segunda-feira, junho 25, 2007

Sugestão para uma Reflexão

Existe um estudo que vem sendo realizado pelo filósofo recifense Suzano de Aquino Guimarães, sobre a Fenomenologia do Espírito de Hegel. O interessante a destacar é que há um olhar conjunto com a poesia de Carlos Drummond de Andrade. Especificamente, pode-se ler um pouco sobre esta interessante pesquisa, na REVISTA ELETRÔNICA DE ESTUDOS HEGELIANOS (Revista Semestral da Sociedade Hegel Brasileira - SHB). O ensaio em destaque é o do Ano 2º - N.º 03 Dezembro de 2005 e o link de acesso é:
Como ilustração para esta página de cultura múltipla, transcreve-se um trecho do poema utilizado no ensaio de Suzano de Aquino. É o poema Nascer de Novo do livro A Paixão Medida do Mestre Drummond:
Nascer de Novo
- Carlos Drummond de Andrade -

Nascer: findou o sono das entranhas.
Surge o concreto,
a dor de formas repartidas.
Tão doce era viver
sem alma, no regaço
do cofre maternal, sombrio e cálido.
Agora,
na revelação frontal do dia,
a consciência do limite,
o nervo exposto dos problemas.

Sondamos, inquirimos
sem resposta:
Nada se ajusta, deste lado,
à placidez do outro?
É tudo guerra, dúvida
no exílio?
O incerto e suas lajes
criptográficas?
Viver é torturar-se, consumir-se
à míngua de qualquer razão de vida?

Eis que um segundo nascimento,
não adivinhado, sem anúncio,
resgata o sofrimento do primeiro,
E o tempo se redoura.
Amor, este o seu nome.
Amor, a descoberta
de sentido no absurdo de existir.
O real veste nova realidade,
a linguagem encontra seu motivo
até mesmo nos lances de silêncio.

A explicação rompe das nuvens,
das águas, das mais vagas circunstâncias:
Não sou eu, sou o Outro
que em mim procurava seu destino.
Em outro alguém estou nascendo.
A minha festa,
o meu nascer poreja a cada instante
em cada gesto meu que se reduz
a ser retrato,
espelho,
semelhança
De gesto alheio aberto em rosa.

quinta-feira, junho 21, 2007

Cartaz Oficial do Evento CorposEditora

A corpos editora fará mais um evento literário no dia 29 de Junho de 2007 (Sexta Feira) no bar Blá Blá, em Matosinhos, pelas 22h30m.

quarta-feira, junho 20, 2007

Convite

Gonçalo M. Tavares apresenta "Os mundos separados que partilhamos" (Deriva), de Paulo Kellerman.

Paulo Kellerman apresenta "Breves notas sobre medo" (Relógio d' Água), de Gonçalo M. Tavares.

Dia 28 de Junho, às 18h30, na Livraria Bulhosa (Entrecampos), em Lisboa.


Enviado por: Paulo Kellerman


MOSTRA DE CINEMA ROMENO - COIMBRA PORTO LISBOA



Até 24 de Junho

Lisboa, Porto e Coimbra acolherão até 24 de Junho a primeira Mostra de Cinema Romeno em Portugal.

Organizada pelo Instituto Cultural Romeno de Lisboa, a mostra apresenta filmes de Longa e Curta-metragem, bem como documentários realizados por cineastas contemporâneos romenos.

Este evento pretende chamar a atenção para uma cinematografia em pleno renascimento. Após atravessar uma crise nos anos oitenta, o cinema romeno ressurgiu em 1990 com o advento de realizadores como Radu Mihaileanu, Nicolae Cranfil ou Titus Munteanu.

A tão esperada mostra tem por missão prestar homenagem à "nova vaga" de realizadores como o Cristi Puiu (realizador do premiado "A morte do senhor Lazarescu"), Corneliu Porumboiu e Catalin Mitulesco (ambos premiados em Cannes), entre outros.

Os doze filmes propostos, anteriormente premiados em vários festivais internacionais, têm em comum o facto de por intermédio da ficção ou do documentário, explorarem as mudanças da sociedade romena.

"A morte do Sr. Lazarescu", "Foi ou não foi", "Como é que passei o fim do mundo" e "Tráfego", são algumas das obras que marcarão presença nesta reunião do melhor da cinematografia romena actual.

Espectáculo de Dança no CCB


30 de Junho de 2007
21h00 | Grande Auditório


Estrella Morente tornou-se na nova coqueluche de Pedro Almodôvar ao dar voz a "Volver" tema-título do mais recente filme do realizador espanhol.

Aos 26 anos a filha primogénita de Enrique Morente é já considerada como um dos nomes mais promissores do Flamenco. Dotada de uma voz cristalina, Estrella Morente move-se suavemente entre tons quentes e sedutores, e frases emotivas e arrebatadas.

Estrella possui um conhecimento profundo da sua arte, assim como um refinado gosto que lhe é inato, o que a tornou numa referência tanto para os aficionados do Flamenco como para os amantes da música em geral, combinando as influências da sua terra natal – Granada – com as novas tendências do Flamenco do novo milénio.

Mujeres", o espectáculo a apresentar no CCB é baseado no seu novo álbum, um tributo a grandes figuras femininas.

"O canto de Estrella Morente não é puro nem ortodoxo mas contém elementos únicos e personalidade, o que constitui uma verdadeira revolução no panorama da tradição do “Cante Flamenco”.





Espectáculo de Dança no CCB


23 de Junho 2007
19h00 | Sala de Ensaio
Duração:50 minutos


Brites de Almeida era o seu nome, mas ficou conhecida como a Padeira de Aljubarrota. Faz parte do imaginário português porque – diz-se – foi decisiva para a vitória sobre os castelhanos na Batalha de Aljubarrota (1385). Das Padeiras, uma criação de Ana Gouveia e Marina Nabais, conta o “aqui, agora e sempre” desta história. Apresentando as diferentes facetas da personagem feminina e várias versões do que se passou, as duas bailarinas questionam o que é verdade no mito e o que permanece actual: a padeira foi mesmo uma heroína? Vivemos num medieval contemporâneo ou numa contemporaneidade medieval?

Encompassing the Globe - Exposição Portuguesa nos E.U.A.

A inauguração da exposição "Encompassing the Globe", que mostra a influência dos Descobrimentos portugueses noutras culturas ao longo dos séculos XVI e XVII e reúne 260 peças provenientes de museus e colecções particulares de todo o mundo, vai ocorrer hoje, num evento organizado em Washington pela Smithsonian Institution, uma das maiores instituições culturais norte-americanas.

Cavaco Silva vai visitar a exposição durante a tarde (hora local) e à noite participa, como convidado de honra, num jantar de gala que assinala a inauguração e que termina com um espectáculo de fado, com Mariza.

© 2007 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.

terça-feira, junho 19, 2007

A Internet no seu Melhor...

Favourite Website Awards

Sites fantásticos... entre eles, este: Johnny Hollow

Evento CorposEditora

A corpos editora fará mais um evento literário no dia 29 de Junho de 2007 (Sexta Feira) no bar Blá Blá, em Matosinhos, pelas 22h30m.

O evento contará com as seguintes actividades:

- Espectáculo poético de Ex-Ricardo dePinho Teixeira com a participação de Ironic Salazar, Pedro Romualdo Elisa Nair.
- Espectáculo Poético de Anthero Monteiro e Luís Filipe Carvalho.

Lançamento dos seguintes Livros :
-José Torres "A tristeza matou os peixes que nadavam nos teus olhos”
-Mário Margaride “O Eco das Palavras”
-A. Marks "Retratos a Carvão”-Bruno Resende “Subterfúgios”

Será também o dia do lançamento oficial do "Corpos Noticias" nº1 (jornal mensal gratuito da nossa editora)


DJ´s: Miguel TT e Pedro Killer
Entrada 5€

segunda-feira, junho 18, 2007

FESTIVAIS DE MÚSICA

Para te manteres informado(a)

Lisbon Village Festival


domingo, junho 17, 2007

Festas de Lisboa

Feira de S. João, Évora

sexta-feira, junho 15, 2007

EXPOSIÇÃO SIG MOSAICS

Convite EXPOSIÇÃO SIG MOSAICS

Temos o prazer de convidar para a Exposição de SiG Mosaics na Quinta do Ermo sábado 30 de Junho entre às 10h e 17h

Todas as peças são feitas à mão pela artista Kerrin Forster Lobato de Faria

Peças à venda incluem mesas, vasos, pratos, espelhos e peças decorativas entre outros

Preços a partir dos € 15

Contamos consigo para desfrutar de uma experiência única na beleza envolvente da Quinta do Ermo.

A entrada é gratuita e o Vinho Verde da Quinta do Ermo será servido

Para maiores informações acerca da artista e o seu trabalho visite www.sigmosaics.com ou contacte a Kerrin no nº telemóvel 919516600

Para maiores informações acerca da Quinta do Ermo e como chegar visite www.quintadoermo.blogspot.com ou contacte a Daniella no nº telemóvel 936077561

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Como chegar à Quinta do Ermo

Percurso aconselhado 70KM do Porto:
- Saída do Porto pela A3
- Entrada na A7 em direcção a Guimarães
- Antes de Guimarães, continuar na A7 em direcção a Fafe
- Após a portagem em Fafe, surge uma série de 3 rotundas:
- na primeira rotunda sair na direcção de Fafe-este
- na segunda rotunda sair na direcção de Fafe-sul
- na terceira rotunda sair na direcção da Póvoa de Lanhoso
- Continuar na direcção da Póvoa de Lanhoso
- Atravessar o rio Vizela e virar à esquerda na direcção de Paços - A 1 Km de distância aparece a Quinta do Ermo sobre a esquerda
Morada: Quinta do Ermo, Rua José Cardoso Vieira de Castro 491, São Vicente de Paços 4820-550, Fafe


quarta-feira, junho 13, 2007

Pedro Chagas Freitas














Site do Autor

Blogue Pessoal

Pequena Biografia

Pedro Chagas Freitas é licenciado em Linguística pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e tem já, entre outras obras de ficção, biografias e textos de especialidade em diversas áreas. Venceu vários prémios literários, entre eles a Bolsa Jovens Criadores 2006 e o Prémio Paul Harris 2000.
Como jornalista já trabalhou em "A Bola", "DN Jovem" e "Inside". Escreve guiões para cinema e banda desenhada e escreveu obras biográficas para os grupos Impala e Mediapromo. É revisor linguístico e consultor criativo para empresas e particulares. É, ainda, cronista de humor na publicação Rede 2020 e no site "Empreender" e de ficção no jornal "Notícias de Guimarães". Coordena, também, sessões de escrita criativa. Mas vamos conhecê-lo um pouco melhor...

Livros Editados

Mata-me da Corpos Editores
O Evangelho da Alucinação da Corpos Editores
Já Alguma Vez Usaste o Sexo sem Necessitares de Usar o Corpo da Corpos Editores
Os Dias na Noite da INDIEbooks


Entrevista

sandra martins - Olá Pedro. É um imenso prazer poder contar com as suas palavras aqui no nosso Blogue. Noto que é bastante dedicado ao mundo da divulgação artística e à interacção com os leitores e futuros escritores do nosso país, posso perguntar-lhe como é a relação com os seus leitores e críticos?

Pedro Chagas Freitas – Agradeço-lhe, antes de mais, o convite que me expressou; é uma honra estar aqui neste espaço extremamente interessante no campo da divulgação artística. Depois, e respondendo à sua questão, só poderei afirmar que, de facto, procuro ter uma relação o mais próxima possível com os meus leitores. Recebo-os de braços abertos e tento, compreendendo o quão importante isso pode ser em dados momentos, auxiliá-los da melhor forma que consigo.

Por outro lado, e como o feedback é, sempre, algo de muito importante sob o meu ponto de vista, constituí, ao longo do tempo, aquilo que costumo chamar de “Conselho de leitores”, que mais não é do que um grupo de pessoas, das mais diversas áreas - e que, em muitos casos, nem sequer conheço pessoalmente -, que tem a seu cargo a tarefa de ler as obras que vou produzindo, ainda em bruto, e, depois, oferecerem-me as suas indicações – genéricas e também mais específicas. Isso é, efectivamente, decisivo para mim.

Dentro desse “Conselho” pode encontrar-se críticos literários, escritores e pessoas da área; mas também pode encontrar-se pessoas que em nada estão ligadas, profissionalmente, à escrita ou à arte, mas que podem, por serem leitores dedicados, ser de uma utilidade enorme para mim e para determinados pormenores – técnicos, temáticos e estilísticos.


s.m. Qual é/ foi o seu percurso académico? O que lhe ocupa a maior parte do tempo?

P.F. Depois de terminar o ensino secundário, estudei, em Lisboa, durante quatro anos, Linguística. Foi um curso extremamente útil, ensinando-me bastante sobre o funcionamento da língua e oferecendo-me, assim, uma base de sustentação sólida para o que haveria de ser – e então já o era, também – o meu trabalho.


s.m. Quando começou a escrever?

P.F. A língua portuguesa é – e sempre foi – o meu instrumento de trabalho, e, ao mesmo tempo, a minha paixão. Escrevo, profissionalmente, desde os dezassete anos, quando me iniciei – e logo como chefe de redacção. Desde então, nunca mais parei de estar ligado à produção escrita. Mas já antes dessa idade escrevinhava umas coisas – coisas de adolescente, que, orgulhoso, mostrava à família que, como é natural, dizia que eu iria ser o próximo Fernando Pessoa.

Na verdade, tenho a firme consciência de que só o treino fez com que pudesse estar a um nível que considero aceitável. E, para isso, foi fundamental, mesmo, o meu percurso profissional, que fez com que escrevesse desde livros sobre automóveis até biografias, passando por crónicas desportivas e de humor, não esquecendo os textos publicitários, o guionismo, etc. Enfim, todas estas formas de escrita, apesar de aparentemente desconexas entre si, foram – e são – pilares de trabalho que me forneceram pistas e moldes utilíssimos para conseguir produzir aquela que, para mim, é a arte derradeira, a arte que tudo pode aglutinar dentro de si: o romance.


s.m. Além dos livros Mata-me e o Evangelho da Alucinação sei que já publicou outros e/ ou publica, actualmente, noutros suportes. Poderá revelar aos nossos leitores quais?

P.F. Já publiquei, para além dos dois títulos que refere, mais duas obras – “Já Alguma Vez Usaste o Sexo sem Necessitares de Usar o Corpo” e, mais recentemente, “Os Dias na Noite”. Para além disso, escrevo, como referi na resposta anterior, em variados suportes. Na vertente literária propriamente dita, escrevo para publicações regionais e nacionais pequenas crónicas de ficção – que muitas das vezes se revestem de um cariz filosófico –, ao mesmo tempo em que colaboro, também, com a revista de micronarrativas “Minguante” e com algumas revistas e sites na área dos textos de humor – uma área que também me tem vindo a fascinar bastante.

Continuo, ainda, a dedicar-me ao guionismo – está para breve a estreia de uma curta-metragem – e à escrita jornalística e publicitária (o copywriting, que, confesso, me dá um prazer enorme).

A internet, por seu turno, está também bem presente na minha produção. Para além de alimentar os meus sites pessoais, vou colaborando com alguns outros – não sei dizer não a um convite e as coisas têm-se acumulando – e até tenho um site, bem conhecido na rede, em que assino sob pseudónimo. E tem sido extremamente profícuo escrever sem que saibam quem sou – sem que haja uma espécie de pré-leitura (derivada do conhecimento do autor). O feedback, assim, é mais puro – mais imaculado.


s.m. Actualmente a Internet é uma importante ferramenta na divulgação de todo o tipo de arte e o Pedro tem vários sítios online, um pessoal onde os seus leitores podem acompanhar a sua evolução e reconhecimento público e outros de divulgação de projectos e de inéditos. O que pensa deste mundo? A criação destes suportes foi posterior ou anterior à publicação dos seus livros?

P.F. É um mundo fascinante mas que pode, como todos os mundos – como o mundo em sentido lato –, ter, dentro de si, potencialidades eventualmente perversas. O importante é saber usá-lo e não deixar que seja ele a usar-nos. É isso que procuro fazer: colocá-lo ao meu dispor e não deixar que seja ele a ter-me ali, sempre, às suas ordens.

Os suportes que refere são, todos, posteriores ao lançamento da primeira obra de ficção, e surgiram, em primeira análise, como resposta a esse desejo – meu e dos leitores – de criação de uma ponte entre quem escreve e quem lê. E penso que foi uma decisão acertada. A prova disso é que todos os locais – entretanto fui criando mais – estão vivos, são visitados e, mais importante do que isso, bem visitados.

s.m. Os seus livros são Ficção, o primeiro recebeu uma recensão bastante positiva por parte do “Expresso” e o segundo é considerado uma revolução literária. Como se sente perante este sucesso? Como foi a transição?

P.F. Terei de acrescentar, a essa questão, a recepção aos dois últimos que, sobretudo em relação a “Os Dias na Noite”, tem sido ainda melhor. Tive o prazer de ler, em jornais nacionais, pessoas que muito respeito a defenderem que eu poderia ser um dos grandes escritores deste país e que era, desde já, um grande escritor. É evidente que isso me envaidece bastante e que funciona, sobretudo, como um factor de motivação para não parar – não que eu, caso isto não acontecesse, fosse parar –, para seguir o meu percurso.

No que diz respeito à transição entre livros, não se poderá, sequer, falar nela. As obras que vou publicando estão, regra-geral, colocadas em pousio; isto é: já foram escritas há algum tempo e esperam, apenas, a hora de saírem da sombra e encontrarem o sol das livrarias. Tenho tentado, desde que iniciei a publicação das minhas obras ficcionais, manter uma distância, entre livros, de cerca de meio ano. Mas, feliz ou infelizmente, o meu ritmo de produção é superior ao meu ritmo de publicação, o que faz com que as obras se acumulem aqui em casa.


s.m. Qual foi a sensação de ver o seu primeiro livro publicado? Trouxe mudanças?

P.F. Foi uma sensação de justiça. E quando falo em justiça não falo em mérito qualitativo – que é sempre, para todos, altamente subjectivo; falo, isso sim, em mérito quantitativo – se assim lhe poderemos chamar. Quando lancei o primeiro livro tinha já escrito milhares de páginas e alguns romances. Foram, todos, treinos para a mão. E, nesse sentido, ter finalmente algo publicado foi a justiça de compensar todo esse labor incessante.


s.m. Conte-nos que tal é a experiência de ser um autor reconhecido no mercado livreiro do nosso país.

P.F. Não sou, de todo, um autor reconhecido no mercado livreiro. Isso é que irónico naquilo que apelida de mercado livreiro: os leitores conhecem-me mas o mercado não. Ou então sou eu que não conheço o mercado e estou a confundi-lo com outra coisa qualquer. Mas a opinião que tenho dele – do mercado – é a de que não é boa pessoa. Ou então, se calhar, é a de que ele nem sequer é uma pessoa.

s.m. Como surgiram os títulos Mata-me e Evangelho da Alucinação?

P.F. Os títulos são, para mim, uma das áreas mais fascinante de criação – ou não fosse eu, também, copywriter. Nos casos que refere, a escolha foi diferente: enquanto que em “Mata-me” se tratou, somente, de escolher uma das palavras que mais era repetida ao longo da obra; no caso de “O Evangelho” foi mais o encontrar de uma definição, genérica, do que na obra se poderia encontrar.


s.m. Fale-nos um pouco de cada uma das suas obras.

P.F. “Mata-me” é uma novela curta, dolorosa, cruel até. Viaja entre dois planos narrativos – e temporais – e está escrita numa prosa rendilhada, trabalhada, no limiar da prosa poética.

“O Evangelho da Alucinação” é um microdicionário, um género nunca visto até então. Está dividido por entradas lexicais, como um dicionário, e vai avançando de forma alfabética. Termina, depois, com um pequeno conto de ligação com o dicionário. É uma obra na fronteira do filosófico.

“Já Alguma Vez Usaste o Sexo sem Necessitares de Usar o Corpo” é uma junção de duas artes: o desenho, com trabalhos do Rui Laranjeiro (um artista de grande talento) e textos da minha autoria. É, este sim, um livro de aforismos filosóficos completamente assumidos enquanto tal.

“Os Dias na Noite” é um romance, escrito em três planos narrativos, muito movimentado – está sempre qualquer coisa a acontecer – mas que pode, também, ser alvo de uma leitura mais profunda. Costumo dizer que pode ser uma droga leve ou uma droga dura – dependendo do leitor que o encarar.


s.m. Dada a sua experiência como escritor, jornalista, linguista e coordenador da “Fábrica de Escrita” posso perguntar o que considera mais complexo - escrever poesia ou prosa?

P.F. São provas diferentes. Uma – a prosa – é uma prova de fundo, uma maratona. Exige capacidade de resistência e uma força de vontade inabalável. A outra – a poesia – é uma prova de velocidade, em que tudo se resolve em menos tempo e em que o estado de espírito do momento pode, apesar de a entrega e força de vontade serem também decisivas, fazer a diferença.

Pessoalmente não tenho preferências: escrevo. E é tudo.


s.m. Teve formação académica em Escrita Criativa? O que pensa desta disciplina?

P.F. Frequentei, no meu tempo universitário, diversos ateliers de Escrita Criativa. O que posso revelar é que me foram extremamente úteis e me permitiram escrever ainda mais. Penso que é isso que se deve esperar deles: que nos obriguem, ou motivem, ainda a escrever mais e mais, – obviamente com a aprendizagem, aqui e ali, de algumas noções ou dicas interessantes.

O importante, neste ponto, é fazer as pessoas entenderem que os ateliers de Escrita Criativa não vão ensinar ninguém a escrever; vão ser, isso sim, mais uma fonte de treino. Apenas isso. E, nesse sentido, são extremamente úteis – para principiantes e, também, pela partilha de conhecimentos entre os participantes, para consagrados.


s.m. Sei que iniciou um programa de Criação Literária denominado “Fábrica de Escrita” – poderá explicar aos nossos leitores do que se trata?

P.F. A “Fábrica de Escrita” é um projecto – já com mais de um ano de existência – em que se procura trabalhar sobre todas as áreas da escrita. Temos escolas de escritores – uma de jovens e outra de adultos – e vamos, um pouco por todo o país, realizando ateliers de escrita. Já estivemos em Aveiro, Porto, Amarante, Guimarães, etc. Vamos estar, ainda este ano, também nos Açores.

Já orientei mais de mil horas de sessões de escrita criativa e é algo que me dá um grande gozo. É fantástico observar a evolução que, com o correr do tempo, os operários da escrita, como lhes chamo, vão sofrendo. É mágico.

Mas a “Fábrica de Escrita” não trabalha, apenas, na organização de ateliers de escrita. Produzimos, também, textos para os mais diversos formatos: publicidade, guionismo, jornalismo, etc.

É, no fundo, aquilo que a sua denominação indica: uma fábrica de escrita.


s.m. Neste seu projecto podemos encontrar alunos das mais variadas idades. Como é trabalhar com um público tão diversificado? Qual é o feedback?

P.F. Como referia na resposta anterior, é mágico ver a evolução, em todos os operários – ou quase – de dia para dia. Recebemos pessoas das mais diversas áreas de formação e das mais diversas idades e é fascinante perceber o crescimento que vão tendo de sessão para sessão. É um trabalho altamente enriquecedor.


s.m. Em termos literários, acredita no termo "Inspiração", no termo "Transpiração" ou na sua simbiose?

P.F. A inspiração existe, de facto; é o momento que antecede a expiração. É só nessa inspiração que acredito. A outra é um mito.

Tudo é trabalho: e eu poderei ser a prova provada disso mesmo. Quando visito os meus escritos do tempo em que acreditava na inspiração e me deixava estar, quieto e introspectivo, à espera das ideias – à espera da inspiração -, chego a envergonhar-me daquilo que leio. Se tivesse continuado com essa perspectiva – romântica e irreal –, hoje não seria capaz de escrever nada que pudesse ser, no mínimo, fraco. Era péssimo. Mas – e essa é uma prova inexorável daquilo que afirmo –, mesmo sendo péssimo, consegui atingir um nível que considero, já, publicável. Logo: não acredito no dom; ou melhor: acredito no dom de ter força para trabalhar. Costumo dizer que só quando dói é que a literatura está a ser, realmente, boa.


s.m. Sente necessidade de organizar o seu tempo para escrever?

P.F. A minha vida é escrever. Assim sendo, toda a minha agenda é organizada em função da escrita. O que faço é segmentar os tipos de escrita: humor, ficção, biografias, etc.


s.m. Como caracteriza o seu processo de escrita?

P.F. Intensivo. Obsessivo. Escrevo, em média, oito horas por dia.


s.m. Os seus livros foram todos editados pela Corpos Editores? Como foi o processo?

P.F. O último foi editado pela INDIEbooks. No caso da Corpos foi um processo simples: enviei os textos, gostaram e avançámos.


s.m. O que pensa das edições de autor?

P.F. Acredito que as edições de autor são um refúgio que pode, e deve, ser melhorado e melhor acolhido no mercado. Há grandes obras publicadas em edição de autor. E haverá, tenho a certeza, muitas por publicar.


s.m. Qual é a sua opinião em relação ao mundo editorial?

P.F. Maquiavélico. Canibal. Come, sem misericórdia, quem não tiver uma carapaça de aço.


s.m. Acha que o público, em geral, é mais sensível à poesia ou ao romance? E qual será a razão?

P.F. O romance é inequivocamente mais vendável. Tem movimento, tem acção, tem enredo – tem, no fundo, a vida mais vida; mais palpável. Entendo perfeitamente que assim seja.


s.m. Que autores lê frequentemente? E que autores aconselha aos seus alunos da “Fábrica de Escrita”?

P.F. Sou adepto das drogas pesadas. Mas costumo dizer que mais vale consumir das leves que nenhuma. Em relação a nomes, gosto de fragmentos, apenas, de muitos autores: Camus, Lobo Antunes, Fiódor Dostoiévski, Marguerite Duras, Gonçalo M. Tavares, Haruki Murakami, entre muitos outros. E são esses mesmo que procuro recomendar aos operários da fábrica.


s.m. Qual foi, até hoje, o(s) livro(s) e/ ou autor(es) que mais o marcaram? Porquê?

P.F. Não houve um autor ou um livro, em específico, que me tivessem marcado. Sou um leitor analítico e, nesse sentido, delicio-me com pedaços, com fragmentos de obras. Fragmentos de verdadeira magia – etéreos mesmo. E encontrei momentos desses em obras de todos os autores que referi na questão anterior.


s.m. O que nos reserva para um futuro próximo, em termos de criação literária?

P.F. Está em agenda o lançamento de mais uma obra de ficção até ao final do ano. Estou, ainda, em processo de selecção de entre as muitas que tenho em pousio.

Por outro lado, estará, em muito breve, no mercado uma colecção de biografias de grandes nomes da história mundial, que também foi – e ainda está a ser – redigida por mim.

Vai ser filmada, também em breve, uma curta-metragem da minha autoria.

Há, ainda, outros projectos; mas estão em fase embrionária e seria demasiado precoce expô-los neste momento.


s.m. Pedro, que conselho daria a quem sonha melhorar o seu processo de escrita e, por fim, publicar as suas palavras?

P.F. Nunca parar; nunca ceder à tentação de um programa de televisão ali ao lado quando se tem tempo – e vontade – para escrever. Alguém, um dia, terá dito que é necessário, para se ser, mesmo, escritor, optar entre viver e escrever o viver. É essa a opção que têm de tomar. Eu já tomei a minha.

Em nome do Cultura agradeço a disponibilidade, a extrema simpatia e vejo-me forçada a referir, neste espaço, a elevada modéstia que encontrei no seu carácter. Por tudo isto parabéns e muito sucesso. Estaremos aqui para o ler.


A ÚLTIMA GRAVAÇÃO
um filme de Patrícia Saramago
ATÉ 25 DE JUNHO NA CASA CONVENIENTE

PROJECÇÕES DE SEGUNDA A SÁBADO, A PARTIR DAS 20H30
(antes do espectáculo "Fragmentos em letra pequena para duas vozes").

Outra vez.
Os gestos repetidos, os textos revisitados, os objectos que transitam de um espectáculo para outro, carregando consigo as marcas do tempo. Como aquele gravador antigo que já então ocupava, mudo, o seu lugar na primeira Casa Conveniente e ao qual Mónica Calle deu voz na recente “Variação sobre a Última Gravação de Krapp”.
Outra vez. A repetição inerente ao processo de ensaios, a repetição nascida da necessidade de sempre regressar a Beckett.
Quando Patrícia Saramago registou estas imagens, Calle construía “Um Dia Virá” (com Amândio Pinheiro, Ana Ribeiro e Mónica Garnel), um espectáculo estreado no CCB em Outubro de 2003, “a partir de Samuel Beckett”. Decorriam então os últimos ensaios naquela sala da Rua dos Remolares, antes da mudança da Casa Conveniente para a morada actual.
Em “A Última Gravação”, primeiro filme da sua autoria, Patrícia Saramago tece memórias de um espaço outrora habitado e hoje entregue ao silêncio. E revela vozes e movimentos que permaneceram. Como construção de um discurso – por vezes falhado, sempre recomeçado. Como pesquisa incessante. E como uma eterna sequela, à qual “Krapp” (abril/maio 2007) e agora “Fragmentos em letra pequena para duas vozes” acabam de acrescentar mais dois capítulos.

Patrícia Saramago frequentou a Escola Superior de Teatro e Cinema. Trabalha em cinema desde 1997, essencialmente na área de montagem. Colaborou, entre outros, com os realizadores Pedro Costa, Luís Fonseca, Rita Azevedo Gomes, Alberto Seixas Santos e Pierre-Marie Goulet.
Informações:
Alexandra Gaspar - tel: 96 3511971
---
Casa Conveniente
Direcção artística: Mónica Calle
Rua Nova do Carvalho, n.º 11
(ao Cais do Sodré)
1200-291 Lisboa
teatro.casaconveniente@gmail.com
Enviado por: Casa Conveniente

O Micróbio


Novo espaço de tertúlia.

Nocivo, corrosivo, incisivo.

Com a colaboração dos Margem d'Arte.

Porque importa sobretudo não confundir Faixa de Gaza com faixa de gaze.

Visite-nos em www.microbiomegalomano.blogspot.com

p.s: Procuramos novos elementos com vontade de colaborar connosco no
laboratório de O MICRÓBIO Para tal basta enviar uns "micróbios" (texto,
imagem, etc.) para margemdarte@hotmail.com


Enviado por: Mário Lisboa Duarte

Sugestão de Leitura



Título: “Mataram o Chefe de Posto”
Autor: E. S. Tagino
Editora: Saída de Emergência




SOBRE O LIVRO

“Mataram o Chefe de Posto” é um romance sobre a guerra colonial: uma guerra psicológica, quase sem tiros, mas tão mortífera e brutal como qualquer outra. Mas, acima de tudo, uma guerra adversa, e condenada à partida, contra as forças mais perenes e inexpugnáveis da natureza.
Romance de descoberta do amor e de crescimento pessoal do alferes Ferreira e dos seus homens. Tudo numa caminhada iniciática de iluminação espiritual que trará os sobreviventes da idade das trevas até ao limiar da claridade mais auspiciosa. Porque o alferes Ferreira, o furriel Geraldes e o furriel Carmo, o cabo Bacalhau e o condutor Piruças, são, afinal, apenas versões do mesmo jovem português, subitamente retirado do seu ambiente familiar, feito soldado para se ver, aos vinte anos, a milhares de quilómetros de distância, confrontado com a irracionalidade, a defender interesses coloniais que não sabe quais são, nem sequer se lhe dizem respeito.
É por isso que o alferes Ferreira, filho dessa elite que suporta e beneficia com o regime, mal chega ao Kimbali, começa, de imediato, a entender as contradições existentes no seio da sua própria classe. Quer seja nas comparações que, mentalmente, vai fazendo sobre os hábitos e os comportamentos dos colonos; quer seja no tipo de conversas, sem freio nem censura, que vai escutando entre os mesmos, durante as suas visitas à cantina do China. Mas é, acima de tudo, no convívio com Fred Bower e Eibi que a perplexidade do alferes Ferreira atinge o seu ponto mais elevado quando, a certa altura, deseja e teme “partilhar a frivolidade libertina daquele casal especial”. Frivolidade que se catapulta na proposta que Eibi lhe faz de partilha impudica com Maria…
Maria que, com Eibi e Marta, forma o trio feminino que gravita à volta do alferes Ferreira. Mulheres que, cada uma a seu modo, arriscarão sempre alguma coisa para o salvar: seja a vida, a honra ou a reputação.
“Mataram o Chefe de Posto” é uma obra com inúmeras possibilidades de leitura onde se procura fazer o retrato de um tempo de fim de Império, de um tempo de transição onde os sentimentos explodem no sangue quente de uma juventude amordaçada, subitamente entregue a si própria. Desse tempo cínico mas contraditório, vivido na Metrópole e nas colónias, afinal, a ritmos tão diferentes.
Mas é também o retrato do paternalismo cínico dessa elite colonial, feita de funcionários administrativos, grandes fazendeiros, agentes comerciais, técnicos, capatazes e aventureiros, que caracterizou o tipo de sociedade colonial que soubemos criar. Gente apenas interessada na manutenção do seu estilo de vida e na prosperidade dos seus negócios, tecendo, quase sempre, sem qualquer pudor, ligações ambíguas de interesse comum com o “inimigo”. Gente para quem, muitas vezes, a tropa era apenas um empecilho ao desenvolvimentos das suas actividades mais lucrativas.
Apesar de tudo, o alferes Ferreira consegue, ainda assim, manter intacta a sua integridade, malgrado os complexos de culpa que o vão afligindo. E depois, felizmente, tal como na vida, nem tudo o que parece é. Nem Eibi nem Marta nem Maria são, afinal, apenas aquilo que parecem.
Por fim, restará, ainda e sempre, as crianças que vão nascendo: Ricardo e Ana – os irmãos de leite – como verdadeiras sementes de esperança capazes de manterem em aberto as pontes do futuro.
Como essa ponte – real e simbólica – que o alferes Ferreira teimou em deixar reconstruída, antes de sair do Kimbali, e se fazer, pela última e derradeira vez, à picada.

Porque a ficção é apenas a realidade contada de outra maneira.
Enviado por: Bárbara Vale-Frias
25º Festival de Música em Leiria 2007
até 24 de Julho

Programação

Enviado por: C.F.