sexta-feira, julho 13, 2007
O INATEL promove, pela 2ª vez, o Concurso de Vídeo.
Esta iniciativa tem por objectivo promover o vídeo como meio de expressão artística e cultural, estimulando os Associados do INATEL à utilização imaginativa de um suporte cada vez mais presente nas produções artísticas, pelo que a sua importância é crescente nos meios audiovisuais.
Atreva-se. Filme. Participe!!!
PREPARE O SEU VÍDEO DE 15 MINUTOS E CONCORRA!
Festa do Cinema 2007

O INATEL traz pela primeira vez a animação e a magia do Cinema ao Parque de Jogos de Ramalde com as mesmas características da Festa que decorre em Lisboa e que este ano comemora a sua 6ª edição.
Agora é a vez da Invicta!
Num Ecrã com 300m2 e ao Ar Livre, serão exibidos 8 Grandes Filmes para todos os gostos e idades, num espectáculo único nas noites de Verão da Cidade do Porto.
Começando com mais uma grande aventura dos “Piratas das Caraíbas”, poderemos ainda ver o vencedor dos Óscares da Academia “The Departed: Entre Inimigos”. O Cinema Português não podia deixar de estar presente, com António Feio e José Pedro Gomes no “Filme da Treta”.
Esta é a sua possibilidade de ver Cinema num ecrã do tamanho da sua imaginação!
Não falte!
MoonSpell - The Great Silver Eye
Concurso Literário- Relançamento do Prémio Nacional de Poesia António Ramos Rosa
A Câmara Municipal de Faro relança o Prémio Nacional de Poesia António Ramos Rosa, após um interregno de 6 anos, cujo objectivo é premiar um livro em Português, de autor português, publicado integralmente, em 1.ª edição, no ano de 2006.
Trata-se da 3.ª edição desta iniciativa, tendo a primeira decorrido em 1999 e o prémio sido entregue a Fernando Echevarria. A segunda edição teve lugar em 2001, integrada no Festival de Poesia Internacional de Faro, tendo sido atribuído o prémio a Fernando Guimarães.REGULAMENTO
Artº 1º - O Prémio Nacional de Poesia António Ramos Rosa, instituído pela Câmara Municipal de Faro, com o apoio da Direcção Regional de Cultura do Algarve e da Universidade do Algarve, destina-se a galardoar um livro em português, de autor português, publicado integralmente, em 1ª edição, no ano de 2006.
Artº 2º - O valor deste Prémio, a cujo concurso não são admitidas obras póstumas, é de € 5 000 (cinco mil euros).
Artº 3º - A divulgação deste Regulamento é feita através dos meios de Comunicação Social, associações de escritores, editores e livreiros.
Artº 4º - De cada livro concorrente serão enviados 5 exemplares para a Câmara Municipal de Faro – Divisão de Cultura – Largo de S. Luís, Edifício Celeiros II, 11 C, 3º Dtº 8000-143 Faro. Destinam-se estes exemplares aos membros do júri e Biblioteca Municipal António Ramos Rosa, devendo ser entregues, por correio ou em mão, até 15 de Agosto de 2007.
Artº 5º - A Câmara Municipal de Faro designará os três membros do Júri, de que não poderão fazer parte poetas ou editores com obras a concurso.
Artº 6º - O Júri disporá de 60 dias para deliberar, reunindo nesse período de tempo as vezes que entender necessárias.
Artº 7º - O Prémio Nacional de Poesia António Ramos Rosa será atribuído a um único livro e não ao conjunto da obra do seu autor. A deliberação é tomada por maioria simples, excluindo-se sempre as posições de abstenção e as possibilidades de atribuição ex-aequo e de menções honrosas.
Artº 8º - O Prémio não será atribuído se o Júri entender que nenhuma das obras a concurso o justifica.
Artº 9º - Tomada a deliberação, de que não cabe recurso, o Júri lavrará uma acta final que, em anexo, conterá as declarações de voto de cada um dos membros.
Artº 10º - A Câmara Municipal de Faro nomeará um Assistente de Júri, sem intervenção nos debates e votações, que prestará todo o apoio aos trabalhos do Júri.
Artº 11º - Far-se-á o anúncio da obra premiada logo após a deliberação do Júri, dando-se a conhecer em momento oportuno e pelos meios considerados idóneos, os fundamentos da opção deste, designadamente através das declarações de voto dos seus membros.
Artº 12º - As edições subsequentes da obra galardoada deverão referenciar, em lugar destacado do volume e da cinta, de forma correcta, o Prémio e a entidade que o institui.
SOCIEDADE CIVIL
quinta-feira, julho 12, 2007
Entrevista a Hugo Cabelo

1º Livro Publicado "Enxerto Excerto"
Entrevista:É um imenso prazer poder contar com as suas palavras aqui no nosso Blogue. Esperamos que com estas questões os nossos leitores o possam vir a conhecer melhor e, quem sabe, para quem ainda não "o" leu, despertar o interesse para o seu trabalho literário.
sandra martins – Que idade tem? Qual é/ foi o seu percurso académico? Qual é a sua profissão?
Hugo Cabelo – Tenho 26 anos, completei o 12º e neste momento sou técnico de informática.
s.m. Quando começou a escrever?
H.C. – Comecei a escrever “a sério” a partir dos 15, encontrei uns escritos mais antigos dos quais não me lembrava, não sei onde os colocar cronologicamente, não me lembro sequer de os ter escrito, mas a letra é minha. O marco foi mesmo os 15.
s.m. Além do livro que apresentamos hoje aqui no Cultura já publicou e/ ou publica, actualmente, noutros suportes? (Quais?)
H.C. – Costumo enviar alguns poemas a amigos por e-mail, ponho outros no meu blog, no myspace, no site luso-poemas e no site varanda das estrelícias e talvez noutros que agora não me lembro.
s.m. Actualmente a Internet é uma importante ferramenta na divulgação de todo o tipo de arte. O que pensa deste mundo? A criação destes suportes foi posterior ou anterior à publicação do seu livro?
H.C. – Neste momento a internet está cheia de informação; saturada. Muitas vezes é difícil achar o que buscamos, no entanto há novas oportunidades, novas maneiras de expor trabalhos que antes não existiam. Como tudo tem o seu lado negativo e positivo, depende do uso que lhe derem. Eu acho que é uma ferramenta importante que reúne a potencialidade de todos os outros tipos de media que conhecemos assim como a possibilidade de encontro de pessoas interessadas num determinado assunto com importantes pontos de vista diferentes (uma vez que reúne gente de todo o mundo, o que implica diferentes culturas). É portanto uma ferramenta de expansão. Relativamente ao meu trabalho foi publicado posteriormente a este “boom” e foi o que me permitiu publicá-lo.
s.m. Com certeza já terá recebido boas críticas em relação ao seu trabalho literário. Como se sente perante as palavras dos seus leitores e críticos?
H.C. – Recebi umas poucas e pouco objectivas, mas é sempre gratificante uma crítica positiva (ainda não recebi nenhuma negativa... cá me estou a preparar).
s.m. Qual foi a sensação de ver o seu primeiro livro publicado? Trouxe mudanças?
H.C. – A primeira sensação foi de euforia, porque já tinha tentado antes (concursos, editoras, etc.), mas depois tornou-se um processo penoso (pelo menos no meu caso) e demorado. Uma vez que a editora do meu livro é do Porto não houve um acompanhamento tão próximo como queria. Sou extremamente controlador, aliás, umas das primeiras perguntas que fiz à editora foi se tinha também o controlo artístico da capa (felizmente recebi um sim). As mudanças são ainda muito subtis, mas existem! Estou a deixar passar um tempo nem sei bem para quê, talvez para a obra se fixar onde quer que seja o seu lugar. Estou ansioso por editar outro, mais organizado, tenho muito material espalhado pelo quarto.
s.m. Então aventurou-se no mundo dos Concursos Literários...
H.C. – Sim, o meu primeiro foi na escola Ferreira de Castro em Oliveira de Azeméis do qual recebi uma menção honrosa (deve ter sido pelo exagero uma vez que enviei quatro livros se não me engano. Concorri também ao prémio de poesia Cesário Verde realizado pela Câmara de Oeiras (mais perto de onde vivo, o meu Concelho).
s.m. Conte-nos que tal é a experiência dentro da barriga do monstro livreiro do nosso país.
H.C. – Não foi! Acho que ainda não me apercebi do que se está a passar, se é que se está a passar alguma coisa.
s.m. Como surgiu o título do seu livro “Enxerto Excerto”?
H.C. – Até este momento estava no segredo dos deuses... Este livro foi compilado com excertos da minha obra pessoal para o concurso Cesário Verde e é um enxerto de mim, nada mais simples. Há outras “forças” na escolha do título, nomeadamente o jogo das duas palavras semelhantes, há também outros significados que vou atribuindo ou desmistificando em diferentes alturas. Muitas vezes não são tão simples como a explicação anterior.
s.m. Fale-nos um pouco da sua obra.
H.C. – Não sei bem como responder a esta, talvez a possa definir como poesia catártica. Cada um interpreta de maneira diferente, não quero condicionar essa interpretação.
s.m. O que considera mais complexo - escrever poesia ou prosa?
H.C. – Numa música de Wordsong Pessoa (Uma Nova Espécie de Santo) ouve-se repetidamente: “Só a prosa é que se emenda (...) Nós não falamos em prosa, falamos em verso, em rima (...) falamos sim em verso, em verso natural”. Comparando o meu processo com aquele que acho que é o processo da prosa, acho a poesia penosa em termos de sentimento, talvez a escrita da prosa também o seja. Hoje em dia não há aquela regra rígida do soneto e outras formas, nem necessidade de rima. Acho que ambos são complexos, talvez de maneiras diferentes.
s.m. Teve formação académica em Escrita Criativa? O que pensa desta disciplina?
H.C. – Não tive. O que penso, bem, para algumas pessoas deve resultar. O meu processo criativo é diferente, não é imposto, surge, aliás, urge, grita em mim e tenho que o vomitar. Se me fosse proposto um tema teria que ser um com o qual tenho alguma afinidade e que me provoque.
s.m. Em termos literários, acredita no termo "Inspiração", no termo "Transpiração" ou na sua simbiose?
H. C. – Sim, acredito. Talvez a minha definição desses termos seja diferente.
s.m. Sente necessidade de organizar o seu tempo para escrever?
H.C. – Acho que não conseguia marcar horas na minha agenda para escrever, não o faço como uma rotina, é um impulso, uma necessidade, não é raro refugiar-me numa casa de banho sossegada para escrever, preciso de me retirar. Se estiver num sítio apinhado de gente, então recorro ao que me pode dar mais privacidade... neste caso o privado. Eu sei que é uma ideia um pouco perturbante até, mas é a minha urgência em escrever que me faz tomar essa atitude. Se não conseguir “fugir” para lado nenhum não tenho problemas em sacar do meu bloco e caneta (que me acompanham para todo lado) e desatar a escrever, às vezes até em transportes públicos. As palavras gritam no meu cérebro, há dias em que a tempestade de sinapses é tão grande que acho que se tivesse oportunidade de ficar num quarto fechado por um dia escrevia um livro de uma assentada só.
s.m. Como caracteriza o seu processo de escrita?
H.C. – Urgente, gritante, fisiológico.
s.m. O seu livro foi editado pela Corpos Editores. Como foi o processo?
H.C. – Não tive cérebro para analisar o processo, foi um pouco estranho, tanto as coisas corriam a mil como estagnavam. Andei entre os pólos da ansiedade e a total calma. Em relação à Corpos, na altura brami aos céus pela oportunidade, mas também os condenei, por mera culpa minha. Não me apercebi que seria considerado uma edição de autor, nunca me foi apresentado como tal. Espero que a editora cresça e invista na distribuição e apoio aos autores e na divulgação. Com os meios que têm já fazem muito, mas precisam fazer mais, desenvolver os meios para isso, crescer. Ou talvez não seja esta a filosofia da Corpos.
s.m. O que pensa das edições de autor?
H.C. – Depende da intenção do autor. Se eu quiser editar um livro para familiares e amigos é uma boa solução. Se o autor quer editar e não encontra outra forma, então ainda bem que existe este tipo de edição.
s.m. Qual é a sua opinião em relação ao mundo editorial?
H.C. – Esta é meramente a minha opinião e talvez mude um dia, mas para mim é um mundo de cunhas, assim como tudo. Infelizmente é assim que vejo. Depois temos as brechas, onde outras oportunidades espreitam, em que se luta e por vezes se consegue.
s.m. Acha que o público, em geral, é mais sensível à poesia ou ao romance? E qual será a razão?H.C. – Em geral, romance, sem dúvida. É mais objectivo, sequencial, contínuo... A poesia é mais subjectiva, isto deve fazer alguma confusão. Também há romances complicados!
s.m. Que autores lê frequentemente?
H.C. – Não sei! Sinceramente.
s.m. Qual foi, até hoje, o(s) livro(s) e/ ou autor(es) que mais o marcaram? Porquê?
H.C. – Esta é difícil, puxa pela memória, espero não ser injusto comigo e com os livros que amo: "Ensaio Sobre a Cegueira", José Saramago – Porque me arrepiou na primeira página e o desenrolar não decepcionou. "Cão Como Nós" – Manuel Alegre – Foi o primeiro livro a fazer-me chorar ao ponto de não conseguir ver as letras do livro (ainda por cima no autocarro!!!) "A Espuma dos Dias" – Boris Vian – Simplesmente surreal!"1984" e "O Triunfo dos Porcos" – George Orwell – Uma visão do que pode acontecer, de como pode acontecer. Uma chamada de atenção."Os Cavalos Também se Abatem" – Horace Maccoy – Este não vou justificar, gostei, pronto!E fiquemos por aqui.
s.m. Qual é, na sua opinião, o/a artista português(a) – das mais variadas vertentes artísticas - que merece, da sua parte, maior admiração pelo trabalho desenvolvido em prol da Cultura Portuguesa?
H.C. – Todos os que conseguem fazer chegar uma mensagem importante às massas.
s.m. Qual é a sua opinião em relação à divulgação da Arte em Portugal? E considera que o povo português demonstra um grande interesse pelas diversas formas artísticas nacionais e internacionais?
H.C. – Ainda há muito a fazer, como em tudo no nosso querido Portugal, acho até que regredimos um pouco ou então tenho uma ideia romântica dos tempos idos. Penso também que desvalorizamos os nossos e damos mais importância ao internacional. Basta ver a necessidade que muitos dos nossos artistas têm em vingar lá fora.
s.m. O que nos reserva para um futuro próximo, em termos de criação literária?
H.C. – Não sei, eu sou muito negativo, espero que esteja completamente errado, mas tudo é um pouco turvo.
s.m. Que conselho daria a quem sonha melhorar o seu processo de escrita e, por fim, publicar as suas palavras?
H.C. – Não tenho nenhum conselho específico. Quem escreve com sentimento segue-se a si mesmo, procura; o resto depende da resistência do indivíduo. É exasperante, mas talvez valha a pena.
s.m. Escolha, por favor, um excerto/poema da sua obra e transcreva-o para os leitores do Cultura poderem ter uma antevisão do seu livro.
H. C. Vou escolher um fora do livro que neste momento me diz mais que os que estão publicados:
Vermelho
Em mim e no que me enleia
É tudo vivo, vermelho.
De um sangue tão vivo
Que tudo e todos permeia.
Um vermelho sujo de ira,
Preenchido de raiva
Que apanhei por aí.
Nasce em mim o Sol.
Põe-se em mim o Sol
E o vermelho é vivo,
Tudo é vivo aqui,
Em mim e ao meu redor.
De um vermelho tão doce!
E tão fogoso também!
Como se todo eu tivesse sido posto a arder
E todo eu sou, de repente,
Um sagrado coração.
Nada... Nada...
Nada!
Nada disto sou,
Sou tudo, menos isto!
Isto, emano, irradio.
Acabo por encontrar diminuto
Em evidência por se destacar de tudo
Um quase nada;
E um pouco mais de nada
Eu seria o vazio!
s.m. Publicarei aqui, ainda, um outro do seu livro "Enxerto Excerto":
Olhar Incerto
Resgato memórias de papel rasgado
Tanta utilização, múltiplos significados.
Lembro-me ainda que pode ser errado,
Mas sinto o momento, apesar de passado.
Resgato cada movimento lento
Principalmente nos que me tocaste
Sem intenção; permanece a dúvida.
Nada pode acontecer,
Mas sou tentado
A tentar perceber
Que se tentasse
Poderia receber
De ti, todo o amor
Que busco e sonho.
Cair em malhas de amor secreto.
Talvez não seja um poema de amor
Estou de coração rasgado e aberto
E despejo em letras fingidas de temor,
Escritas a medo sem rasuras
Porque escrevo com intenções puras.
Acredita em cada palavra
Escrita quase a bruto sangue
Que te amo de verdade
E se não é esse sentimento
De ouro e prata
Então não sei o que sinto
E acho-me desafortunado
Por nunca ter amado.
Hugo Cabelo
s.m. Agradeço, em nome do Cultura, a sua simpatia extrema, a sua disponibilidade e interesse pelo trabalho que este blogue tenta fazer a nível da divulgação artística e desejo-lhe muito sucesso e inspiração.

Convite de Pedro Chagas Freitas
Abraço do
Pedro Chagas Freitas
______________________________
www.pedrochagasfreitas.pt.vu
www.pedrochagasfreitas.blogspot
Espectáculo em St. Tirso
bonito que se chama Parque da Rabada, um espectáculo LINDISSIMO de Dança na água, Teatro, Pirotecnia, Luz, Música, etc, etc.
Ou seja, é qualquer coisa de encher o olho, o espírito e alma e que não pode ser perdido de forma alguma.
Programa:
Encant'Águas (Do Espírito a Regeneração)
Espectáculo poético-visual, em forma de alegoria à Água e ao Fogo
*Dança na água, Poesia, Fogo, Luz, Cor, Música*
Local:
*no Parque Urbano da Rabada em Santo Tirso (Burgães)***
*Entrada Livre***
terça-feira, julho 10, 2007
Entrevista a David Miranda
Biografia:
David Miranda, actualmente com 21 anos, frequentou a Escola Preparatória Dr. Vasco Moniz até ao 9º ano e a Escola de Formação Profissional de Alverca completando um curso de formação profissional de nível III na área de electrónica e cinzelando aí, com a ajuda da professora de Língua Portuguesa do 11º ano, a paixão pela escrita que podemos encontrar, para já, no livro de poesia recentemente publicado - Pedras Rubras. Vamos conhecê-lo um pouco mais...O 1º Livro de Poesia:

Entrevista:
sandra martins - Olá David. É um imenso prazer poder publicar, aqui, as suas palavras. Uma vez que mostrou bastante interesse na divulgação do seu livro posso perguntar-lhe: Como é a relação com os seus leitores e críticos? Como é o feedback?
D.M. – Eu tenho 21 anos. O meu percurso académico foi curto, frequentei a escola preparatória Dr. Vasco Moniz até o 9º ano e depois passei a frequentar a escola de formação profissional de Alverca, onde completei um curso de formação profissional de nível III na área de electrónica.
Infelizmente muito do tempo é ocupado pelo trabalho e o pouco tempo que resta tento usá-lo tanto para estar com as pessoas que me acompanham nesta caminhada pela vida como para desenvolver a minha paixão pela escrita. Algum desse tempo é também gasto no grupo de poesia “Gente Viva” do qual faço parte como um dos membros fundadores.
D.M. - Comecei a escrever com 13 anos no entanto nessa altura achava que não tinha jeito para escrever e acabava por deitar fora quase tudo o que escrevia. Apenas ficando com muito pouco. Foi por volta dos 15 anos que comecei a escrever mais empenhadamente e a guardar o que escrevia, pois para além de a escrita nessa altura ser o meu refúgio, era ali que me sentia bem, era quase uma amiga a quem contava tudo, onde colocava tudo o que me ia na alma, eu comecei a mostrar o que escrevia a pessoa mais velhas e demonstraram interesse. Devo muito de ter este livro a minha professora de português do 11º ano pois foi ela que me incentivou a continuar e buscar o meu sonho porque escrevia bem. Foi também ela que me ajudou a melhorar muito daquilo que escrevia.
D.M. Neste momento utilizo alguns lugares na Internet para ir deixando os meus textos e também ir recebendo algum feedback. Um desses espaços é www1.fotolog.com/momento_das_asas.
D.M. Acho que a Internet é um excelente meio de divulgação do trabalho de autores novos, tenho tido o privilégio de encontrar pessoas com um escrita impressionante e que poucos conhecem. Acredito que cada vez mais a Internet quando bem utilizada é uma ferramenta muitíssimo valiosa para a divulgação e para a partilha de opiniões e até para o aprimoramento de quem a usa para partilhar a sua obra. No entanto a Internet também é muitas vezes usada para fazer plágio de textos com muito valor por parte de pessoas que não amam a literatura, isso é triste.
Eu criei após o lançamento do livro uma página para o mesmo (http://pedrasrubras.com.sapo.pt/), bem como mais alguns espaços, sendo o http://www1.fotolog.com/notas_d_silencio o primeiro espaço que abri, intercalando um pouco a poesia com as fotos pois é outro mundo que me fascina foi um espaço que me trouxe muitas coisas boas, existe uma grande evolução desde o início até o final. Depois desse abri mais dois espaços que tento manter actualizados, www1.fotolog.com/momento_das_asas e http://sunrainslife.blogspot.com/ .
D.M. O meu livro é de poesia, embora já tenho começado a escrever algo mais dentro de outro género.
s.m. Qual foi a sensação de ver o seu primeiro livro publicado? Trouxe mudanças?
D.M. A sensação é sentir que realizamos o nosso maior sonho e ao mesmo tempo é ter a pesada mas muito satisfatória sensação que aquilo que escrevemos vai ser lido por várias pessoas e pode até fazer diferença na vida delas. Quando soube que iam editar o livro, fiquei uns minutos a tentar perceber se tudo aquilo era realidade, foi sentir tudo em mim estridente sentir que o meu sonho ia se realizar. Acho muito difícil conseguir falar sobre como foi agarrar o meu livro pela primeira vez, foi como se o sonho tivesse forma agora.
Trouxe-me muitas mudanças, a nível literário e até pessoal. A nível literário o facto de ter um livro levou-me a começar a encarar a escrita ainda com mais seriedade, a senti-la mais, escolher melhor as palavras ao mesmo tempo que deixo as coisas fluírem. A nível pessoal fez-me ver a escrita como uma forma de tocar pessoas e um meio de me pôr no lugar delas. Percebi que podia usar a escrita para muitas vezes lembrar as pessoas de muitas coisas importantes que elas se esquecem com o dia a dia.
D.M. É muito bom. O facto de chegar a um lugar e ver lá algo nosso é fantástico, mas o melhor é mesmo saber que podemos chegar a mais pessoas. É algo único quando conhecemos ou falamos com alguém que está longe mas que leu o que escrevemos e que se identificou e que sentiu o que escrevemos.
D.M. Pedras Rubras surgiu de alguns factores, o primeiro eu tenho uma grande paixão pela geologia daí o “Pedras” e sendo as pedras algo que pesa, a ideia era passar que o livro estava carregado de sentimentos, tinha conteúdo. O “Rubras” vem de estar ao rubro, estar incandescente, ser intenso. Ou seja o livro seria carregado de intensidade.
D.M. O meu livro foi escrito numa altura bastante complicada a nível emocional, são sempre as melhores alturas para escrever. Foi escrito quase todo durante os meus 16 anos e um pouco de toda a confusão que passa pela cabeça de uma pessoa nessa idade, os desgostos, a revolta com o mundo, muitas vezes a solidão mesmo quando existem muitas pessoas à volta. Dando sempre no final a forte convicção de que podemos vencer tudo o que nos propusermos e esperança de mudança.
D.M. Acho que depende muito daquilo que desejamos obter. Se queremos um texto de prosa pequeno e para passar uma mensagem, é mais fácil. No entanto escrever um livro em prosa, construindo toda a interligação entre os textos, isso é muito mais complicado do que escrever poesia. Para mim escrever poesia é deixar fluir o que me vai na alma, inspirando me em tudo o que me rodeia, especialmente a natureza e as pessoas e acaba por sair naturalmente.
D.M. Não tive formação em escrita criativa, é um pouco complicado falar de algo que não presenciei, no qual não tive ainda contacto mas penso pelo pouco que investiguei que poderá ser de ajuda tendo o senão de na minha opinião limitar um pouco a criatividade por ter padrões para ser dada.
D.M. Não mas espero durante este ano participar em alguns concursos literários.
s.m. Em termos literários, acredita no termo "Inspiração", no termo "Transpiração" ou na simbiose?
D.M. Acho que a escrita deve ser natural e nunca forçada, deve vir da alma sem nenhuns ferros a puxa-la. Existem alturas que passo semanas sem escrever nada porque não encontro algo que desperte em mim a escrita. Não sou capaz de “escrever por encomenda”, talvez por não estar preparado para isso, talvez por achar que as coisas quando não saem por elas mesmas, são artificiais…
s.m. Sente necessidade de organizar o seu tempo para escrever?
D.M. Raramente. Trago quase sempre um bloco e uma caneta comigo, e quando não trago utilizo o telemóvel como gravador e mais tarde escrevo. Escrevo quase em qualquer lado, basta surgir um pouco de tempo e inspiração. Embora também existam alturas em que preciso mesmo de tempo para escrever, preciso de escrever e torna-se quase uma necessidade e aí organizo o meu tempo de forma a poder escrever.
D.M. Simples, impulsivo, pensado, sentido, a cada dia diferente.
s.m. O seu livro foi editado pela Corpos Editores. Como foi o processo?
D.M. O processo foi simples, entrei em contacto com eles através de e-mail, depois pediram-me para enviar alguns textos e esperei pela resposta. Mais tarde depois de me terem dado o sim, enviaram me uma versão do livro já organizado, aí foi tratar alguns pormenores e esperar por ele. São pessoas muito competentes e devo muito a eles o facto de ter continuado a escrever, agarram-me quando estava quase a desistir do sonho.
s.m. O que pensa das edições de autor?
D.M. São a forma mais fácil de se conseguir publicar um livro, especialmente se for de poesia e não formos conhecidos. Embora tenha alguns custos e que no caso de algumas editoras são bastante elevados.
D.M. Acho que muitas vezes se dá mais valor ao que vende do que ao que é cultura. Não se valorizam os novos autores que têm valor só porque são jovens e não são conhecidos. Espero que as coisas mudem, e acredito que vão mudar, já existem algumas editoras que fazem por ser diferentes, isso dá-me esperança.
D.M. O público reage mais ao romance, talvez por ser uma leitura mais fácil, menos rebuscada e também por ter uma história que vai envolvendo mais a pessoa. A poesia é mais uma escrita de paixão, de alma, de quem quer sentir as coisas mais profundamente.
D.M. Não costumo ler muito frequentemente devido ao tempo ser um pouco escasso, no entanto gosto de ler Paulo Coelho, Fernando Pessoa, António Gedeão, Miguel Torga, Daniel Sampaio entre muitos outros que vou lendo aos poucos.
D.M. O Livro Filhos da droga de F, Christiane. Todo o drama vivido na primeira pessoa.
D.M. Espero ainda este ano lançar o segundo livro de poemas, mais maduro, menos intenso mas mais tocante penso eu. E no futuro espero acabar o meu romance, mas esse ainda é para demorar bastante tempo.
D.M. Nunca deixar de lutar e acreditar sempre. Procurar sempre ajuda de pessoas mais experientes, acreditar é meio passo para conseguir.
D.M.
Saltam pedaços da minha mente!
Rebentam da caneta,
Mergulhados na paisagem…
São pedaço demente!
Que suspiram intensidade…
Não se deixam estar na miragem
Rasgam intensidade, como uma folha estreita,
Papel fustigado pela saudade!
Em cada traço, o veneno espreita
Sentido em emoção que corta o coração…
Cru e cruel leva nela recordação.
Grito a língua e tudo o que me sufoca
Por entre as notas que o mundo vira
Atira contra mim como troca,
Troca de um estado de inconformismo!
Sinto os pequenos mundos,
Como uma música tocada em pano de fundo
Sobrepondo a razão que toca alto
Moldam o som como as margens de um rio
Para no final tudo se mostre grande ou banal…
Por mais que escondamos a melodia,
Ela guarda sempre um fio…
Nunca deixa de correr e sempre volta à luz do dia…
Aí descanso e sonho mais uma melodia…Muito obrigado, David, pelas suas palavras e pelo seu desejo em ser entrevistado pelo Cultura. Desejo-lhe muito sucesso no futuro.
domingo, julho 08, 2007
sábado, julho 07, 2007
Curtas Vila do Conde
Internacional (Ficção, Documentário, Filmes Experimentais e de Animação, com duração até 60 minutos, concorrem ao Grande Prémio do Festival - 48 curtas nas 9 sessões da Competição Internacional e 15 vídeos musicais apresentados numa única sessão.
Nacional (Um panorama da produção nacional mais recente em curta metragem).
Take One (Mostra Competitiva de filmes produzidos nas escolas de cinema e audiovisuais nacionais).
Solar (Espaço de exposições que relaciona a arte cinematográfica a outras formas de expressão).
Under Hitchcock (exposição de obras em homenagem a Alfred Hitchcock).
Entre outros...
Como ir ao Festival:
Vila do Conde fica a cerca de 45 minutos da baixa do Porto se viajarmos de metro! O Festival é aberto a todo o público e conta com bilheteiras em funcionamento alargado todos os dias.
Informações
Estoril Jazz 2007

Estoril Jazz 2007 - Auditório Fernando Lopes Graça
Parque Palmela
06 de Julho às 21h30
Buster Williams Quartet
Entrada - 20.00€
07 de Julho às 19h00
Dave Holland Quintet
Entrada - 30.00€
08 de Julho às 19h00
S. F. Jazz Collective (Octet)
Entrada - 30.00€
13 de Julho às 21h30
Joshua Redman Trio
Entrada - 25.00€
14 de Julho às 19h00
Laurent Filipe Quintet / Kurt Elling Quartet
Entrada - 25.00€
15 de Julho às 19h00
JAPP - Jazz at Palmela Park /
JATP - Jazz at The Philharmonic Revisited
Entrada - 20.00€
quarta-feira, julho 04, 2007
Festas de Lisboa - Rodrigo Leão
No ano 2000, chegou até mim mais um projecto musical português... mais um. Sendo eu um crítico acérrimo da música portuguesa, decidi então ouvir este projecto sem qualquer esperança de ser surpreendido. O álbum intitulava-se "Mysterium", e pertencia a uns desconhecidos, para mim, Rodrigo Leão & Vox Ensemble. Quando coloquei o cd... perdi a perfeita noção do tempo...nesse momento parei. Não quis acreditar que se fazia música assim em Portugal. Fui investigar "este" Rodrigo Leão... e descobri que "só" foi um dos fundadores dos Sétima Legião e Madredeus. Compôs ainda, o que na minha opinião foi a obra de arte dos Madredeus - "O Pastor". Para quem não o conhece, e tenha curiosidade de o(s) ouvir, sugiro que o(s) "visitem" esta sexta-feira, dia 6 de Julho pelas 22h, junto à Torre de Belém. A entrada é livre.

