quinta-feira, maio 07, 2009
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quarta-feira, junho 13, 2007
Sugestão de Leitura
Título: “Mataram o Chefe de Posto”
Autor: E. S. Tagino
Editora: Saída de Emergência
“Mataram o Chefe de Posto” é um romance sobre a guerra colonial: uma guerra psicológica, quase sem tiros, mas tão mortífera e brutal como qualquer outra. Mas, acima de tudo, uma guerra adversa, e condenada à partida, contra as forças mais perenes e inexpugnáveis da natureza.
Romance de descoberta do amor e de crescimento pessoal do alferes Ferreira e dos seus homens. Tudo numa caminhada iniciática de iluminação espiritual que trará os sobreviventes da idade das trevas até ao limiar da claridade mais auspiciosa. Porque o alferes Ferreira, o furriel Geraldes e o furriel Carmo, o cabo Bacalhau e o condutor Piruças, são, afinal, apenas versões do mesmo jovem português, subitamente retirado do seu ambiente familiar, feito soldado para se ver, aos vinte anos, a milhares de quilómetros de distância, confrontado com a irracionalidade, a defender interesses coloniais que não sabe quais são, nem sequer se lhe dizem respeito.
É por isso que o alferes Ferreira, filho dessa elite que suporta e beneficia com o regime, mal chega ao Kimbali, começa, de imediato, a entender as contradições existentes no seio da sua própria classe. Quer seja nas comparações que, mentalmente, vai fazendo sobre os hábitos e os comportamentos dos colonos; quer seja no tipo de conversas, sem freio nem censura, que vai escutando entre os mesmos, durante as suas visitas à cantina do China. Mas é, acima de tudo, no convívio com Fred Bower e Eibi que a perplexidade do alferes Ferreira atinge o seu ponto mais elevado quando, a certa altura, deseja e teme “partilhar a frivolidade libertina daquele casal especial”. Frivolidade que se catapulta na proposta que Eibi lhe faz de partilha impudica com Maria…
Maria que, com Eibi e Marta, forma o trio feminino que gravita à volta do alferes Ferreira. Mulheres que, cada uma a seu modo, arriscarão sempre alguma coisa para o salvar: seja a vida, a honra ou a reputação.
“Mataram o Chefe de Posto” é uma obra com inúmeras possibilidades de leitura onde se procura fazer o retrato de um tempo de fim de Império, de um tempo de transição onde os sentimentos explodem no sangue quente de uma juventude amordaçada, subitamente entregue a si própria. Desse tempo cínico mas contraditório, vivido na Metrópole e nas colónias, afinal, a ritmos tão diferentes.
Mas é também o retrato do paternalismo cínico dessa elite colonial, feita de funcionários administrativos, grandes fazendeiros, agentes comerciais, técnicos, capatazes e aventureiros, que caracterizou o tipo de sociedade colonial que soubemos criar. Gente apenas interessada na manutenção do seu estilo de vida e na prosperidade dos seus negócios, tecendo, quase sempre, sem qualquer pudor, ligações ambíguas de interesse comum com o “inimigo”. Gente para quem, muitas vezes, a tropa era apenas um empecilho ao desenvolvimentos das suas actividades mais lucrativas.
Apesar de tudo, o alferes Ferreira consegue, ainda assim, manter intacta a sua integridade, malgrado os complexos de culpa que o vão afligindo. E depois, felizmente, tal como na vida, nem tudo o que parece é. Nem Eibi nem Marta nem Maria são, afinal, apenas aquilo que parecem.
Por fim, restará, ainda e sempre, as crianças que vão nascendo: Ricardo e Ana – os irmãos de leite – como verdadeiras sementes de esperança capazes de manterem em aberto as pontes do futuro.
Como essa ponte – real e simbólica – que o alferes Ferreira teimou em deixar reconstruída, antes de sair do Kimbali, e se fazer, pela última e derradeira vez, à picada.
Porque a ficção é apenas a realidade contada de outra maneira.
quarta-feira, maio 16, 2007
Entrevista ao escritor Pedro Lopes.
(Clicar nas fotos para aumentarem)
J.F. O "Um Amor Perfeito numa Vida Imperfeita" é o teu primeiro livro?
P.L. Não, é o meu 4 livro mas o primeiro no género de Romance.
J.F. Tens mais projectos na gaveta à espera de serem libertados para o mundo editorial? Prosa? Poesia de novo?
P.L. Eu escrevo em ambas as vertentes quer prosa e prosa poética como também poesia. Considero que escrever em prosa é muito mais complicado, sobretudo quando escrevemos uma história com várias personagens que temos de interligar entre si.
J.F. Qual a sensação de ver um livro com o teu nome, publicado?
P.L. A sensação é em muito semelhante ao nascimento de um filho. É algo tão esperado que se torna uma sensação indescritível.
Mesmo que o façamos várias vezes será sempre como a primeira vez… outra sensação magnifica é ir a uma livraria e por acaso descobrires o teu livro como já me aconteceu, é muito bom…
P.L. Sim acredito. É algo que nos acompanha, uns dias mais que outros, que vai mas sempre volta…
É ela que nos faz escrever, que nos motiva que nos faz chegar mais além…
P.L. Operário Fabril
P.L. É um processo totalmente livre. Por vezes dedico quase todo tempo livre que tenho, por outras não dedico tempo algum…
P.L. Comecei a escrever desde que me conheço por gente, é algo que está profundamente ligado ao meu ser, ao meu interior, ao meu sentir…
P.L. Amar…
É tremer de frio e sentir calor
É perder sangue sem dor
É estar triste quando sorri.
Amar é acordar sem ter dormido
É sentir o coração nas mãos
É suar sem se mexer, é gemido
É intenso querer fazer Amor contigo.
Amar é andar mesmo sem pernas
É ser odiado e gostar de ti
É perder a cabeça e não apenas
É teu perfume no ar, eu senti.
Amar é sem reino ser Rei
É lutar sem espada
É ser humilhado e dizer Amei
Amar multiplicação de sentir centrado em ti…
Pedro Lopes – Reminiscência de Infinito Sentir – Edições Ecopy
-------------------------------------------------Obras de Pedro Lopes:
Reminiscência de Infinito Sentir - Edições Ecopy (Poesia)
Plenitude de Sentir - Editorial Minerva (Poesia)
Um Amor Perfeito Numa Vida Imperfeita - CorposEditora (Romance)
Postumus' Est - Edições Ecopy (Poesia)