sexta-feira, maio 18, 2007

Grupo de Leitura na Biblioteca de Évora - Reunião dia 29 de Maio, às 21h30

PEIXOTO, José Luís

Cemitério de Pianos / José Luis Peixoto. - Lisboa : Bertrand Editora, 2006. - 315p.

ISBN - 9722515349



Sinopse

Numa Lisboa sem tempo, entre Benfica e o centro, nascem, vivem, sonham, amam, casam, trabalham e morrem as personagens deste livro. No ventre de uma oficina de carpintaria aninha-se o cemitério de pianos, instrumentos cujo mecanismo, à semelhança dos seres que os rodeiam, não está morto, encontrando-se antes suspenso entre vidas. Exílio voluntário onde se reflecte, se faz amor, lugar de leituras clandestinas, espaço recatado de adúlteros, pátio de brincadeiras infantis e confessionário de mortos, é o espaço onde se encadeiam gerações.

Os narradores – pai e filho –, em tempos diferentes, que se sobrepõem por vezes, desvendam a história da família, numa linguagem intercalada de sombras e luz, de silêncio e riso, de medo e esperança, de culpa e perdão. Contam-nos histórias de amor, urgentes e inevitáveis, pungentes, nas quais se lê abandono, violência doméstica e faltas nem sempre redimidas que, no entanto, acabam por ser resgatadas pelo poder esmagador da ternura e dos afectos. Falam-nos de morte, não para indicar o fim, mas a renovação, o elo entre as gerações e a continuação: o pai – relação entre dois Franciscos, iguais no nome e no destino, por um gerado, do outro genitor – nasce no dia da morte desse primeiro Lázaro; o filho, neto do seu homónimo, morre no dia em que a sua mulher dá à luz.


Links

http://www.joseluispeixoto.net/

http://www.joseluispeixoto.net/pianos/

http://www.webboom.pt/ficha.asp?ID=156147

http://www.cm-evora.pt/agendacultural/

Sessão de Poesia


Estimados Visitantes,


Dia 25 do corrente mês, 6ª feira, pelas 18,30 h. a Livraria Poetria realiza mais uma sessão de poesia no Centro Comercial das antigas Galerias Lumière (Ruas José Falcão e das Oliveiras) -PORTO, com poesia brasileira e acompanhamento musical a cargo dos artistas Tilike Coelho e Joaquim Carvalho.

Absolutamente A NÃO PERDER!

Re'Viver o Vinil 2007 - Cais de Gaia


Evento: Re'Viver o Vinil 2007

Data:
Dia 18 - Sexta -Feira 19h - 02h
Dia 19 - Sábado - 11h - 02h
Dia 20 - Domingo - 11h - 20h

Dj's Chibanga / Zequinha/ Tatá / Emmanuel /Patinhas / Chiquinho

Local: Cais de Gaia, Praça Super Bock

Info:

Festa do Vinil com animação turística e cultural. Discos em vinil para troca e muitos eventos relacionados. Expositores de vendedores e coleccionadores de vinil novo e usado. Diversos eventos relacionados com os diferentes estilos musicais (pop rock 60-70-80, música latina, reggae, blues, hip hop e outros). Presença de DJ's durante a tarde e noite e stands de vestuário dos anos 60, 70, 80 e 90. Organização a cabo do Pelouro da Cultura, Património e Turismo de Vila Nova de Gaia.

quinta-feira, maio 17, 2007

Convites WWW.POETRIA.PT

Caros Leitores do Cultura,

Informamos que poderão beneficiar de descontos nos espectáculos que estão a decorrer nas salas de teatro do Porto nomeadamente:

Teatro de Marionetas do Porto - "Bichos do Bosque", no Balleteatro Auditório, de 8 a 12 e 16 a 31 de Maio e de 8 a 17 de Junho.
Teatro Pé de Vento - "O Senhor Juarroz", no Teatro Vilarinha, até 27 de Maio.
Teatro Nacional de S. João e Teatro Carlos Alberto - Espectáculos em curso.

Em caso de interesse queiram contactar-nos por via mail (geral@poetria.pt) ou pelo telefone 222000436 a fim de efectuarmos as respectivas reservas.

As n/melhores saudações.
Livraria Poetria

WWW.POETRIA.PT

quarta-feira, maio 16, 2007

João Miguel Henriques

João Miguel Henriques nasceu em 1978. Estudou em Lisboa, Jena e Edimburgo. Vive e trabalha em Lisboa. Estreou-se em 2005 com O Sopro da Tartaruga. Mantém desde 2003 o blogue Quartos Escuros . Podem escrever-lhe para joaoh@mail.pt, onde, para além de declarações de amor ou ameaças de morte, poderão deixar uma morada postal à qual o autor fará chegar exemplares gratuitos da sua obra.

Breve Entrevista

s.m. Qual é a tua formação e experiência profissional? Que idade tens? Quantos livros já editaste até hoje?
J.H. Tenho vinte e nove anos e uma parte significativa da minha vida de responsabilidades passei-a na universidade. Estudei Línguas e Literaturas Modernas na Faculdade de Letras de Lisboa, com um ano pelo meio na Alemanha, na pequena cidade de Jena. Fiz depois um mestrado na Universidade de Edimburgo, na Escócia, e presentemente estou inscrito em Doutoramento, de novo em Lisboa. Pelo meio fui tradutor e também trabalhei cerca de três anos na edição. Editei um livro de poesia, em 2005.

s.m. Tens mais projectos na gaveta?
J.H. Sim, claro. Tenho mais dois livros acabados, um dos quais tem publicação apalavrada com uma editora.

s.m. Como surgiu o título "O Sopro da Tartaruga"?
J.H. O título apareceu-me de maneira repentina como analogia ou imagem de um sentimento de algum desalento e resignação perante a inevitabilidade de certas coisas, a inevitabilidade do tempo, por exemplo. Eu imagino um sopro de tartaruga como algo de muito leve, muito lento, talvez como o último suspiro de um moribundo. Esse é o espírito que subjaz a muitos poemas do livro. O título em si aparece num deles. Para além disso, a tartaruga é um animal bem simpático.

s.m. O que consideras mais complicado? Escrever poesia ou prosa? Porquê?
J.H. Essa é uma pergunta terrível. Mas uma vez que escrevo poesia e não tanto prosa, apesar de alguma prosa curta que vou mostrando no meu blogue, diria que a prosa é um trabalho mais longo e por vezes ingrato. Claro que há poetas, entre os quais não me conto especialmente, que passam a vida a reescrever poemas, vezes sem conta, até à exaustão. Mas quando leio um romance de que gosto e penso na disciplina e empenho que presidiram à sua criação, fico muitas vezes perplexo.

s.m. Qual foi a sensação de ver um livro com o teu nome, publicado?
J.H. Foi um sentimento de alguma libertação. Eu tinha coisas que queria mostrar para que pudesse depois partir para outras. Este livro fechou uma fase da minha escrita e permitiu que as pessoas me lessem. Isso era uma coisa que não tinha acontecido antes do livro.

s.m. Foi difícil editar? Qual foi o processo?
J.H. Editar é sempre muito complicado. Por isso resolvi fazer uma edição de autor, o que em poesia, ao contrário do romance, é perfeitamente normal. Houve editoras que queriam fazer o desonesto negócio do “editamos o teu livro, ficas lá com a nossa chancela, mas tens de comprar um certo número de exemplares a preço de mercado e assim até fazemos dinheiro contigo antes até do livro sair para as livrarias”. Claro que isto dá uma certa vontade de vomitar. Já que era para investir o meu dinheiro, que pudesse então eu próprio imaginar e produzir o meu livro.

s.m. Em termos literários, acreditas no termo "inspiração"?
J.H. Acredito que há momentos de escrita. Eu não sou daqueles que dizem que vivem para a poesia. Não. A minha vida tem muitas outras coisas. A poesia é muito importante, claro. Mas eu não me sento em casa com a obrigação de escrever um poema. Por isso tenho de dizer que acredito na inspiração em termos de uma ideia ou imagem que possa chegar a mim como poética. Mas a materialização do poema em linguagem não depende só da inspiração.

s.m. O que pensas das edições de autor?
J.H. Como disse anteriormente, acho uma óptima forma de editar, à falta de casas sérias que tenham disponibilidade ou interesse para publicar.

s.m. Quanto tempo dedicas à escrita ou é um processo natural?
J.H. Lá está, a escrita tem momentos. Poderia quantificá-los em tempo se os andasse a registar. Mas não ando. Alterando um pouco a formulação da pergunta, diria que a escrita é um processo com alguma naturalidade.

s.m. Como caracterizas o teu processo de escrita?
J.H. É uma pergunta muito importante para quem a responde. Os poetas, quaisquer criadores, deveriam fazê-la de vez em quando. Os poemas surgem muitas vezes quando não estou a escrever. Surgem na cabeça. Às vezes completo-os mentalmente. Assisto a um episódio, ou é-me relatado um acontecimento, e daí posso efabular o seu conteúdo e construir um poema. Por vezes ouço uma formulação verbal que me desperta algo por ser pouco comum, ou muitas vezes por ser extraordinária, e reproduzo-a, desenvolvo-a num poema. Acontece sempre assim mais ou menos como reacção interior, verdadeira ou puramente fictícia, a estímulos exteriores, verbais ou não. Como disse, estou muitas vezes na rua ou com pessoas quando isso sucede. Depois quando fico sozinho, escrevo.

s.m. Já ganhaste algum prémio literário?
J.H. Dois jogos florais na escola. Conta?

s.m. Ao ler o teu livro sinto nele uma fonte plena de onde brota uma serenidade de sentimentos racionalizados. Concordas?
J.H. A escrita pode ter o poder de ordenar as coisas. Pode nascer da confusão, mas quando escrevo e olho para o poema é às vezes possível dizer “pronto, isto é mais ou menos como as coisas se passam, isto é mais ou menos como aquilo aconteceu ou poderia ter acontecido”. Eu tenho uma grande obsessão pela linguagem. E também a respeito muito. Por isso julgo que as palavras podem ser a justa medida daquilo que ainda não está mediatizado pela linguagem. Talvez venha daí essa “serenidade de sentimentos racionalizados”. Nunca me tinham dito isso, e não sou uma pessoa exemplarmente racional. Mas julgo que pode haver alguma verdade nisso.

s.m. Quando começaste a escrever? Alguma razão em particular?
J.H. Comecei a escrever possivelmente com doze ou treze anos. Não consigo dizer porquê.

s.m. Qual é o teu livro preferido?
J.H. É difícil. Tu sabes. Por isso é que perguntas. Talvez O Náufrago de Thomas Bernhard ou O Pêndulo de Foucault de Umberto Eco.

s.m. Que autores lês?
J.H. Presentemente leio muito ensaio por motivos académicos. Bastante poesia neo-realista. Mas Thomas Bernhard e Seamus Heaney são seguramente dois dos autores mais lidos.

s.m. Qual é o teu conselho para quem queira editar?
J.H. Se não encontram editora que esteja interessada no vosso trabalho, façam uma edição de autor e distribuam-na. Não editem um primeiro livro muito grande e apostem no impacto do livro enquanto objecto.

s.m. Na tua opinião quem é ou foi o melhor poeta até aos dias de hoje?
J.H. Em português, apesar de tantas outras predilecções, Camões é o maior cultor da língua, e é um poeta incomensurável. É evidente que o século vinte em Portugal foi extraordinário, mas Camões deu tanto que é impossível fazer-lhe vista grossa. Agora o melhor poeta do mundo, não consigo dizer. Até a designação “o melhor poeta do mundo” soa fantasiosa.

s.m. Escolhe um poema do teu livro "O Sopro da Tartaruga" e explica a razão da tua escolha.
J.H.
Neste momento escolho o poema “Rendido” (pg. 52). É que nele tento descrever exactamente o que me está a apetecer agora.

Agradeço a disponibilidade e os sorrisos. Transcrevo, em seguida, o teu poema para que os leitores do Cultura possam ver o magnífico poeta que és... ;-) e... boa sorte para os teus projectos futuros!

Rendido

apenas o meu corpo
agarrado à tua pele
nada mais que os teus braços
atravessados sobre mim
quase transparentes

a vida sempre assim
a vida inteira sempre jovem
rendido apenas
rendido
nada mais

in O Sopro da Tartaruga de João Miguel Henriques [pág. 52]

2º Edição do Festival de Cinema Ibero-Americano

5º Festival Internacional de Cinema Documental de Lisboa

Festival de Cinema da Covilhã

Entrevista ao escritor Pedro Lopes.

Entrevista ao escritor Pedro Lopes.

(Clicar nas fotos para aumentarem)

J.F. O "Um Amor Perfeito numa Vida Imperfeita" é o teu primeiro livro?

P.L. Não, é o meu 4 livro mas o primeiro no género de Romance.


J.F. Tens mais projectos na gaveta à espera de serem libertados para o mundo editorial? Prosa? Poesia de novo?

P.L. Sim, tenho um novo livro de poesia intitulado “Passione” e espero edita-lo um pouco antes do natal

J.F. O que consideras mais complicado? Escrever poesia ou prosa? Porquê?

P.L. Eu escrevo em ambas as vertentes quer prosa e prosa poética como também poesia. Considero que escrever em prosa é muito mais complicado, sobretudo quando escrevemos uma história com várias personagens que temos de interligar entre si.


J.F. Qual a sensação de ver um livro com o teu nome, publicado?

P.L. A sensação é em muito semelhante ao nascimento de um filho. É algo tão esperado que se torna uma sensação indescritível.

Mesmo que o façamos várias vezes será sempre como a primeira vez… outra sensação magnifica é ir a uma livraria e por acaso descobrires o teu livro como já me aconteceu, é muito bom…

J.F. Em termos literários, acreditas na inspiração?

P.L. Sim acredito. É algo que nos acompanha, uns dias mais que outros, que vai mas sempre volta…

É ela que nos faz escrever, que nos motiva que nos faz chegar mais além…

J.F. Qual é a tua profissão?

P.L. Operário Fabril

J.F. Quanto tempo dedicas à escrita ou é um processo totalmente livre?

P.L. É um processo totalmente livre. Por vezes dedico quase todo tempo livre que tenho, por outras não dedico tempo algum…

J.F. O teu livro é uma edição de autor, correcto? Como foi o processo? Foi moroso?

P.L. Tenho alguns livros de edição de autor… Mas este ultimo romance “Um Amor Perfeito” numa Vida Imperfeita” foi uma aposta de uma editora que aposta em jovens autores.

J.F. Quando começaste a escrever? Alguma razão em particular?

P.L. Comecei a escrever desde que me conheço por gente, é algo que está profundamente ligado ao meu ser, ao meu interior, ao meu sentir…

J.F. Escolhe um poema de um dos teus livros.

P.L. Amar…

Amar é chorar como quem ri

É tremer de frio e sentir calor

É perder sangue sem dor

É estar triste quando sorri.

Amar é acordar sem ter dormido

É sentir o coração nas mãos

É suar sem se mexer, é gemido

É intenso querer fazer Amor contigo.

Amar é andar mesmo sem pernas

É ser odiado e gostar de ti

É perder a cabeça e não apenas

É teu perfume no ar, eu senti.

Amar é sem reino ser Rei

É lutar sem espada

É ser humilhado e dizer Amei

Amar multiplicação de sentir centrado em ti…

Pedro Lopes – Reminiscência de Infinito Sentir – Edições Ecopy

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Obras de Pedro Lopes:

Reminiscência de Infinito Sentir - Edições Ecopy (Poesia)
Plenitude de Sentir - Editorial Minerva (Poesia)
Um Amor Perfeito Numa Vida Imperfeita - CorposEditora (Romance)
Postumus' Est - Edições Ecopy (Poesia)

Um Amor Perfeito Numa Vida Imperfeita - Romance de Pedro Lopes

Obra: Um Amor Perfeito Numa Vida Imperfeita
Autor: Pedro Lopes - Blog do Autor
Género: Romance
Editora: CorposEditora


Sinopse de “UM AMOR PERFEITO NUMA VIDA IMPERFEITA”

Um Romance histórico para quem acredita no Amor para além da morte…
O enredo desenvolve-se no início do séc. XIX entre a Régua no Douro vinhateiro e a velha Coimbra, cidade de Amores platónicos e paixões proibidas, numa altura conturbada da sociedade por conflitos entre monárquicos e republicanos.
Um história apaixonante sobre um Amor Imortal, chegando até aos nossos dias em forma de lenda.
Narrado agora de forma sublime pela genialidade de Pedro Lopes.

Locais de Venda:

Livraria Sa Costa Editora (Chiado - Lisboa)
Rua Garrett, 100
Telefone: 213 460 721

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Livraria Poetria (Porto)
Rua da Oliveira, 70, r/c lojas 5/13 (Em frente ao Teatro Carlos Alberto)
Centro Comercial Lumier
www.poetria.pt
Telefone: 222 000 436

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Livraria Almedina (Arrabida Shopping) loja 158 A/B - Vila Nova de Gaia)
www.almedina.net
Telefone: 223 701 898

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FNAC's
Poderá nao estar fisicamente em todas a venda mas pode ser encomendado em qualquer balcão FNAC do Pais, indicando o nome do livro, do autor e da editora

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No site da Corpos Editora:

www.corposeditora.com (colecção o espelho desta hora)
ou por mail para info@corposeditora.com (portes pagos)

terça-feira, maio 15, 2007

Luís Brito Pedroso














Luís Brito Pedroso nasceu em Lisboa em 1977, numa véspera de Natal invulgarmente quente. Cresceu em Barcarena, onde vive, e licenciou-se em arquitectura em 2002, já a escrita e a leitura se tinham tornado partes importantes da sua vida. Escreve essencialmente poesia, mas gosta de se aventurar, tendo terminado recentemente o primeiro romance e estando a trabalhar num dicionário de novas palavras a que chama de Lucidário. Só publicou o primeiro livro em 2005, mas garante que tem muitos mais já prontos, esperando apenas o tempo certo para a publicação. A arquitectura vai permitindo a subsistência.

Livros publicados:

- Poema seis (poesia) Papiro editora, Dez. 2005

- O meu nome e a noite (poesia) Papiro editora Fev. 2007

Blog do autor:

Eterna Figura de Corpo Presente


Breve Entrevista:

s.m. Sei que és arquitecto. Muitos projectos? É difícil conciliar a escrita com a arquitectura?

L.P. Alguns projectos pessoais, àparte a actividade como colaborador em ateliers que é o que me dá, ainda que pouco, dinheiro. A conciliação é fácil, pois a escrita está sempre comigo. E se alguma ficar prejudicada não será decerto a escrita. Para escrever, não é preciso muito.


s.m. "O meu nome e a Noite" é o teu 2º livro publicado, novamente de poesia. De certeza que tens diferentes projectos na gaveta, queres falar um pouco sobre eles?

L.P. Tenho sempre vários projectos, mais do que aqueles a que me posso dedicar, já que não vivo da escrita. A poesia continua a ser a minha área, mas terminei agora um romance (não sei se lhe posso chamar isso), ou narrativa, ou... qualquer coisa. Uma história em prosa. Tenho também outro projecto ainda em embrião em que um fio comum une vários contos muito curtos e ainda um novo dicionário, constituído por palavras que (ainda) não existem. Este último projecto dará em breve origem a uma exposição de imagens, feitas por vários jovens artistas, sugeridas por essas palavras. E também te revelo que em princípio, em 2007 será lançado um disco de música ambiental baseado no Poema seis. Eu já tenho uma cópia em fase final de masterização. É uma óptima sensação sentir a minha escrita cruzar-se com outras artes. Quem sabe no futuro o teatro e o vídeo.


s.m. Uma vez que já "experimentaste" poesia e prosa (ainda que esta última esteja ainda por publicar) posso arriscar perguntar: é mais difícil escrever (se é que escrever pode ser considerado difícil para um escritor) qual dos géneros?

L.P. Nem um nem outro são difíceis, apetecia-me responder. Mas escrever uma narrativa em prosa exigiu muito mais de mim. Pelo menos deu muito mais trabalho, demorou mais tempo... é um preguiçoso incorrigível a responder. Mas escrever não é assim tão difícil. Nem o escritor é aquele bicho do mato que muitas vezes dele querem fazer. Também pode ser como eu, alguém que sabe de cor todos os jogadores do campeonato da primeira divisão, fala mal frequentemente e farta-se de disparatar. Escrever não é difícil, trabalhar é que é.


s.m. Qual foi sensação de ver "Poema Seis", o teu primeiro livro, publicado?

L.P. A sensação foi óptima mas também te digo que foi breve, pois rapidamente pensei que queria publicar mais uma série de livros. Mas foi fantástico vê-lo nas estantes. A primeira livraria em que o encontrei foi a Sá da Costa, ao lado da Brasileira do Chiado. O momento do lançamento também foi especial, porque estava reunido numa sala grande parte do mundo humano que me rodeia mais proximamente.


s.m. Tiveste a mesma sensação com a publicação deste 2º livro?

L.P. Ainda foi melhor, porque a distribuição foi mais eficaz (risos). E enquanto objecto acho-o mais bonito. É um aspecto importante para mim, e tenho a sorte de poder ser eu a fazer as capas, nesta editora.


s.m. Tiveste formação em Escrita Criativa?

L.P. Zero.


s.m. Em termos literários, acreditas no termo "inspiração"?

L.P. De uma forma cautelosa. É verdade que há momentos em que existe uma sensação de clarividência a que poderia chamar de inspiração. Com o trabalhar contínuo ao longo de alguns anos acho que consigo chamar essa senhora mais vezes. Mas a transpiração ocupa mais espaço e tempo.


s.m. O que pensas das edições de autor?

L.P. Esforços louváveis, de quem veste a camisola do trabalho que faz e raramente recupera o dinheiro e o amor aplicados nisso. Não me estou a ver a enveredar por aí, nem que seja pela parafernália burocrática. Tinha um esgotamento.


s.m. Organizas o teu tempo para escrever?

L.P. Não, de todo. Talvez devesse fazê-lo. E desperdiçar menos tempo.

s.m. Como caracterizas o teu processo de escrita?

L.P. Qual processo (risos)? Julgo que escrevo, no caso da poesia, muito por impulso. Com o tempo, fui-me disciplinando, mas de forma espontânea, no sentido em que consigo guardar as ideias algum tempo antes de as passar ao papel. Aqui em sentido figurado, porque cada vez mais escrevo directamente no portátil. Um dia vamos todos desaprender a caligrafia. Mas o impulso aparece frequentemente. Chamemos a isto repentismo.

No caso da narrativa em prosa que escrevi, as coisas foram diferentes. Dediquei-lhe algum tempo de forma continuada, li e reli e corrigi muitas vezes até estar satisfeito. Não é que esteja, mas tinha que o dar por terminado, caso contrário estaria eternamente a corrigir.
A verdade é que sinto que devia dedicar-me muito mais tanto em tempo como em esforço.


s.m. Alguma vez te aventuraste no mundo dos Prémios Literários?

L.P. Muitas vezes. Como não ganhei nenhum, acho que é uma cabala contra mim. Se eu não ganhei, é porque os prémios não prestam (risos).


s.m. Ainda não tive oportunidade de ler "O meu nome e a Noite" mas li o teu primeiro livro. Está incrivelmente bem estruturado. Tens uma forma especialmente racional de colocar os sentimentos em palavras. Concordas? A tua mão é guiada pela razão, pelo sentimento ou pela simbiose quando escreves?

L.P. Fico contente por ouvir isso. Aliás, gosto bastante de receber feedback mais específico em relação à minha escrita, coisa que não acontece muitas vezes. Em princípio concordo, mas isso já dava tema para debate largo. Não sei responder à tua última pergunta. Será pelo ego?

A estruturação... será que a minha formação em arquitectura influencia isso? É possível.


s.m. Quando começaste a escrever?

L.P. Aos quinze anos. Estaríamos em 1993 e eu “naquela fase”. No liceu. Mas mais a sério, só depois dos 18, já nos tempos de faculdade. Há coisas antigas que recuperei para publicar futuramente, algumas dessa fase dos 18 anos.


s.m. Qual é o teu livro preferido (dos que já escreveste)?

L.P. Só publiquei dois, mas a verdade é que já tenho mais seis prontos a publicar. Fora os que estão em processo de escrita agora, que são dois... o preferido talvez seja sempre o próximo... não te vou dizer agora os títulos dos outros, nem revelar mais nada sobre eles. Bom, deixa estar, vou mesmo:

O romance chama-se Oceano Um, e tenho outros de poesia com os títulos Um inexplicável desejo de; Eterna figura de corpo presente; Suidi-solstício (este é um único poema muito longo); Cortante; finalmente, fui,sou que espero conseguir publicar em finais de 2007.

Entre os dois que publiquei, não escolho. Um é melhor nuns aspectos, o outro noutros, e vice-versa com as fraquezas que lá vejo.


s.m. Que autores lês?

L.P. Aquilo que mais leio é poesia contemporânea portuguesa. Mas sou um devorador dos surrealistas portugueses, sobretudo o chamado grupo dos dissidentes de Cesariny e companhia. Al Berto e Herberto Helder serão os outros dois monstros.

s.m. Qual é o teu conselho para quem [tal como tu fizeste] deseja retirar da gaveta as suas palavras?

L.P. Perseverança. Continuar a ler e a escrever, para ter palavras cada vez melhores para tirar da gaveta. E ir tentando. Participar em concursos, enviar a editoras, mostrar às pessoas, não ter medo e muito menos vergonha, que já vi nalguns casos de pessoas que escrevem mesmo muito bem.


:) Agradeço a disponibilidade e a tua excelente boa disposição nas respostas ao meu torpe questionário e desejo que tudo corra da melhor forma nos teus projectos futuros.

Música


Está aí, “in sorte diaboli”, o sétimo de originais da (provavelmente) melhor banda de black metal, oriunda da Noruega - DIMMU BORGIR.
11 temas teatrais que nos transportam a uma Europa medieval, contando a estória de um padre que… duvidando da sua própria fé, toma o lugar do anti-cristo.
O resto do inferno lírico-musical, cabe-vos testemunhar espreitando o link por mim disponibilizado, com a certeza de que tal delícia continuará num futuro (oitavo).


"My decent is the story of everyman
I am hatred, darkness and despair
My decent is the story of everyman
I am hatred, darkness and despair

Evoked and entertained through centuries
Wrathful and sullen--dormant still
The ferocity pervades everywhere
Waiting to be released at last..."

segunda-feira, maio 14, 2007

Fernando Esteves Pinto
















Fernando Esteves Pinto nasceu em Cascais em 1961. Colaborou no DN Jovem e no Jornal de Letras. Em 1990 recebeu o Prémio Inasset Revelação de Poesia do Centro Nacional de Cultura. É publicado em Portugal e Espanha por revistas literárias e editores independentes. Em 1998 obteve uma bolsa de criação literária pelo Ministério da Cultura/Instituto Português do Livro e das Bibliotecas. Está representado na Antologia DN Jovem, 1990; Antologia "A cidade e o Mar na Poesia do Algarve", 2006; Antologia "Poema Poema" de poesia portuguesa actual. Edição bilingue. Punta Umbria, 2006.

Livros publicados:
- Na Escrita e no Rosto (poesia) Editora Europress
- Siete Planos Coreográficos (poesia, edição bilingue) Editora 1900, Huelva
- Ensaio Entre Portas (poesia) Editora Almargem
- Conversas Terminais (romance) Editora Campo das Letras
- Sexo Entre Mentiras (romance) Editora Leiturascom.Net


Breve Entrevista

1. Olá Fernando. Obrigado pela disponibilidade, desde já. Posso perguntar-te qual é a tua formação e experiência profissional? Que idade tens? Quantos livros já editaste até hoje?
R – Assumo-me como autodidacta. Não tenho formação académica nem profissional. E isso dá-me um certo gozo. Mas estudei até ao 9º ano. Desisti porque não consegui ultrapassar a barreira da matemática. Tenho uma grande paixão pela psicologia. Interessa-me tudo sobre essa matéria. Costumo dizer que sou formado em seres humanos. Desde criança que os observo de forma estranha. Quanto a empregos, acho que sempre fui mal-empregado. Tenho 46 anos e publiquei 5 livros.

2. Tens mais projectos na gaveta à espera de serem libertados para o mundo editorial? Prosa ou Poesia?
R – Tenho um romance inédito que já passou por quase todas as editoras portuguesas (uma das quais – Temas & Debates – rejeitou-o por excesso de qualidade, segundo as palavras da editora). Tenho de falar sempre disto. Um romance culto e sofisticado que não seria entendido pelo leitor comum de romances em Portugal, etc. etc… (ainda palavras da senhora). Tenho também inéditos um livro de poemas, um ensaio, uma novela e uma peça de teatro. Neste momento estou a trabalhar num livro de poemas.

3. O que consideras mais complicado? Escrever poesia ou prosa? Porquê?
R – Comecei pela poesia. Pensei que seria uma forma mais fácil de entrar no meio literário. E assim aconteceu. Mas estou muito à vontade nos dois géneros. Escrevo poesia como forma de intensificar a minha mente. O romance dá-me mais liberdade, apesar de me obrigar a uma disciplina diária.

4. Qual a sensação de ver um livro com o teu nome, publicado?
R – já experimentei várias sensações. O primeiro livro “ na escrita e no rosto” joguei-o ao chão e pisei-o. É um livro amaldiçoado. Quando li na capa o pseudónimo que utilizei no prémio revelação de poesia Inasset/Inapa, senti que me haviam roubado a identidade. É um livro que não me deu nada, só me tirou. Para complicar mais as coisas, esse livro foi alvo de plágio. Faz parte dum processo ainda na justiça.

5. Em termos literários, acreditas na inspiração?
R – Nunca. Para mim a escrita é uma obrigação. Eu provoco a escrita, faço-a acontecer. Sempre foi assim. É claro que posso estar mais ou menos preparado para atingir os meus objectivos.

6. O que pensas das edições de autor? Achas que estamos numa era em que qualquer um pode editar?
R – Tenho um princípio: sou incapaz de editar um livro meu com despesas por minha conta. Isso é uma forma de imposição, narcisismo face aos outros – os leitores. É estar a vender algo. Não sou vendedor. Cabe aos editores essa tarefa. Havendo dinheiro e vaidade, qualquer um poderá editar o que quer. Desconfio sempre desses autores.

7. Quanto tempo dedicas à escrita ou é um processo totalmente livre?
R – Estou sempre a escrever, embora não o faça fisicamente. Mas ocupo as manhãs a escrever e o resto do dia a pensar em escrever.

8. Como caracterizarias o teu processo de escrita?
R – Vou sempre zangado para a escrita. Penso que a escrita tem medo de mim. É como se fosse para um campo de batalha e lutasse permanentemente para não ser vencido. Às vezes vou mesmo desprotegido, mas acabo por utilizar as armas que o inimigo (a própria escrita) tem apontadas contra mim.

9. Já ganhaste alguns prémios literários, verdade? Quais?
R – O prémio revelação Inasset/Inapa – Centro Nacional de Cultura. E obtive uma bolsa de criação literária pelo Ministério da Cultura/Instituto Português do Livro e das Bibliotecas, com a qual escrevi o romance “Conversas terminais”.

10. Interessam-te os temas mais angustiantes do ser humano e escreves todos os podres, as sombras e as luzes do ser humano de uma forma crua e bruta. Como é desencadeada a tua urgência em escrever?
R – A minha matéria de escrita são os outros. Abordo-os sempre pelo lado negativo. Desde criança que me interesso pelo pior das pessoas. Isso tem uma justificação. Quando tinha 9 anos, os meus pais foram esfaqueados na própria casa onde vivíamos. Assisti a tudo. Enfrentei o agressor. Escrevi muito sobre isso. Tento compreender esse lado escuro das pessoas.

11. Quando começaste a escrever? Alguma razão em particular?
R – Comecei a escrever porque é a arte mais barata que existe. Parece cómico, mas é a verdade. Eu tinha a paixão pela pintura. Queria ser pintor. Estive mesmo para frequentar a escola António Arroio. Não fui por causa dum selo fiscal. Senti os meus sonhos serem traídos por um selo fiscal, imagina. Um maldito selo fiscal que representava na altura um terço do ordenado do meu pai, e que ele teria de comprar como penalização pelo facto de a minha inscrição decorrer fora dos prazos estabelecidos pela escola. Nas contas do meu pai, um simples jardineiro da Câmara Municipal de Cascais, a somar ao selo vinham as despesas do transporte e da alimentação, livros, material de pintura; uma lista avassaladora cujo valor final ultrapassava escandalosamente o orçamento familiar.

12. Qual é o teu livro preferido (dos que já escreveste)?
R – “Conversas Terminais”. Está lá dentro a vida toda. Toda a infância. Toda a merda dos outros. Ficção e realidade: tudo misturado. Se me perguntam se isto é verdade, eu digo que é ficção. Se me perguntam se isto é ficção, eu digo que é verdade. Adoro isto.

13. Que autores lês?
R – Philip Roth. John Updike. Milan Kundera. Vergílio Ferreira. António Lobo Antunes.

14. Qual é o teu conselho para os jovens escritores?
R – Sejam verdadeiros a escrever. Se escreverem apenas para desabafar, então aconselho a fazerem amigos. Dá mais resultado e não atormenta.

Agradeço imenso a tua simpatia, rapidez e sinceridade. Em nome do Cultura desejo que os teus projectos futuros se concretizem da melhor forma.


ETIC_NOLOGY

35º Festival Internacional de Cinema do Algarve

Oficina de escrita de Guião para Banda Desenhada

Oficina incluída no Micro Festival de BD Aveiro


Enviado por: Teixeira Moita

LANÇAMENTO DE LIVRO

Pedro Chagas Freitas - Os Dias Na Noite



"Fascinação eu sinto por uns e outros. Arrebatamento (esta é a palavra) isto pouco escritores conseguiram de mim. Pedro Chagas Freitas é um deles.”
Paulo Polzonoff Jr., crítico literário brasileiro

“Pedro Chagas Freitas tem uma voz única no panorama literário português.”
Teixeira Moita, dramaturgo e escritor

“Pedro Chagas Freitas escreve maravilhosamente.”
Eduardo Brum, escritor

“Quem escreve assim (como Pedro Chagas Freitas) é um grande artista.”
Fernando Venâncio, crítico literário e escritor


Será já no próximo Sábado, dia 19 de Maio, que será apresentada, em Lisboa, a minha quarta obra de ficção, o romance "Os Dias na Noite".

Serão duas as sessões de lançamento:

----17:30 horas na Flagshipstore da Gant, na Avenida da Liberdade (com a apresentação do jornalista e escritor Carlos Castro)

----20:30 horas na FNAC do Chiado.

Posso contar com a sua presença?

Pedro Chagas Freitas
Escritor/Linguista/Jornalista
www.pedrochagasfreitas.pt.vu


Enviado por: Pedro Chagas Freitas

As palavras do poeta João Filipe Ferreira


Hoje vamos conhecer um pouco mais João Filipe Ferreira, 26 anos, autor do livro Estados d'Alma.

O livro dele já foi tema de um post aqui no Cultura e, uma vez que ele teve a amabilidade de me enviar um exemplar, [que li atentamente e, ainda assim, lhe troquei o título... (desculpa)] deixo-vos aqui, em jeito de entrevista - pouco crítica - algumas perguntas que lhe fiz e às quais ele respondeu com grande sentimento e limpidez de espírito.

1. O "Estados d' Alma" é o teu primeiro livro?
Sim, com muito incentivo e com muita amizade lá consegui passar textos soltos num livro físico.


2. Tens mais projectos na gaveta à espera de serem libertados para o mundo editorial? Prosa? Poesia de novo?
Ter até tenho…tenho o oposto de Estados d’Alma. No início tinha a ideia de colocar tudo num só livro. Depois repartir os textos por dois..um que falasse de Estados d’Alma mais tristes e outro com Estados d’alma de esperança e alegres. Quanto a editar…muito dificilmente, mas nunca se sabe…quem sabe um dia.

3. O que consideras mais complicado? Escrever poesia ou prosa? Porquê?

Penso que ambos os géneros. Escrever não deve ser algo programado, não deve ser algo planeado…deve somente ser algo no momento, algo verdadeiro e algo natural. O que é artificial por norma esconde e tira beleza ao natural e na escrita é a mesma coisa.

4. Qual a sensação de ver um livro com o teu nome, publicado?

É muito bom…reconfortante pelo menos. É um “mimo” para o espírito.Ter um livro publicado significa um marco na nossa vida. Mesmo que seja o maior fracasso, mesmo que seja esquecido numa prateleira continuará sempre a ser um conjunto de desabafos que o autor em certa fase da sua vida resolveu marcar. Mesmo após a morte quem quiser saber algo sobre quem foi o autor..poderá faze-lo consultando o livro.

5. Em termos literários, acreditas na inspiração?

Não acredito muito na inspiração…acredito que o resultado de algo resulta da força, coragem e do momento. Em termos literários defendo que a inspiração exista apenas na criação de uma ideia, mas o seu desenvolvimento não será (na minha opinião) visto como um acto de inspiração, mas sim um conjunto de emoções do autor com momentos que ele já conhece ou que já viveu. Se for uma história com um personagem, esse será algo que o autor viu misturado com o que já viveu.


6. Qual é a tua profissão?

Dedico-me à contabilidade…mas quando for grande gostava de ser tudo menos sonhador.


7. Quanto tempo dedicas à escrita ou é um processo totalmente livre?

É um processo totalmente livre…o que escrevi até hoje, foi algo momentâneo e que surgiu com a maior normalidade. Não gosto de “escrita a metro”, de coisas complicadas e que não demonstram o que se queria de facto dizer.

8. Como caracterizarias o teu processo de escrita?

A minha escrita é somente algo que qualquer pessoa pode e consegue escrever. São textos simples, naturais e que todos no final podem compreender o que realmente escrevi.


9. O teu livro é uma edição de autor, correcto? Como foi o processo? Foi moroso?

O meu livro foi editado por uma editora jovem e que procura o seu espaço no meio literário português. Uma editora que lança trabalhos de jovens e anónimos autores portugueses, muitos deles com imenso valor mas que infelizmente sem capacidade para verem o seu trabalho reconhecido.

10. Li, com atenção, o teu livro e deparei-me com uma escrita bastante preocupada a nível estrutural. Alguma razão em particular?

Por acaso é coisa com que não me preocupo. A minha escrita é realizada da forma mais simples possível, algo natural…ou seja, como sai no momento. Não me preocupo em colocar palavras “caras”, em complicar o sentido das coisas, procuro somente em ser o mais natural e o mais verdadeiro. E o simples é sempre o mais belo (para mim).

11. Interessam-te os temas com que o ser humano se depara, as angústias, as preocupações, os sentimentos e escreves tudo isso de uma forma bastante consciente de metapoesia. Como se desencadeia a escrita? É uma "urgência"?

Não sinto urgência em escrever, sinto apenas por vezes necessidade de passar algo que o meu coração sente, algo que a minha visão capta e algo que a minah mente idealiza para palavras e nelas dar a força e o sentido de todas essas fases.

Penso que por vezes os caracteres, uma simples palavra nos faz pensar, nos faz “ver” a realidade de uma outra forma…e quem sabe nos dar resposta a algo que nos intriga.

Como tal quando escrevo é porque somente me dá prazer e sei que vou ganhar ao faze-lo, pois vou marcar algo que estou a ver, sentir ou a idealizar.


12. Quando começaste a escrever? Alguma razão em particular?

Bem isso não sei…mas desde muito novo tentava escrever algumas coisas…frases soltas, letras de musica (para uma suposta banda que pensava um dia criar). Penso que o facto de gostar imenso de musica fez com que escrevesse mais, ou tentado escrever mais… acho que uma melodia encaixa na perfeição num conjunto de palavras….e se forem ritmadas ainda melhor. Como tal por vezes escrevo idealizando uma melodia para essas palavras…e fazendo isso a minha suposta obra escrita surge.


13. Escolhe um poema do teu livro.

É difícil…para quem escreve, para quem faz muita coisa é sempre difícil escolher algo. No entanto escolho o poema “Reflexão”. Porque? Não sei bem…talvez porque mistura saudade e dor, com esperança e alegria… é uma “super-Mistura” no mesmo texto.



Bem, João, agradeço a tua paciência, boa disposição e extrema simpatia. ;-)

Vou então transcrever o poema que escolheste para que os leitores do Cultura sintam um "cheirinho" do perfume que o teu livro encerra.

Reflexão

Sonhos que sonhei
Pensamentos que pensei
E que para trás tudo deixei.
E que para sempre recordarei.

Novos sonhos sonharei
Bem como novos pensamentos pensarei
Que pela vida frente terei
Iguais aos que sempre desejei.

Lindos dias vivi
Misturados com sentimentos que senti
Muitas vezes neles sorri
E ainda hoje não os esqueci.

Novos dias viverei
Bem como novos sentimentos sentirei
Certamente neles sorrirei
E depois nunca os esquecerei...

Muitos momentos vivi
E muitos momentos viverei.

in "Estados d' Alma" de João Filipe Ferreira [Corpos Editora, pág. 29]

sábado, maio 12, 2007

A Cantora Careca, Eugène Ionesco

Espectáculo "A Cantora Careca", de Eugène Ionesco, encenação de Susana Oliveira, pelo Máscara Solta - Teatro de Letras.

dias 18 e 19 de Maio às 21.30, no café-teatro da ESMAE, Porto;
dia 20 de Maio às 17.00,
no café-teatro da ESMAE, Porto;

dia 24 de Maio às 21.30, Teatro da Politécnica (antiga cantina da Fac. Ciências da Un. Lisboa), FATAL, Lisboa;

dia 31 de Maio às 21.30, no Estúdio Latino, Teatro Sá da Bandeira, Porto.

LOVERS & STRANGERS e REAL FAKE/ FAKE REAL

De Teresa Ranieri
Preço único: 4 euros