terça-feira, março 20, 2007
segunda-feira, março 19, 2007
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quarta-feira, março 07, 2007
Jean Baudrillard (1929 - 2007)

"Jean Baudrillard, o sociólogo e filósofo francês que tocou várias disciplinas do pensamento e da arte, morreu ontem em Paris aos 77 anos, depois de uma doença prolongada. Autor de mais de 50 obras, debruçou-se sobre a sociedade de consumo, o terrorismo, os média ou a arte contemporânea com a mesma ferocidade e capacidade de gerar polémica.
O pensador francês é classificado como inclassificável, apenas um dos paradoxos ou contradições que perfizeram a sua obra e as reacções que ela suscitou. Jean Baudrillard é “inclassificável porque não é muito fácil arrumá-lo em nenhuma escola, nem como pensador clássico”, comenta Paulo Varela Gomes, professor de Arquitectura e conhecedor do trabalho do filósofo francês. Era “sobretudo um pensador da vida quotidiana moderna” e um nome incontornável do pensamento pós-moderno.
Nascido a 29 de Julho em Reims, no norte de França, viveu o movimento do Maio de 1968 e começou a sua carreira como tradutor do trabalho de Karl Marx e Bertolt Brecht. Leccionou Sociologia na Universidade de Nanterre, em França, desde 1966, depois de uma formação em germânicas. Em 1968, próximo dos situacionistas de Guy Debord, publicou Le Système des objects, uma machadada num retrato já de si pouco favorável que desenhara da sociedade moderna de consumo, consumada com La société de consommation (1970).
Jean Baudrillard escrevia com algum humor, negro, e acompanhava a ironia com aforismos, por vezes herméticos, que eram sua imagem de marca, escreveu ontem a edição on-line do diário francês Libération. Atento à actualidade, escreveu O Espírito do Terrorismo (Campo das Letras, 2002) e Requiem pour les Twins Towers (2002) sobre os atentados de 11 de Setembro. Neles tece o argumento de que há uma lógica subsequente ao terrorismo e descreve o ataque às Torres Gémeas como “a mãe de todos os acontecimentos”.
Assinou obras incontornáveis do pós-modernismo como Simulacros e Simulação (Relógio D’Água, 1981), Le Mirroir de la Production (1977), em que rompe com as suas bases marxistas, Pataphysique (2002)ou Amérique (1986), onde descreve os Estados Unidos como “a versão original da modernidade” e “utopia realizada”. Teve tempo de redigir as suas memórias em cinco actos, Cool Memories (desde 1987 a 2005)."
(excertos do artigo de Joana Amaral Cardoso no Público de 7/03/07)
"Partindo do princípio de uma realidade construída (hiper-realidade), o autor discute a estrutura do processo em que a cultura de massa produz esta realidade virtual.
Suas teorias, contradizem o discurso da "verdade absoluta" e contribuem para o questionamento da situação de dominação imposta pelos complexos e contemporâneos sistemas de signos. Os impactos do desenvolvimento da tecnologia e a abstração das representações dos discursos são outros fenómenos que servem de objecto para os seus estudos. Sua postura profética e apocalíptica é fundamentada através de teorias irónicas que têm como objectivo o desenvolvimento de hipóteses e polémicas sobre questões actuais e que refletem sobre a definição do papel que o homem ocupa neste ambiente.
Para Baudrillard, o sistema tecnológico desenvolvido deve estar inserido num plano capaz de suportar esta expansão contínua. Ressalta que as redes geram uma quantidade de informações que ultrapassam limites a ponto de influenciar na definição da massa crítica. Todo o ambiente está contaminado pela intoxicação midiática que sustenta este sistema. A dependência deste “feudalismo tecnológico” faz-se necessária para que a relação com dinheiro, os produtos e as idéias se estabeleça de forma plena. Esta é a servidão voluntária resultante de um sistema que se movimenta num processo espiral contínuo de auto-sustentação.
A interactividade permite a integração de elementos que antes se encontravam separados. Este fenómeno cria distúrbios na percepção da distância e na definição de um juízo de valor. As partes envolvidas encontram-se tão ligadas que inibem a representação das diferenças transmitida por elas. A máquina representa o homem que se torna um elemento virtual deste sistema. As representações são simuladas num ambiente de redes que fornecem uma ilusão de informações e descobertas. Tudo é previamente estabelecido: “O sistema gira deste modo, sem fim e sem finalidade”, diz o autor."
(excertos da Wikiédia)
Um homem do seu tempo. Esperemos que inspire os que se seguem.
sábado, março 03, 2007
Jason Moran and The BandwagonProdução: CCB
Incubadora d’Artes agenciamento
21h00 | Grande Auditório
Duração:1H30 (s/ intervalo)
Como líder do grupo The Bandwagon e como solista, Moran recebeu elogios dos principais críticos de música pelas suas actuações nos mais importantes clubes e festivais de jazz de todo o mundo.
O Washington Post considerou The Bandwagon como o grupo composto pelos “três melhores músicos de jazz da geração dos sub-35”, enquanto o The New York Times afirmou que Moran “provou ser um conceptualista hábil, encontrando inspiração no ritmo e na tonalidade da linguagem falada no cinema, na música jazz e pop, e no hip-hop”.
Fonte: CCB
terça-feira, fevereiro 27, 2007
“As Cozinheiras” de Carlo Goldoni
27 de Fevereiro a 3 de Março
Este espectáculo é realizado no âmbito das celebrações dos 300 Anos de nascimento de Carlo Goldoni.
Carlo Goldoni é considerado um dos maiores autores europeus de teatro e um dos escritores italianos mais conhecidos fora da Itália. Provavelmente, suas obras, junto com as de Pirandello, constituem o principal veículo de difusão da arte dramaturgica italiana através do mundo.
Encenação: José Manuel Peixoto
Teatro Municipal “Garcia de Resende” | Praça Joaquim António de Aguiar
Horário: 21h30
Informações e marcações prévias através do Tel.: 266 703 112
Email: cendrev@mail.evora.net | Site: www.evora.net/cendrev
Org.: Co-produção Centro Dramático de Évora | Teatro dos Aloés | Teatro Nacional D. Maria II
segunda-feira, fevereiro 26, 2007
Prémio Vergílio Ferreira atribuído a
Vasco Graça Moura
O júri, presidido pelo Prof. José Alberto Gomes Machado (por delegação do Reitor da Universidade de Évora), integrou os Professores Isabel Allegro de Magalhães (Universidade Nova Lisboa), José Carlos Seabra Pereira (Universidade de Coimbra), Ana Clara Birrento (Universidade de Évora) e a crítica literária Dr.ª Clara Ferreira Alves.
O galardão pretende dar projecção e visibilidade às obras de ficção ou ensaio dos autores escolhidos e inclui uma componente pecuniária de cinco mil euros.
Licenciado em Direito pela Faculdade de Direito de Lisboa em 1966, Vasco Graça Moura ainda chegou a exercer a profissão, para além de se ter dedicado também à política.
Publicou a sua primeira obra, "Modo Mudando", em 1963, a que se seguiram vários outros livros de poesia, ensaio, ficção, assim como uma peça de teatro ("Ronda dos Meninos Expostos", 1987), um diário ("As Circunstâncias Vividas", 1995) e as crónicas de "Papéis de Jornal" (1995).
As suas traduções de "Vita Nuova" e da "Divina Comédia", de Dante, valeram-lhe o Prémio Pessoa, em 1995.
Como é da tradição, o Prémio será entregue em cerimónia pública a realizar no dia 1 de Março, aniversário da morte de Vergílio Ferreira.
Fonte: Universidade de Évora
domingo, fevereiro 25, 2007
Óscares 2007
É esta noite e os nomeados são:
Melhor Filme
Babel (2006)
The Departed (2006)
Letters from Iwo Jima (2006)
Little Miss Sunshine (2006)
The Queen (2006)
Melhor Actor
Leonardo DiCaprio em Blood Diamond (2006)
Ryan Gosling em Half Nelson (2006)
Peter O’Toole em Venus (2006/I)
Will Smith em The Pursuit of Happyness (2006)
Forest Whitaker em The Last King of Scotland (2006)
Melhor Actriz
Penélope Cruz em Volver (2006/I)
Judi Dench em Notes on a Scandal (2006)
Helen Mirren em The Queen (2006)
Meryl Streep em The Devil Wears Prada (2006)
Kate Winslet em Little Children (2006)
Melhor Actor Secundário
Alan Arkin em Little Miss Sunshine (2006)
Jackie Earle Haley em Little Children (2006)
Djimon Hounsou em Blood Diamond (2006)
Eddie Murphy em Dreamgirls (2006)
Mark Wahlberg em The Departed (2006)
Melhor Actriz Secundária
Adriana Barraza em Babel (2006)
Cate Blanchett em Notes on a Scandal (2006)
Abigail Breslin em Little Miss Sunshine (2006)
Jennifer Hudson em Dreamgirls (2006)
Rinko Kikuchi em Babel (2006)
Melhor Realizador
Clint Eastwood por Letters from Iwo Jima (2006)
Stephen Frears por The Queen (2006)
Paul Greengrass por United 93 (2006)
Alejandro González Iñárritu por Babel (2006)
Martin Scorsese por The Departed (2006)
Melhor Argumento Original
Babel (2006): Guillermo Arriaga
Letters from Iwo Jima (2006): Iris Yamashita, Paul Haggis
Little Miss Sunshine (2006): Michael Arndt
Laberinto del Fauno, El (2006): Guillermo del Toro
The Queen (2006): Peter Morgan
Melhor Argumento Adaptado
Borat: Cultural Learnings of America for Make Benefit Glorious Nation of Kazakhstan (2006): Sacha Baron Cohen, Anthony Hines, Peter Baynham, Dan Mazer, Todd Phillips
Children of Men (2006): Alfonso Cuarón, Timothy J. Sexton, David Arata, Mark Fergus, Hawk Ostby
The Departed (2006): William Monahan
Little Children (2006): Todd Field, Tom Perrotta
Notes on a Scandal (2006): Patrick Marber
Melhor Cinematografia
The Black Dahlia (2006): Vilmos Zsigmond
Children of Men (2006): Emmanuel Lubezki
The Illusionist (2006): Dick Pope
Laberinto del Fauno, El (2006): Guillermo Navarro
The Prestige (2006): Wally Pfister
Melhor Edição
Babel (2006): Douglas Crise, Stephen Mirrione
Blood Diamond (2006): Steven Rosenblum
Children of Men (2006): Alfonso Cuarón, Alex Rodríguez
The Departed (2006): Thelma Schoonmaker
United 93 (2006): Clare Douglas, Richard Pearson, Christopher Rouse
Melhor Direcção Artistica
Dreamgirls (2006): John Myhre, Nancy Haigh
The Good Shepherd (2006): Jeannine Claudia Oppewall, Gretchen Rau, Leslie E. Rollins
Laberinto del Fauno, El (2006): Eugenio Caballero, Pilar Revuelta
Pirates of the Caribbean: Dead Man’s Chest (2006): Rick Heinrichs, Cheryl Carasik
The Prestige (2006): Nathan Crowley, Julie Ochipinti
Melhor Guarda Roupa
Man cheng jin dai huang jin jia (2006): Chung Man Yee
The Devil Wears Prada (2006): Patricia Field
Dreamgirls (2006): Sharen Davis
Marie Antoinette (2006): Milena Canonero
The Queen (2006): Consolata Boyle
Melhor Banda sonora
Babel (2006): Gustavo Santaolalla
The Good German (2006): Thomas Newman
Notes on a Scandal (2006): Philip Glass
Laberinto del Fauno, El (2006): Javier Navarrete
The Queen (2006): Alexandre Desplat
Melhor Música
An Inconvenient Truth (2006): Melissa Etheridge(”I Need To Wake Up”)
Dreamgirls (2006): Henry Krieger, Scott Cutler, Anne Preven(”Listen”)
Dreamgirls (2006): Henry Krieger, Siedah Garrett(”Love You I Do”)
Cars (2006): Randy Newman(”Our Town”)
Dreamgirls (2006): Henry Krieger, Willie Reale(”Patience”)
Melhor Caracterização
Apocalypto (2006): Aldo Signoretti, Vittorio Sodano
Click (2006/I): Kazuhiro Tsuji, Bill Corso
Laberinto del Fauno, El (2006): David Martí, Montse Ribé
Melhor Sonografia
Apocalypto (2006): Kevin O’Connell, Greg P. Russell, Fernando Cámara
Blood Diamond (2006): Andy Nelson, Anna Behlmer, Ivan Sharrock
Dreamgirls (2006): Michael Minkler, Bob Beemer, Willie D. Burton
Flags of Our Fathers (2006): John T. Reitz, David E. Campbell, Gregg Rudloff, Walt Martin
Pirates of the Caribbean: Dead Man’s Chest (2006): Paul Massey, Christopher Boyes, Lee Orloff
Melhor Edição de Som
Apocalypto (2006): Sean McCormack, Kami Asgar
Blood Diamond (2006): Lon Bender
Flags of Our Fathers (2006): Alan Robert Murray, Bub Asman
Letters from Iwo Jima (2006): Alan Robert Murray
Pirates of the Caribbean: Dead Man’s Chest (2006): George Watters II, Christopher Boyes
Melhores Efeitos Especiais
Pirates of the Caribbean: Dead Man’s Chest (2006): John Knoll, Hal T. Hickel, Charles Gibson, Allen Hall
Poseidon (2006): Boyd Shermis, Kim Libreri, Chas Jarrett, John Frazier
Superman Returns (2006): Mark Stetson, Richard R. Hoover, Neil Corbould, Jon Thum
Melhor Filme Animado
Cars (2006): John Lasseter
Happy Feet (2006): George Miller
Monster House (2006): Gil Kenan
Melhor Filme de Lingua Estrangeira
Efter brylluppet (2006)(Dinamarca)
Indigènes (2006)(Algeria)
Laberinto del Fauno, El (2006)(Mexico)
Leben der Anderen, Das (2006)(Alemanha)
Water (2005)(Canada)
Melhor Documentário
Deliver Us from Evil (2006): Amy Berg, Frank Donner
An Inconvenient Truth (2006): Davis Guggenheim
Iraq in Fragments (2006): James Longley, Yahya Sinno
Jesus Camp (2006): Heidi Ewing, Rachel Grady
My Country My Country (2006): Laura Poitras, Jocelyn Glatzer
Melhor Documentário Curto
The Blood of Yingzhou District (2006): Ruby Yang, Thomas Lennon
Recycled Life (2006): Leslie Iwerks, Mike Glad
“Rehearsing a Dream”: Karen Goodman, Kirk Simon
“Two Hands”: Nathaniel Kahn, Susan Rose Behr
Melhor Curta Metragem Animada
The Danish Poet (2006): Torill Kove
Lifted (2006): Gary Rydstrom
The Little Matchgirl (2006): Roger Allers, Don Hahn
Maestro (2006): Géza M. Tóth
No Time for Nuts (2006): Chris Renaud, Mike Thurmeier
Melhor Curta Metragem de Acção
Binta y la gran idea (2004): Javier Fesser, Luis Manso
Éramos pocos (2005): Borja Cobeaga
“Helmer & Son”: Søren Pilmark, Kim Magnusson
The Saviour (2005): Peter Templeman, Stuart Parkyn
West Bank Story (2005): Ari Sandel
sábado, fevereiro 24, 2007
António de Aguiar apresentam:
Março 2007
Quinta-feira 1
O Odor do Sangue
Mario Martone
Terça-feira 6
Ciclo A Montagem no Cinema
O Neo Realismo Italiano
Ladri di Biciclette de Vittorio De Sica
Quinta-feira 8
Escolha Mortal (The Proposition)
John Hillcoat
Terça-feira 13
Ciclo A Montagem no Cinema
A Nouvelle Vague Francesa
Pierrot Le Fou de Jean-Luc Godard
Quinta-feira 15
Os Amantes Regulares
Philippe Garrel
Terça-feira 20
Luís Pacheco - Mais um Dia de Noite
António José de Almeida
Quinta-feira 22
Body Rice
Hugo Vieira da Silva
Terça-feira 27
Waiting For Europe
Christine Ree
Quinta-feira 29
Angel A
Luc Besson
Auditório Soror Mariana | Rua Diogo Cão, 8
Horário: 21h30
Org: Cineclube da Universidade de Évora | Páteo do Cinema - SOIR Joaquim
António d´Aguiar
Apoios: Universidade de Évora | Câmara Municipal de Évora | ICAM/Ministério da
Cultura | Rede Alternativa de Exibição Cinematográfica
http://auditorio.blogspot.com/
sexta-feira, fevereiro 23, 2007
E SE OS AUTORES UM DIA FIZESSEM GREVE? [Revista Autores]
Ganhou timbre de lugar-comum a afirmação segundo a qual nunca foi tão difícil como hoje ser autor, em Portugal e no estrangeiro, indepentemente da área de criação em que se intervenha. Porém, a afirmação não pode nem deve ser banalizada, sobretudo por aqueles que fizeram a opção de viver dos direitos de autor gerados pelas obras de que são titulares.
Durante décadas, as tecnologias foram o principal aliado dos autores na sempre desejada difusão das suas obras. Hoje, porém, se não tiverem o necessário enquadramento jurídico podem transformar-se, como de resto já largamente acontece, na principal fonte de atropelo dos direitos de quem cria, já que colocam nas mãos dos consumidores instrumentos que, pela sua agilidade e operacionalidade, praticamente suprimem o espaço de intervenção das estruturas que têm a seu cargo a cobrança, a gestão e a distribuição dos direitos cobrados.
A solução deste problema não está, nem pode estar, na diabolização do papel das novas tecnologias. Mas também não pode residir numa visão idílica e ingénua da função que elas desempenham. A solução deve estar na combinação de dois factores: por um lado, a criação de um quadro legislativo que abarque as novas situações na perspectiva da efectiva protecção dos criadores e, por outro lado, num trabalho de índole pedagógica que leve as gerações mais jovens a perceberem o que se encontra verdadeiramente em jogo, ficando ao abrigo da visão egoísta que pode, grosseiramente, resumir-se numa frase como esta: "Desde que eu tenha o que quero, pagando pouco ou nada, tudo está no melhor dos mundos".
Vivemos numa sociedade de consumo e de consumidores, correspondendo, nos regimes democráticos, o universo dos consumidores ao dos eleitores. De uma forma geral, o poder político não deixa de ter esse facto em conta quando é chamado a legislar. Essa perspectiva costuma triunfar em detrimento dos criadores que, participando também nos actos de sufrágio, constituem uma frágil minoria.
Porém, é essa frágil minoria que mais contribui para a definição do que é mais estável e perene na identidade cultural de um país. Portugal dedica o seu dia nacional, o 10 de Junho, não a um herói militar ou a um líder político, mas a um poeta, Luís de Camões, que talvez não tivesse morrido na miséria se o estado evolutivo da sociedade do seu tempo já tivesse permitido a conceptualização e aplicação dos princípios do direito de autor. Este facto dá que pensar, e seria bom que houvesse cada vez mais cidadãos a pensarem nele, o que, infelizmente, não acontece.
Criando, na sua fascinante multiplicidade e diversidade, a cultura que fruímos e consumimos, os autores geram riqueza espiritual e material, desde logo porque contribuem para o progresso intelectual das comunidades que integram e porque, produzindo as suas obras, lançam as bases da indústria cultural que cria postos de trabalho. Quando a defesa dos autores e das suas obras claudica, assistimos, e essa é a triste realidade presente, ao eclodir de crises que se traduzem, por exemplo, na supressão de milhares de postos de trabalho na indústria discográfica e audiovisual, com todas as consequências de natureza social e económica que daí advêm.
O empobrecimento dos autores
Um estudo recente, promovido à escala europeia (comunitária e não comunitária) pela principal sociedade de autores francesa - SACEM -, demonstra que, em 2003, mais de 90 por cento dos autores deste continente auferiam rendimentos inferiores aos salários mínimos em vigor nos seus países. Estamos assim em presença de um processo de empobrecimento e de proletarização, que se traduz numa efectiva subalternização do trabalho de criação. Falando em concreto, poderá dizer-se que é cada vez maior o número daqueles que se vêem forçados a não encarar a sua actividade criadora como principal fonte de rendimento e como base efectiva de subsistência. Quando tal acontece, perdem os autores e perdem os países de cuja vida cultural eles são o mais relevante suporte. E quando existe uma economia paralela que se alimenta dos produtos culturais mais vergonhosamente pirateados, pior se torna ainda a situação.
Em Portugal, é elevado o número de jovens criadores que pretendem, não se integrando num quadro de profissões convencional, viver das músicas que compõem, dos livros que escrevem, dos filmes que realizam, dos quadros que pintam, dos livros que ilustram, das peças que escrevem ou das coreografias que criam. Trata-se de uma realidade nova que deve ser tida na devida conta.
Mas será que há condições efectivas para os jovens cumprirem esse desígnio, num mercado exíguo e num contexto de deficiente protecção dos seus direitos enquanto criadores? Sinceramente, penso que não.
Nesse sentido, pode dizer-se que a escolha do caminho da criatividade como saída profissional é uma opção precária e de risco. Mas serão apenas o ordenamento jurídico e a pouca eficácia das instituições fiscalizadoras a contribuírem para este estado de coisas? Entendo que não, sendo também necessário mencionar o peso de uma mentalidade dominante que tende a apresentar os autores como diletantes que, em horário tardio ou em fins-de-semana prolongados, escrevem os seus livros e as suas peças de teatro ou pintam os seus quadros, apenas pelo prazer irrenunciável de terem um "hobby" e de desejarem obter público reconhecimento e aplauso através dele.
Em síntese, poderá dizer-se que a sociedade em que vivemos, tão ciosa do respeito da propriedade privada, tende a ver a obra autoral como algo que é de todos, integrando-se num espécie de domínio público ilimitado ao qual todos podem ir buscar, sem nada pagarem por isso, o que muito bem entendem, para lhe darem depois o uso que mais lhes convém.
É certo que há muitos autores, para os quais, tendo outras profissões que lhes asseguram o sustento quotidiano, a única retribuição desejável e expectável é a ampla difusão da obra. Assiste-lhes esse direito, mas impõe-se esta pergunta: então e os outros, os que querem viver daquilo que criam, exigindo a justa remuneração pelas obras que fazem nascer? Se não a obtiverem sob a forma de direito de autor, dificilmente podem canalizar plenamente as suas energias para o trabalho de criação.
De uma forma geral, o público é pouco sensível à importância do trabalho dos autores para o progresso da vida cultural de um país. Esta situação torna-se ainda mais grave e preocupante num país como Portugal onde a prática cidadã é quase inexistente.
De uma forma geral, ninguém discute a justa remuneração de um electricista, de um canalizador, de um dentista ou de um mecânico de automóveis, mas quase todos parecem estar interessados em discutir a remuneração devida aos autores e salvaguardada pela lei, talvez porque, de forma sistemática, tem vindo a ser incutida no público a enganadora ideia de que, afinal, somos todos autores e artistas. O grosso da programação televisiva tem contribuído amplamente para que se propague essa ilusão, com os resultados que se tornaram patentes.
Por tudo isto é imperioso apostar no lançamento de campanhas como as que se encontram em curso na Alemanha, em França ou nos Estados Unidos, cujo objectivo é implantar na escola o conceito de criatividade, levando as crianças, os jovens e os docentes a interiorizarem a ideia de que é ali, naquele espaço de transmissão e partilha de saberes, que urge lançar as bases do reconhecimento do autor, entendido e respeitado como alguém que, usando a imaginação criadora, é capaz de acrescentar beleza à nossa vida de todos os dias e de problematizar de forma desafiadora e crítica a própria visão do mundo.
Aos autores o que é dos autores
A Sociedade Portuguesa de Autores lançou esse desafio ao Ministério da Educação, sob a forma de uma campanha a desenvolver nas escolas com a designação genérica de "O Autor na Escola". É aí que se ganham ou se perdem as batalhas que envolvem os tempos por vir.
Um país que trata mal os seus criadores, desde a protecção dos seus direitos até aos benefícios fiscais que, levando em conta fenómenos como a sazonalidade, podem converter-se em incentivo à criação, é um país ainda mais pobre do que pode imaginar-se.
Uma boa parte da legislação que enquadra o trabalho criador dos autores é produzida em Bruxelas, onde tende a imperar uma visão neo-liberal e mercantilista destas matérias, evidenciando a tentação de confundir obra com mercadoria. A transposição para o ordenamento jurídico nacional das directivas provenientes da União Europeia nem sempre tem ido no sentido mais correcto, pela morosidade ou pelo excesso de situações de excepção contempladas. Também aí há passos importantes e urgentes a dar, embora se saiba que a harmonização da realidade comunitária com a nacional nem sempre é fácil e pacífica.
Por outro lado, devem os autores e aqueles que os representam usar estratégias e linguagens que ajudem os não iniciados a perceber onde está a razão, não os excluindo de um debate em que eles deverão ser parte activa. A retórica tecnicista e demasiado codificada, ainda que em defesa de posições justas e amplamente defensáveis, exclui muito mais do que integra.
De facto, nunca foi tão difícil ser autor, em Portugal e no estrangeiro, e se, por hipótese ainda que absurda, os autores de todo o mundo um dia decidissem fazer greve como legítima forma de protesto, talvez os fruidores das suas obras, genericamente identificados como consumidores, percebessem que ficavam infinitamente mais pobres com esse magoado silêncio. Esperemos que esse dia não chegue nunca, a não ser num puro cenário ficcional imaginado por um autor inspirado, talvez com o título "O Dia em Que Ninguém Criou Nada".
in Revista Autores, Dezembro de 2006quarta-feira, fevereiro 07, 2007
Maria Belo - Filhos da Mãe

terça-feira, fevereiro 06, 2007
"The Burning Halo"
"The Burning Halo" é o mais recente título dos Suecos “Draconian”, o qual viu o seu lançamento na maior parte dos países da Europa em Outubro e que infelizmente (e como vem sendo hábito), Portugal apenas o abraçou já em Dezembro.
8 temas do mais apurado Doom Metal, dos quais apenas 3 são realmente originais. Destaco as curiosidades de duas covers em particular: tema original de 1970 - “On Sunday They Will Kill the World” dos “Ekseption” e “Forever My Queen” datado de 1972, pertencente aos “of Pentagram”.
O álbum inicia-se com “She Dies”, um dos temas mais bonitos que já ouvi no género Doom, evidenciando este de alguma forma a continuidade da obra-prima anterior “Arcane Rain Fell”, ressurgindo-nos o poeta e vocalista Anders Jacobsson e a fantástica Lisa Johansson, no seu melhor.
Este é obrigatoriamente um álbum musical para fãs de Doom-Metal, apesar de o considerar uma obra poética, demarcada por muita melancolia e profunda emoção fatalista.
Em suma, é quanto a mim, uma das melhores obras musicais do género, sendo por isso mesmo e muito naturalmente a minha mais efusiva recomendação.
segunda-feira, fevereiro 05, 2007
Fundação de Serralves
ANOS 80: UMA TOPOLOGIA
11 Nov 2006 - 25 Mar 2007 - MuseuParte do interesse em revisitar os anos 80 resulta de que muita da arte de hoje reflecte esse legado, embora negando ou ignorando esse passado. Reconsiderar os anos 80 pode servir como ferramenta para destacar e reflectir sobre alguma da arte do presente. Esta será uma exposição de grandes dimensões que utilizará todos os espaços do Museu, reunindo pela primeira vez em Portugal um conjunto muito significativo de obras fundamentais de uma década que também enquadrou a abertura internacional da arte portuguesa, se bem que essas mesmas obras só agora sejam vistas pela primeira vez no país.
Comissariado: Ulrich Loock, Sandra Guimarães
Produção: Fundação de Serralves
segunda-feira, janeiro 29, 2007
Tell Tale Heart Animation
The Tell-Tale Heart is a wonderful animated short film of 1953 based on Edgar Allan Poe short-story. The story told by a mad man has a dark visual with a perfect work of narration by James Mason. It is a UPA Production and was the first cartoon to be X-rated (adults only) in Great Britain under the British Board of Film Censors classification system. Really great - you have to see it.
sábado, janeiro 27, 2007
Exposição, na Galeria de S. Bento, de litografias de Paula Rego

«No trabalho de Paula Rego, na sua terra de sonhos, artística, o estranho e o onírico evoluem e mudam de forma com uma vitalidade rebelde que lhes é comum. E fazem-no pela mesma razão que o faziam com Jane Eyre, reflectindo o trabalho de Charlotte Bronte mais de cento e cinquenta anos depois. Numa miríade de diferentes sequências de imagens, Rego explorou as condições da sua própria educação em Portugal, a sua formação como rapariga e mulher e a oscilação entre as sufocantes exigências sociais e os estratagemas libertadores femininos». Marina Warner
| De: 22-01-2007 a 02-03-2007 |
| Preço Entrada: Entrada Livre |
| Horários: 2ª,3ª,4ª,5ª,6ª |
| Artista(s): Paula Rego |
| Endereço: Rua do Machadinho 1, 1249-023 LISBOA |
| Concelho: Lisboa |
| Distrito: Lisboa |
| Telefone: 213974325 |
O primeiro-ministro, José Sócrates, considerou hoje um "baixo investimento para um grande benefício" a construção do aeroporto de Beja, operacional em 2008, um projecto estruturante para o Alentejo interligado com o Porto de Sines e Alqueva.
Fonte: Lusa
Campeonato Nacional da Língua Portuguesa
Pelo terceiro ano consecutivo, o Campeonato Nacional da Língua Portuguesa propõe uma incursão entusiasmante pelo mundo da Língua, incentivando os participantes a testarem os seus conhecimentos de Português num ambiente lúdico, mas nem por isso menos competitivo. As duas edições anteriores contaram com a participação de uma media de 15.000 concorrentes que motivaram um aceso despique.
Com o patrocínio do BPI, O Expresso, o Jornal de Letras, SIC e a SIC Notícias juntam-se uma vez mais para lançarem o repto da boa utilização daquele que é o nosso instrumento principal de relacionamento social e uma das ferramentas mais decisivas para nos identificarmos enquanto povo e nação.
O Júri deste Campeonato, presidido por Francisco Pinto Balsemão (Presidente do Grupo Impresa) e vice-presidido por Artur Santos Silva (Presidente do Conselho de Administração do BPI), é composto por uma Comissão de Honra, uma Comissão Consultiva e uma Comissão Técnico-científica.
De Fevereiro a Abril – primeiro através dos vários testes que seleccionam os 200 concorrentes que vão poder participar na Grande Final no dia 28 de Abril, depois nesse momento que se vem revelando quase mágico para muitos dos intervenientes – os portugueses (e todos quantos desejarem, desde que dominem suficientemente a Língua Portuguesa), de quaisquer idades, vão poder comprovar os seus conhecimentos da língua pátria, confraternizar e polemizar tendo como pólos de atenção as perguntas com que serão confrontados.
Com o objectivo de atrair mais participantes, decidimos nesta edição incluir a possibilidade das respostas aos testes do Campeonato serem dadas através da Internet num sítio web criado especificamente para o efeito em www.linguaportuguesa.aeiou.pt.
Criamos também uma nova mecânica de jogadas que poderão processar-se ao longo de três etapas, e pela primeira vez desenvolveremos um Campeonato especial ESCOLAS.
ESPECIAL ESCOLAS
Na edição de 2007 e com o apoio da Porto Editora haverá uma competição, «Especial Escolas», em que poderão concorrer todos os alunos desde que inscritos através de um professor.
Para terem acesso ao teste «Especial Escolas», os professores interessados em participar com os seus alunos devem efectuar o seu registo até ao dia 16 de Fevereiro em www.linguaportuguesa.aeiou.pt.
Os professores depois de registados receberão uma palavra-chave que lhes possibilitará descarregar, gratuitamente, o teste para os seus alunos.
Terão acesso à Grande Final 50 concorrentes de entre os participantes neste concurso especialmente destinado a estudantes inscritos através dos professores.
De agora até esse aguardado dia 28 de Abril, quando tudo se consumar nas instalações do Centro Cultural de Belém, as artimanhas da gramática e a riqueza do nosso vocabulário animarão o Campeonato Nacional da Língua Portuguesa!
A Organização.
Fonte: www.portoeditora.pt
quarta-feira, janeiro 24, 2007
sábado, janeiro 20, 2007
Associação Portuguesa Contra a Leucemia
Será mais um concerto inesquecível já no próximo dia 25 de Janeiro no Pavilhão Atlântico.
Seja solidário com os doentes de leucemia.
Os bilhetes estão à venda nos canais habituais, , El Corte Inglês, Fnac, Agência ABEP, Casa Viola, ACP, Pavilhão Atlântico, www.plateia.pt


