quarta-feira, julho 25, 2007

Entrevista a Inês Leitão

Breve Biografia

Inês Leitão tem 26 anos, está a terminar o curso de Estudos Anglo-Americanos na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, trabalha, actualmente, numa instituição bancária e publicou, recentemente, o seu livro "Quarto Escuro".

Livro publicado pela LivrodoDia Editores (2007)

Blogue da Autora

Entrevista

sandra martins - Olá Inês. Em primeiro lugar quero dar-lhe os parabéns pelo blogue e pela publicação do seu livro “QuartoEscuro”. É um prazer imenso poder contar consigo aqui neste nosso cantinho. Esperamos que com estas questões os nossos leitores a possam vir a conhecer melhor e, quem sabe, para quem ainda não a leu, despertar o interesse para o seu trabalho literário.

s.m. Quando começou a escrever?

Escrevi num diário durante muitos anos…experimentei o jornal da escola que frequentei no 7º ano, ia escrevendo coisas para os amigos…sempre foi mais fácil para mim usar cartas, texto, para dizer às pessoas que gostava delas…essa era a minha primeira grande necessidade na escrita.

s.m. Actualmente a Internet é uma importante ferramenta na divulgação de todo o tipo de arte. O que pensa deste mundo? A criação do seu blogue com o título apelativo “bocadosdecarnepelasparedesdoquarto” foi anterior ou posterior ao desejo e publicação do seu livro?

O blogue foi a forma que encontrei de escrever. Ele começou a crescer a sério há dois anos, quando voltei de Moçambique. E fez sentido que crescesse porque houve evolução. A Internet é, e continuará a ser, uma poderosa ferramenta de divulgação: dá visibilidade a autores jovens e aumenta a procura e o interesse.

O blogue foi muito anterior ao livro. Sinceramente quando o Bocados foi criado, não havia a ideia do livro.


s.m. Como se sente perante as críticas dos seus leitores e críticos?

É muito fácil recebermos críticas quando não há nada em jogo. Tive muita sorte, tive o apoio e o incentivo de professores e colegas na faculdade, tive a sorte de lançar o livro no Correntes d´Escrita 2007. Existiram reacções profundamente particulares, estranhas até, de leitores que se aproximaram de mim pelo livro…porque de alguma forma o livro mexeu com eles.

s.m. Qual foi a sensação de ver o seu primeiro livro publicado? Trouxe mudanças na sua vida?

Eu tenho um livro publicado. Através do livro ganhei amigos-leitores. Essa foi a grande mudança.

s.m. Conte-nos que tal é a experiência dentro da barriga do monstro livreiro do nosso país.

Profundamente angustiante (lol)


s.m. Como surgiu o título do seu livro “QuartoEscuro”?

Foi difícil pensar num título para este livro. O Luís Cristóvão, o meu editor, ajudou-me a pensar. Decidimos “Quarto Escuro” porque fazia sentido. O livro em si, é de facto, um quarto muito escuro.


s.m. Fale-nos um pouco do seu livro, por favor.

É um livro particular, que fala de afectos, que faz pensar e que faz sentir. Um leitor disse-me que o fazia sentir frágil. Eu fiquei a pensar nisso muito tempo… Fazer alguém sentir, é uma coisa muito séria.

Quando falamos do “Quarto escuro”, estamos a falar de um livro pequeno, de leitura asfixiante, composto por micro narrativas.


s.m. Inês, considera mais complexo - escrever poesia ou prosa?

Eu sinto que o meu caminho é a prosa. Acho que ambos são caminhos muito pouco fáceis.


s.m. Teve formação académica em Escrita Criativa? O que pensa desta disciplina?

Não, não tive. Mas considero que seria interessante fazer um curso desse género…é bom conhecer e partilhar. E esses cursos têm habitualmente espaço para o conhecimento e para a partilha.


s.m. Em termos literários, acredita no termo "Inspiração", no termo "Transpiração" ou na sua simbiose?

Acredito profundamente na inspiração. Há coisas que se passam à minha volta que me fazem escrever. Sem elas, o bloqueio era profundo e não saberia dizer nada de novo.

E já sei distinguir perfeitamente um momento de inspiração: sei o que tenho a fazer quando o sinto.

s.m. Sente necessidade de organizar o seu tempo para escrever?

Sinceramente não tenho tempo para escrever. O bocadosdecarne ajuda-me a sentir que tenho de arranjar tempo, dê por onde der.


s.m. Como caracteriza o seu processo de escrita?

Como lhe disse. Nasce sempre por inspiração. E a minha inspiração surge das coisas mais estranhas que possa enfrentar ou reconhecer na rua, em casa, com as pessoas que me rodeiam. Vem sempre de algo ou de alguém. E depois a história toma rumo próprio na minha cabeça, as personagens crescem e o enredo nasce.

s.m. O seu livro foi editado pela LivrodoDia Editores. Como foi o processo?

Eu já conhecia o Luís Cristóvão da faculdade, ele era, e penso que ainda é, um leitor do blogue. Um dia ele disse-me que queria editar-me e eu gostei da ideia. (lol). Convidou-me a reunir alguns textos e a apresentar-lhos. Foi o que fiz, e em Fevereiro de 2007 o livro nasceu.

s.m. O que pensa das edições de autor?

Eu penso, e continuarei a pensar, que é fundamental o nome de uma editora.

s.m. Qual é a sua opinião em relação ao mundo editorial?

Poucos autores marginais publicados…devíamos ser mais. Deveríamos ser uma aposta constante.

s.m. Acha que o público, em geral, é mais sensível à poesia ou ao romance? E qual será a razão?

Penso que será mais sensível ao Romance…mas também vejo muita gente que precisa de poesia para respirar.

s.m. Já se aventurou no mundo dos concursos literários?

Sim. Concorri a um concurso de peças de teatro. E com muita pena não ganhei (lol)

Tenho 3 peças por editar: “Quem tramou António Lobo Antunes”, “A última história de Werther” e “Amor em estado Morto”. Trata-se de uma trilogia.

s.m. Que autores lê frequentemente?

António Lobo Antunes, Gonçalo M. Tavares, Henry Miller (um escritor que me é muito querido).

Sinto que me estou a apaixonar muito devagarinho por Lídia Jorge e por Ruben A.

s.m. Qual foi, até hoje, o(s) livro(s) e/ ou autor(es) que mais a marcaram? Porquê?

Muitos. Acho que o livro que mais me marcou foi o “Retrato de Dorian Gray” de Oscar Wilde; Milan Kundera “A insustentável leveza do ser” é também uma referência.

Sou viciada em Lobo Antunes desde os 19.

s.m. Qual é, na sua opinião, o/a artista português(a) – das mais variadas vertentes artísticas - que merece, da sua parte, maior admiração pelo trabalho desenvolvido para a divulgação da Cultura Portuguesa?

Eu acho que existem tantos…é injusto dar só um nome….

Mas Paula Rêgo, talvez. Escolho-a porque ela é o grande rosto da pintura portuguesa no estrangeiro, e é uma autora que transforma o grotesco, como eu nunca imaginei ser possível. Acho que ver uma pintura de Paula Rêgo, é ver cultura Portuguesa moderna no seu melhor.

s.m. Qual é a sua opinião em relação à forma como a Arte é vista no nosso país? E considera que o povo português demonstra um grande interesse pelas diversas formas artísticas nacionais e internacionais?

Acho que o sistema esquece a educação para a cultura. Aprende-se a gostar e a aprende-se a compreender. No ensino pré-escolar e primário não existe qualquer preocupação em explicar arte e mostrar arte às crianças. Indivíduos que não são expostos a movimentações culturais em criança, não o serão certamente em adultos. E isso é uma falhar gravíssima no nosso sistema. Espero que mude.

A nossa grande arma é a educação.

s.m. O que nos reserva para um futuro próximo, em termos de criação literária?

Gostava de publicar um conto infantil. Escrevi um conto quando vim de Moçambique, sobre a experiência que tive numa missão com crianças e adultos infectados com Sida na casa das Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus. Foram possivelmente os meses mais completos e mais felizes que vivi. As ilustrações do conto estão quase prontas.

s.m. Que conselho daria a quem sonha melhorar o seu processo de escrita e, por fim, publicar?

Escrever muito, sempre, até se atingir um estilo único e uma forma própria.

É disso que se precisa.

s.m. Agradeço-lhe, Inês, em nome do Cultura, a disponibilidade e interesse pelo trabalho que este blogue tenta fazer a nível da divulgação artística e desejo-lhe muito sucesso.

quinta-feira, julho 19, 2007

Entrevista a Paulo César


Paulo César despertou para o mundo da escrita muito cedo, aos 13 ou 14 anos. Actualmente, tem 28, um livro de contos editado sob o título "Desencantamentos" e um livro de poesia a caminho. Vamos conhecê-lo um pouco mais...

O 1º Livro publicado (Livro de Contos):

Entrevista:

Caro Paulo, é um enorme prazer poder contar consigo aqui no nosso Blogue. Esperamos que com estas questões os nossos leitores o possam vir a conhecer melhor e, quem sabe, para quem ainda não o leu, despertar o interesse pelo seu trabalho literário.

sandra martins – Que idade tem? Qual é/ foi o seu percurso académico? Qual é a sua profissão?

Paulo César - Tenho 28 anos. Acho que o meu percurso académico foi normal, sem grandes dramas nem brilharetes. Licenciei-me; sou nutricionista de profissão.

s.m. Quando começou a escrever?

P.C. Comecei a escrever aos treze ou catorze anos, não sei bem. Uns pequenos textos, dispersos, sem forma definida mas importantes na altura em que os escrevi.

s.m. Além do livro que apresentamos hoje aqui no Cultura já publicou e/ ou publica, actualmente, noutros suportes? (Quais?)

P.C. Não, nunca publiquei em nenhum outro suporte. Com excepção de uma revista amadora feita e publicada entre amigos, que infelizmente se extinguiu devido à falta de tempo.

s.m. Actualmente a Internet é uma importante ferramenta na divulgação de todo o tipo de arte. O que pensa deste mundo? Noto que não aderiu ao mundo dos blogues. Alguma razão em particular?

P.C. Sem dúvida. O poder da internet é enorme na divulgação das várias actividades artísticas e não tenho nenhum tipo de preconceito em relação à utilização desses meios. Não aderi ao mundo dos blogues porque acho que não tenho nada a dizer. A minha escrita não é propriamente um processo com resultados diários que possam alimentar um blogue. Se os conteúdos não fossem os meus próprios escritos não seria capaz de manter um blogue a falar sobre a minha escrita. Acho que é difícil fazer um site sobre um livro. Um livro é o que lá está escrito e para além de um ou outro comentário ocasional ou de uma entrevista eventual não há grande necessidade de falar sobre ele. Claro que seria uma forma importante de promover um livro mas confesso que não tenho qualquer vocação comercial… Se tivesse um agente que me gerisse a carreira seria ele a tratar disso, como o não tenho não tenho vontade de enveredar por esse caminho.

s.m. Com certeza já terá recebido boas críticas em relação ao seu trabalho literário. Como se sente perante as palavras dos seus leitores e críticos?

P.C. Não recebi muitas críticas e as que recebi, por virem de amigos, são necessariamente favoráveis. Se recebesse outras, dos leitores que compraram o livro, não seriam com certeza tão simpáticas. Gostava de as poder receber. Mas não me queixo das que tenho; mesmo parciais não deixam de ser agradáveis.

s.m. Qual foi a sensação de ver o seu primeiro livro publicado? Trouxe mudanças na sua vida?

P.C. É estranho ver um livro meu na estante de uma livraria. Imaginava-o, mas não esperava que me sentisse assim, com uma estranheza, com uma sensação difícil de descrever, nem boa nem má. Não trouxe qualquer mudança na minha vida, pelo menos ao nível do que é visível. Na minha vida “íntima” fiquei com a sensação de ter arrumado aquilo, aqueles textos, uma parte da minha vida, com uma estrutura que fica. É como se tivesse deixado de ter responsabilidade sobre os textos. Já não preciso de não os perder, de os compilar, de os tentar editar. Estão arrumados!

s.m. Conte-nos que tal é a experiência dentro da barriga do monstro livreiro do nosso país.

P.C. É uma experiência muito neutra. Fiz o livro e consegui que fosse publicado. Não me sinto dentro de um monstro com que tenho de aprender a lidar ou no qual tenho de saber conquistar um espaço meu. Não me preocupo com isso.

s.m. Como surgiu o título do seu livro?

P.C. Não tenho jeito para títulos. Nasceu por necessidade. O livro tinha de ter um nome e este fez sentido, porque é uma palavra que assenta bem em muitos dos textos. Para além disso é uma palavra bonita de ver escrita, desencantamentos, tanto à mão como a computador. E como o livro tem dois textos intitulados Encantamentos não me pareceu totalmente despropositado.

s.m. Descreve-o como um Livro de Momentos. Fale-nos um pouco de “Desencantamentos”, por favor.

P.C. Chamo-lhe um livro de momentos porque os textos tratam de momentos. Deveria ser um livro de contos, mas os contos contam uma história. Este livro é parado. Conta momentos e algumas sensações que lhes estão associadas. Quase sem história. Destas sensações gosto sobretudo da sensação de abandono, de perda, do gélido constatar de que a felicidade pode não ser tão fácil de atingir ou de manter. São doze textos, divididos em três capítulos: Contos de Fadas, Histórias de Abandono e Poço de Silêncio. Quase todas as histórias são histórias de encantar e simultaneamente histórias de abandono. Não felizes, mas não necessariamente tristes.

s.m. Uma vez que já tem experiência posso perguntar: considera mais complexo - escrever poesia ou prosa?

P.C. Prosa. A poesia é livre por natureza. A prosa mesmo que não seja executada como publicável precisa de ser legível. É importante que eu perceba o que lá está escrito, mesmo que seja eu o meu único leitor. Não se pode ignorar um mínimo de estrutura. A poesia é livre e auto-suficiente.

s.m. Teve formação académica em Escrita Criativa? O que pensa desta disciplina?

P.C. Não. Acho que a aprendizagem de escrita criativa nos pode ajudar a ter as ferramentas importantes para um trabalho. Mas acho que a criatividade não se pode ensinar. Não sinto que faça sentido, a menos que se encare a actividade literária como um trabalho, aí sim. Trabalha-se melhor, com maior correcção, suponho e maior sucesso. Mas como algo pessoal, íntimo ou como forma de expressão artística não faz sentido. Acho que a arte se pode construir com as mais débeis das ferramentas. Incomoda-me a ideia de se poder ensinar a escrever com criatividade (é pelo menos isto que a expressão escrita criativa me sugere).

s.m. Em termos literários, acredita no termo "Inspiração", no termo "Transpiração" ou na sua simbiose?

P.C. Mais uma vez depende do que é a escrita para o escritor. Se é trabalho acredito que a Transpiração é um meio muito válido para chegar ao resultado final e que poderá mesmo compensar de forma admirável uma Inspiração difícil. Pessoalmente e uma vez que a escrita é para mim uma necessidade acredito na Inspiração. Como necessidade que é se implicasse Transpiração acho que deixaria de escrever.

s.m. Sente necessidade de organizar o seu tempo para escrever?

P.C. Não o sei fazer. Sou desorganizado por natureza e infelizmente trabalho muito na minha vida profissional. Organizar o meu tempo para escrever era capaz de ser uma boa ferramenta para mim, mas não sei organizar tempos. E acho (preconceito!) que se reservasse uma fatia do meu tempo para a escrita sentava-me à secretária e não sairia nada. Gostava de escrever muito mais, mas não consigo.

s.m. Como caracteriza o seu processo de escrita?

P.C. Uma necessidade. Uma vontade de escrever que pode aparecer em qualquer local e em qualquer momento que aprendi a refrear por óbvias razões profissionais. É um prazer por vezes doloroso. Uma actividade solitária. E implica sempre papel, muito papel e uma caneta de tinta permanente. Para piorar a minha eficiência de escrita não sei escrever directamente ao computador.

s.m. O seu livro foi editado pela Corpos Editores. Como foi o processo?

P.C. O processo foi muito simples. Conheci uma autora publicada pela Corpos. Adquiri o livro dela e senti curiosidade em visitar o site da editora. Encontrei por lá a informação de que era possível enviar os textos por email e que seria possível responderem em cerca de um mês. Achei piada à ideia, que seria interessante saber o que diriam. Assim fiz. Mandei o projecto inicial do livro, responderam a dizer-me que era pequeno demais, juntei então alguns textos e pronto, disseram-me que sim e aqui está o livro publicado.

s.m. O que pensa das edições de autor?

P.C. Acho que são uma forma de colocar à disposição dos leitores obras que poderiam de outra forma ficar para sempre na gaveta. Por isso ainda bem que existem. Mas exigem da parte do autor um pensamento virado para a parte comercial. Porque é sempre necessário perder tão pouco dinheiro quanto possível. É preciso que se esteja disposto a dedicar algum esforço a pensar nessa vertente.

s.m. Qual é a sua opinião em relação ao mundo editorial?

P.C. Parece-me um mundo um pouco cruel, que vive bastante de modas e em que nem sempre é dado o verdadeiro valor ao conteúdo do que se publica. Mas toda a vida é construída assim, não creio que o mundo editorial seja pior do que qualquer outro dos mundos que frequentamos ao longo da vida.

s.m. Acha que o público, em geral, é mais sensível à poesia ou ao romance? E qual será a razão?

P.C. Ao romance. É mais fácil de ler. Existe uma história o que é uma importante componente do entretenimento. É fácil o leitor ser levado por uma boa história ao ponto de devorar um livro de uma ponta à outra. Um livro de poesia é diferente. É preciso ler aos poucos, permitir pausas para se transpirar bem o que se acabou de ler. Para além disso tem aquela maçada das coisas pessoais, dos sentimentos que não estamos preparados para ler, porque neles podemos reconhecer os nossos – algo universalmente reconhecido como verdadeiro incómodo.

s.m. Paulo, já se aventurou no mundo dos concursos literários?

P.C. Sim, participei em um ou dois, sem sucesso nenhum.

s.m. Que autores lê frequentemente?

P.C. Vários, leio de tudo e releio o que me mais me agrada. Destaco António Lobo Antunes, José Saramago, Mia Couto, Al Berto, Raul Brandão e Mário de Sá-Carneiro.

s.m. Qual foi, até hoje, o(s) livro(s) e/ ou autor(es) que mais o marcaram? Porquê?

P.C. Alguns dos meus livros favoritos: O Medo – Al Berto; Drácula – Bram Stoker; Poemas Completos – Mário de Sá-Carneiro; Terra Sonâmbula – Mia Couto; Todos os Nomes – José Saramago. O livro que realmente mais me marcou foi A Morte do Palhaço e o Mistério da Árvore de Raul Brandão. Foi uma leitura violentíssima da minha adolescência que me pôs em contacto com uma forma de ver o mundo que me diz muito, com os pequenos dramas pessoais, com a mesquinhez e com a felicidade de possuir algo imaginário e onírico a que nos poderemos agarrar quando tudo o resto falhar, porque falhará certamente. Gosto dessa sensação de impotência perante a vida, de pequenez… Mas há outros livros do mesmo autor de que gosto particularmente: Húmus e O Avejão.

s.m. Qual é, na sua opinião, o/a artista português(a) – das mais variadas vertentes artísticas - que merece, da sua parte, maior admiração pelo trabalho desenvolvido para a divulgação da Cultura Portuguesa?

P.C. Creio que José Saramago pela dimensão da sua obra e do seu prémio. Pena é que para que tal aconteça alguns fiquem mais remetidos à sombra como o António Lobo Antunes ou que outros como Al Berto, Fernando Pessoa ou Vergílio Ferreira por já terem morrido não possam alcançar maior visibilidade.

s.m. Qual é a sua opinião em relação à forma como a Arte é vista no nosso país? E considera que o povo português demonstra um grande interesse pelas diversas formas artísticas nacionais e internacionais?

P.C. Creio que o povo português não se habituou ainda a conviver com a Arte. Mas felizmente o panorama começa a alterar-se. Existe hoje uma grande oferta cultural que está extremamente disponível a quem dela quiser usufruir. É um começo. Falta depois a educação que permitirá maior exigência na escolha mas que só poderá vir depois. Há muitos espectáculos. A qualidade de muitos deles é duvidosa. Mas acho que é bom que as pessoas se habituem a ver. Mesmo os maus espectáculos. Só com a habituação poderá vir a escolha consciente do que se quer mesmo ver.

s.m. O que nos reserva para um futuro próximo, em termos de criação literária?

P.C. Tenho um livro de poesia preparado que enviei para um daqueles concursos literários de que falei atrás. Não sei o que espero. Talvez coragem para o submeter à consideração de uma editora para publicação. Não sei. É complicado o processo de envio. Há uma espécie de inércia que me torna fisicamente dolorosa a acção de anexar ao texto de email o documento e de o enviar.

s.m. Que conselho daria a quem sonha melhorar o seu processo de escrita e, por fim, publicar?

P.C. Não sei se serei grande conselheiro mas acho que o importante é escrever. Quilómetros de linhas, resmas de papéis ou infindáveis documentos de texto (para os não conservadores). Escrever é o fundamental. E nos intervalos (necessários; escrever também cansa) ler, ler muito.

s.m. Escolha, por favor, um excerto da sua obra e transcreva-o para os leitores do Cultura poderem ter uma antevisão do seu livro.

P.C. São também as articulações que se deformam e as mãos que começam, há dias piores do que os outros, a atrapalhar mais do que a ajudar, é a casa que já não está tão limpa como antigamente, todas as salas fechadas com os móveis cobertos por lençóis, que é por causa do pó, só o quarto, a cozinha e a casa de banho estão abertas, para uma mulher só chegam perfeitamente, nem era preciso tanto, é a roupa preta a envelhecer, a ficar esbranquiçada pelo uso e pelas lavagens consecutivas, o cabelo branco que vai cheirando a ranço porque já não se atreve a lavar a cabeça, com medo das constipações, e se uma constipação se agrava nesta idade uma pneumonia é o cabo dos trabalhos, e o resto, os problemas de bexiga que lhe vão impregnando o corpo e a roupa com um cheiro a urina. À noite a solidão exagera-se, no silêncio da casa vazia, meio fechada, com os móveis cobertos de lençóis brancos, a parecerem fantasmas. Mas não são estes que a assustam mais, são os outros, as suas recordações, a idade a assombrá-la nas horas que leva até lograr dormir, naquela tremideira constante, a presença permanente da noção de que a morte pode aparecer a qualquer momento a levá-la, tem medo, não sabe o que a agarra à vida mas não quer morrer, disso tem a certeza. De terço na mão passa as infindáveis horas a rezar em frente a um cristo de marfim crucificado numa cruz negra de pau-santo com incrustações de madrepérola. O cristo de marfim pintado sangra tinta das cinco chagas e não lhe responde, suspenso da cruz permanece de olhos fechados, talvez não a oiça. Só assim consegue esperar algum sono, os medos desvanecem-se ao desfiar a mesma ladainha vezes sem conta até lhe pesarem as pálpebras e tomar o sentido da cama, dos lençóis, dos cobertores e do travesseiro e não pensar, nem sonhar, até o sol lhe entrar pelo quarto manhã cedo.


s.m. Agradeço, em nome do Cultura, a sua enorme disponibilidade, a sua simpatia, a humildade e o elevado interesse pelo trabalho que este blogue tenta fazer a nível da divulgação artística e desejo-lhe muito sucesso e inspiração.

quarta-feira, julho 18, 2007

Mestrado em Criações Literárias Contemporâneas


Mais Informação Aqui

Apresentação de Livro

No próximo dia 20 de Julho, na Biblioteca Municipal de Santo Tirso será apresentado pelo escritor e poeta Albino Santos, às 21h30, o livro “Cabo do Mundo” da autoria de Laura Costa.

Enviado por: Laura Costa

Convite de Pedro Chagas Freitas

No próximo Domingo, dia 22 de Julho, pelas 17 horas, na FNAC de Sta. Catarina, no Porto, será apresentado "Os Dias na Noite", o meu mais recente romance.
Adolfo Luxúria Canibal, vocalista e letrista dos "Mão Morta", terá a seu cargo a apresentação da obra.
Posso contar com a sua presença?

Abraço do

Pedro Chagas Freitas
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www.pedrochagasfreitas.pt.vu
www.pedrochagasfreitas.blogspot.com

Evento Corpos em Lisboa - Flyer OFICIAL

terça-feira, julho 17, 2007

O SENTIMENTO DO MUNDO A PARTIR DAS LUZES: CIÊNCIA, TÉCNICA E ARTE

Na sequência do Renascimento e do Humanismo, a partir dos séculos XIV, XV e XVI, a valorização do homem e da razão passam pelo chamado Século das Luzes (século XVIII), denominação esta provinda da crença dos filósofos da época, na possibilidade de esclarecimento das mentes das pessoas através das ideias. Como disse Fátima Nunes (1), na centúria de setecentos Ciência, Cultura, Filosofia Natural faziam parte de um ideário de cosmopolitismo cultural decorrente de um novo olhar antropológico sobre a Natureza. Entre os vários nomes envolvidos nos acontecimentos ocorridos nos países europeus como Inglaterra, França e Alemanha, além da independência americana, destaquemos aqui, a figura do futuro primeiro-ministro português, o Marquês de Pombal, que entre 1738 e 1745, havia sido embaixador em Londres. Decerto, Pombal bebeu da ideologia que fervilhava na Inglaterra e fez esforços para implantá-la em Portugal, aquando do seu retorno, transparecendo uma figura de personalidade energética, racional e iluminada, mais tarde tendo seu nome associado à Ciência e à Técnica. Verifica-se na cronologia do Marquês de Pombal, que os ideais o rondaram desde cedo, como por exemplo nas reuniões da Academia dos Ilustrados com discussões científico-filosóficas na casa do seu tio (2). Sua intervenção para a reconstrução de Lisboa devido ao terramoto de 1755 foi determinante. Pombal desenvolveu reformas da educação e Coimbra tornou-se referência no ensino universitário com os saberes organizados por categoria, a criação dos gabinetes, laboratórios e espaços de aprendizados diversos.

Sejam de particulares ou de grupos ou agremiações, de um modo geral, a criação de locais para se aglomerar os saberes se intensificou. Esses chamados gabinetes científicos continham uma variedade de informações museológicas, artísticas, escritos, objectos e curiosidades, como que numa necessidade de representação e de apreensão do universo num local privilegiado. Por outro lado, além dessas concretizações, digamos estáticas, a filosofia do iluminismo experimentaria suas concepções através de um sentimento dinâmico e explorador nas viagens ao Novo Mundo. Dentro dessa nossa explanação com um viés voltado para a parte cultural técnico-científica, com a fundação de um manancial de Museus Públicos e Privados, Academias, Jardins Botânicos, Conferências e Reuniões, sob o comando de um naipe de intelectuais portugueses estrangeirados, a evolução das artes andava paralela, ou vinha no rastro do caminho desbravado pelas Luzes.

Parece-nos coerente afirmar que no século XIX (3), as teorias e ideias das Luzes do XVIII culminariam em suas aplicações práticas com maior ênfase. O espaço dos gabinetes científicos foi substituído pelos laboratórios onde o profissional da ciência manipula, experimenta, ensaia... (4). A difusão dos conhecimentos, o que alimentaria a opinião pública, intensificou-se através da imprensa periódica científica, cultural, especializada ou popular, dos comícios científicos, dos relatos às expedições, ocorrendo a níveis nacionais e internacionais. Porém, aos poucos essa grande massa pública foi se afastando cada vez mais da restrita e singular comunidade científica, encontrando-se entre ambos os grupos, os mitos científicos das personagens realizadoras e das realizações entre máquinas a vapor, locomotivas, invenções gerais, etc. Assim, entre uma série de acontecimentos político-sociais, a cultura dinamicamente recebia a influência externa e, dentro do seu locus, fervilhava qual um organismo vivo incitando e influenciando os artistas a produzirem, através das realizações de outros.

1) NUNES, Fátima. [2002]. Opinião Pública, Ciência e Tecnologia – Portugal XVIII-XX, in Revista de História e Teoria das Ideias, Vol. XV (2ª Série), Universidade Nova de Lisboa, Lisboa, p. 212.
2) O Marquês de Pombal teria aproximadamente 18 anos de idade. Um dos ilustres nestas reuniões era o 4º Conde da Ericeira, futuro director da Real Academia da História. (Fonte: http://www.instituto-camoes.pt/revista/revista15s.htm, 20 de abril de 2006).
3) O século XIX pode ser denominado o século largo, sendo considerado o seu início em 1789 com a Revolução Francesa e o seu término em 1914 com a Primeira Guerra Mundial (El hombre del siglo XIX. Versión española de: José Luís Gil Aristu. Madrid: Alianza Editorial, p. 11).NUNES, Fátima. [2002]. Opinião Pública, Ciência e Tecnologia – Portugal XVIII-XX, in Revista de História e Teoria das Ideias, Vol. XV (2ª Série), Universidade Nova de Lisboa, Lisboa, p. 215.

sábado, julho 14, 2007

Make some Noise - Save Darfur


John Lennon procurou a compreensão entre os povos. E não lutou em vão. A sua música foi regravada – graças à cedência de Yoko Ono dos direitos de autor à AI - por mais de 60 artistas mundialmente reconhecidos. Foi disso que tratou o lançamento dia 2 de Julho de “Make Some Noise, Save Darfur”. Um gesto a favor das causas da Al, em particular para permitir ajuda humanitária ao Darfur, Sudão. Uma crise que dura há quatro anos e que arrasta consigo mais de 200 000 mortes e milhões de vítimas.
Fazer música é poder expressar o que sentimos, pensamos ou simplesmente desejamos. São sons, palavras que procuram um eco. As mensagens de John Lennon ganham um novo sentido e chega às novas gerações.

Assim e desde 2 de Julho pode contribuir para a defesa da população - que hoje maiores ataques está a sofrer aos seus direitos humanos – ao comprar o álbum “Make Some Noise, Save Darfur”. Este será distribuído pela Warner Bros. Records. Desde já pode aceder ao álbum através do sistema iTunes.

São muitas as estrelas que decidiram iluminar mais este percurso na defesa dos direitos humanos. O álbum da Warner Bros. Records é constituído por 2 CD’s de 28 canções regravadas (segundo as faixas de músicas) por:

U2, R.E.M., Christina Aguilera, Aerosmith, Sierra Leone’s Refugee All Stars, Lenny Kravitz, The Cure, Corinne Bailey Rae, Jakob Dylan, Dhani Harrison, Jackson Browne, The Raveonettes, Avril Lavigne, Big & Rich, Eskimo Joe, Youssou N’Dour, Green Day, Black Eyed Peas, Jack Johnson, Ben Harper, Snow Patrol, Matisyahu, The Postal Service, Jaguares, The Flaming Lips, Jack’s Mannequin, Mick Fleetwood, Duran Duran, A-ha, Tokio Hotel, Regina Spektor.


ImageNo álbum já disponível no iTunes (em arquivos de música digital), poderá ouvir 10 canções – extra - de John Lennon revisitadas por Gavin Rossdale, The Deftones, Ben Jelen, Meshell Ndegeocello, Rocky Dawuni, OAR, Widespread Panic, Emmanuel Jal, Fab Faux e Yellowcard.

Para mais informações consultar o site www.noise.amnesty.org

Esta é uma acção que pretende apoiar a população vítima desta crise dos direitos humanos e de outras suas violações, paralelamente a uma petição que pode desde já assinar.



A petição que pode desde já salvar vidas

Em conjunto com a comunidade internacional – governos e organizações não governamentais - a AI tem pressionado as autoridades governamentais e os grupos rebeldes no Sudão a pararem de imediato esta catástrofe humanitária.

A AI lançou uma petição global que apela ao governo sudanês para um reforço da segurança no país. Pede para que deixe entrar no seu território 20 000 capacetes azuis (forças das Nações Unidas) para se juntarem aos esforços da União Africana no terreno no restabelecimento da paz.

Apela às autoridades do governo central de Cartum – que nega apoiar milícias e que tem resistido a pressões internacionais para controlá-las – para terminarem os ataques contra os civis, desarmarem a milícia regional (a Janjawid) e deporem as armas. Insiste – junto das fronteiras – para que alimentos e medicamentos possam chegar.

Em 2003 e 2004, a AI forneceu alguma da documentação primordial – como seja relatos a partir do terreno – que alertavam para a catástrofe eminente no Darfur. Tem actuado no Sudão mediante o envio de investigadores em 2004. Em 2007, a AI já enviou mais duas missões e está hoje com mais duas planeadas.

O desenrolar da crise

Assassinatos, tortura, destruição de casas, deslocações forçadas e violência sexual são crimes qualificados contra a humanidade num tribunal internacional. E o Darfur é, infelizmente, um dos seus principais palcos.

Quatro milhões e meio de sudaneses (dois terços da população) estão em risco no Darfur. Mais de 200 000 pessoas morreram em resultado directo do conflito vivido no país. Os deslocados são mais de dois milhões e meio, milhares os dispersos na República Centro Africana.

Duzentas e quarenta mil pessoas tiveram de se refugiar no Estado vizinho Chade e cerca de 100 000 naturais do Chade saíram, por sua vez, do seu país. Seres humanos a quem a ajuda internacional não consegue chegar, nem sob a forma de alimentos, nem de medicamentos, nem de defesa.

A crise dura desde 2003 desde que o governo sudanês incorporou no seu exército a milícia muçulmana de origem árabe Janjawid (que quer dizer o “diabo chegou a cavalo”). Isto, para acabar com os levantamentos de rebeldes – de minorias étnicas como Fur, Massaleet e Zagawa – que alegaram, por sua vez, serem vítimas de abusos.

Esta situação tem origem em tensões antigas e centra-se em rivalidades étnicas numa zona do Sudão onde os árabes – principalmente nómadas - não constituem a maioria e lutam pelos recursos. A escassez crescente de terras leva a uma partilha, muitas vezes forçada, das propriedades dos agricultores com os nómadas.

O conflito de 2003 deflagrou no Darfur (oeste do Sudão) dadas agressões de rebeldes contra o governo sudanês, localizado em Cartum. Hoje, no Chade - na fronteira com o Sudão – crê-se que milícias deste país também actuem contra a população. Já foi assinado um tratado de paz mas o contínuo ressurgimento de grupos rebeldes tem levado a sucessivos adiamentos.

Entretanto, o povo de Darfur encontra-se no meio deste fogo cruzado e é vítima do que podemos considerar uma limpeza étnica. Ajude pode ser parada com a sua ajuda.

Assine a petição da AI na página www.amnesty.org/noise


Ensaio sobre o Teatro



Partindo da adaptação teatral pelo Teatro O Bando, da obra literária do Prémio Nobel José Saramago “Ensaio sobre a Cegueira”, Rui Simões realiza um longo documentário sobre todo o processo criativo, até à estreia, constituindo em si um ensaio sobre a arte de fazer teatro.

"Um homem, que está ao volante do seu automóvel parado num semáforo no momento em que surge o sinal amarelo, fica de repente cego."

sexta-feira, julho 13, 2007

Festival Internacional de Teatro de Almada 2007


O Festival Internacional de Teatro de Almada integra, há quase 25 anos, o calendário das grandes iniciativas culturais realizadas em Portugal e a 24ª edição já chegou e inclui música, dança, teatro, cinema, exposições, workshops, debates e colóquios. Até 18 de Julho, as representações provêm dos mais variados cantos do mundo – Argentina, Bélgica, Chile, Colômbia, Espanha, França, Itália, Lituânia, Noruega, Vietname, Portugal – tentando mostrar as suas diferentes culturas.

Nesta 24ª edição do Festival, a programação é de qualidade, embora este facto não seja novidade para quem acompanha o festival todos os anos. As propostas são variadas e isso traduz “o estado actual do teatro e das diferentes formas de questionamento do Mundo em que ele se situa e com o qual se defronta”, refere Joaquim Benite, director do festival.

O festival inclui, não só a participação de figuras consagradas do teatro internacional, como é o caso do inglês Peter Brook, do francês Bernard Sobel e da companhia belga tg STAN, mas também a apresentação de trabalhos de jovens criadores contemporâneos, como é o caso do lituano Oskaras Korsunovas, o argentino Rafael Spregelburd e do norueguês Finn Iunker. Além disso, na área da dança destaca-se também a presença da famosa companhia italiana Aterballeto.

Telf. 212 739 360

Informação

Exposição Jovens Artistas - Alentejo

Na presença do Secretário de Estado da Cultura, foi inaugurada dia 7 de Julho, pelas 18 horas, no centro de Artes de Sines, a exposição "Jovens Artistas - Alentejo". Esta exposição reúne os trabalhos de três artistas seleccionados por um júri, de entre os quais será escolhido o vencedor do "Prémio da Direcção Regional da Cultura do Alentejo / Universidade de Évora para jovens criadores de artes visuais". Os artistas presentes na exposição são Rui Macedo, Susana Pires e João Pedro Mateus, este último, licenciado em Artes Visuais (Pintura) pela Universidade de Évora.

A exposição estará patente no Centro de Artes de Sines até 26 de Agosto. Posteriormente, pode ser visitada nas cidades de Ponte de Sôr (11 de Outubro a 4 de Novembro), Elvas (16 de Novembro a 15 de Dezembro) e Évora (21 de Dezembro 2007 a 25 de Janeiro de 2008).


Sobre o Prémio

Depois de algumas décadas de projectos esporádicos, a situação da divulgação da Arte Contemporânea no Alentejo parece encontrar-se actualmente num ponto de viragem para um trabalho mais continuado, fundado em estruturas perenes. Depois da licenciatura em Artes Visuais a Universidade de Évora lançou outros cursos de pós-graduação e instalaram-se, ou estão em vias de instalação, centros de relevante importância e dimensão em Sines, Elvas e Ponte-de-Sôr, que se espera mudarão significativamente o panorama da região, quer na oferta cultural contemporânea, quer nas condições de produção e habitabilidade de jovens criadores no Alentejo.

O Prémio criado pela Direcção Regional de Cultura do Alentejo e apoiado pela Universidade de Évora pretende incorporar o seu resultado na programação desses centros, criando entre eles um programa comum de itinerâncias que se espera possa em breve passar para a Extremadura espanhola, ampliando o impacto da iniciativa junto do público, e amplificando a visibilidade do conjunto de artistas escolhido em fases relativamente embrionárias das suas carreiras.


Fonte: UEline

Fundação José Saramago

Podemos encontrar no Jornal de Letras desta quinzena a informação da criação de uma fundação em nome de José Saramago que visa preservar e estudar a sua obra literária e espólio. A sede da fundação vai repartir-se entre Lisboa e Lanzarote, com representações em Azinhaga do Ribatejo e Castril (Córdoba).
A PREMIERE & DVD ESTÁ DISPONÍVEL ONLINE AQUI.

O INATEL promove, pela 2ª vez, o Concurso de Vídeo.

Esta iniciativa tem por objectivo promover o vídeo como meio de expressão artística e cultural, estimulando os Associados do INATEL à utilização imaginativa de um suporte cada vez mais presente nas produções artísticas, pelo que a sua importância é crescente nos meios audiovisuais.
Atreva-se. Filme. Participe!!!


PREPARE O SEU VÍDEO DE 15 MINUTOS E CONCORRA!


Data limite para entrega de trabalhos – 31 de Outubro de 2007

Festa do Cinema 2007


O INATEL traz pela primeira vez a animação e a magia do Cinema ao Parque de Jogos de Ramalde com as mesmas características da Festa que decorre em Lisboa e que este ano comemora a sua 6ª edição.

Agora é a vez da Invicta!

Num Ecrã com 300m2 e ao Ar Livre, serão exibidos 8 Grandes Filmes para todos os gostos e idades, num espectáculo único nas noites de Verão da Cidade do Porto.

Começando com mais uma grande aventura dos “Piratas das Caraíbas”, poderemos ainda ver o vencedor dos Óscares da Academia “The Departed: Entre Inimigos”. O Cinema Português não podia deixar de estar presente, com António Feio e José Pedro Gomes no “Filme da Treta”.

Esta é a sua possibilidade de ver Cinema num ecrã do tamanho da sua imaginação!

Não falte!

MoonSpell - The Great Silver Eye


O Primeiro Best dos Moonspell, feito numa colaboração entre a banda e a editora. Não dá para ignorar...

  1. Wolfshade
  2. Vampiria
  3. Alma Mater
  4. Opium
  5. Raven Claws
  6. Full Moon Madness
  7. Second Skin
  8. Magdalene
  9. Soulsick
  10. Lustmord
  11. Firewalking
  12. Nocturna
  13. Everything Invaded
  14. Capricorn At Her Feet
  15. Finisterra
  16. Luna

Concurso Literário- Relançamento do Prémio Nacional de Poesia António Ramos Rosa

A Câmara Municipal de Faro relança o Prémio Nacional de Poesia António Ramos Rosa, após um interregno de 6 anos, cujo objectivo é premiar um livro em Português, de autor português, publicado integralmente, em 1.ª edição, no ano de 2006.

Trata-se da 3.ª edição desta iniciativa, tendo a primeira decorrido em 1999 e o prémio sido entregue a Fernando Echevarria. A segunda edição teve lugar em 2001, integrada no Festival de Poesia Internacional de Faro, tendo sido atribuído o prémio a Fernando Guimarães.

REGULAMENTO

Artº 1º - O Prémio Nacional de Poesia António Ramos Rosa, instituído pela Câmara Municipal de Faro, com o apoio da Direcção Regional de Cultura do Algarve e da Universidade do Algarve, destina-se a galardoar um livro em português, de autor português, publicado integralmente, em 1ª edição, no ano de 2006.

Artº 2º - O valor deste Prémio, a cujo concurso não são admitidas obras póstumas, é de € 5 000 (cinco mil euros).

Artº 3º - A divulgação deste Regulamento é feita através dos meios de Comunicação Social, associações de escritores, editores e livreiros.

Artº 4º - De cada livro concorrente serão enviados 5 exemplares para a Câmara Municipal de Faro – Divisão de Cultura – Largo de S. Luís, Edifício Celeiros II, 11 C, 3º Dtº 8000-143 Faro. Destinam-se estes exemplares aos membros do júri e Biblioteca Municipal António Ramos Rosa, devendo ser entregues, por correio ou em mão, até 15 de Agosto de 2007.

Artº 5º - A Câmara Municipal de Faro designará os três membros do Júri, de que não poderão fazer parte poetas ou editores com obras a concurso.

Artº 6º - O Júri disporá de 60 dias para deliberar, reunindo nesse período de tempo as vezes que entender necessárias.

Artº 7º - O Prémio Nacional de Poesia António Ramos Rosa será atribuído a um único livro e não ao conjunto da obra do seu autor. A deliberação é tomada por maioria simples, excluindo-se sempre as posições de abstenção e as possibilidades de atribuição ex-aequo e de menções honrosas.

Artº 8º - O Prémio não será atribuído se o Júri entender que nenhuma das obras a concurso o justifica.

Artº 9º - Tomada a deliberação, de que não cabe recurso, o Júri lavrará uma acta final que, em anexo, conterá as declarações de voto de cada um dos membros.

Artº 10º - A Câmara Municipal de Faro nomeará um Assistente de Júri, sem intervenção nos debates e votações, que prestará todo o apoio aos trabalhos do Júri.

Artº 11º - Far-se-á o anúncio da obra premiada logo após a deliberação do Júri, dando-se a conhecer em momento oportuno e pelos meios considerados idóneos, os fundamentos da opção deste, designadamente através das declarações de voto dos seus membros.

Artº 12º - As edições subsequentes da obra galardoada deverão referenciar, em lugar destacado do volume e da cinta, de forma correcta, o Prémio e a entidade que o institui.

Sugestão Bloguista de um dos programas da televisão portuguesa mais interessantes e utéis a passar na RTP2:

SOCIEDADE CIVIL

quinta-feira, julho 12, 2007

Entrevista a Hugo Cabelo


Hugo Cabelo, natural de Lisboa, tem 26 anos, um livro publicado com o título fascinante "Enxerto Excerto" e uma relação profunda com as palavras. Vale a pena conhecê-lo melhor...

1º Livro Publicado "Enxerto Excerto"

Entrevista:

É um imenso prazer poder contar com as suas palavras aqui no nosso Blogue. Esperamos que com estas questões os nossos leitores o possam vir a conhecer melhor e, quem sabe, para quem ainda não "o" leu, despertar o interesse para o seu trabalho literário.

sandra martins – Que idade tem? Qual é/ foi o seu percurso académico? Qual é a sua profissão?

Hugo Cabelo – Tenho 26 anos, completei o 12º e neste momento sou técnico de informática.

s.m. Quando começou a escrever?

H.C. – Comecei a escrever “a sério” a partir dos 15, encontrei uns escritos mais antigos dos quais não me lembrava, não sei onde os colocar cronologicamente, não me lembro sequer de os ter escrito, mas a letra é minha. O marco foi mesmo os 15.

s.m. Além do livro que apresentamos hoje aqui no Cultura já publicou e/ ou publica, actualmente, noutros suportes? (Quais?)

H.C. – Costumo enviar alguns poemas a amigos por e-mail, ponho outros no meu blog, no myspace, no site luso-poemas e no site varanda das estrelícias e talvez noutros que agora não me lembro.

s.m. Actualmente a Internet é uma importante ferramenta na divulgação de todo o tipo de arte. O que pensa deste mundo? A criação destes suportes foi posterior ou anterior à publicação do seu livro?

H.C. – Neste momento a internet está cheia de informação; saturada. Muitas vezes é difícil achar o que buscamos, no entanto há novas oportunidades, novas maneiras de expor trabalhos que antes não existiam. Como tudo tem o seu lado negativo e positivo, depende do uso que lhe derem. Eu acho que é uma ferramenta importante que reúne a potencialidade de todos os outros tipos de media que conhecemos assim como a possibilidade de encontro de pessoas interessadas num determinado assunto com importantes pontos de vista diferentes (uma vez que reúne gente de todo o mundo, o que implica diferentes culturas). É portanto uma ferramenta de expansão. Relativamente ao meu trabalho foi publicado posteriormente a este “boom” e foi o que me permitiu publicá-lo.

s.m. Com certeza já terá recebido boas críticas em relação ao seu trabalho literário. Como se sente perante as palavras dos seus leitores e críticos?

H.C. – Recebi umas poucas e pouco objectivas, mas é sempre gratificante uma crítica positiva (ainda não recebi nenhuma negativa... cá me estou a preparar).

s.m. Qual foi a sensação de ver o seu primeiro livro publicado? Trouxe mudanças?

H.C. – A primeira sensação foi de euforia, porque já tinha tentado antes (concursos, editoras, etc.), mas depois tornou-se um processo penoso (pelo menos no meu caso) e demorado. Uma vez que a editora do meu livro é do Porto não houve um acompanhamento tão próximo como queria. Sou extremamente controlador, aliás, umas das primeiras perguntas que fiz à editora foi se tinha também o controlo artístico da capa (felizmente recebi um sim). As mudanças são ainda muito subtis, mas existem! Estou a deixar passar um tempo nem sei bem para quê, talvez para a obra se fixar onde quer que seja o seu lugar. Estou ansioso por editar outro, mais organizado, tenho muito material espalhado pelo quarto.

s.m. Então aventurou-se no mundo dos Concursos Literários...
H.C. – Sim, o meu primeiro foi na escola Ferreira de Castro em Oliveira de Azeméis do qual recebi uma menção honrosa (deve ter sido pelo exagero uma vez que enviei quatro livros se não me engano. Concorri também ao prémio de poesia Cesário Verde realizado pela Câmara de Oeiras (mais perto de onde vivo, o meu Concelho).

s.m. Conte-nos que tal é a experiência dentro da barriga do monstro livreiro do nosso país.

H.C. – Não foi! Acho que ainda não me apercebi do que se está a passar, se é que se está a passar alguma coisa.

s.m. Como surgiu o título do seu livro “Enxerto Excerto”?

H.C. – Até este momento estava no segredo dos deuses... Este livro foi compilado com excertos da minha obra pessoal para o concurso Cesário Verde e é um enxerto de mim, nada mais simples. Há outras “forças” na escolha do título, nomeadamente o jogo das duas palavras semelhantes, há também outros significados que vou atribuindo ou desmistificando em diferentes alturas. Muitas vezes não são tão simples como a explicação anterior.

s.m. Fale-nos um pouco da sua obra.

H.C. – Não sei bem como responder a esta, talvez a possa definir como poesia catártica. Cada um interpreta de maneira diferente, não quero condicionar essa interpretação.

s.m. O que considera mais complexo - escrever poesia ou prosa?

H.C. – Numa música de Wordsong Pessoa (Uma Nova Espécie de Santo) ouve-se repetidamente: “Só a prosa é que se emenda (...) Nós não falamos em prosa, falamos em verso, em rima (...) falamos sim em verso, em verso natural”. Comparando o meu processo com aquele que acho que é o processo da prosa, acho a poesia penosa em termos de sentimento, talvez a escrita da prosa também o seja. Hoje em dia não há aquela regra rígida do soneto e outras formas, nem necessidade de rima. Acho que ambos são complexos, talvez de maneiras diferentes.

s.m. Teve formação académica em Escrita Criativa? O que pensa desta disciplina?

H.C. – Não tive. O que penso, bem, para algumas pessoas deve resultar. O meu processo criativo é diferente, não é imposto, surge, aliás, urge, grita em mim e tenho que o vomitar. Se me fosse proposto um tema teria que ser um com o qual tenho alguma afinidade e que me provoque.

s.m. Em termos literários, acredita no termo "Inspiração", no termo "Transpiração" ou na sua simbiose?

H. C. – Sim, acredito. Talvez a minha definição desses termos seja diferente.

s.m. Sente necessidade de organizar o seu tempo para escrever?

H.C. – Acho que não conseguia marcar horas na minha agenda para escrever, não o faço como uma rotina, é um impulso, uma necessidade, não é raro refugiar-me numa casa de banho sossegada para escrever, preciso de me retirar. Se estiver num sítio apinhado de gente, então recorro ao que me pode dar mais privacidade... neste caso o privado. Eu sei que é uma ideia um pouco perturbante até, mas é a minha urgência em escrever que me faz tomar essa atitude. Se não conseguir “fugir” para lado nenhum não tenho problemas em sacar do meu bloco e caneta (que me acompanham para todo lado) e desatar a escrever, às vezes até em transportes públicos. As palavras gritam no meu cérebro, há dias em que a tempestade de sinapses é tão grande que acho que se tivesse oportunidade de ficar num quarto fechado por um dia escrevia um livro de uma assentada só.

s.m. Como caracteriza o seu processo de escrita?

H.C. – Urgente, gritante, fisiológico.

s.m. O seu livro foi editado pela Corpos Editores. Como foi o processo?

H.C. – Não tive cérebro para analisar o processo, foi um pouco estranho, tanto as coisas corriam a mil como estagnavam. Andei entre os pólos da ansiedade e a total calma. Em relação à Corpos, na altura brami aos céus pela oportunidade, mas também os condenei, por mera culpa minha. Não me apercebi que seria considerado uma edição de autor, nunca me foi apresentado como tal. Espero que a editora cresça e invista na distribuição e apoio aos autores e na divulgação. Com os meios que têm já fazem muito, mas precisam fazer mais, desenvolver os meios para isso, crescer. Ou talvez não seja esta a filosofia da Corpos.

s.m. O que pensa das edições de autor?

H.C. – Depende da intenção do autor. Se eu quiser editar um livro para familiares e amigos é uma boa solução. Se o autor quer editar e não encontra outra forma, então ainda bem que existe este tipo de edição.

s.m. Qual é a sua opinião em relação ao mundo editorial?

H.C. – Esta é meramente a minha opinião e talvez mude um dia, mas para mim é um mundo de cunhas, assim como tudo. Infelizmente é assim que vejo. Depois temos as brechas, onde outras oportunidades espreitam, em que se luta e por vezes se consegue.

s.m. Acha que o público, em geral, é mais sensível à poesia ou ao romance? E qual será a razão?H.C. – Em geral, romance, sem dúvida. É mais objectivo, sequencial, contínuo... A poesia é mais subjectiva, isto deve fazer alguma confusão. Também há romances complicados!

s.m. Que autores lê frequentemente?

H.C. – Não sei! Sinceramente.

s.m. Qual foi, até hoje, o(s) livro(s) e/ ou autor(es) que mais o marcaram? Porquê?

H.C. – Esta é difícil, puxa pela memória, espero não ser injusto comigo e com os livros que amo: "Ensaio Sobre a Cegueira", José Saramago – Porque me arrepiou na primeira página e o desenrolar não decepcionou. "Cão Como Nós" – Manuel Alegre – Foi o primeiro livro a fazer-me chorar ao ponto de não conseguir ver as letras do livro (ainda por cima no autocarro!!!) "A Espuma dos Dias" – Boris Vian – Simplesmente surreal!"1984" e "O Triunfo dos Porcos" – George Orwell – Uma visão do que pode acontecer, de como pode acontecer. Uma chamada de atenção."Os Cavalos Também se Abatem" – Horace Maccoy – Este não vou justificar, gostei, pronto!E fiquemos por aqui.

s.m. Qual é, na sua opinião, o/a artista português(a) – das mais variadas vertentes artísticas - que merece, da sua parte, maior admiração pelo trabalho desenvolvido em prol da Cultura Portuguesa?

H.C. – Todos os que conseguem fazer chegar uma mensagem importante às massas.

s.m. Qual é a sua opinião em relação à divulgação da Arte em Portugal? E considera que o povo português demonstra um grande interesse pelas diversas formas artísticas nacionais e internacionais?

H.C. – Ainda há muito a fazer, como em tudo no nosso querido Portugal, acho até que regredimos um pouco ou então tenho uma ideia romântica dos tempos idos. Penso também que desvalorizamos os nossos e damos mais importância ao internacional. Basta ver a necessidade que muitos dos nossos artistas têm em vingar lá fora.

s.m. O que nos reserva para um futuro próximo, em termos de criação literária?

H.C. – Não sei, eu sou muito negativo, espero que esteja completamente errado, mas tudo é um pouco turvo.

s.m. Que conselho daria a quem sonha melhorar o seu processo de escrita e, por fim, publicar as suas palavras?

H.C. – Não tenho nenhum conselho específico. Quem escreve com sentimento segue-se a si mesmo, procura; o resto depende da resistência do indivíduo. É exasperante, mas talvez valha a pena.

s.m. Escolha, por favor, um excerto/poema da sua obra e transcreva-o para os leitores do Cultura poderem ter uma antevisão do seu livro.

H. C. Vou escolher um fora do livro que neste momento me diz mais que os que estão publicados:

Vermelho

Em mim e no que me enleia
É tudo vivo, vermelho.
De um sangue tão vivo
Que tudo e todos permeia.

Um vermelho sujo de ira,
Preenchido de raiva
Que apanhei por aí.
Nasce em mim o Sol.

Põe-se em mim o Sol
E o vermelho é vivo,
Tudo é vivo aqui,
Em mim e ao meu redor.

De um vermelho tão doce!
E tão fogoso também!
Como se todo eu tivesse sido posto a arder
E todo eu sou, de repente,
Um sagrado coração.

Nada... Nada...
Nada!
Nada disto sou,
Sou tudo, menos isto!
Isto, emano, irradio.

Acabo por encontrar diminuto
Em evidência por se destacar de tudo
Um quase nada;

E um pouco mais de nada
Eu seria o vazio!

Hugo Cabelo, 17/04/2007

s.m. Publicarei aqui, ainda, um outro do seu livro "Enxerto Excerto":

Olhar Incerto

Resgato memórias de papel rasgado
Tanta utilização, múltiplos significados.
Lembro-me ainda que pode ser errado,
Mas sinto o momento, apesar de passado.

Resgato cada movimento lento
Principalmente nos que me tocaste
Sem intenção; permanece a dúvida.

Nada pode acontecer,
Mas sou tentado
A tentar perceber
Que se tentasse
Poderia receber
De ti, todo o amor
Que busco e sonho.

Cair em malhas de amor secreto.
Talvez não seja um poema de amor
Estou de coração rasgado e aberto
E despejo em letras fingidas de temor,
Escritas a medo sem rasuras
Porque escrevo com intenções puras.

Acredita em cada palavra
Escrita quase a bruto sangue
Que te amo de verdade
E se não é esse sentimento
De ouro e prata
Então não sei o que sinto
E acho-me desafortunado
Por nunca ter amado.

Hugo Cabelo

s.m. Agradeço, em nome do Cultura, a sua simpatia extrema, a sua disponibilidade e interesse pelo trabalho que este blogue tenta fazer a nível da divulgação artística e desejo-lhe muito sucesso e inspiração.

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