quinta-feira, maio 25, 2006

Quando dormes nunca te Odeio - Hugo Santinhos Pereira


Pai Ausente
Pensar em ti. Fodendo contigo.
O teu dogma abandonou-te.
Deixou livre a cama para uma nova religião.
Dúvidas. Tu duvidaste de mim.
A tua Fé denunciou-te. Apontou o dedo. Acusou-te.
Ausentou-se permanentemente.
Doce triste revelação, bem escrita nas marcas do corpo.
Duas moedas de cinquenta cêntimos deixadas nos teus
olhos. Pensa nisso.
Pensa no barqueiro que já não vai estar lá para ti.
Dentes afiados e sonhos invertidos.
Marcas de um arco-íris azul-preto-roxo.
Deus branco pálido a sair do quarto.
Lutando para se desconectar de ti,
pingando para fora da tua cona.
Desligando de ti.
Sou melhor que o teu pai.
Sou melhor que nada.
(pág. 92)
(veja link em cima)