – sobre a evolução da personagem Isabel. De facto, seguindo os sábios conselhos de Ariste e tendo em Valério a mola impulsionadora para a sua libertação, cabe-lhe a ela, mais do que ao seu apaixonado, a decisão e acção sobre o seu destino.

Espectáculo Promovido pela Fundação Eugénio de Almeida
Criação e Produção a bruxa TEATRO
Link:

CCB - Sugestões


DIMAS Uma vida debaixo da terra
Co-produção: CCB / Viriato - Teatro Municipal
20, 21, 22, 23 DE SETEMBRO (21H00) e 24 DE SETEMBRO (17H00)
Duração:90 min

Residência Artística e Espectáculo
A partir de uma residência artística, uma criação em co-produção com o teatro Viriato e uma aposta artística na criação portuguesa: “Dimas”, primeiro espectáculo de Graeme Pulleyn, após a sua saída do Teatro Regional da Serra de Montemuro. “Dimas” conta a história de dois irmãos, inseparáveis e sozinhos no mundo, herdeiros de uma só mina de onde brota água doce. Quando a irmã de Dimas se apaixona, o que antes era dos dois, passa a ter que ser separado. O reencontro improvável dos irmãos enterra-se no fundo da mina da alma. O tempo passou. Mas será que o tempo passa nos corações?
Classificação: Maiores de 16 anos

e/ ou...



Co-Produção. CCB / APA (Actores, Produtores, Associados)
25, 26, 28, 29 e 30 de Setembro 2006
às 21h00 Sala de Ensaio
Duração:55 minutos, sem intervalo

“Debaixo da cidade”, de Gonçalo M. Tavares:
Alguém ou algo está debaixo de um espaço. Debaixo da cidade é o título. Poderá ser debaixo da cidade ou debaixo simplesmente de uma casa. O certo é que alguém ou algo fugiu ou se afastou. Alguém que receia as acções e os acontecimentos. Alguém que receia os próprios objectos e ainda os acontecimentos que podem resultar do cruzamento de um corpo com esses objectos.Depois, subitamente, alguém entra. Lá em cima, algo acontece. E os acontecimentos são perigosos. É necessário continuar a fugir.

Link: http://www.ccb.pt/ccb/

segunda-feira, agosto 14, 2006

O Retrato de Dorian Gray (Partilha Literária)




“O objectivo da vida é o desenvolvimento próprio, a total percepção da própria natureza, é para isso que cada um de nós vem ao mundo. Hoje em dias as pessoas têm medo de si próprias. Esqueceram o maior de todos os deveres, o dever para consigo mesmos. É verdade que são caridosas. Alimentam os esfomeados e vestem os pobres. Mas as suas próprias almas morrem de fome e estão nuas. A coragem desapareceu da nossa raça e se calhar nunca a tivemos realmente. O temor à sociedade, que é base da moral, e o temor a Deus, que é o segredo da religião, são duas coisas que nos governam. E todavia... [...] acredito que se um ser humano vivesse a sua vida plenamente, dessa forma a cada sentimento, expressão a cada pensamento, realidade a cada sonho, acredito que mundo beneficiaria de um novo impulso de energia tão intenso que esqueceríamos todas as doenças da época medieval e regressaríamos ao ideal helénico. Mas o mais corajoso homem entre nós tem medo de si próprio.”

in “O Retrato de Dorian Gray” de Oscar Wilde [Relógio D’Água]

Oscar Wilde.
Todos nós, pelo menos, uma vez nas nossas vidas já ouvimos este nome: alguns de nós ficam curiosos o suficiente para investigarem a obra deste escritor, outros nem por isso. Não sei a qual dos grupos pertenço... simplesmente tive a sorte de ter um colega de faculdade que era fã da personalidade excêntrica de Oscar Wilde, bem como da sua obra literária (na versão original), que teve a bondade de me emprestar alguns livros deste autor...
No livro ““O Retrato de Dorian Gray”, Oscar Wilde conta a história de Dorian Gray, um rapaz da alta sociedade possuidor de uma beleza extraordinária. Beleza esta que fascina o pintor Basil Hallward, ao ponto de se propor a fazer um retrato de Dorian. Este obcecado pela sua própria beleza, atende ao pedido e ao ver a beleza excepcional do seu retrato, exprime o desejo de que o quadro pudesse envelhecer, enquanto ele continuasse com o seu rosto eternamente jovem... Mal ele saberia que o seu desejo seria atendido e a sua vida sofreria com isso...

segunda-feira, agosto 07, 2006

1800 acções de divulgação científica em todo o país

Caros Amigos,


Pelo décimo ano consecutivo, de 1 de Agosto a 30 de Setembro , poderá partir à descoberta da Ciência durante as férias de Verão. Na praia, no campo ou na cidade, especialistas de universidades, centros de investigação, escolas e associações científicas organizam acções de divulgação científica de acesso gratuito para toda a população. Espreitar por um telescópio para observar as estrelas, as galáxias ou os planetas, é uma oportunidade que a Astronomia no Verão nos tem vindo a assegurar nos últimos 10 anos. Que rochas guardam as nossas reservas de água? E como se processou o abastecimento de água a cidades como Lisboa e Porto ao longo do tempo? Dos subterrâneos do Porto às mais antigas fontes de Alfama, os especialistas estão lá para lhe explicar. Na Geologia no Verão poderá ainda acompanhar os geólogos em passeios de autocarro, bicicleta e até de canoa para melhor conhecer os acontecimentos que, há milhões de anos, condicionaram a nossa paisagem.Descobrir como os sobreiros ajudam a combater a desertificação ou monitorizar a actividade da vegetação das dunas pela noite dentro, são algumas das iniciativas em que poderá participar na Biologia no Verão. Mas se quiser conhecer os animais que habitam estuários, praias ou montes, acompanhe os biólogos a uma saída de campo para observar golfinhos, aves, borboletas e até lobos.Na Engenharia no Verão , poderá este ano ver de perto o início da nova ponte para a travessia do Tejo, entre o Carregado e Benavente, que deverá estar terminada em 2007. Mas poderá continuar a visitar barragens, a saber como se processa o tratamento de águas ou de resíduos, como se monitoriza o tráfego, que tipo de antenas emitem o sinal de televisão que vemos todos os dias, ou para que serve o cabo submarino amarrado em Sesimbra. Na Ciência Viva com os Faróis, os especialistas da Marinha partilham consigo os seus conhecimentos de engenharia, navegação e história. Ao final do dia, aproveite o entardecer e vá até à costa visitar um farol. A maioria das acções necessita de inscrição prévia. O acesso é gratuito.

Programação completa em:
www.cienciaviva.pt/veraocv


Para mais informações: Nº azul 808 200 205


Participe!
(Informação facultada pelo Little Blue Sheep)

quinta-feira, agosto 03, 2006

Quiz


Qual o filme russo com uma intriga bem interessante sobre o eterno (?) equilibrio entre o bem e o mal com vampiros e bruxas à mistura que estreou no ciruito comercial no nosso país em 2004 mas que ninguém viu?
Sei que é díficil, mas...

terça-feira, agosto 01, 2006

entre beijos

... suspiras bem junto ao meu pescoço, o calor do bar acompanhou-nos até aqui, até esta porta semiaberta, até este degrau, montanha que conquistaste para partilharmos a luz desta lua mansa e parda, que se derrama lentamente dos olhos para os lábios...

... a carpete da sala abraça-nos o corpo quando o sofá nos cospe para o mundo, rebolando, bato de costas e os reflexos fazem-me rodar contigo nos braços, gaiola de carne protectora que te faço por instantes e instintos, pequeno pássaro de luz que és, guardada aqui nos meus braços...

... olhos nos olhos, corpo no corpo, o meu braço esquerdo sustém todo o meu peso, amanhã vai doer mas agora sustém-me, sustém o mundo, só para que a minha mão se passeie pelo canto do teu sorrir, só para que ela te afaste os cabelos pegados de suor da tua cara brilhante...

... o teu corpo sobe e choca de mansinho no meu a cada respiração que tens, as tuas pernas estão enleadas nas minhas, és uma trepadeira viva, a minha mão direita posou na curva da tua anca, seguro-te como se fosses uma viola, a tua voz murmura como a canção que o vento toca nas cordas...

... está calor demais para me afastar de ti, dormes pendurada no meu braço, a boca entreaberta faz-me querer beber mais, está calor, tenho sede, e a tua pele queima como o vento que me lambe a pele de dia, mas não me mexo, só a mão se mexe, quero beber dos teus olhos a luz que a lua oferece pela janela, afasto as tuas madeixas, vejo a fonte que nasce nos teus lábios, bebo uma última vez, e derramo-me nos sonhos escuros...

segunda-feira, julho 31, 2006

Vermelho (Partilha Literária)




“Sou o mais impensável dos descendentes. Dele, do Afonso de Amadeus. Que aliás, acabou por inventar o seu próprio nome, calculo que sim, não sei, é difícil de avaliar até onde é que o meu avô poderia ir, ter chegado ao certo. Deus – como se chamaria na realidade?
Eu, Tito.
Deve haver registos, uns registos vagos de que consta um judeu convertido ao catolicismo, de resto um louco sem fé nem lei que um dia no terceiro quartel do século XIX embarcou de Lisboa para as ilhas e levou na bagagem uma cadeira D. João V.
Como se tivesse previsto tudo. Sim, era um senhor. Ter-me-á previsto a mim? E a ti? Ter-te-á previsto?”


in “Vermelho” de Mafalda Ivo Cruz [Publicações Dom Quixote]

Nesta partilha literária, irei falar-vos de um dos últimos livros que li: “Vermelho” de Mafalda Ivo Cruz. Para quem não sabe, este livro foi galardoado com o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores. E este facto foi o principal motivo que me levou a ler este livro...
Antes de fazer um breve resumo da estória, devo prevenir os possíveis leitores que este romance está “construído” de uma forma fragmentada, em que a linha cronológica, simplesmente, não existe: o passado confunde-se com o futuro e vice-versa. E à medida que a narrativa avança, o narrador parece “desdobrar-se” em várias “personagens-narrador”. Pessoalmente, é este aspecto que torna este livro merecedor de ser lido, mas que exige um leitura atenta e paciente, para que se consiga “montar” todas as peças que encontram espalhadas ao longo do livro...
No livro “Vermelho”, Tito conta, num monólogo esquizofrénico, a génese da sua linhagem, iniciada pelo Afonso de Amadeus, proprietário em Cabo Verde, nunca se esquecendo de falar do seu grande amor: Nina...

terça-feira, julho 25, 2006

HYUBRIS


Nem sempre o caminho percorrido pelo Homem
É o caminho escolhido por Zeus…

Próximo Sábado 29, pelas 22h os Portugueses HYUBRIS estarão a fazer as delícias a quem ao Culto Club (Cacilhas) se deslocar.
Agora que deverá estar esgotado de qualquer loja de música o seu excelente trabalho lançado durante o ano passado, é obrigatória a comparência de todos os aficionados da música Metal Gótica Pagã, que no caso, quando cantado na língua de Camões através de um espectro conspiratoriamente lírico denominado Filipa Mota, ainda melhor.
O que de melhor tem para oferecer este pequeno cantinho à beira-mar plantado.

Quiz

Quem canta?

Soy un completo incompleto
incompleto por amor
la costilla que me falta
cuelga de tu corazon,
un seguro inseguro
media persona en el mundo
un amante incompleto
cada vez que te deseo.
Soy un completo incompleto
si me giro y no te veo
como una persona a medias
sabes a que me refiero.
Soy un acorde incompleto
menor y desafinado
que va persiguiendo notas
sin lograr una canción,
un rosal sin hojas secas
un perfume sin olor
una pelicula de cine
sin final en el guión.
Soy un completo incompleto
se me para el corazón
si me giro y no te veo
sabes a que me refiero.
Un seguro inseguro
media persona en el mundo
un completo incompleto
sin ti en mi corazón.

quarta-feira, julho 19, 2006

Luís Filipe Cristóvão

Para ler clique em cima do artigo

in "Jornal de Letras, Artes e Ideias" de 19 de Julho de 2006

Blog Principal do Autor: Mil Nove Sete Nove

terça-feira, julho 18, 2006

Quiz

Quem escreveu?
Quem fez a música?
E quem canta?

Senta-te aí
Está na hora de ouvires o teu pai

Puxa para ti essa cadeira
Cada qual é que escolhe aonde vai
Hora-a-hora e durante a vida inteira
Podes ter uma luta que é só tua

Ou então ir e vir com as marés
Se perderes a direcção da Lua
Olha a sombra que tens colada aos pés
Estou cansado.

Aceita o testemunho
Não tenho o teu caminho pra escrever
Tens que ser tu, com o teu próprio punho
Era isso o que te queria dizer
Sou uma metade do que era

Com mais outro tanto de cidade
Vou-me embora que o coração não espera
À procura da mais velha metade

segunda-feira, julho 17, 2006

Carne

O teu corpo brilha na noite, suave deusa de metal bronzeado, e as pingas de luz dos candeeiros reflectem o suor que se demora pelas curvas do teu corpo, pérolas perdidas que te abandonam.

O ar dentro e fora do quarto está apertado pelo calor, agarra o peito, agarra o pescoço e aperta, sufoca, é um ar morto que nos parece querer matar também, deve querer companhia.

As tuas mãos fervem no meu peito, como é possível estares mais quente que o ar, mais quente que eu, tens fogo nos olhos, esse teu fogo negro, emoldurado por uma chuva de cabelos dourados, pegados, suados.

Mordes-me o ombro quando me apertas o peito, parábola de vida és, misturas o bem com o mal, a dor e o prazer, aqui, neste quarto pintado de noite escura onde somos apenas carne, nós os dois, o mesmo suor, o mesmo ser, a mesma carne.

Se Numa Noite de Inverno Um Viajante (Partilha Literária)




“Há dias em que tudo o que vejo me parece pleno de significados: mensagens que me seria difícil comunicar a outros, definir, traduzir por palavras, mas que precisamente por isso me apresentam como decisivas. São anúncios ou presságios que me dizem respeito a mim mesmo e ao mundo ao mesmo tempo: e de mim, não os acontecimentos exteriores da existência mas o que acontece cá dentro, no fundo; e do mundo não um facto singular qualquer mas o modo de ser geral de tudo. Compreendem pois a minha dificuldade em falar disto, a não ser por alusões.”

in “Se Numa Noite de Inverno Um Viajante” de Italo Calvino [Editorial Teorema]

Nesta partilha literária, resolvi falar-vos de um dos meus escritores preferidos: Italo Calvino. Confesso que tenho uma grande dificuldade em eleger o seu melhor livro: “As Cidades Invisíveis”, “O Barão Trepador”, e “Se Numa Noite de Inverno Um Viajante”, são os livros em que penso, imediatamente, quando falo de Italo Calvino. Mas como, daqueles três, apenas comprei o último (os outros foram-me emprestados por alguém que me “contagiou” com o gosto por Calvino), é fácil perceber a razão de vos apresentar um excerto deste livro.
No livro “Se Numa Noite de Inverno Um Viajante” Italo Calvino cria uma “aparente” não linearidade do romance para relatar a jornada do Leitor, a personagem principal do livro, para encontrar o fim da história... Conseguirá o Leitor achar o tão desejado fim?...
...“O senhor acredita que toda história precisa ter princípio e fim?”...

domingo, julho 16, 2006

FIKE 2006 "Cinema no Verão".

O Festival Internacional de Curtas Metragens de Évora e a Câmara Municipal de Évora convidam-no a assistir a projecções de cinema, ao ar livre, pelas 22 horas, nas terças-feiras de Julho e Agosto na Praça do Sertório (Frente à Câmara Municipal de Évora).

Programa


18 de Julho - Filme Concerto Aurora (F.W.Murnau) acompanhado ao piano por Filipe Raposo
25 de Julho - Charlie e a Fábrica de Chocolate (Tim Burton)
1 de Agosto - Match Point (Woody Allen)
8 de Agosto - Coisa Ruim (Tiago Guedes e Frederico Serra)
15 de Agosto - Elizabethtown (Cameron Crowe)
22 de Agosto - Terapia do Amor (Ben Younger)
27 de Agosto - Filme Concerto Opinião Pública (Charlie Chaplin)