domingo, maio 27, 2007

sábado, maio 26, 2007

Paulo Kellerman
















Gastar Palavras
Os mundos separados que partilhamos


Paulo Kellerman nasceu em Leiria, em 1974. Publicou, em edições de autor artesanais e limitadas, Livro de estórias (1999), Dicionário (2000), Sete (2000), Uma pequena nuvem solitária perdida no imenso azul do céu (2001), Fascículo (2002 a 2005, 75 números) e Da vida e da morte (2005). Publicou Miniaturas (2000) nas Edições Colibri e, pela Deriva, Gastar palavras, a que foi atribuído o Grande Prémio de Conto da APE em 2005. Em 2007 publicou Os mundos separados que partilhamos (Deriva).

Dinamizou diversas iniciativas literárias e colaborou em revistas, suplementos e sites. O seu trabalho, sempre na área do conto, foi distinguido por diversas vezes.

Blogue do Autor

Breve Entrevista:

sandra martins - Olá Paulo. Em primeiro lugar deixa-me dizer-te que é um imenso prazer poder contar com as tuas palavras aqui no nosso Blogue. Reparei que és bastante acessível e, até, muito dedicado a quem te deixa críticas no teu e/ ou se mostra interessado no teu trabalho. Sabendo que estas não são características de muitos escritores, posso perguntar-te como é a tua relação com os teus leitores e críticos?

Paulo Kellerman - Eu é que agradeço o convite. Relativamente à relação com os leitores, gostaria, um pouco utopicamente, que os livros fossem auto-suficientes, que falassem por si, que não fosse necessário explicá-los ou justificá-los. Mas, por uma série de razões, essa postura nem sempre é exequível e torna-se necessário ter uma posição um pouco mais activa.

s.m. Que idade tens? Qual é/ foi o teu percurso académico? O que te ocupa a maior parte do tempo?
P.K. Trinta e dois anos. Um curso de psicologia abandonado logo, logo no princípio. Trabalho em informática. Leio bastante, faço rádio. Gosto muito de não fazer nada, de saborear a simples passagem do tempo. Tenho uma filha, que quer ser pintora.

s.m. Quando começaste a escrever?
P.K. Catorze, quinze anos. Percebi que era uma forma de ser popular e apreciado, o que nessa idade é determinante. Logo aí, de um modo pouco consciente, fui intuindo que a escrita poderia ser uma forma controlada de reflexão e de auto-conhecimento, um espaço de liberdade e descoberta onde poderia colocar questões e testar respostas, especular, correr riscos. Como é óbvio a tal popularidade foi fugaz e inconsequente mas ficou esse vício de liberdade, de busca, de obsessão pela dúvida e pela possibilidade, de provocar uma reacção no outro. E também a arrogância de sentir que se tem algo a dizer, a vaidade de achar que alguém se interessa.

s.m. Além dos teus livros já publicaste ou publicas, actualmente, em alguma revista, jornal ou sítio na internet?
P.K. Publiquei em bastantes sítios mas nunca de modo regular. O local mais marcante por onde passei foi o DNa, onde publiquei meia dúzia de contos. Actualmente, e com alguma regularidade, apenas tenho publicado na Minguante, uma revista online.

s.m. Como é pertencer à geração dos que "vieram" do DN Jovem e pertencer ao mundo, cada vez mais vincado, dos blogues? Qual a razão do teu Blogue "A Gaveta do Paulo"? A sua criação foi posterior ou anterior à publicação do primeiro livro?
P.K. A Gaveta surgiu poucos dias após a apresentação pública do Gastar Palavras; a ideia foi colocar lá as estórias que não tiveram espaço no livro, e que não me apetecia abandonar; depois, fui acrescentando algumas das novas estórias que ia escrevendo. O segundo livro passou, em grande parte por lá. Vejo, actualmente, o blogue como uma plataforma de divulgação, uma espécie de portefólio interactivo. Quanto ao DN Jovem, suponho que tenha sido um incentivo determinante para muita gente, numa altura em que não existiam blogues nem editoras a cada esquina e as possibilidades de divulgar o que se escrevia eram muito limitadas.

s.m. Os teus livros publicados pertencem, ambos, à categoria de Contos. Como foi a transição de um para o outro?
P.K. Naturalíssima. Tive a preocupação, em ambos os livros, de que existisse alguma harmonia temática e técnica e não apenas colecções um pouco aleatórias de estórias. Para mim, faz sentido que esteja presente determinado conto e outro não, que esta estória surja precedida daquela e não o oposto.

s.m. Podemos esperar um romance ou um livro de poesia para breve?
P.K. Não. A área da ficção breve (chamem-lhe conto, short-story, narrativa curta, estória, tanto faz) é a que me interessa, a médio prazo, porque me permite uma maior liberdade temática e estilística, uma grande diversidade de abordagens e explorações.

s.m. Conta-nos que tal é a experiência de ser um autor reconhecido no mercado livreiro do nosso país.
P.K. Duvido muito que seja um autor reconhecido no mercado livreiro. São publicados quinze mil novos livros cada ano, autores reconhecidos são os que vendem oitenta mil exemplares.

s.m. Sei que recebeste o Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco, de 2005, da APE com o teu livro Gastar Palavras. O que sentiste?
P.K. Alegria e incredulidade, principalmente. É o mais prestigiado prémio a que poderia aspirar, na área em que escrevo, e durante umas horas senti-me vagamente importante. Depois, passou. Mas foi uma honra enorme, enorme.

s.m. Como surgiram os títulos Gastar Palavras e Os Mundos que Partilhamos?
P.K. São ambos títulos de estórias presentes nos respectivos livros e que retratam ideias e estados de espírito que pretendi transmitir em determinado momento mas que também resumem alguma da essência de cada um dos livros. No primeiro caso, a escolha (que agora me parece óbvia e insubstituível) foi do meu editor; no segundo, o título “Os mundos separados que partilhamos” foi quase um ponto de partida na construção do livro, uma epígrafe.

s.m. Já tentaste escrever poesia? Dada a tua experiência como escritor posso perguntar-te o que consideras mais complexo - escrever poesia ou prosa?
P.K. Nunca escrevi poesia, não posso saber o que será mais complexo. Também nunca fui um grande leitor de poesia, o que não é obviamente motivo de orgulho; mas também não é nenhuma vergonha.

s.m. Será possível levantar um pouco o véu dos teus projectos futuros para os leitores do Cultura?
P.K. Literariamente? Ainda é cedo, o último livro tem menos de três meses. Tento, a cada conto novo, desafiar-me mais um pouquinho, temática e tecnicamente; superar-me, surpreender-me a mim a próprio. E é isso que pretendo, muito genericamente, para os projectos do futuro: que não sejam, apenas, repetições.

s.m. Qual foi a sensação de ver o teu primeiro livro publicado? O que mudou na tua vida?
P.K. Nada de considerável mudou. Senti que era um sonho concretizado mas, principalmente, o princípio de um percurso, uma nova etapa que começava. Acho que quando se concretiza um grande sonho surge uma espécie de vazio melancólico, perguntamo-nos se a alegria não estaria mais na antecipação, na preparação, na luta, na possibilidade. E esse vazio tem que ser preenchido com um novo sonho, por um novo objectivo.

s.m. Tiveste alguma formação em Escrita Criativa? O que pensas desta "disciplina"?
P.K. Não. Acho que um escritor deve ser, principalmente, um bom leitor (e não só de livros mas também de pessoas, de situações, de silêncios). Deve estar atento, ser observador. E pensar no que vê, no que lê, no que sente. Interrogar-se e desafiar-me. Depois, se adquire ferramentas e metodologias, aqui ou ali, óptimo.

s.m. Em termos literários, acreditas no termo "Inspiração", no termo "transpiração" ou numa simbiose de ambos?
P.K. Resisto um pouco àquelas imagem clássicas e redutoras do artista sofredor, que passa tormentos para arrancar algo de si, ou do iluminado, que magicamente se transforma em mero instrumento de uma qualquer força misteriosa. Há, como é óbvio, uma percentagem de esforço e outra de acaso, de inexplicável. Há reflexão e silêncio, há automatismos que se desenvolvem e aperfeiçoam. Há rotinas e surpresas. Há trabalho e ambição. Há frustração e revolta. Há disciplina e intuição. Há ordem e acidente. Há vaidade e sublimação. O processo criativo parece-me demasiado misterioso e intangível, é um pouco redutor restringi-lo a uma qualquer fórmula.

s.m. Organizas o teu tempo para escrever?
P.K. Nem por isso. Nunca escrevo por obrigação, nem o faço durante muito tempo; mas também me começo a sentir um pouco desconfortável quando passo alguns dias sem escrever. De qualquer modo, para mim “escrever” não se limita ao acto físico da escrita. Há, também, a observação, a especulação, a reflexão, que antecedem e acompanham a escrita propriamente dita.

"Paulo Kellerman mostra uma desenvoltura de temas e de processos, que nos convencem e entusiasmam..." Fernando Venâncio, Expresso
"... Interessa é sublinhar o domínio técnico do estilo de Paulo Kellerman, bem como a singularidade dos enredos que lhe assomam ao papel." Hugo do Vale, MagazineArtes
s.m. Diz-me Paulo, como caracterizas o teu processo de escrita?
P.K. Se por processo se entende o método de escrita, funciona um pouco como dizia há pouco: há na realidade que me rodeia, na leitura, na observação de um quadro qualquer elemento sugestivo que me capta a atenção e me leva a especular, a interrogar, a reflectir; depois, crio uma ficção que me permita suportar e desenvolver essa especulação, essa interrogação, essa reflexão. Basicamente, em cada estória tento colocar questões e, simultaneamente, explorar possibilidades de resposta que não sejam conclusivas mas permitam conduzir a novas questões.

s.m. Os teus livros foram editados pela Deriva Editores. Como foi o processo?
P.K. O editor da Deriva leu alguns contos, gostou, quis publicar. Há coisas que de tão simples parecem mágicas, não é?

s.m. O que pensas das edições de autor?
P.K. Foi por aí que comecei, durante anos publiquei em edições de autor. Até criei uma editora só para mim, que se chamava “Sem Editora”; tudo muito apaixonado, muito utópico. O problema era, como é óbvio, a distribuição. Mas há aqui uma contradição deliciosa: apostamos tudo o que temos e somos na criação, intelectual e material, do nosso livro; mas e depois: que fazemos com ele?

s.m. Qual é a tua opinião em relação ao mundo editorial?
P.K. Não é boa, nada boa…

s.m. Achas que o público, em geral, está mais "aberto" à poesia ou ao romance? E qual será a razão, na tua opinião?
P.K. Suponho que o público, em geral, prefira o que é mais acessível, mais fácil, menos perturbador; procura entretenimento e não que o façam pensar demasiado, que o confrontem consigo mesmo, que o desafiem e questionem. Uma crítica que me fazem com alguma frequência é que ninguém está interessado em ler sobre os problemas que tem que enfrentar no dia a dia, em acompanhar situações ficcionais com que se identifique demasiado.

s.m. Que autores lês frequentemente?
P.K. Nos últimos dois anos, os norte-americanos contemporâneos. Philip Roth, John Updike e Cormac McCarthy, principalmente. Mas também Don Delillo, Joyce Carol Oates, Norman Mailer, Paul Auster.

s.m. Qual foi, até hoje, o(s) livro(s) e/ ou autor(es) que mais te marcou/aram? Porquê?
P.K. Há uma dúzia de anos marcou-me, por exemplo, o Na Patagónia de Bruce Chatwin ou o Barão Trepador de Italo Calvino, no mês passado foi o Austerlitz de W. G. Sebald. Pelo meio há dezenas de outros livros.

s.m. Paulo, que conselho darias a quem sonha retirar da gaveta as suas palavras?
P.K. Que retire, e não pense mais nisso.

Em nome do Cultura agradeço a tua disponibilidade e extrema simpatia. Desejamos que todos os teus projectos se realizem pelo melhor.

quinta-feira, maio 24, 2007

FEIRA DO LIVRO DO PORTO
PAVILHÃO ROSA MOTA
24 DE MAIO A 10 DE JUNHO

FEIRA DO LIVRO DE LISBOA
Parque Eduardo VII
24 de Maio a 10 de Junho

Antologia Poética - Convite



quarta-feira, maio 23, 2007

Luís Filipe Cristóvão

Registo de Nascimento de Luís Filipe Cristóvão [Editora LivroDoDia]


Luís Filipe Cristóvão, nasceu a 24 de Fevereiro de 1979 em Torres Vedras. Licenciado em Línguas e Literaturas Modernas e pós-graduado em Teoria da Literatura pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, é sócio-gerente da Livrododia Editores e Livreiros. Publicou Registo de Nascimento (poesia, 2005) e Pequeña antologia para el cuerpo (poesia, Espanha, 2007). No prelo está E como ficou chato ser moderno, mais um volume de poemas. É, ainda, director da Revista Literária Sítio, uma publicação semestral.



Blogs do autor:
Mil Nove Sete Nove
Prazeres Minúsculos

Breve Entrevista:

s.m. Olá Luís. Em primeiro lugar quero agradecer a tua disponibilidade pois sei que és um homem bastante ocupado. :) Comecemos, portanto... Que idade tens? Qual é/ foi o teu percurso académico?

l.f.c. Depois de ter feito os estudos secundários em Torres Vedras, fui para Lisboa, onde me licenciei em Línguas e Literaturas Modernas, variante de Estudos Portugueses e Franceses, em 2002. Logo a seguir entrei no Programa de Mestrado em Teoria da Literatura, da mesma faculdade, de onde saí com a pós-graduação. Em 2006 frequentei uma especialização em edição, na Universidade Católica de Lisboa.


s.m. Conta-nos que tal é a experiência de ser editor, autor reconhecido, sócio-gerente, livreiro e autor/ contribuidor de dois blogues.

l.f.c. É um problema para a minha agenda – mas é sobretudo uma maneira de me sentir vivo. Não sei como parar.


s.m. Além de tudo isto publicaste/ publicas, também, em jornais, revistas e sítios online, correcto? Quais?

l.f.c. Comecei por publicar algumas séries de crónicas em jornais regionais e universitários, aos jornais ainda volto, já sem regularidade. De resto vou participando em revistas e sítios com textos e poemas, um pouco ao sabor de convites e disponibilidades, como é o caso das minhas participações na Minguante.


s.m. O teu primeiro livro, Registo de Nascimento, é poesia. Podemos esperar um romance para breve?

l.f.c. Sinceramente, não. Confesso que é um projecto, mas a minha escrita é sempre muito ligada a uma poética do mínimo. Não escrevo o suficiente para chegar a um romance. Nem sequer tenho tempo para isso.


s.m. Como surgiu o título do teu primeiro livro?

l.f.c. Aquilo que escrevo segue uma linha, ou tem seguido uma linha, muito próxima da infância, do viver desse período, das questões que nos são colocadas perante mundos que não conhecemos, como reagimos, de certo modo, aos processos de aprendizagem, à entrada na idade adulta. Este título surgiu do encontro desta temática que tomo por minha e da vontade de o fazer segundo certas regras que não controlo. Por isso recorri a uma linguagem jurídica, tão distante da minha.


s.m. Dada a tua formação académica e a tua experiência como escritor posso perguntar-te o que consideras mais complexo - escrever poesia ou prosa?

l.f.c. Adaptando uma frase que um dia me disseram, complexo é estar vivo. Poesia e prosa são processos semelhantes, não consigo dar-lhes graus de complexidade.


s.m. Será possível levantar um pouco o véu dos teus projectos futuros, em termos de criação literária, para os leitores do Cultura?

l.f.c. O plano mais imediato é conseguir acabar a revisão do meu próximo livro, para que saia ainda antes do pico do verão. Depois tenho dois convites para publicar na Galiza e no Brasil. É a esses projectos que me dedicarei de seguida.


s.m. E, poderias revelar aos nossos leitores alguns dos autores que a LivroDoDia já editou e, possivelmente, irá editar?

l.f.c. A Livrododia tem editado vários autores no campo da poesia e da prosa. Sem desmerecer ninguém, já que todos os autores da Livrododia fazem parte de uma família que eu valorizo muito, posso destacar a Inês Leitão e o Vítor-Luís Grilo. Para o imediato, vamos publicar também um livro da Rute Mota e um do Philippe Delerm. E o futuro é prometedor, é isso que te posso dizer.


s.m. Qual foi a sensação de ver o teu primeiro livro publicado?

l.f.c. Uma sensação de alívio. Uma sensação de ter finalmente chegado a um nível mínimo para a publicação. O primeiro degrau é sempre muito alto e eu adiei esse momento ao máximo. Não me vou nunca envergonhar do meu primeiro livro, porque só publiquei depois de muito trabalho e de muita reescrita.


s.m. Tiveste/ leccionaste Escrita Criativa?

l.f.c leccionei um pequeno seminário de escrita criativa, uma coisa sem importância.


s.m. Em termos literários, acreditas no termo "Inspiração"?

l.f.c. Não. Acredito no termo trabalho, no termo investigação, no termo experimentação. Inspiração é coisa de amadores.


s.m. Organizas o teu tempo para escrever?

l.f.c. Escrevo sempre que posso, no intervalo de uma tarefa, nas horas livres, quando a cabeça pede. Não tenho um horário estipulado porque o meu trabalho não me permite tê-lo. Mas escrevo e leio todos os dias.


s.m Como caracterizas o teu processo de escrita?

l.f.c. Passo muito tempo a ler e a pensar naquilo que vou escrever. Preparo a cabeça para esse momento. Normalmente deixo passar algum tempo sobre as coisas que escrevo para depois voltar a elas. E repito esse processo várias e várias vezes, até que o texto me pareça satisfatório. O que poderão ver pelos meus livros é que regresso sempre a alguns poemas ou versos dos livros anteriores. Nunca dou nada por terminado.


s.m. O que pensas das edições de autor?

l.f.c Penso que são uma fuga para a frente. O mercado precisa de indicadores em relação aos livros que lhe chegam, que aparecem disponíveis. E uma edição de autor está marcada deste o início por essa ausência de suporte.


s.m. Uma vez que estás dentro do "monstro", qual é a tua opinião em relação ao mundo editorial?

l.f.c. É um mercado como outro qualquer. A noção de cultura está apagada da maior parte do processo. Existem especificidades, mas no geral é gestão. Um mundo como qualquer outro, afinal.


s.m. E, administrando uma livraria e editora, achas que existem mais leitores de poesia ou romance? E qual será a razão?

l.f.c. Existem claramente muitíssimos mais leitores de romance. Ler poesia é como visitar uma língua estrangeira.


s.m. Quem foi, até hoje, o/ a escritor(a) mais fascinante com quem trabalhaste?

l.f.c. O que me fascina nos escritores é a sua capacidade de inventarem a cada passo. Existem alguns que me fazem acreditar que isso é possível.


s.m. Alguma vez te aventuraste no mundo dos Prémios Literários?

l.f.c. Concorri a alguns. Ganhei duas vezes. Deu para viajar.


s.m. Quando começaste a escrever?

l.f.c. Tenho umas rimas escritas em cadernos da primeira e da segunda classe. Começou aí a aventura com as palavras. Mas terá sido aos 15, 16 anos, que descobri que queria escrever mesmo escrever, como os escritores. Ainda não sei se o consegui.


s.m. Que autores lês frequentemente?

l.f.c. Não tenho nenhum autor que considere mestre. Acho que a variedade de leituras é a melhor forma de não nos enganarmos a nós próprios.


s.m. Qual foi, até hoje, o livro e/ ou autor que mais te marcou? Porquê?

l.f.c. Existem três livros que começaram qualquer coisa em mim. Os Cem Anos de Solidão, do G.G. Marquez, A Insustentável Leveza do Ser, do Milan Kundera, e A Náusea, do J.P. Sartre. Talvez nenhum deles seja o meu livro preferido do momento, mas foram livros que foram importantes para mim porque me abriram muito a cabeça. Abriram como ela precisava de ser aberta na altura.


s.m. Que conselho darias, como escritor e editor, a quem sonha retirar da gaveta as suas palavras?

l.f.c. Ler mais.


s.m. Escolhe um poema, do Registo de Nascimento, para acompanhar a tua entrevista, s.f.f.


lembra-se, lembra-se de tudo tudo

os cinco os seis os doze os quinze

lembra, lembra-se

infinitamente

em todos os momentos,

como se pode esquecer

o pai e a mãe sentados na mesa da cozinha

os irmãos a brincar cada um numa ponta da casa

lembrar lembrar

noites em frente da televisão

alguém que bate à porta

o avô morreu

lembrar lembrar

o silêncio de quem não fala

sentados na cozinha

deitados na cama

lembra-se, lembra tudo,

o corpo o corpo o corpo

quem é que tem corpo quando a cabeça estala e explode

mil pedaços de lembranças

a que não se consegue escapar.


in Registo de Nascimento, pág. 61


Muito sucesso no futuro, Luís, são os nossos votos. :)

age...

a juventude perdida que se senta naqueles bancos de jardim…
os versos de poesia ritmada que ficaram por declamar
os olhares que, só eles confessam, a nostalgia da janela abriu
a mesma que tinha o mundo e o perdeu.

os versos que diziam tudo mas já não se entende o seu sentido,
os olhares cuja força se esvaiu num refluxo insípido de nada e quase tudo.
a juventude perdida que não se reconhece nos espelhos do Sol.



Pietermaritzburg

23-05-07

Um dia, de madrugada...

um dia partirei de madrugada,
enquanto o sol dormir,
libertar-me-ei do pó do nada
com que o tempo se encarregou de me encobrir.
das cores funestas que se erguiam ao longo da nebulosa…
partirei para o sitio que me espera,
além do deserto,
das areias infinitas e inúmeras que me tapam a vista.
um dia partirei de madrugada antes que acorde o nevoeiro
antes que o sussurro dos primeiros sons te acordem…
partirei só com o calor da noite,
através dos caminhos silenciosos, caminharei
e no fim, numa qualquer madrugada
regressarei sem que dês pela minha ausência

Pietermaritzburg
22-05-07

Margem d' Arte

Caríssimos,

Margem d'Arte online é a extensão de um projecto para a arte e pela arte.
Procurando abordar os fenómenos que se manifestam ao nível do indivíduo,
encarados ou não como simples Acidentes, os Margem D' Arte, a partir de
diferentes pontos de vista, procuram abordar tudo aquilo que nos atormenta
enquanto seres pensantes. A partir de diferentes artes, recriam-se
representações, sentimentos, ideias, abstracções. Manifestando-se numa ideia
de continuidade, as várias perspectivas abordadas, representam, ao seu nível
mais cru, uma espécie de caminhos alternativos, explorações divergentes do
designado comum, dando a descobrir novos itinerários, novas abordagens,
novas vivências.

Na árdua luta que travamos dia após dia, com tudo aquilo que questionamos, a
Arte surge aqui como libertação, como entidade redentora, como fuga ao
instituído. Num mundo em que muita coisa deixa, por vezes, de fazer sentido,
a sensação de ínfima partícula, no meio de um Universo que engole a sua
própria matéria, o querer ser Tudo e ser Nada, estas e outras dúvidas,
comuns ou não a todos nós, permitem-nos a liberdade, a ousadia, a
necessidade de conhecimento. O que nos antecede, o que nos rodeia, o que nos
espera, o que nos move, o que nos paralisa, em suma, o que nos transcende.

Gratos pelo apoio manifestado sob as mais diversas formas: vendo,
criticando, divulgando.


www.margemdarte.blogspot.com

margemdarte@hotmail.com

Cordialmente,

Mário Lisboa Duarte
(tentáculo marginal)

Fade In'07

Decorria o ano de 2001, quando 3 indivíduos (incluindo este escravo), pensaram em algo para dinamizar o circuito musical da região de Leiria. O projecto inicial tinha como ponto de partida a divulgação das bandas da região. As expectativas foram superadas e o "monstro" cresceu. Abriram-se as portas ao mercado exterior...e bandas como Ataraxia, Alla Polacca, Das Ich, Ashram, etc. vieram dinamizar uma cidade que se sentia a morrer...Actualmente, a aposta recai em projectos vindos de fora... e este mês é a vez dos norte americanos PARENTHETICAL GIRLS. (Não vou rotular o género, deixo isso à vossa consideração)

26 de Maio - 22h00

Local: Orfeão Velho -Leiria

Bilhetes: €8,00 (€6,00 - Sócios)

Reservas: reservas@fadeinfestival.com / 244 836 688

Mais informações:


www.myspace.com/fadeinfestival

FUNDAÇÃO CALOUSTE GULBENKIAN

FORUM CULTURAL
A urgência da teoria

25 de Maio. Auditório 2. 18h30

Bernard Stiegler: Tomar cuidado

Esta conferência irá examinar as condições nas quais se estabelecem os sistemas assistencialistas e as razões pelas quais é um desafio para a espécie humana inventar um novo sistema, no momento em que as tecnologias transformacionais se desenvolvem exclusivamente segundo critérios de investimento estabelecidos por um capitalismo financeiro, que não parecem ser capazes de constituírem um sistema de cuidados para a sociedade.

Bernard Stiegler nasceu em 1952, em Paris. É o Director do Departamento Cultural do Centro Georges Pompidou, em Paris, onde acaba de criar o Instituto de Pesquisa e de Investigação. Ocupou vários cargos de chefia de organizações políticas, culturais e de investigação, de entre os quais se pode destacar o de Director de Programas no Colégio Internacional de Filosofia. Como filósofo, é autor de uma extensa obra sistematicamente traduzida, onde se podem destacar “La technique et le temps“, em seis volumes, “Passer à l’acte“ (2003), “Aimer, s’aimer, nous aimer“, “Du 11 septembre au 21 avril“ (2003), "Constituer l’Europe 1 et 2" (2005), "La télécratie contre la démocratie" e "Lettre ouverte aux représentants politiques" (2006). "Philosophe par accident" (2004) é uma obra de iniciação ao seu pensamento.

Seminário Comunismos - ISCTE

COMUNISMO E SACOS DE BATATA
com Paula Godinho e Fernando Oliveira Baptista


24 de Maio de 2007 às 17H30
ISCTE - Auditório B203 (Edifício II)
Seminário Comunismos
Organização: CEHCP-ISCT


Em "O 18 de Brumário de Louis Bonaparte", Karl Marx descrevia as
famílias camponesas à imagem de sacos de batatas, expressão que marcaria uma relação
sempre complexa entre marxismo, comunismos e camponeses. Nesta sessão do
Seminário Comunismos é justamente esta relação que vai ser objecto de
discussão, da célebre "Questão Agrária" debatida por Kautsky, Lenine e
outros, até à forma como as populações camponesas lidaram com a ideia
comunista em Portugal.


A sessão estará a cargo de FERNANDO OLIVEIRA BAPTISTA, ministro da
Agricultura e Pescas no IV e V governos provisórios em 1975 e hoje professor
catedrático do Instituto Superior de Agronomia da Universidade Técnica de
Lisboa, e de PAULA GODINHO, professora de Antropologia na Faculdade de
Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e, entre outros,
autora de "Memórias da resistência rural no Sul - Couço (1958-1962)".

terça-feira, maio 22, 2007

FESTA IBÉRICA DA OLARIA E DO BARRO em Reguengos de Monsaraz


A FESTA IBÉRICA DA OLARIA E DO BARRO é uma iniciativa de promoção cultural e turística de uma importante manifestação artística e artesanal: a Olaria.
Com um significativo número de centros oleiros no Alentejo e na Extremadura Espanhola, pretende-se com esta iniciativa valorizar a olaria, chamar a atenção para a sua importância e existência, para o seu valor artesanal e artístico, para a sua importância e significado na economia da região, promover o turismo e o património cultural, concentrando em torno de S. Pedro do Corval e de Salvatierra de los Barros - maiores centros oleiros da Península Ibérica - os vários centros destas duas regiões e, eventualmente, de outras regiões.
Exposições temáticas sobre a olaria, os artesãos e os centros oleiros em Portugal e Espanha; conferências temáticas sobre a vertente artística, a olaria, o barro, a cerâmica; o papel do mercado e o do associativismo; evolução e perspectivas; animação cultural; circuito de S. Pedro do Corval; Festival Ibérico de Música Popular e Tradicional; são alguns dos pontos que integram o programa da Festa Ibérica da Olaria e do Barro.
A FESTA IBÉRICA DA OLARIA E DO BARRO, que terá a sua 13ª edição em 2007 no Concelho de Reguengos de Monsaraz, é uma iniciativa do Município de Reguengos de Monsaraz e do Ayuntamiento de Salvatierra de los Barros (Espanha).

Organização
MUNICÍPIO DE REGUENGOS DE MONSARAZ
AYUNTAMIENTO DE SALVATIERRA DE LOS BARROS

Mais Informação

Oeiras Alive!07

Foram hoje avançados mais detalhes sobre o Oeiras Alive!07. Os horários de actuação das bandas, a confirmação da existência de dois palcos e quatro novos nomes são as novidades anunciadas pela Everything is New, promotora do evento.

As novas confirmações são os portugueses Oioai (dia 8) e Capitão Fantasma (dia 9), Shantel & Bucovina Club Orkestar (dia 8) e The Dead 60's (dia 9). Ficam a faltar dois nomes com actuação marcada para o palco principal no dia 9 e dois nomes para o palco secundário (um no dia 8 e outro no dia 10).

O Oeiras Alive!07 realiza-se entre os dias 8 e 10 de Junho no Passeio Marítimo de Algés, em Oeiras. Os ingressos estão à venda e custam entre €45 (1 dia) e €90 (3 dias).


Aqui fica o alinhamento e horários de actuação das bandas anunciadas até à data:

Dia 8 de Junho

Palco Optimus
Pearl Jam (23h40)
Linkin Park (21h40)
Blasted Mechanism (20h00)
The Used (18h30)

Palco Sagres Mini
Shantel & Bucovina Club Orkestar (01h50)
The Sounds (23h25)
The Rakes (21h50)
Unkle Bob (20h20)
Oioai (18h00)


Dia 9 de Junho

Palco Optimus
Smashing Pumpkins (23h45)
White Stripes (21h45)

Palco Sagres Mini
Dezperados (00h50)
The Go! Team (23h00)
The Dead 60's (21h20)
Capitão Fantasma (20h10)
Plastica (19h00)
Dapunksportif (18h00)


Dia 10 de Junho

Palco Optimus
Beastie Boys (23h00)
Da Weasel (21h15)
Matisyahu (19h35)
Sam The Kid (18h30)

Palco Sagres Mini
Buraka Som Sistema (00h30)
The (International) Noise Conspiracy (22h50)
WrayGunn (21h30)
Vicious Five (20h10)
Nigga Poison (19h00)

4.º Encontro de Poesia de Vila do Conde, 23, 24 e 25 de Maio

O mês de Maio é o mês dedicado à poesia em Vila do Conde e, tal como em anos anteriores, a Câmara Municipal, através da sua Biblioteca, preparou um conjunto de iniciativas que terão lugar nos próximos dias 23, 24 e 25.

Dia 23 de Maio, às 21:00h, na Alfândega Régio, Espectáculo "Musa ao Espelho", um espectáculo inovador que alia a poesia à música. Adoptando um repertório poderoso e eclético, constituído por temas originais e arranjos de composições de Astor Piazzolla e Jimi Hendrix, “Musa ao Espelho” percorre com virtuosismo um conjunto de autores que vão desde Jorge Luís Borges a Mário Cesariny passando por Luís Buñuel, Boris Vian, Ana Luísa Amaral, Rui Pires Cabral, Rui Lages, Helga Moreira, Herberto Hélder, José Luís Peixoto, Filipa Leal, António Maria Lisboa, e outros poetas contemporâneos portugueses e estrangeiros.

Dia 24 de Maio, às 17:30h, na Biblioteca Municipal José Régio, sob o tema "Eu, poeta, me apresento." Os convidados Maria Teresa Horta e José Rui Teixeira são convidados a partilharem, com o público aspectos que considerem relevantes da sua biografia e da sua obra. Cada um dos intervenientes dirá poemas de sua autoria.

Dia 25 de Maio, às 17.30h,na Biblioteca Municipal, "Miguel Torga 100 anos depois" - Palestra por Dr.ª Isabel Ponce de Leão
poemas ditos por Vítor de Sousa.

Apresentação do Livro "Murmurios Ventos"

Jorge Casimiro, dia 25 de Maio - Caldas da Rainha
Mais informações:
Martinsfontesportugal@gmail.com

segunda-feira, maio 21, 2007

Fernando M. Dinis

















Hoje o Cultura apresenta o escritor e pianista Fernando M. Dinis que nos deu o prazer de responder a algumas questões para que o possamos conhecer melhor.








Breve Biografia:



Fernando Dinis nasceu em Lisboa em Novembro de 1976. Estudou piano na Academia de Amadores de Música em Lisboa. Compôs bandas sonoras para teatro e foi actor. Editou em 2003 Dá-me-te, pela Hugin Editores, e em 2006 foi integrado na antologia bilingue de poesia actual portuguesa Poema Poema, editada por Uberto Stabile.

Blog do Autor


Breve Entrevista:

s.m. Olá Fernando. Em primeiro lugar quero agradecer a sua disponibilidade e simpatia para com o Cultura. Que idade tem? Qual é a sua formação e experiência profissional?

Fernando M. Dinis – Eu é que agradeço. Tenho 30 anos. A minha formação passou pela música. Estudei piano. Mas não o suficiente para poder viver disso.

s.m. Sei que publicou o livro Dá-me-te e tem alguns textos num outro com o título Poema Poema. Pode falar-nos acerca deles? (Trata-se de poesia, prosa ou ambos?)

F.m.D. – O Dá-me-te é um livro ambíguo, pois é uma colagem de poemas e textos de prosa-poética que fui escrevendo ao longo de variados anos. Quando surgiu a possibilidade de editar, o que aconteceu através da Hugin, limitei-me a reunir os trabalhos que eu julgava mais marcantes que tinha escrito até então. Hoje, talvez fizesse as coisas de uma forma diferente. No Poema Poema, sendo uma antologia, constam apenas cinco poemas novos.

s.m. O título do seu livro é bastante apelativo. Como surgiu?

F.m.D. – Surgiu quando eu tinha 17 anos e compus uma música com esse título para a minha banda de rock. Nunca me passaria pela cabeça que 10 anos mais tarde, editaria um livro com esse nome. É uma palavra que sintetiza muito a atmosfera das paixões fulminantes, e que serviu de fio condutor na reunião dos textos que fiz para o livro. Achei que seria a palavra indicada, até pela sonoridade estranha.

s.m. Uma vez que já escreveu poesia e prosa poderá dizer-me qual dos géneros considera mais complicado?

F.m.D. – Escrevo tanto poesia como prosa. Apenas editei em poesia, mas já passei por vários romances, todos eles que me serviram de método de aprendizagem. Em relação ao processo criativo, a poesia é um trabalho de provocação. Estamos sempre à procura de novas formas/fórmulas de dizer as coisas. É um processo complicado, que nem sempre resiste aos tempos. Sou incapaz de me rever em alguns poemas antigos, exemplificando. Mas a sua magia preside aí mesmo. A poesia é algo que cresce connosco. A prosa, mais propriamente o romance, é ainda mais difícil, pois há que viver a história todos os dias, e trabalhar todos os dias. Se passamos uma semana sem tocar no que escrevemos, perde-se a nossa interioridade na história. A questão é que, nem sempre, temos períodos da nossa vida que permitam essa entrega permanente. De qualquer modo, escrevo todos os dias. Nunca mais de 3 páginas. Mais do que isso é baralhar ideias. No dia seguinte, arrefecido, emendo o que escrevi e sigo em frente.

s.m.Será possível levantar um pouco o véu dos seus projectos futuros para os nossos leitores?

F.m.D. – Felizmente encontro-me com novos projectos, tendo a edição apalavrada com uma editora para um novo livro de poesia, a sair em breve. Trabalho afincadamente num romance.

s.m. Os seus livros foram editados em que condições?

F.m.D. – O Dá-me-te foi pela editora Hugin, e teve uma distribuição magnífica. O Poema Poema, é uma antologia, editada em Espanha, pelo Uberto Stabile, que muito me honrou fazer parte...

s.m. O que sentiu com a publicação do seu primeiro livro?

F.m.D. – É algo de grandioso, a princípio. E lá damos por nós a entrar nas livrarias para sondar a distribuição, e a sentirmo-nos bem quando encontramos o nosso livro. Mas não muda nada na nossa vida. É algo que se esquece rápido.

s.m. Teve algum tipo de formação em Escrita Criativa?

F.m.D.- Nada.

s.m. Em termos literários, acredita no termo "inspiração"?

F.m.D. – Acredito no trabalho e na maturidade que se alcança ao longo dos tempos.

s.m. O que pensa das edições de autor?

F.m.D. Há muitos anos, fiz a edição própria de dois livros, experiência que não quero voltar a repetir. Não somos vendedores, já o disse o Fernando Esteves Pinto e muito bem.

s.m. Qual é a sua opinião em relação ao mundo editorial?

F.m.D. – Eu acho formidável que pequenas editoras consigam editar novos autores, embora existam detalhes nessas edições que escapam às massas. Falo de editoras que não se importam de editar autores novos, desde que estes, patrocinem a edição. Isto para mim é fazer uma edição de autor mas com distribuição assegurada. Outras editoras não. Assumem o risco. Mas acho que há lugar para tudo e para todos. De qualquer forma, sabemos que raros são os livros que são realmente lidos.

s.m. Acha que existem mais leitores de poesia ou romance? E qual será o motivo?

F.m.D. – As edições de poesia rondam os 300 exemplares, e por aqui se pode adivinhar a quantidade de leitores de poesia. O romance é mais cativante ao leitor, pode agarrá-lo através de uma história. É mais abrangente. É compreensível que assim seja. Eu próprio compro poucos livros de poesia. Romances, leio um quase todas as semanas.

s.m. Organiza o seu tempo para escrever?

F.m.D. – Depende. Normalmente os poemas acontecem. Frases que me surgem e me acompanham mentalmente dias a fio, até que resolvo escrevê-las e depois arranco para o resto do poema. Na prosa é diferente. Escrevo todas as manhãs as costumeiras três páginas. Gosto muito de escrever de manhã. Caso não escreva, ando rezingão o dia inteiro.

s.m Como caracteriza o seu processo de escrita?

F.m.D.- Inconstante. Tenho fases de trabalho muito intenso, e outras de puro abandono. Mas porque também gosto de compor, e passo algum tempo ao piano. Não há tempo para tudo.

s.m. Alguma vez se aventurou no mundo dos Prémios Literários?

F.m.D. – Nunca.

s.m. Quando começou a escrever?

F.m.D – Aos 9 anos, quando o meu pai comprou uma máquina de escrever lá para casa. A primeira tentativa foi uma peça de teatro (porque também já fui actor). Depois vieram os pequenos textos diários e só depois a poesia. A pretensão de escrever um romance foi só mais tarde.

s.m. Que autores lê frequentemente?

F.m.D. – Ando viciado no Haruki Murakami. E a minha prosa tem sido muito influenciada por ele. De resto gosto de Milan Kundera, Hermann Hesse, Kafka, Dostoievski. Dos portugueses gosto de José Saramago, Al Berto, Herberto Hélder…

s.m. Qual é o seu livro e autor preferidos? Porquê?

F.m.D. – Há muitos livros e autores. Posso dizer que um livro que me marcou imenso foi o Siddhartha de Herman Hesse. É um livro único e perfeito.

s.m. Que conselho daria a quem sonha retirar da gaveta as suas palavras?

F.m.D. – Escrever muito. Acreditar sempre.

s.m. Escolha um poema, de um dos seus livros, para acompanhar a sua entrevista.

Poema do Engate

Atinge as palavras com fúria.
Avança na direcção
da rouquidão da noite.
Sabes que é assim
que se colhem paixões;
Com o cutelo do sonho empunhado,
os olhos esganados de desejo e o corpo a tremer,
numa ressaca de ternura.

in 'Dá-me-te', 2003, Hugin.

Mais uma vez tenho de lhe agradecer a disponibilidade e a simpatia e desejar que todos os seus projectos futuros corram da melhor forma.

Exposição



Titulo: "Keep it in the family"
Autor: Corvo Negro
Máquina: Canon EOS 350D
Lente: Sigma CD Macro 17-70mm
Exposição: 60/8

domingo, maio 20, 2007

Fundação de Serralves


TRANSFIGURAÇÕES EFÉMERAS

13 Jan - 30 Dez 2007 - PARQUE DE SERRALVES

A CRIAÇÃO DO MUNDO - Carla Cruz

O ciclo Transfigurações Efémeras sublinha o reconhecimento da diversidade de experiências do espaço de paisagem de Serralves, considerando necessárias activações que anulem uma percepção de lugar estática. Anualmente um jovem artista é convidado a intervir sobre o mesmo lugar: o pátio da Quinta.
A Criação do Mundo, projecto de Carla Cruz, parte da citação do Génesis “… e Fez o Homem à Sua imagem e semelhança” para questionar a noção de cidadania e a participação, activa ou passiva, de cada um de nós na construção da sociedade.

Comissários: Victor Beiramar Diniz e João Fernandes