terça-feira, dezembro 05, 2006

Projecto Memória em Évora


O projecto Memória integra-se no CICE – Centro de Interpretação do Concelho de Évora, constituindo também um contributo da CME para o projecto EDD - Évora Distrito Digital.

Através deste projecto pretende-se atingir o seguinte objectivo:
digitalização de um banco de imagens de Évora, pertencentes ao acervo do Arquivo Fotográfico Municipal, tendo em vista a sua disponibilização pública, em baixa resolução, via internet.
As imagens disponibilizadas cobrem um leque variado de temas - urbanismo, arte e património, etnografia, desporto, equipamentos e actividades económicas e retratos -, datando as mais antigas a meados do séc. XIX. Por outro lado, este conjunto contempla imagens de vários fotógrafos profissionais e amadores de Évora, ou aqui residentes, nomeadamente Maria Eugénia Reya Campos, Pereira & Prostes, José Pedro Braga Passaporte, Inácio Caldeira, José António Barbosa, José Monteiro Serra, António Passaporte, Gama Freixo, Eduardo Nogueira, David Freitas, entre outros.
Tal objectivo pressupôs a limpeza, tratamento e restauro prévio das espécies originais e a criação de uma base de dados, que permitisse efectuar a pesquisa livre e cruzada de diversos campos: autor, categoria, data e legenda.
Neste momento estão já disponíveis 700 imagens, estimando-se que, até final do projecto Évora Distrito Digital, esteja introduzido um total de 2000 espécies que, em finais de 2007, poderão ser adquiridas via internet (Loja Municipal).

Site: http://www.evora.net/cice/Memoria/

Escultor Espiga "50 anos de Expos Individuais- 1955-2005"

Fundação Alentejo Terra-Mãe
Rua dos Penedos, nº 13 - B

Apresentação da obra do consagrado Mestre alentejano, Escultor e Pintor, que assinala 50 anos de exposições individuais do autor e em que uma percentagem das vendas reverte a favor de crianças em risco.

Info: 266 746 754
Site: www.alentejo-terramae.pt
Apoio: Câmara Municipal de Évora

António Ramos Rosa vence Grande Prémio de Poesia

O poeta António Ramos Rosa venceu a edição 2006 do Grande Prémio de Poesia APE/CTT com o livro "Génese". A distinção foi atribuída à nova recolha poética de Ramos Rosa por unanimidade, por um júri composto por Ana Gabriela Macedo, Ana Paula Arnaut e Manuel Gusmão. O prémio, no valor de 5 mil euros foi instituído pela Associação Portuguesa de Escritores e patrocinado pelos CTT. Com este mesmo livro Rosa foi recentemente distinguido com o Prémio Poesia Luís Miguel Nava 2006. Com 82 anos ele continua a provar ser um dos maiores poetas portugueses contemporâneos.

segunda-feira, dezembro 04, 2006

Convite - A Psicanálise no Sul

No passado Domingo, dia 2 de Dezembro, foi inaugurada em Madrid a revista electrónica "Psicoanalisis en el Sur".

A revista acaba por ser fruto de todo um trabalho de grupo que se vem realizando à mais de um ano, entre psicanalistas e psicólogos lacanianos, como é o caso da dra. Maria Belo, o dr. Jorge Gravanita, o dr. Fabian Appel, a dra. Blanca Aragón Muñoz, a dra. Ana Madarro Racki, o dr. José Luis Mellado Santamaría, eu e outros colegas, um trabalho que incide principalmente no questionamento e reflexão sobre a urdidura entre a psicanálise e a actual sociedade. É, quanto a mim, um trabalho de re-invenção da psicanálise, um a um, na linguagem pela qual nos situamos no Sul.















Como colaborador da revista convido-vos a passearem pelas suas páginas, que contém artigos em Castelhano e em Português (a edição bilingue estará para breve), contando com o meu artigo - "A Subversão Capitalista do Simbólico. Um ensaio psicanalítico sobre o ruído."


http://www.psicoanalisisenelsur.org/

Espero que gostem.

Igor

domingo, dezembro 03, 2006

Fico assim sem você...



Porque o amor é piegas e faz do homem uma criança.

A espreitar na Gulbenkian

FESTA DOS LIVROS GULBENKIAN 2006
Outros Eventos
De 28/11/2006 a 22/12/2006
Domingo a quinta-feira: 12.00h às 22.00h ¦ Sexta-feira, sábado e feriados: 12.00h às 24.00h
Piso 02 da Sede Da Fundação


A realização da Festa dos Livros Gulbenkian 2006, surge enquadrada na estratégia de promoção e divulgação das publicações editadas pela Fundação e dá continuidade ao projecto Feira iniciado em Abril de 2005. Este ano a época escolhida, o Natal, servirá de incentivo adicional às compras pois além das aquisições para consumo próprio poderemos dar lugar às aquisições para a família e amigos.

Este evento tem como objectivo potenciar a divulgação das edições editadas pela Fundação e promover a aproximação a diferentes tipos de públicos, uma vez que a ampla e diversificada actividade editorial prosseguida pelos vários Serviços permite atingir públicos restritos bem como públicos mais vastos.

A Feira tem também como objectivo reunir todos os Serviços à volta de um só evento, fazendo dele um acontecimento transversal e que espelha a multiplicidade de assuntos e temas que a Fundação aborda, promove e apoia. As publicações são um instrumento de comunicação por excelência e por isso, um veículo de angariação de novos públicos e de fidelização dos já existentes.

Associada à venda de publicações e enquadrada na época de Natal gostaríamos ainda de promover a venda de objectos que divulguem as colecções da Fundação, nomeadamente as linhas de produtos: Institucional, Museu, CAMJAP e Jardim.

A realização deste evento durante o ano do cinquentenário da Fundação fará ainda um elogio às edições editadas ao longo de todos estes anos de actividade, contribuindo deste modo para as comemorações.

A Saída da Casa dos Papás

Tudo isto por causa do estudo que saiu no mercado esta semana. Quis manifestar-me ainda que não saiba escrever nada de jeito.

Adolescência é realmente um tempo tumultuado na vida de qualquer um. Fora as mudanças que acontecem no nosso corpinho, são muitas as mudanças que acontecem nas nossas vidas. Muitos entram na Universidade e dão o primeiro passinho: sair de casa para outra cidade, correr os riscos, saltar nas alturas com a rede da segurança do papá por debaixo do corpinho mas a vida avança. Depois do curso, depois das loucuras!!!!!!!!!!!!! muitos voltam para casa dos pais. Ou por falta de dinheiro, logo, emprego, por necessidade ou mesmo por segurança. É MAIS SEGURO E MAIS CÓMODO. Mas muitos de vocês que estão a ler estas minhas linhas sabem como é complicado voltar para casa depois de tudo o que se vive sozinho numa outra cidade. Somos diferentes e custa. MUITO.

Deixar de novo a casa dos pais é uma ou a MAIS importante decisão das nossas vidas e pode ocorrer por vários motivos: por vontade própria, por necessidade, por amor louco e desvairado, por orgulho... seja qual for a motivação, sei que é preciso ter a certeza sobre o que isso representa e tudo o que está em jogo. E o dinheiro, nestes casos, costuma ser fundamental. Acaba-se a segurança da rede. Acabam-se as pancadinhas nas costas e os beijos de "meu anjo" da mamã. É viver a vida com TODAS as suas dificuldades. É saltar com ambos os pés para um mundo que está ali para ver o que sabemos fazer do nosso futuro. Saltamos para a jaula do tigre que se chama mundo e esquecemos a protecção dos pais. Há os valentes e os loucos. Os cobardes e os resignados. Valentes quando o fazem mas com algumas garantias de sucesso. Loucos quando saem de casa sem pensar nas consequências. Cobardes quando nem sequer pensam nessa hipótese pois é mais cómodo viver debaixo das asas dos papás. Resignados os que queriam sair e não têm ou não querem fazê-lo.

Mas é para aqueles que por maiores dificuldades que a vida lhes provoque se recusam a voltar ao ninho e serem cobertos pelas peninhas da segurança que falo. A esses é preciso "tirar" o chapéu e admirar. Sei do que falo por conhecer uns quantos que escolheram muito cedo a vida fora de casa. Principalmente aqueles que o fazem sozinhos e escolhem fazê-lo ainda da forma mais difícil: comprar casa em vez de alugar. É a compra da liberdade a amarras de amor por um grande objecto. Compreendo e admiro quem o faz mas considero-os, ás vezes, uns loucos desvairados. Eu continuo no sai e entra, entra e sai porque ainda não terminei o curso e faço-o de propósito. Mas um dia terei de sair.

Mas responsabilidade e independência não são qualidades que surgem no momento em que se coloca o pé fora da casa dos pais. Essas e todas as outras facetas da nossa personalidade são moldadas por nós mesmos a cada momento. Portanto, muita atenção nesta hora! Mesmo que tenhamos a ajuda dos nossos pais (financeira ou de qualquer outro tipo) - e parece-me que seria em poucos casos -, teremos que levar a nossa vida sozinhos, fazendo as nossas escolhas, tomando as nossas decisões e definindo o nosso grupo de amigos e actividades. É deixarmos de ser lagartas para sermos borboletas mesmo que nos partam as patas e as antenas... tentaremos sempre voar. E é nestas alturas que crescemos.

Admiro todos vocês que se aventuram no mundo estranho e verdadeiro que temos e sofrem cedo a corda da forca da chamada "liberdade" financeira, sem emprego ou com empregos precários, sem estabilidade emocional, familiar e até económica. É preciso ter coragem e força para passar sozinho pela tábua de pregos dos primeiros anos após a compra dessa "pseudo-liberdade" mas que parece saber-vos tão bem. Ter o vosso cantinho ainda que "forrado a sangue e lágrimas" (desculpa S... pelo roubo de expressão) é ter um pouco de felicidade. Pois eu acrescento que isso sim é crescer à pressão, dizer sim à responsabilidade à força, ter muito e pouco, sorrir e chorar, e saber o que é a independência que dói.

Associação de Juventude de Idanha-a-Nova
Eventos Culturais

Storm



Para a S. porque tenho saudades da tempestade ;-)

... :-D



'Cause you give me something
That makes me scared, alright,
This could be nothing
But I'm willing to give it a try,
Please give me something
'Cause someday I might know my heart.

sábado, dezembro 02, 2006

Exposição oficial "Star Wars"


A aeronave Naboo N-1 e os fatos originais do vilão Darth Vader e do mestre Jedi Yoda, duas das personagens centrais da saga cinematográfica "Star Wars – Guerra das Estrelas", são algumas das atracções de uma exposição itinerante que Lisboa recebeu.

Promovida pela produtora de espectáculos Uau, a exposição "Star Wars" permanecerá até ao dia 14 de Janeiro no Museu da Electricidade, em Belém, ocupando uma área de dois mil metros quadrados, onde se recriam alguns dos cenários nos quais se passa a acção dos filmes.

Aí, exibem-se centenas de objectos originais que integram o universo da ficção científica imaginado pelo realizador norte-americano George Lucas, entre os quais a nave Naboo N-1, com dez metros de comprimento, e os fatos de personagens como o felpudo Chewbacca e a rainha Padmé Amidala.

No Museu da Electricidade, será possível assistir a documentários exclusivos sobre a aventura, além de poder ver todos os episódios da "Guerra das Estrelas", desde o primeiro filme, "Uma nova esperança", de 1977, até "A Vingança dos Sith", de 2005.

Promovida pela produtora de espectáculos Uau, a exposição "Star Wars" permanecerá até ao dia 14 de Janeiro no Museu da Electricidade, em Belém, ocupando uma área de dois mil metros quadrados, onde se recriam alguns dos cenários nos quais se passa a acção dos filmes.

Aí, exibem-se centenas de objectos originais que integram o universo da ficção científica imaginado pelo realizador norte-americano George Lucas, entre os quais a nave Naboo N-1, com dez metros de comprimento, e os fatos de personagens como o felpudo Chewbacca e a rainha Padmé Amidala.

No Museu da Electricidade, será possível assistir a documentários exclusivos sobre a aventura, além de poder ver todos os episódios da "Guerra das Estrelas", desde o primeiro filme, "Uma nova esperança", de 1977, até "A Vingança dos Sith", de 2005.

Vale a pena, garanto-vos!


Abraço

Uma vez mais contrario
A sanidade do dia
Algo que consagrar devia

A cabeça grita-me ao ouvido dos olhos
Pede-me que cesse
Que providencie a certeza de mais uma hora
…eu sorrio, como de costume
Não caçoo nem desrespeito gratuitamente
Apenas sorrio a injustiça de uma lógica imposta
Alguém devia sussurrar-me
- Tem juízo rapaz
Na tentativa de alterar qualquer sentido próprio
Num tom encantado, que me pudesse realmente convencer
Talvez… a promessa de um porto de abrigo
Me fizesse apetecer
Mas…
Desde quando é que ainda faz sentido
Esperar algo melhor ou… neste caso, maior?
Ainda ninguém terá reparado
Que me abraço sempre que escrevo
E que escrevo porque a cantar ninguém me alcançaria
Ah… se soubessem
Que me despeço sempre que me abraço
Se sentissem…
As asas que tenho
No homem que já fui

Pouco, é certo
Nada, é quase garantido
E eu pareço destemido
Sou assim…
Este arcano que se avulta
E o meu mundo tem um fim

sexta-feira, dezembro 01, 2006

Pintura - Rogério Ribeiro

"Repouso de Ícaro"


"Dor"
"Para ele [Rogério Ribeiro], pintar ou desenhar é como penetrar na mais espessa das trevas sabendo de antemão que ela se irá cerrar atrás de si. O seu pintar e o seu desenhar negam-se a pactuar com as persuasões mais ou menos retóricas de quem domina soberanamente as técnicas, antes são projecções ontológicas do seu espaço mental e sensível. Não é somente pintor, é um homem que vem pintando e desenhando a sua própria presença no mundo, não com a afectada complacência de um Narciso mitológico, mas como quem ansiosamente tem procurado encontrar o seu próprio rosto nas caras dos seus semelhantes, essas figuras que lhes aparecem entre sombras ou a plena luz e que ele transporta, ao mesmo tempo que as reinventa em novas formas, para o papel e para a tela , à espera de que venham a reconhecer-se mutuamente algum dia. Ele como elas, elas como ele.. Não creio que me engane demasiado se disser aqui que a vera substância da arte de Rogério Ribeiro é o assombro de sermos. Hoje, por hoje, Goya é o seu companheiro de viagem."

Palavras de José Saramago sobre Rogério Ribeiro in Jornal de Letras Nº 943 (de 22 de Novembro a 5 de Dezembro de 2006)

Um escritor de Olhos Tristes

"Há muito tempo que o observava de longe. Conhecia-lhe as palavras e, por vezes, fugia delas pela angústia, pela tristeza, pelo desespero. (...)
Ouvia falar dele a muita gente. Que o amava. Ou que não... e observava-o de longe. Ele é escritor, mas não como eu. Ele é um escritor a sério. Dedicado. Paciente. Interessado. E eu invejava-lhe isso - a paciência, a dedicação. Mas sempre fugi da angústia da escrita. Por quê escrever?, para quê escrever?, são perguntas que nunca se colocam porque o prazer da escrita suplanta em mim todas as angústias, todas as dúvidas. Escrever faz-me inteiramente feliz e, como, nesta terra, só tenho uma vida, sinto-me que a minha primeira obrigação é ser feliz. Ele parecia-me que não podia ser por causa dos olhos, por causa das palavras... Mas a verdade é que a tristeza é normalmente mais profunda do que a alegria. E de tantas gargalhadas eu talvez me tenha tornado um bocadinho fútil, superficial... Não há remédio. Paga-se um preço por tudo. (...) Descubro também que ambos fomos convidados para participar num livro que será lançado em 2007 sobre um dos poetas de maiores angústias que a poesia portuguesa conheceu. Invejo-lhe a facilidade com que escreverá o texto que lhe pedem e antevejo a dificuldade que terei para escrever o que me pedem a mim, mas só saber que, mais uma vez, o meu nome virá ao lado do dele é já motivação suficiente para me atirar de alma e coração à elaboração de um texto que não pode ser escrito com outra coisa que não seja angústia...
Este escritor que é vivo e bem vivo, de olhos tristes emoldurados por piercings chama-se José Luís. Há quem o trate por Peixoto. Eu ainda não sei como o hei-de tratar. Por isso, trato de agradecer por me ter feito seu contemporâneo, e contento-me por ver o meu nome ao lado do seu em discos, em livros, nas páginas deste jornal... por ler as suas palavras das quais, de vez em quando, tenho absoluta necessidade de me afastar pela angústia, pela tristeza, pelo desespero."
Tiago Torres da Silva


in Jornal de Letras Nº 943 (de 22 de Novembro a 5 de Dezembro de 2006)

[Tive de "trazer" este excerto ao blog porque as palavras "tocaram-me" e deixaram-me pensativa em relação a diversos aspectos da literatura, da vida e, até, do ser humano.]

quinta-feira, novembro 30, 2006

Lançamento do livro "o poema insone"


Na Sexta, dia 1 de Dezembro pelas 22.30 horas no Bar da Associação "Os Artistas" em Faro, terá lugar o lançamento do livro "o poema insone". O autor, Duarte Temtem, nasceu há 27 anos na cidade do Funchal na Ilha da Madeira, estando actualmente a finalizar o curso de Biologia Marinha na Universidade do Algarve.
O gosto pela escrita foi desenvolvido ainda em criança, sendo sempre um prazer para o autor fazer as composições escolares. No entanto, esse gosto foi-se dissipando conforme foi avançando no seu percurso escolar, surgindo novamente em meados dos anos 90, altura em que escreveu alguns poemas, principalmente influenciado pelas escolhas musicais da época. Mas foi a partir de 2004 que Duarte Temtem começou a escrever assiduamente. Inicialmente preso aos conceitos de forma e rima, mais tarde, à medida que foi conhecendo outros autores, as preocupações formais foram sendo abandonadas.
As suas principais referências literárias são José Agostinho Baptista (principalmente a obra "Agora e na Hora da Nossa Morte"), Al Berto e Herberto Hélder.
O título "o poema insone" prende-se com o facto de Duarte Temtem escrever exclusivamente durante a noite, noites essas que geralmente se arrastam até às sete horas da manhã. A poesia deste livro está impregnada de ambiguidade de sentidos, onde predominam a melancolia e soturnidade. Esta pungência define-se por recorrentes alusões à solidão, a uma dor intensa e a uma finitude que desagua incorrigivelmente na morte.

MAGNA EDITORA (Newsletter)

Olá ao Cultura!

Para começar trago o site do escritor Fernando Esteves Pinto que sempre me causou alguma estranheza (boa e má) . E agora andam por lá uns textos muito interessantes senão vejam:

entrevista - amante profissional (7)

Já alguma vez te sentiste atraída espiritualmente por um determinado cliente? Se sim, o que te levou a transpor os limites do corpo como objecto de prazer?

O meu limite não é o corpo. O corpo é apenas uma ligação, uma forma de vínculo carnal, uma ponte de ligação entre uma pessoa e outra enquanto são conduzidas a um momento de meditação; porque para mim o sexo é também uma forma de meditação; alguns efeitos do sexo e da meditação são muito parecidos, não estou falando de erecção ou ejaculação, mas sobre aquele efeito que o sexo produz no sentido de nos deixar longe de tudo no momento da relação sexual. Gosto de me sentir à vontade com um cliente antes do sexo, e isso não começa com o corpo, mas com a conversa, o olhar, alguma cumplicidade. O meu corpo, quando muito, é apenas o meu cartão de visitas; o motivo para os clientes voltarem a estar comigo não é apenas o meu corpo. Assim também é a minha relação com eles. Eu não aceito voltar a atender um cliente apenas em função do corpo dele, e nem mesmo aceitaria apenas em função do dinheiro. Espiritualmente já me senti atraída por muitos homens. Tenho afinidades com muitos. Sentimentalmente, ou amorosamente, envolvi-me com muitos quando comecei a prostituir-me, porque me sentia muito carente, além do facto de que queria fugir um pouco da minha realidade, ou seja, eu ia para a cama com vários homens todas as noites porque eles me escolhiam, porque eles pagavam para estarem comigo na cama, e eu precisava de estar com alguém que EU tivesse escolhido, de estar com alguém com quem EU quisesse estar. Com o tempo, deixei de ter tantos relacionamentos, porque passei a estar mais tranquila em relação ao trabalho que fazia, e por isso já não me envolvia tanto com as pessoas, ou pelo menos já não estava tão carente. Quando passei a estar mais segura, deixei de me envolver sentimentalmente com tanta facilidade, afinal eu sabia o que queria, e inclusive o que não queria; eu não queria viver paixões passageiras, por menores que sejam sempre trazem aquele momento triste do fim, da despedida; não começo uma relação pensando em acabá-la, se é assim é melhor nem começar. Eu acredito no amor. Não queria mais apenas alguns momentos, nem usar nem ser usada. Não acredito muito nisso de “tentar gostar de alguém”, ou acontece ou não acontece, por mais que o outro tenha uma lista repleta de qualidades, por mais que a lógica determine ser o mais certo. Envolvi-me com alguns clientes cuja afinidade se transformou em algo mais intenso; é mais fácil envolver-me com clientes porque para eles não preciso omitir a minha profissão, nem ser rejeitada quando contar a verdade. Hoje tenho a sorte de manter uma relação com uma pessoa que nunca foi meu cliente, mas que sabe o que faço pelo facto de termo-nos conhecido numa festa onde os seus amigos eram namorados das minhas amigas e, pelo facto de elas serem também prostitutas, eu não precisava fingir que não era, estava claro e não era necessário nem mesmo falar sobre o assunto.

continua...


Que vos parece? ;) Eu gosto de acender fogueiras! ;)

quarta-feira, novembro 29, 2006

Aconselho:


A ARTE DA PERFORMANCE - DO FUTURISMO AO PRESENTE

ROSELEE GOLDBERG
MARTINS FONTES
ISBN: 8533622902
Ano Edição: 2006
Número Edição: 1
Qtde. Páginas: 228








  • O Presidente da República, Cavaco Silva, anunciou hoje a sua decisão de convocar o referendo sobre despenalização voluntária da gravidez para 11 de Fevereiro de 2007. É nosso dever fazermos valer a nossa opinião.