quinta-feira, novembro 23, 2006

Cinema em Évora

23 Novembro

PROFISSÃO: REPÓRTER
Professione: reporter
de MICHELANGELO ANTONIONI

Repórter da TV britânica, David Locke está no interior de África fazendo uma reportagem sobre a guerrilha local, quando Robertson, seu vizinho de quarto no hotel, morre de enfarte. Locke assume a sua identidade, aproveitando a semelhança física que tinha com o morto e troca as fotos dos passaportes. Descobre que o sujeito era um traficante de armas quando toma posse da sua agenda e passa a assumir os seus compromissos...
1975, 120 minutos, França / Itália / EUA / Espanha


23 - 25 Novembro

Encontro Europeu de Jovens para o Cinema - Jeunes pour le Cinéma
Seminários, Debates, Projecções
org. Cineclube Prototype Video Fédération Léo Lagrange
apoio: C.M.Évora Programa Juventude IPJ
24 Novembro - Prototype Vidèo apresenta...(filmes premiados no Festival de Cinema Prototype Vidéo 2005 - Paris)
25 de Novembro - Festival Número - Projecta apresenta...


29 Novembro

AS FILHAS DO BOTÂNICO
Les Filles du Botaniste
de SIJIE DAI
Na China dos anos 80, nem todos os tabus estão levantados. Min, uma jovem órfã, parte para fazer os seus estudos na casa de um botânico de renome. Homem recatado e um pai autoritário, este professor vive sobre uma ilha que ele transformou num jardim luxuriante. Animada por poder partilhar a sua vida solitária, An, a filha do botânico, acolhe Min com entusiasmo. Muito rapidamente ficam cúmplices, as duas jovens raparigas vêem a sua amizade evoluir em direcção a uma atracção desconcertante, sensual e interdita. Incapazes de se separar, Min e An imaginam cedo um perigoso arranjo para continuarem a partilhar o mesmo tecto..
2006, 105 minutos, França / Canadá

Local: AUDITÓRIO SOROR MARIANA (Évora)
Rua Diogo Cão, 8

Fonte: http://www.auditorio.blogspot.com/

terça-feira, novembro 21, 2006

Eis o hiper -realismo - Ron Mueck















Australiano, nascido em Melbourne em 1958, Ron Mueck cresceu vendo os seus pais construírem brinquedos e desenvolveu habilidade manual e criativa. Há algum tempo que queria "trazê-lo" aqui... mas... podem procurar a sua biografia na internet caso achem interessante. Apenas tenho isto a dizer dele:

A crua mortalidade vive no seu hiper-realismo. A vulgaridade nua não tem escape na sua obra porque o corpo é O corpo.

(Todas as obras são de Ron Mueck, naturalmente)

20 Anos de Património Mundial


NOVEMBRO

23
Escultura Romana do Museu de Évora - Exposição de Arqueologia (Convento dos Remédios) - 19h

"Évora Desaparecida" - Exposição Fotográfica e Documental (Convento dos Remédios) - 19h

23 e 24
Colóquio Internacional "Évora 20 anos de Património Mundial" (Auditório CCDRA) - 09h00

24
Escultor Espiga "50 Anos de Expos Individuais" (Galeria de Exposição da Fundação Alentejo Terra Mãe) - 16h30

25
Sessão Solene comemorativa dos 20 Anos de Classificação de Évora como Património Mundial (Paços do Concelho) - 11h00

25
"O Património Mundial de Origem Portuguesa" Exposição (Fundação Gulbenkian)

25 a 2 de DEZEMBRO
Exposição de Filatelia Nacional (Palácio Dom Manuel)

27
Recital de Música Vocal pelo Quinteto Kassiopeia (Convento dos Remédios) - 21h30

30
"Flores da Planície" - Livro de Poemas e de Flores de Paulo Barriga e João Vilhena (Galeria de Exposição da Fundação Alentejo Terra-Mãe) - 16h30

Ainda a designar:

"Évora" - Quatro fotógrafos e Um Escritor: Duarte Belo, Aníbal Lemos, José M. Rodrigues, David Infante/ José Luís Peixoto - Lançamento de Livro


DEZEMBRO

1 a 9
IV Encontro de Teatro Ibérico (Teatro Municipal Garcia de Resende)

2
Mesa Redonda "Património e Cidade" (Sala 131 da Universidade de Évora) 14h30

6
Conferência no âmbito da exposição Esculturas Naturalistas - Do final do século XIX à I Grande Guerra - Cultura, Património e Formas Artísticas (Museu de Évora/ Delegação Regional de Cultura do Alentejo)

7 a 30
"Património Mundial Português" Exposição Fotográfica e Documental (Museu de Évora/ Delegação Regional de Cultura do Alentejo)

15 a 22
Bonecos de Santo Aleixo - Marionetas (Teatro Municipal Garcia de Resende)

29
Banda Filarmónica Harmonia Reguenguense e Coro (Teatro Municipal Garcia de Resende) - 21h30

JANEIRO

"O Inventário do Património do Centro Histórico" - Exposição Fotográfica e Documental (Convento dos Remédios)

"Monumentos" - Lançamento de Revista dedicada a Évora (Salão Nobre da CME)

Organização
Câmara Municipal de Évora

Contactos
Departamento do Centro Histórico, Património e Cultura
Câmara Municipal de Évora / Praça do Sertório
7000-506 Évora

T - 266 777 000/ 266 777 033
F - 266 702 950
www.cm-evora.pt

domingo, novembro 19, 2006

NUNO CERA Fantasmas - CCB


24 de Novembro de 2006 a 25 de Fevereiro de 2007
das 10h00 às 19h00. Última entrada às 18h15 |
Galeria 2/ Piso 1 do Centro de Exposições

Ao usar filme, fotografia e desenho crio o meu próprio campo de visão. Emoções e paisagens, a experiência do tempo e os lugares, a beleza, o sangue e as cidades são os locais onde estou e para os quais me estou sempre a dirigir. Nuno Cera

A exposição Fantasmas reúne, pela primeira vez no mesmo espaço, uma selecção de filmes, vídeos, fotografias e desenhos de Nuno Cera, entre os quais figuram cinco trabalhos inéditos.
A base do trabalho de Nuno Cera é a fotografia, de onde parte para uma constante procura de experiências visuais e temporais – emoções e paisagens, luz e sombra, velocidade e contemplação, pessoas, locais.

A exposição é assumida como um percurso, no qual novos e antigos trabalhos se reúnem para construir uma experiência única. O retrato de uma cidade (Berlin); experiências Com tempo e repetição [Iris (with tropicamina)]; a relação da luz com a lente da câmara e com uma floresta (Pure Light); movimentos simples e abstractos [Untitled (snow)]; uma viagem nostálgica a uma paisagem apocalíptica e negra (Dark Forces); um quasi-documentário arquitectónico sobre um edifício nazi, a memória e o espaço (The Prora Complex); um vídeo de um fantasma que se transforma em zombie, numa visão de terror, solidão e abandono (The Lost Soul), entre outros, são os trabalhos apresentados nesta exposição do artista num museu....

MAIS INFORMAÇÕES AQUI

A Improbabilidade da certeza - CCB


Dois corpos, sob a condição de duplos, arrastam-nos para uma ideia de semelhança. Desenha-se uma comunidade de gestos abortados, que revela outros; aqueles que se dão a ver quando nos situamos no lugar da fronteira entre dois corpos. As suas acções, não podem ser repetidas. Como que desprovidas das suas transições e expostas de forma não consequente, descarrilam em várias direcções.

Marlene Freitas (1979) nasceu em Cabo Verde. Depois de obter a licenciatura da Escola Superior de Dança em Lisboa, entre 2002 e 2004 frequentou a escola P.A.R.T.S., em Bruxelas. Trabalhou com os coreógrafos António Tavares, Jean-Paul Buchieri, Francisco Camacho, Conceição Nunes, Ludger Lamers e Tânia Carvalho. Actualmente trabalha com Loic Touzé. Em 2005 apresentou Notes of a Kaspar na Box Nova. O ano passado no âmbito do curso de coreografia da Fundação Calouste Gulbenkian, apresentou Primeira Impressão.

2 de Dezembro de 2006
19h00 | Sala de Ensaio

Mais Informações na página do CCB.

CICLO SCHOSTAKOVICH


Ciclo Schostakovich - 24 de Setembro a 30 de Novembro de 2006

Tendo sido visto durante muito tempo como o compositor por excelência do regime soviético, Dmitri Dmitrievich Schostakovich tornou-se, nas últimas décadas, uma figura cada vez mais enigmática, ao mesmo tempo que se firmava a sua aceitação como um dos maiores compositores do século XX. De facto, Schostakovich terá sido, de todos os artistas activos na Rússia durante o regime soviético, um dos que mais intensamente sofreu na sua obra a pressão da ideologia segregada pelo poder ditatorial que reinou no Kremlin a partir de 1917.

MAIS INFORMAÇÕES AQUI

sábado, novembro 18, 2006

Brevemente em Évora

António Lobo Antunes

sexta-feira, novembro 17, 2006

Teatro


Teatro três sete 3 apresenta

Era Uma Vez um Dragão

de António Manuel Couto Viana

«Três amigos, que em tempos já muito antigos, saíram da sua terra em busca de aventura»: Catrapaz, Catrapiz e Catrapuz.

Catrapiz tenta assustar os amigos dizendo ter visto um dragão terrível na noite anterior.

Catrapaz, apesar de amedrontado, diz logo que faz o monstro em mil pedaços.

Catrapuz decide dar-lhes uma lição, batendo-os na arte do engano. Mascarando-se, desmascara as mentiras de um e a fanfarronice do outro. Tudo acaba bem, saindo a amizade dos três reforçada.

Dramaturgia e Encenacão: José Henrique Neto

De 18 de Novembro a 17 de Dezembro

Sábados 16h30 || Domingos 11h30

Espaço TapaFuros

(C.C. Belavista – Mem Martins)

espectáculo para a infância e juventude

Info: 968 291 886 || 919 053 476

Actores: João Vicente, José Redondo, Luís Lobão

Cenário: Carlos Ramos

Dragão: Nuno Theias

Apoios: Mundo da Lua, Teatro TapaFuros

terça-feira, novembro 14, 2006

não sei se alguma vez viste
crescer a morte sobre um corpo

é como uma infância
de que se desconhecem os modos
ou o lento estalar de um vidro

são como imagens as imagens
partidas esse abandono de partir
o que em água viram os olhos

por esse lençol subido de silêncio
sobe nu de tempo um homem
com mãos devagar de luz
a morte cresce com ele
é o seu corpo que poderá ser
a palavra

Pedro Sena-Lino

Descobre mais em Os Meus Livros, nº 45 ou AQUI

Com Todas as Letras

(clicar em cima para aumentar)

6 e 20 de Novembro e 4 de Dezembro

Auditório Maestro Frederico de Freitas

Avenida Duque de Loulé, nº 31 Lisboa
18h30
Telef. 213 594 478

sexta-feira, novembro 03, 2006

ANATHEMA

de José Luís Peixoto. Um espectáculo tg STAN.

5, 6, 7 e 8 de novembro de 2006
21h30 · Palco do Grande Auditório da Culturgest· Duração 1h15 · 12 Euros (Jovens até aos 30 anos: 5 Euros. Preço único)


Em 2000, José Luís Peixoto publicou o seu primeiro romance, Nenhum Olhar. No ano seguinte ganhou o prémio José Saramago. Depois a obra foi traduzida em várias línguas. É hoje considerado um dos mais importantes jovens autores europeus.

Os STAN convidaram Peixoto a escrever ANATHEMA, o seu primeiro texto dramático, para Jolente De Keersmaeker e Tiago Rodrigues, que tem colaborado frequentemente com a companhia.

Desta vez, não foi às narrativas da infância que o autor foi buscar a sua matéria. O nó da peça é a questão do terrorismo, do medo e da violência abordada de certa forma do lado de dentro. Até onde se pode ir em defesa de um ideal? Que meios podem ser postos ao serviço de uma causa? Como responder à violência que é exercida sobre nós? São perguntas como estas que motivam os criadores deste espectáculo. Os STAN consideram ainda que não se devem contentar em montar textos do repertório, e que é essencial associarem-se, como é aqui o caso, a processos de escrita com autores contemporâneos.

tg STAN foi fundada por Jolente De Keersmaeker, Damiaan De Schrijver, Waas Gramser e Frank Vercruyssen. “tg” quer dizer “toneelspelersgezelschap” (companhia de actores) e “STAN” “Stop Thinking About Names”. Com mais de dez anos de existência, a companhia tem como princípio fundamental a responsabilidade do actor num contexto de criação colectiva. Em Portugal, desde 1997, já foram apresentados os espectáculos The Last Ones, Yesterday We Will, JDX, Point Blank, Les Antigones, Tout est calme, Questionism e Berenice (este último integrado na programação da Culturgest de 2005).

Ficha Técnica
Texto José Luis Peixoto
Um espectáculo de Jolente De Keersmaeker, Tiago Rodrigues e Thomas Walgrave
Com Jolente De Keersmaeker e Tiago Rodrigues
Luz e Imagem Thomas Walgrave
Figurinos An D’Huys
Cenário Jolente De Keersmaeker, Tiago Rodrigues e Thomas Walgrave
Tradução Carlos Batista
Assistente para a versão francesa Laurence d’Hondt
Agradecimentos Martine Bom e Sien Van den Hoof
Produção tg STAN
Uma co-produção Théâtre de la Bastille, Festival de Outono em Paris, Culturgest
Agradecimento especial a Martine Bom e Sien Van den Hoof

quarta-feira, outubro 25, 2006

Colóquio

A Morte e a Origem

A Secção de Filosofia da Universidade de Évora, o Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa e o Projecto de Investigação "Heidegger em Português" (Poci/Fil/60600/2004) organizam, nos próximos dias 16 e 17 de Novembro, no Auditório do Fórum Eugénio de Almeida, um colóquio intitulado “A Morte e a Origem”.

O evento destina-se a homenagear Heidegger e Freud e integra-se na celebração do Dia da Mundial Filosofia, instituído pela UNESCO, cuja Comissão Nacional se une à Fundação para a Ciência e a Tecnologia e à Fundação Calouste Gulbenkian no patrocínio do colóquio.


Para consultar o programa e conteúdos das diferentes participações, bem como para descarregar o folheto informativo, ou para obter quaisquer outras informações mais detalhadas, deve consultar-se a seguinte página: http://www.filosofia.uevora.pt/morte-origem.htm

Na próxima semana, na Livraria Livrododia:
- Daniel Sampaio, dia 30 de Outubro de 2006, pelas 21h30, no Auditório da ACIRO, apresenta o seu livro Lavrar o Mar.
- João Carvalho Ghira lança o livro Entre o Mar e Montejunto - As Quintas e os Vinhos, da Livrododia Editores. O lançamento ocorrerá nos Paços do Concelho de Torres Vedras, no dia 1 de Novembro de 2006, pelas 18h30. Durante o lançamento haverá lugar a provas de vinhos da Região.
Para comprar estes livros sem sair de casa, visite o site www.livrododia.com.pt

domingo, outubro 22, 2006


A Fundação Cultursintra apresenta

Ronda das Fadas

texto de Luísa Barreto

encenação de Rui Mário

música Pedro Hilário

pelo Teatro TapaFuros

Um teatro mágico, um teatro que ofereça a todos os que dele usufruam um novo olhar, um ritual ancestral revificado, colorido e inesquecível, eis o que queremos oferecer ao público (pequeno e graúdo) que se junte a esta Ronda das Fadas… E que melhor lugar para que tal aconteça que um bosque? Verde e sombra, fresco e cheiro, árvores que contam segredos muito antigos!

São os bosques da Regaleira, amavelmente criados e cuidados, são eles que vão desvelar seres de espantar… Gnomos e Fadas, Ondinas e Duendes, todos nos vão incríveis estórias contar!

Oficina das Artes

Quinta da Regaleira

De 11 de Novembro a 17 Dezembro

Sábados 16h | Domingos 11h30

* espectáculo disponível para escolas mediante marcação *

A magia da escrita de Luísa Barreto, que se constrói em estórias em verso, não poderia encontrar melhor cenário… tudo rima afinal: ao ouvido da criança uma Fada sussurra… dança! Nos dedos brincalhões escreve o Duende as suas canções!

E assim nasce um espectáculo dedicado a pequenos (mas também para os maiorzitos!...) pleno de magia, em suave aventura, onde canções e danças brincam misteriosamente com a luz e as brumas da floresta!

Telefones de Contacto: 912 178 878 | 918 743 494 | 21 921 21 17

Texto: Luísa Barreto; Encenação: Rui Mário; Música Original: Pedro Hilário; Interpretação: Ana Penitência, Rute Lizardo, Samuel Saraiva; Figurinos/Cenografia: Flávio Tomé; Design: Pedro Marques; Promoção: Marco Martin; Secretariado: Cláudia Gomes;

Produção: Teatro TapaFuros

Organização: Fundação Cultursintra, Teatro TapaFuros

Apoios: Câmara Municipal de Sintra |

Para mais informações contactar: Duarte Barrilaro Ruas

barrilaro@hotmail.com

terça-feira, outubro 17, 2006


21 outubro 2006, às 21h30m
Café Princesa
Rua Silva Tapada, 124
Porto

Borbotom –Teatro: o descontinuum, a alma, a lama

Decididamente, o teatro poético recupera a nossa debilidade ou o deficit antropológico. Por vezes, chega mesmo ao ponto de reservar surpresas inquietantes a quem já não as esperava. É o que se verifica, por exemplo, com o livro das Edições Incomunidade Borbotom de Alberto Augusto Miranda, onde nos familiarizamos com o extravagante, o singular, o exorbitante e tudo quanto se dissimula para além ou no seio da palavra irredutível: o apogeu do delírio e da paródia. Basta mencionar, em primeiro plano, as dezenas de personagens compulsivas, imprudentes, incontinentes, mesmo quando nem dão por isso, que se reportam à sua experiência singular, isolada e irreprodutível (alheios às regras do “correcto” ou da comunicação linguística comum e ordinária). Não devemos, porém, perder de vista esta “comunidade de mentes” e os seus “discursos” (a ordem do discurso) no entrelaçamento do que o filósofo Donald Davidson chama de esquema de triangulação: falante-intérprete-mundo. Pode-se perguntar se todos estes personagens falantes - emersos nas suas crenças, hipóteses e teorias que têm sobre o mundo - geralmente querem dizer o que eles dizem, pois, como se torna óbvio, a linguagem é necessariamente um assunto social. Quer dizer: nas suas asserções declarativas o personagem que fala jamais é capaz de dizer o que quis dizer. Podemos dizer, talvez, que as falas são intercambiáveis. E daqui se seguem muitas outras consequências importantes.
Há uma questão filosófica muito geral em Borbotom que pergunta, com base na carência ou deficiência de auto-controle dos seres humanos, se eles podem alguma vez ter boas razões para perfilharem intenções e juízos incondicionais sólidos? Será possível a coerência que gera correspondência, ou melhor, a interconexão racional (a implicatura conversacional) de que precisamos?

Parque humano

Não há já nada que possamos esperar do “parque humano” (como assinalou o filósofo alemão Peter Sloterdijk). Assim, pois, já por natureza o teatro reflecte ou tentar expressar o homem como ser de linguagem: o grotesco e o sublime. Que significa colocar em cena vozes – e incorporar o diálogo – que não é apenas confronto do eu-tú, mas também aquele interno “de mim para mim mesmo” - e o dialogismo? De personagens únicos e avassaladores em confronto - nos seus códigos entremeados – e que, por assim dizer, oscilam entre o dito, o entre-dito e inter-dito? Seres insólitos, neuróticos, divididos entre o corpo e o pensamento, entregues à palava viva, aos fantasmas, o luto por detrás da negação do luto?

A palavra transviada

Borbotom de Alberto Augusto Miranda acaba por se apresentar como a “experiência radical da linguagem”, para usar uma expressão de Raymond Roussel, independentemente dos sujeitos que ali falam: dezenas de personagens, homens e mulheres, celebrando a palavra transviada e as suas obsessões. Estas vozes-falas - algo tumultosas e despudoradas - são uma contínua fonte de inspiração. É verdade que, no centro destas vozes-falas, ou ambas as coisas, podemos ouvir o eco do pós-modernismo que fracturou a coerência dos discursos (tudo o que alude a uma significação permanente e inequívoca). Podemos falar de um teatro que carrega as marcas da “desconstrução”? Indesvendável? Um teatro de vozes e da verbalização? Na polifonia dos seus registros? Do mais concreto ao mais abstracto, do mais emocional ao mais intelectual? Um teatro da alma e da lama? Do distúrbio humano em que a morte perde significância? O suicídio?

A palavra inconciliável

Neste texto compulsivo/incisivo – situado na órbita do colapso pós-moderno das maneiras convencionais da dramaturgia - assiste-se à fragmentação da coesão e da continuidade tão queridas pela “arte elevada”.
Não há dúvida de que este teatro de projecções - que emerge dos interstícios da palavra condensando numa pequena “moldura” várias narrativas – tenta dizer tudo: o impossível. A bem dizer o que aqui prevalece é um sub-texto.
Assim, o que na complexidade, mostra o mundo dos egos separados, independentes e concorrentes, e o mundo da humanidade partilhada. Borbotom exibe a face visível da palavra dirigida, incontrolável, profanadora, des-sacralizadora, transfigurada, expressando no limite do possível, ou no extremo limite, uma experiência trágica do mundo e do homem: o descontinuum.
Aqui se esconjura a compulsão-obsessiva comunicada através da fala: dos estados mentais. Sabemos que tudo acontece na mente: ela tem o poder de moldar a realidade. Mas a mente pode ser o nosso pior inimigo.

A polifonia e a voz

Este texto teatral “rizomático” de Alberto Augusto Miranda – uma espécie de melting pot de coloquialismos, discursos minimalistas e sub-estilos filosóficos - permanece profanamente ambivalente e ambíguo até na sua forma abrupta de vozes-aparições – ignorando a consistência e evitando a centralidade em personagens (quase invisíveis) de conivência com os temas limite. Narrativas estilhaçadas vivenciando a intensidade da perda – não procurando reconstituir o que já foi, mas sim rejubilar-se em meios aos escombros dos sonhos. Mais precisamente ainda: os (pseudo) personagens de Borbotom afixam-se supostamente em cenas/situações –numa sequência em perpétua inter-acção - com suas vestimentas transitórias e descartáveis - celebrando, em última instância, a palavra inconciliável – et pour cause – a metáfora da metáfora. Hoje sabemos que a realidade pode não ser tão “real” quanto pensamos, já que construímos boa parte dela.

(In)comunicação

Nesta peça – onde os entre-ditos dos personagens são também (in)comunicação – manifesta-se o amplo espectro das possibilidades discursivas - e em que a palavra transgride os limites da razão. Estamos perante linguagens de des-integração. Vivemos todos sob a ameaça da repressão, da inadequação, da repetição, do mero cumprimento de ser. Confrontados com o devir e o inacabamento em todos nós perpassa a impossibilidade mesma do absolutismo de uma linguagem única e da chamada vida normal. A dificuldade consiste propriamente no tom (no sub-tom melancólico). O que passa pelo tom das diferentes vozes de homens e mulheres que se instalam nesse lugar onde faltam as palavras, e essa falta é também o que as atrai? Em verdade, algo permanece errado/obscuro em nós. Assim é, com efeito, a nossa situação: vivemos num estado de crise e a palavra pronunciada acaba por ser sempre unilateral. Apesar de tudo, subsiste indubitavelmente a questão das “verdades terminais”. Ora é precisamente isto que pode parecer estranho: estamos confrontadas com o deserto do real. Não vemos o mundo como ele é, mas sim como os nossos sentidos o captam: na mente.
Se pensarmos em tudo isto, reconheceremos imediatamente que em Borbotom de Alberto Augusto Miranda – mesclando falas/vozes numa espécie de teatro polifónico - prevalece, por conseguinte, o fenómeno da carnavalização da linguagem: a loucura como linguagem ou a linguagem como espaço próprio da loucura.

Des-encaixado

Acrescentemos que, em todo o caso, Borbotom poderá aparecer como um teatro de densidade, do insolúvel, do a-teológico, da soltura e da viscosa solenidade verbal. Mas a sucessão de episódios, falas e vozes dissonantes até ao final revela-nos a configuração de um teatro des-encaixado.
Compreendem-se, por este facto, as falas anómalas, fantasmagóricas, intermináveis, além da dicção e das cadências do discurso ordinário. Dir-se-á talvez, sem dúvida até, que se assume como registro ou testemunho da perda, do inexprimível e da auto-mutilação. Mas, por agora, o essencial é assinalar as falas de enfermidade, de anamorfoses, em claro-escuro, em fragmentarismo, de dissolução, em dupla-face. Seja as falas díspares que se exteriorizam e se interiorizam, do desespero mais geral e mais edificante.

“Theatrum Mundi”

Aqui se apresentam, porém, discursos em contraposição que expressam a um só tempo diferentes versões do mundo (“modos de fazer mundos”). É pois por ser teatro “quântico” – “vários mundos” e “vários níveis de realidade” - , e por este teatro apontar para o questionamento constante da “verdade” dos nossos pensamentos e de nós mesmos, em suma: é por ele ser também um teatro-écran repleto de personagens e discursos na direcção de uma linguagem louca, absolutamente determinante, que falamos do “Theatrum Mundi”. Ou melhor: a vida como teatro, “sinthoma”. “O mundo inteiro, dizia Shakespeare, é um palco”. Há, em verdade, desde o início, vozes e alucinações nesta peça: tremores do apocalipse e fatalidade. A marca característica deste teatro está no centro de um dispositivo constituído por sujeitos falantes e vozes ruidosas, caóticas e exasperadas que se lançam à dissolução do “sentido”.
Aqui se valoriza a palavra como um modo de representação do mundo e como mundo da representação. Será possível, no entanto, alargar o âmbito dos três modos do acto linguístico: o afirmativo, imperativo e o interrogativo? Em Borbotom re-invertem-se as “regras do jogo” dando voz e vez aos integrantes (personagens) que raramente parecem estar sintonizados. Posto isto, poderíamos, por último, falar de um teatro como traços de um “esboço” trágico e saturnino da vida (onde importa, apenas, ter sempre presente a palavra ou a morte, o retorno do recalcado).


Alexandre Teixeira Mendes

quinta-feira, outubro 12, 2006

FILO-CAFÉ EM ROIS
Este ano, o filo-café na Galiza realizar-se-á em Rois (muito perto de Padrón, terra de Rosalia) no café Palmeras (frente à Casa do Concelho) no dia

18 de novembro 2006, 21h
Para a efectivação da inscrição - através de incomunidade@yahoo.com.ar - enviar nome, lugar de proveniência e área de intervenção e contacto telefónico.

O Tema deste ano é:
Presenças, essências, ausências.
As inscrições - gratuitas - abrangem a área do pensamento, audiovisual, poesía, performance, teatro, música, arte correio.
Este Filo-Café é organizado pela Incomunidade e pela Corporacion Semiotica Galega.
Qualquer dúvida: (00351) 965817337


alberto augusto miranda
http://incomunidade.blogspot.com
Tm: (00351) 965817337

Orhan Pamuk - Nobel da Literatura 2006

O turco Orhan Pamuk, com 54 anos, foi distinguido com o Prémio Nobel da Literatura 2006.

"Na procura da alma melancólica da sua cidade natal, descobriu novos símbolos para o choque e o cruzamento de culturas", explica a Real Academia Sueca de Ciências.

"Istanbul", o livro mais recente de Pamuk, é uma "obra poética difícil de classificar, que combina as memórias do autor até aos 22 anos, e um ensaio sobre a cidade de Istanbul", explica a biografia do escritor, no seu "site" oficial.

Pamuk tem dois romances publicados em Portugal, ambos pela Editorial Presença: "A Cidadela Branca" e "Os Jardins da Memória".

O Nobel da Literatura, instituído em 1901, foi entregue no ano passado a Harold Pinter.

Os prémios Nobel deste ano, que correspondem a 1,1 milhões de euros, serão entregues a 10 de Dezembro, em Estocolmo. Falta conhecer o Nobel da Paz.


Fonte: Jornalismo Porto Net

quarta-feira, outubro 11, 2006

Festa do Cinema Francês com 32 ante-estreias

Lisboa, Porto, Coimbra, Faro, Évora, Almada e Funchal recebem, entre 4 de Outubro e 21 de Novembro, a 7ª Festa do Cinema Francês, que inclui 32 ante-estreias nacionais de filmes recentes de produção francesa, entre os quais o thriller Tzameti, de Gela Babluani, que recebeu o Grande Prémio do Júri no Festival Independente de Sundance (2006); Flandres, de Bruno Dumont, que recebeu o Grande Prémio do Júri no Festival de Cannes (2006), ou La Petite Jerusalém, de Karin Albou, cujo argumento foi premiado na Semana da Crítica do Festival de Cannes. Há também uma homenagem ao canal de televisão 2:, pelo seu papel como canal cultural e difusor de cinema, uma selecção de filmes paralela, A História dos Cahiers du Cinéma em 20 filmes (26 de Outubro a 21 de Novembro, na Cinemateca Portuguesa e no Instituto Franco-Português) e uma programação especial na RTP e na 2:. A comédia de Danièle Thompson, Fauteuils d"orchestre, abre a Festa, organizada pelo Franco-Português.

Fonte: Público

terça-feira, outubro 10, 2006

Ilustração em exposição na Biblioteca Municipal de Évora

11 de Outubro a 12 de Novembro 2006


Abre amanhã a última etapa desta exposição que o Festival Escrita na Paisagem apresentou, entre Julho e Setembro, em várias localidades do Alentejo.
Uma exposição que é também um desafio. Junto aos trabalhos, encontram os visitantes dois puffs e duas mesas com os livros onde aquelas imagens tiveram já publicação. O desafio situa-se entre a identificação das imagens nos livros e o convite à leitura. É que, se os livros exibem, em cada caso, uma das imagens expostas, eles acrescentam-lhe a série de imagens a que pertencem aquelas, ampliando de forma aliciante as possibilidades de sentidos e de histórias. Afinal de contas, estamos numa Biblioteca. Apareça!


Mais informações em www.escritanapaisagem.net
Telem. 933 175 392
info@escritanapaisagem.net